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RECANTO DA LEITURA

 
 
 
 
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  ALCOÓLICOS ANÔNIMOS QUEM SOMOS COMO FUNCIONA

Alcoólicos Anônimos é uma irmandade de homens e mulheres que compartilham
suas experiências, forças e esperanças, a fim de resolver seu problema comum
e ajudar outros a se recuperarem do alcoolismo.
O único requisito para se tomar membro é o desejo de parar de beber. Para
ser membro de A.A. não há taxas ou mensalidades; somos auto­suficientes,
graças às nossas próprias contribuições. A.A. não está ligada a nenhuma
seita ou religião, nenhum movimento político, nenhuma organização ou
instituição; não deseja entrar em qualquer controvérsia; não apóia nem
combate quaisquer causas. Nosso propósito primordial é mantermos-nos sóbrios
e ajudar outros alcoólicos a alcançarem a sobriedade. (Direitos autorais de
The A.A. Grapevine).

Essas são as primeiras informações que recebem sobre Alcoólicos Anônimos
todos aqueles que chegam a um de nossos milhares grupos, aproximadamente 97
mil espalhados pelo mundo todo, sejam alcoólicos que buscam ajuda para o seu
problema, sejam profissionais ou familiares de alcoólicos.
O assim chamado Preâmbulo é, portanto, fonte de preciosas informações a
respeito de nossa Irmandade, e é por esse motivo mesmo que iremos tentar
esclarecer item a item, esses Princípios que regem nossas vidas.
De todas as nossas Tradições, talvez as de anonimato: 11ª e 12ª sejam as
primeiras a terem sido estabelecidas em função realmente de seu caráter de
urgência. Ainda nos anos de 1935, os primeiros integrantes de nossa
Irmandade que ainda não tinha nome foram capazes de perceber a grave
necessidade de se preservar o anonimato de seus membros, sobretudo por causa
do estigma a que todo bebedor-problema estava sujeito. Hoje, porém, graças
ao crescimento de A.A., ao incremento das pesquisas no campo do alcoolismo e
à conscientização de nossos amigos da Medicina, nossa grande preocupação
quanto ao anonimato pessoal relaciona-se, sobretudo, à preservação de nossa
Irmandade. Sabemos que os maiores perigos aos quais estamos sujeitos não vêm
de fora, mas de dentro da nossa própria Irmandade. Por mais bem intencionado
que esteja um membro ilustre que faça parte de Alcoólicos Anônimos,
sugerimos-lhe que não informe sua filiação em nível público,
estabelecendo-se assim o princípio da atração em vez da promoção. Mas,
então, por que Alcoólicos Anônimos? Por que a Irmandade se chama assim? O
nome de nossa Irmandade é justamente o título de nossa primeira publicação.
Quando do processo de elaboração de um livro que descrevesse todos os passos
que deveriam ser seguidos por todos aqueles que desejassem a recuperação do
alcoolismo, pensou-se em diversos nomes: "O Caminho de Saída" , favorecido
pela maioria dos membros de Akron, e "Alcoólicos Anônimos", preferido pela
maioria daqueles de Nova York. Quando foi realizada uma votação nos dois
grupos, "O caminho de Saída" venceu por pequena maioria. Embora preferisse
"Alcoólicos Anônimos", Bill sabia que não podia resolver arbitrariamente sua
própria preferência e pediu a Fitz, que morava perto de Washington D.C., que
verificasse os títulos existentes no catálogo da Biblioteca do Congresso.
Havia 25 livros intitulados "O Caminho de Saída", 12 intitulados "O Caminho"
e nenhum chamado "Alcoólicos Anônimos".
Essa informação decidiu a questão e o título do livro se transformou
rapidamente no nome da Irmandade.

... é uma irmandade de homens e mulheres que compartilham suas experiências,
forças e esperanças, a fim de resolver seu problema comum e ajudar outros a
se recuperarem do alcoolismo...

No prefácio da primeira edição americana de nosso livro Alcoólicos Anônimos
(1939), Bill W. diz o seguinte: "Nós, de Alcoólicos Anônimos, somos mais de
cem homens e mulheres que nos recuperamos de uma aparentemente irremediável
condição mental e física. Demonstrar a outros alcoólicos exatamente como nos
recuperamos é o principal objetivo deste livro." Com essa frase, nosso
co­fundador reitera o caráter democrático da doença do alcoolismo, que não
escolhe suas vítimas; e nossa Irmandade reflete essa diversidade: é composta
de homens e mulheres de todas as raças, ricos e pobres, analfabetos e
letrados, religiosos e ateus, jovens e velhos, todos nós nos identificamos
por sermos alcoólicos que buscamos nossas recuperações pessoais, relatando
nossas experiências de sofrimento e recuperação, compartilhando nossas
forças para que possamos suplantar os obstáculos do dia-a-dia e levando
esperanças a todos aqueles que, através dos 12 Passos, desejam aquilo que
temos: uma vida digna, útil e feliz.

O único requisito para se tornar membro é o desejo de parar de beber...

Ao contrário do que ocorreu com o princípio do anonimato, a 3ª Tradição
talvez tenha sido de todas as Tradições a mais penosa para que aqueles
primeiros membros de A.A. de Akron e Nova York chegassem a um acordo, antes
mesmo da publicação de nosso Livro Azul. Naquela época, os poucos grupos já
existentes criavam diversas regras de ingresso, pois temiam que algum bêbado
fosse capaz de destruir a nossa Irmandade, que apenas dava seus primeiros
passos. Por isso, Bill W. resolveu pedir aos grupos, através do escritório
da Fundação do Alcoólico, que enviassem suas regras de ingresso. E os grupos
assim o fizeram. A lista total era quilométrica. Se todas aquelas regras
vigorassem realmente em toda parte, ninguém teria conseguido ingressar em
Alcoólicos Anônimos. Hoje, Alcoólicos Anônimos talvez seja, de todas as
sociedades existentes no mundo, a mais democrática, posto que recebe em seus
grupos todo e qualquer tipo de pessoa. "Dois ou três alcoólicos quaisquer
reunidos em busca de sobriedade podem se autodenominar um grupo de A.A.,
desde que, como grupo, não possua outra afiliação."
Para ser membro de A.A. não há taxas ou mensalidades; somos
auto­suficientes, graças às nossas próprias contribuições.
Por que A.A. deve ser pobre? Por que não aceitar doações de fora, mas
tão-somente de seus membros e, mesmo assim, anonimamente? Por que os nossos
grupos, escritórios e demais organismos não devem ser detentores de grandes
fortunas, mas devem ter o indispensável para o sustento de nossos serviços
essenciais que têm por objetivo único propiciar a realização do 12° Passo?
Por que dizemos que o material se une ao espiritual? Essas foram questões
cruciais para o desenvolvimento de nossa 7ª Tradição, onde consta, em sua
forma longa, que "os grupos de A.A. devem ser inteiramente auto-financiados
pelas contribuições voluntárias de seus próprios membros." A experiência tem
nos mostrado, freqüentemente, que nada pode destruir nosso patrimônio
espiritual com tanta certeza, como as discussões fúteis sobre propriedade,
dinheiro e em seu conjunto. Sabemos também que nisto residem dois aspectos:
a 7ª Tradição é para todos nós a oportunidade de colocar em prática a
humildade que reside no anonimato da sacola e a responsabilidade da
manutenção de nossos grupos e organismos de serviço e, conseqüentemente, a
sobrevivência de nossa Irmandade para as futuras gerações.

A.A. não está ligada a nenhuma seita ou religião...

Apesar de a maioria dos primeiros membros de A.A. terem sido educados em
religiões fundamentalmente cristãs, optaram sabiamente por tomar nossa
Irmandade acessível a todos os alcoólicos, inclusive àqueles de religiões
não­ocidentais ou ainda aos que não têm nem religião, nem fé alguma. A
respeito disso, Bill W. escreveu, em carta de 1940: Descobrimos que os
princípios de tolerância e amor tinham que ser enfatizados na prática. Não
podemos nunca dizer (ou insinuar) a ninguém que ele deva concordar com nossa
fórmula ou ser excomungado. O ateu pode se levantar numa reunião de A.A.,
ainda negando a Divindade, mas relatando o quanto mudou em atitude e ponto
de vista.
Sabemos por experiência que ele em pouco tempo mudará de idéia a respeito de
Deus, mas ninguém lhe diz que ele deve fazer isso. Todas as pessoas com
problema alcoólico que queiram se livrar dele e se ajustar bem às
circunstâncias da vida tornam-se membros de A.A., simplesmente se ligando a
nós.

...nenhum movimento político, nenhuma organização ou instituição...

"Sapateiro, não vás além da tua chinela... melhor é fazer alguma coisa
extremamente bem do que fazer mal muitas coisas." Esta é uma citação da 5ª
Tradição, mas que pode ser aplicada magnificamente bem à 6ª Tradição, já que
esta é uma conseqüência lógica daquela e nos diz aquilo que um grupo ou um
organismo de
serviço ou até mesmo um membro não deve fazer, em nome de A.A., ou seja,
endossar qualquer atividade que fuja ao nosso propósito primordial.
Apesar de A. A. ser grato, tanto à medicina como à religião, não podemos nos
tornar especialistas em nenhuma delas. Sabemos que a teologia é para os
clérigos e que a prática da medicina e psiquiatria é para os médicos.
Certamente que podemos fazer unidos o que não podemos fazer separadamente;
devemos sempre cooperar mas nunca competir.

...não deseja entrar em qualquer controvérsia; não apóia nem combate
quaisquer causas.

Na 10ª Tradição do Livro Azul, Bill W. confirma a posição de A.A. quanto a
questões alheias à nossa Irmandade acrescentando um elemento a que muitas
sociedades estão sujeitas: a controvérsia pública. Seja-nos permitido
reiterar que essa relutância em lutar uns com os outros ou com quem quer que
seja, não é considerada como uma virtude especial em razão da qual nos
sentimos superiores as outras pessoas. Nem quer ela dizer que os membros de
Alcoólicos Anônimos, agora reintegrados no mundo, irão esquivar-se às suas
responsabilidades individuais para agir como bem entenderem com relação aos
problemas dos nossos dias. Mas, em se tratando de A.A. como um todo, a coisa
é bem outra. Não entramos em polêmicas públicas porque se o fizéssemos nossa
Irmandade sucumbiria. Consideramos a sobrevivência e a expansão de
Alcoólicos Anônimos muito mais importantes do que o impacto que
coletivamente poderíamos causar em determinadas circunstâncias. Uma vez que
para nós a recuperação do alcoolismo representa a própria vida, torna-se
imperativo que preservemos na íntegra nossos meios de sobrevivência.

Nosso propósito primordial é mantermo-nos sóbrios e ajudar outros alcoólicos
a alcançarem a sobriedade.

Ao final da leitura de nosso Preâmbulo, nosso visitante descobre a razão de
estarmos ali: por nós mesmos, individualmente, e pelos outros, sejam eles já
nossos companheiros, sejam outros alcoólicos que vêm pela primeira vez a um
grupo de A.A. Esta é nossa única tarefa, e não temos outra: a 5ª Tradição.
Graças a tudo aquilo que os primeiros AAs nos transmitiram e a tudo o que
aprendemos com todos aqueles que nos antecederam, temos esta tarefa: levar a
mensagem de A.A. a todos aqueles que precisam e desejam aquilo que temos:
famílias inteiras se reintegrando, o alcoólico marginalizado sendo recebido
alegremente em sua comunidade como cidadão respeitável e, acima de tudo, ver
estas pessoas despertadas para a presença de um Deus amantíssimo em suas
vidas, são fatos que constituem a essência do bem que nos invade, quando
levamos a mensagem de A.A. ao irmão sofredor.
E o nosso termo de responsabilidade revela exatamente aquilo que sentimos:
"Quando qualquer um, seja onde for, estender a mão pedindo ajuda, quero que
a mão de A.A. esteja sempre ali. E por isso: Eu sou responsável."
Anônimo

Vivência nº 99 - Jan./Fev. 2006



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