Visitantes Online:  5

Home Page » Recanto da Leitura  
 
 
 
 

RECANTO DA LEITURA

 
 
 
 
<<< VOLTAR

  REVISTA VIVÊNCIA Nº 6 - DE JAN/FEV/MAR/1988 - Pag. 33



O VETERANO

Até hoje não achei que tivesse chegado a hora de expressar as
minhas opiniões, seja com respeito a A.A . ou com respeito ao alcoolismo.
Sempre achei o assunto ampla e maravilhosamente bem coberto pela
revista. Ultimamente, porém, dois problemas têm ocorrido vez por outra – o
dos veteranos, e artigos referentes ao que Bill e outros chamam de
"sobriedade emocional".
Alguns anos atrás, o veterano era uma raridade – digamos até mesmo
uns dez anos atrás, tão pouco. O lugar em que viviam , naturalmente, eram os
estados do leste norte-americano; só um ou outro se encontrava no Canadá ou
nos Estados do Oeste. Hoje em dia os veteranos são mais numerosos, mas por
vários motivos estão novamente escasseando nas reuniões. Eis uma situação
que não é boa para os veteranos, e certamente é muito ruim para A.A.
Vivo me surpreendendo com esta afirmação, que às vezes se ouve em
reuniões: "Em A.A. não existe senioridade." Ora, essa afirmação pode
facilmente qualificar-se como uma piadinha de salão. A pessoa que cunhou
essa belezoca deveria ter explicado que a falta de senioridade – ou seja de
uma hierarquia por antigüidade – somente se aplica em relação ao primeiro
gole. De outra forma, como aceitar e explicar o pouquinho de progresso
diário que nos é prometido no Livro Azul, desde que aceitemos praticar em
todas as atividades de nossas vidas os Doze Passos, integralmente?
Há montes de senioridade em A.A. A senioridade da sabedoria
adquirida com o correr dos anos. A senioridade da compreensão, da tolerância
com relação aos problemas de companheiros mais doentes do que nós. A
senioridade da fé, que nos torna capazes de amarmos o nosso Poder Superior e
confiarmos Nele, que nos permite perdoar e amar nossos vizinhos, e nos
ensina a nos amarmos e perdoarmos a nós mesmos também.
Na sua última grande palestra, o nosso co-fundador Dr. Bob
enfatizou bastante o que lhe aconteceu quando ele se afastou demais dos
"rapazes da enfermaria", e creio que é a mesma coisa que acontece com todos
nós quando esquecemos que a nossa sobriedade é condicional, que só permanece
enquanto passarmos adiante o que alguém uma vez se dispôs a passar para nós.
Não acredito que Deus nos tenha dado a sobriedade para racionalizarmos o
serviço à comunidade, em substituição ao serviço dentro de A.A. Os veteranos
precisam da associação constante com A.A. para manterem aquela calorosa
satisfação interna que tão bem conheciam quando freqüentavam A.A. havia uns
dez meses, e que perderam lá pelos seus dez anos.
O Grupo precisa de sua presença nas reuniões, pois assim proclamam
eles a sua própria necessidade de estarem presentes. Membros mais novos, por
sua vez, lembrarão esse exemplo e mais tarde, quando se tornarem veteranos,
também lá estarão. E assim A.A. se fortalecerá e crescerá.
Se o novato é o sangue que dá vida a A.A., então o veterano é nada
menos que o banco de sangue de A.A. Vejamos alguns fatos: os primeiros
veteranos escreveram o Livro Azul, e sua inspiração e sabedoria se
transfundiram para nós. Em Manitoba, A.A. foi iniciado por um membro que
veio de Minneapolis. Ele e seus companheiros nos disseram o que poderíamos
fazer, e quais as coisas que seria melhor não fazermos. Poupou-nos muitos
anos de tentativas e erros, o que é mais importante, com mais de dezoito
anos de sobriedade continua a frequentar o Grupo, e sua presença proclama,
em brados mais altos do que quaisquer palavras, o que essencialmente está
repetido em cada página do Livro Azul: que a nossa sobriedade nos é
concedida a cada vinte e quatro horas, e é condicionada ao nosso estado
espiritual.
É claro que os veteranos são importantes, portanto, que o saibam!
Talvez não sejam necessários para prover os afazeres do Grupo ou controlar
as finanças, mas se os veteranos em cada área forem freqüentadores fiéis e
assíduos das reuniões, então não teremos que nos preocupar com os novatos –
eles estarão em boas mãos. É bom lembramos o que o " A.A. Número Três" disse
à sua esposa quando Bill e o Dr. Bob o visitavam pela segunda vez: "Esses
são os rapazes de quem te falei; esses são os que entendem".

(Vivência nº 6, jan./mar., 1988, pág. 33)



<<< VOLTAR