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RECANTO DA LEITURA

 
 
 
 
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  ASPECTOS HISTÓRICOS DE A.A. NO BRASIL



DIFÍCIL COMEÇO



Corria o ano de 1945, um membro viajante norte-americano, de nome Bob Valentine, amigo de Bill W., de passagem pelo Rio de Janeiro, então capital nacional, conhece uma pessoa também norte-americana (não está totalmente definido se era homem ou mulher), com o nome de Lynn Goodale. Após uma conversa com Bob Valentine, Lynn Goodale encontra a sobriedade.

Ao que parece, a Fundação do Alcoólico era a responsável direta pela correspondência de Alcoólicos Anônimos com a sociedade e o elo entre a correspondência dos seus membros. Portanto, Bob Valentine, de volta aos Estados Unidos, em visita à Fundação do Alcoólico, passa-lhe o endereço de Lynn Goodale, como possível contato no Brasil. .

Prontamente, a secretaria da Fundação do Alcoólico escreve-lhe uma carta na qual solicita a confirmação do contato brasileiro, dizendo-se feliz por poder assinalar um ponto na cidade do Rio de Janeiro em seu mapa de contatos no exterior. Ao receber essa correspondência, Lynn Goodale responde afirmativamente sobre incluir-se como contato de A.A. no Rio de Janeiro e informa que sua estada no Brasil seria por pouco tempo. Solicita também, algum material (memorandos, boletins, etc.), e diz: “Há quatro meses evito o primeiro gole. Fazendo algo, creio que manterei a minha sobriedade (...) gostaria de ter alguma participação no crescimento de Alcoólicos Anônimos, aqui no Brasil.

A carta de agosto de 1945, assinada por Margareth Burgers, então, secretária da Fundação do Alcoólico, não altera em demasia os acontecimentos, mas marca o final da correspondência e Lynn Goodale entra em cena.

No ano seguinte, a Fundação do Alcoólico recebe a seguinte correspondência, vinda do Brasil:



Rio de Janeiro, 19 de junho de 1946 - Brasil



Ao Secretário do

A.A. Cosmopolitan Club

Nova Iorque.



Prezado Secretário:



Há coisa de um mês atrás, o remetente esteve em seu Escritório e antecipadamente prevendo sua mudança aqui para o Rio de Janeiro. Solicitou algum contato com um membro de A.A.. Fui gentilmente informado do nome de Lynn Goodale – Av. Almirante Barroso n 91, como o tal. Lamento informar que devido ao meu precário português, ou endereço incompleto, fui incapaz de localizar esta pessoa e o auxílio das listas telefônicas locais também foi insuficiente.

Você teria a paciência suficiente (considerando que o correio aéreo regular consome cerca de 29 valiosos dias na ligação Nova Iorque/Rio de Janeiro) de me fornecer instruções suficientes para contatar esta pessoa ou qualquer outro membro de A.A. no Rio?



Obrigado pelo seu interesse.



Herbert L. Dougherty

Rua Gustavo Sampaio, n 86 – Apto 402

PS. Você poderá incluir-me como contato para o futuro?



Tratava-se de Herbert L., um publicitário norte-americano, sóbrio deste 1945, quando conheceu ‘Alcoólicos Anônimos’ em Chicago e que veio ao Rio de Janeiro juntamente com sua esposa Elizabeth, para cumprir um contrato de três anos como Diretor de Arte numa grande companhia internacional de publicidade.

A resposta da Fundação do Alcoólico trouxe-lhe o nome de outras pessoas, Don Newton e Douglas Calders, as quais poderiam ajudá-lo; informou-lhe sobre a postagem de um “suprimento grátis de literatura” e trouxe-lhe um pedido de abordagem a um jovem de Recife.

Preocupado em manter a sua sobriedade e decidido a começar um Grupo de A.A. no Rio de Janeiro, Herb (como era conhecido) decide escrever à Fundação do Alcoólico, meses depois do último contato, dizendo não ter encontrado as pessoas indicadas. Nesta carta, datada de 02 de junho de 1947, Herb também informa que ele e sua esposa Elizabeth já haviam se adaptado bem ao Brasil e solicita mais nomes e endereços de possíveis AAs no Rio de Janeiro.

“Lynn Goodale e Don Newton deixaram o Rio de Janeiro”, diz a correspondência vinda da Fundação do Alcoólico, a qual também trás um pedido preocupado: “Não deixes passar outro ano sem correspondência” - e informa ao casal o novo endereço de Douglas Calders.

As cartas trocadas entre a Fundação do Alcoólico e Herb, continuaram. Na próxima, Herb envia um cartão constando seu nome e endereço cadastrando-se oficialmente como contato de A.A. no Brasil.

1947 foi o ano dos acontecimentos que culminaram com o início efetivo de Alcoólicos Anônimos no Brasil. No mês de julho, Herb recebeu o endereço de outro membro de A.A. residente no Rio de Janeiro e alguns panfletos em espanhol, e em outubro, a Fundação do Alcoólico expressa sua felicidade pelo início de um Grupo de A.A. no Brasil.

Contudo há uma lacuna entre a carta de julho e a carta de outubro. Foi justamente nesta época que se inicia o “Primeiro Grupo de A.A.”.





PRIMEIRO GRUPO DE A.A. NO BRASIL

O NÚCLEO DE A.A . DO RIO DE JANEIRO – “A.A. RIO’S NUCLEO”

5 de setembro, por que?



Pouco se tem documentado sobre a formação do Primeiro Grupo de A.A. no Brasil. O que se pode afirmar é que este Grupo de A.A. inicialmente era formado por norte-americanos, a serviço no Rio de Janeiro e que o idioma das reuniões, inicialmente sediadas nas casas ou apartamentos dos companheiros, era o inglês. A maior dificuldade, que Herb teve aparentemente, foi a de não falar fluentemente o português. Ele queria transmitir a mensagem de recuperação a brasileiros ou a quem falasse fluentemente o nosso idioma, pois sabia que quando de sua volta aos Estados Unidos, provavelmente todo o seu trabalho seria perdido.

Alguns pontos, inclusive a data do início do “A.A. Rio’s Núcleo” ou “Grupo de A.A. do Rio de Janeiro”, durante tempos foram envoltos em mistérios e em controvérsias. Vamos agora fazer uma parada na dissertação e dar uma olhada num fato sobre a formação deste Grupo de A.A..

Pudemos observar que o “livro de registros” do Grupo de A.A. Rio de Janeiro, na data de 29 de agosto de 1950, traz a seguinte anotação:

“Data: – aniversário

Na reunião de hoje, deliberamos comemorar o 3(terceiro) aniversário de participação da fundação do Grupo de A.A. do Rio de Janeiro, no dia 5(cinco) de setembro próximo.

A referente data ficará, por tradição, como a data oficial da Fundação do Grupo de A.A..

Rio de Janeiro, 29 de agosto de 1950.

Fernando – Secretário”



Este registro documentado é a mais clara evidência de que a data de início do Primeiro Grupo de A.A. no Brasil, foi dia 5 de setembro de 1947. (Embora exista uma palestra escrita por Harold, proferida em reunião do CLAAB, em 1978, afirmando que foi abril de 1948, é bom lembrar que a JUNAAB, ainda em Baependi/MG, aprovou, CONVENCIONANDO a data de 05 de setembro do ano de 1947. Infelizmente o secretário não menciona detalhes como e onde foi realizada a reunião inaugural, e nem quem foram os participantes dessa reunião.

O mais provável é que nessa data, deu-se o encontro de Herb com o primeiro brasileiro que conseguiu manter-se sóbrio em Alcoólicos Anônimos; foi o companheiro Antônio P., falecido em meados de 1951, quando tentava recuperar-se de um acidente de trabalho.



TRABALHO ÁRDUO COM OS OUTROS

CRESCIMENTO DO GRUPO DE A.A. GRAÇAS À INTENSA DIVULGAÇÃO





Na carta de outubro, vindo da Fundação do Alcoólico e que comentamos anteriormente, há uma sugestão para que o recém formado Grupo de A.A. trabalhasse firme na divulgação: ...”Por todos os meios, prossigam com os planos de levar Alcoólicos Anônimos ao conhecimento público. Muitos Grupos de A.A. têm achado que são de grande ajuda os artigos nos jornais e não há contra indicações quanto a isso, contando com as Tradições de A.A.- anonimato, propósito, dinheiro, etc. (...) Depois de estrondosa abertura a publicidade, um grande número de Grupos de A.A. tem usado anúncios pequenos, informando que estão funcionando e o endereço onde maiores informações poderão ser obtidas.”

Baseando-se, talvez, nessa sugestão, foi que Herb encaminhou uma carta ao jornal “O Globo”. O editor ficou muito entusiasmado e o artigo apareceu na primeira página da edição de 16 de outubro de 1949.

“Alcoólicos Anônimos – Uma Sociedade de Fins Meritórios” era o título do artigo que detalhava o funcionamento de A.A. “Alcoólicos Anônimos é uma sociedade composta por pessoas que tendo sido bebedores inveterados, conseguiram livrar-se do alcoolismo e trabalham com o intuito de se ajudarem mutuamente e se manterem sóbrios. Sendo ex-bêbados, não entramos em discussão com aqueles que bebem normalmente ou com os fabricantes de bebidas alcoólicas, nem somos contra essas pessoas. Não temos também, como Grupo, qualquer ligação ou afiliação com determinada igreja ou organização missionária ou organização de temperança. Como ex-bêbados, estendemos a nossa simpatia e auxílio a qualquer pessoa de qualquer classe social e de qualquer religião, que tenha perdido o controle sobre a bebida e que, sinceramente queira abandonar o vício”. Apesar de falar em “vício”, o artigo mostrava também o aspecto “doença”. Mencionava algo sobre o anonimato e Primeiro Passo e, por fim, solicitava aos interessados que escrevessem cartas à redação do jornal, endereçadas ao Núcleo brasileiro de A A..

O artigo repercutiu e Herb respondeu cerca de dez (10) cartas de pessoas pedindo ajuda, e o jornal solicitou outro artigo.

Depois, Herb e sua esposa Elizabeth – que parece ter sido a redatora da maioria das cartas – noticiaram o fato à Secretaria da Fundação do Alcoólico que, posteriormente, transmitiu as boas novas a Bill W.. Nesta mesma correspondência Herb demonstra preocupação em registrar a Irmandade junto ao Governo Brasileiro e informa ter encontrado Douglas Calders, com quem já havia feito algumas reuniões.

A manifestação da Fundação do Alcoólico, através da sua secretária Margareth Burger, foi típica de A.A.. Lendo a carta de novembro de 1947, pode-se sentir a emoção com que receberam a notícia do progresso brasileiro. Foi aí também, a primeira referência sobre a tradução do Livro Grande e de outros folhetos para o português e a informação de que só havia tradução para o espanhol.

Quanto ao “registro” junto ao Governo Brasileiro, a funcionária da Fundação do Alcoólico disse: “Discuti com Bill W. o assunto do material apropriado para submeter à apreciação do Governo Brasileiro. Bill W. acha que vocês podiam explicar às pessoas daí, que A.A. não é uma incorporação, mas é simplesmente uma organização sem fins lucrativos, cujo propósito primordial é o de ajudar na recuperação do portador da doença do alcoolismo, se ele o desejar. Caso vocês nos dêem o nome para contato com o Governo Brasileiro, a Junta de Custódios de A.A. poderá enviar a Constituição da Fundação do Alcoólico, que foi fundada para agir como uma espécie de Comitê de Serviços Gerais para Alcoólicos Anônimos e é uma incorporação”.

Aqui cabe uma pausa. Nesse trecho podemos notar o que Bill W. pensava quando dizia que ele e o Dr. Bob, eram o elo de ligação entre os Grupos de A.A. e os Custódios da Fundação do Alcoólico. No caso desse “registro brasileiro”, vemos como Alcoólicos Anônimos ainda carecia de uma estrutura e como Bill W. era o consultor direto da Fundação do Alcoólico.

Voltemos aos fatos. Só em abril próximo (1948), a Fundação do Alcoólico recebeu a resposta do casal Herb e Lib, como era chamada Elizabeth. Isso, segundo Herb, devia-se ao "tempo e trabalho árduo”. Nessa época havia várias boas novas: ...”contamos com quatro brasileiros. Somos seis se incluirmos Doug C. e eu mesmo. Esses quatro brasileiros estão abstêmios por seis meses ou mais. Nosso mais novo recruta veio através de uma carta que havíamos escrito a um pastor daqui.. Trata-se de um anglo-brasileiro que tem lido tudo que se relaciona com o A.A.. Traduziu “Os Doze Passos” para o português, ajudou-nos a escrever um artigo para os jornais aqui do Rio de Janeiro, e, no momento está nos ajudando a traduzir um folheto de A.A.”.

Nessa época, vários artigos já haviam sido publicados em jornais brasileiros e uma matéria foi veiculada num jornal direcionado à comunidade de língua inglesa, no Brasil, o “Brazil Herald”. Eles também estavam com um material pronto para publicação, aguardando somente o número de uma Caixa Postal a ser usada como endereço para a correspondência. Além de tudo isso, o recém formado Grupo de A.A. já havia postado cerca de trinta (30) cartas (sendo a metade em inglês) a médicos, igrejas e outras entidades do Rio de Janeiro e de Belo Horizonte. Enfim, essa correspondência foi tão carregada de progressos, que posteriormente a Fundação do Alcoólico solicitou a sua publicação no “A.A. Grapevine”.

Na correspondência seguinte vinda da Sede, notou-se a preocupação com a tradução do folheto para o português. Assim, foi solicitado a Herb que encaminhasse um exemplar para análise, bem como cópia de alguns dos artigos publicados nos jornais brasileiros, para apreciação e arquivo.

Neste mesmo mês, o livrete ou folheto de A.A. estava quase totalmente traduzido e a Associação Cristã de Moços (ACM), emprestou uma das suas caixas postais a Alcoólicos Anônimos, fato noticiado de pronto à Nova Iorque.



“LINGUAGEM DO CORAÇÃO”

DEPOIMENTOS EM “PRETO E BRANCO”



Sem sombra de dúvida, a maior dificuldade encontrada por aqueles pioneiros no Brasil, foi o idioma. Os brasileiros que chegavam não entendiam o inglês, e os americanos, residentes ou de passagem pelo Brasil, pouco ou quase nada falavam em nossa língua. Até mesmo Herb, já há dois anos no Rio de Janeiro, pouco dava “colorido” aos seus depoimentos em português – como ele mesmo mencionou. Hoje entendemos que só através da linguagem do coração, aquela que acontece quando um alcoólico fala com outro, é como estes membros se comunicavam. A recuperação, mesmo no Grupo de A.A. tornava-se quase que um desafio. Sentia-se muito, a falta de tradução do texto básico “Alcoólicos Anônimos” e, em virtude disso, alguém traduzia uma pequena parte e lia em cada reunião. Com este quadro de dificuldades, era premente a necessidade de receberem membros que falassem fluentemente os dois idiomas,(inglês e português). Talvez, por isso, deu-se tanta importância à chegada de Harold, mesmo sendo Antônio P., o primeiro brasileiro a chegar a Alcoólicos Anônimos. Vamos relembrar um pouco do encontro entre Herb e o valoroso Harold, numa carta escrita por ele mesmo (Harold) e publicada na revista “A.A. Grapevine”, em novembro de 1990.

“A história de A.A.no Brasil, começa em junho de 1946, quando Herb D., que havia ficado sóbrio há um ano em Chicago – EUA, vem para o Rio de Janeiro com um contrato para trabalhar como diretor artístico de uma empresa americana de publicidade. Como era novato no “Programa de Recuperação”, sua preocupação imediata foi procurar a Irmandade na cidade onde ele viveria por três anos. Alcoólicos Anônimos, entretanto, era desconhecido no Rio de Janeiro, embora Herb tivesse alguns nomes para fazer contato. Visto que nenhum desses companheiros permanecia por muito tempo no Brasil, a Irmandade ainda não havia criado raízes.

Após alguns meses de tentativas, Herb esperou pelo interesse dos bebedores-problemas brasileiros (e havia muitos no Rio de Janeiro, naquela época), para ajudarem-no a manter-se sóbrio e, levando a mensagem, formarem Grupos de A.A. no Brasil. Como em todo o mundo naqueles dias, alcoólicos no Brasil eram considerados um estorvo social, dos quais o verdadeiro lugar era numa clínica psiquiátrica ou na Delegacia de Polícia.

Em 1947, Herb conseguiu bebedores brasileiros como ingressantes. Um desses, era Antônio P., que parou de beber e manteve-se sóbrio com alguma dificuldade, em virtude da falta de literatura traduzida para o português, até sua morte num acidente em 1951. O outro brasileiro afastou-se das reuniões. As reuniões aconteciam nas casas de companheiros que estavam sóbrios.

O grande apoio de Herb vinha de sua esposa Libby, uma não-alcoólica que o incentivava muito no seu trabalho de levar a mensagem. Herb tinha uma correspondência volumosa com a Fundação do Alcoólico e conseguiu publicar alguns artigos sobre A.A. nos jornais do Rio de Janeiro.

No início de 1948, graças à boa vontade de um Bispo Episcopal que estava no Rio de Janeiro, Herb encontrou-se com Harold. Ele era um anglo-brasileiro com um caso de alcoolismo tido como perdido. Tinha servido o exército britânico durante a Segunda Guerra Mundial, retornando ao Rio de Janeiro em 1946. Nesse ínterim, havia perdido vários empregos; fora expulso da casa de seus sogros; perdido sua esposa, e por fim, ido morar no porão da casa de um irmão na cidade de Niterói, do outro lado da Baía da Guanabara. O Bispo e o irmão de Harold arranjaram um encontro entre os dois, para um sábado.

Nesse primeiro encontro, Herb contou a Harold (que havia bebido a manhã toda), a história de como tinha parado de beber, substituindo gole a gole, a bebida do seu copo, por água pura, até que passasse a beber somente água. Como, após muitas tentativas frustradas, ele tinha sido capaz de evitar encher o copo com bebida alcoólica e, assim, evitar o primeiro gole. Ele falou também sobre o Plano das Vinte e Quatro Horas, sobre a melhora na sua vida pessoal e empresarial. Por fim, Herb pediu a Harold que pusesse o sistema em prática e que, quando ele parasse de beber, tentasse traduzir o máximo possível, um folheto de A.A. que lhe entregara. Herb havia trazido esse folheto dos Estados Unidos, Os dois combinaram encontrar-se na quarta-feira seguinte, no prédio da Associação Brasileira de Imprensa (ABI), no centro do Rio de Janeiro, para que Harold mostrasse os progressos tidos na tradução.

Na data marcada, Harold teve um apagamento nas primeiras horas do dia, após ter tomado aquele que seria o seu último gole, usando o método sugerido por Herb. Apesar disso, naquela manhã, Harold barbeou-se, tomou banho, vestiu roupas limpas, comeu algo com a família incrédula do irmão e colocou-se a caminho – sóbrio, mas com uma terrível aparência – para encontrar-se com Herb, lavando algumas páginas que havia traduzido. Os dois encontraram-se no salão de café do prédio e, nesse encontro, um novo período de um mês foi fixado para que Harold, sóbrio, terminasse a tradução. Herb iria mandar imprimir a versão em português. Demorou mais do que o previsto, porém, no início de 1949, o panfleto estava impresso e começava a ser distribuído a todos que os solicitavam.

Em junho de 1949, quando Herb retornou aos Estados Unidos, havia um Grupo de A.A. com doze membros sóbrios, que se reuniam regularmente todas as segundas–feiras, à noitinha,numa pequena sala da ACM, do Rio de Janeiro. Herb, no início, apelidou o Grupo de A.A., de “Os Doze Desidratados”. Depois foi formalmente chamado de “O Núcleo de A.A. do Rio de Janeiro” e, finalmente ficou com o nome de “Grupo Rio de Janeiro de A.A.” .

Harold W.



(Datado de agosto de 1948, o cadastro de Herb e Harold, como membros do “Núcleo A.A. do Rio de Janeiro”, vem com o número da Caixa Postal cedida pela ACM, e o endereço da Associação Brasileira de Imprensa (ABI), como local de reuniões).







A UNIDADE NO GRUPO DE A.A.

Como funcionava o “Grupo Rio de Janeiro de A.A.”



As correspondências da época demonstram claramente o espírito de Irmandade que havia entre os membros do primeiro Grupo de A.A. no Brasil. Os mais antigos demonstravam grande preocupação com os novos membros, especialmente com os brasileiros, nas reuniões que aconteciam ora em casa de um dos membros, ora na sede da Associação Brasileira de Imprensa (ABI). Apesar de vários americanos participantes, era sabido que a maior parte estava somente de passagem por algum tempo, a trabalho. Nas entrelinhas de uma carta de 1949, escrita por Antônio P. a Harold, que se encontrava temporariamente no sul do país, observamos a unidade entre aqueles poucos companheiros, quinze ou mais. A carta também falava sobre o problema que tiveram com o tesoureiro do Grupo de A.A. que havia se afastado com a reserva financeira. A solução encontrada foi uma “coleta secreta” entre os companheiros para saldar a pequena dívida e incentivar o retorno do companheiro, o que aconteceu mais tarde. De fato, os problemas do Grupo de A.A. já existiam, no entanto, as sábias decisões também.

Nesse ano, já se contava com um bom número de brasileiros assíduos ao Grupo de A.A., e várias reuniões eram feitas em português, com tradução simultânea aos que só falavam a língua inglesa. Este fato trouxe tranqüilidade a Herb, pois voltaria para a América do Norte dentro de pouco tempo, mais precisamente em junho de 1949. Mas, antes que isso ocorresse, foi bem-vinda uma norte-americana, Eleanor, uma das primeiras mulheres AAs no Brasil, talvez, a primeira. Ela incumbiu-se logo da correspondência com a Sede de Nova Iorque, bem como, da tradução do material recebido.

Em 1950, o Grupo de A.A. passava por problemas financeiros e recorreu à Fundação do Alcoólico para a aquisição de alguns livros. Vale notar que a Fundação do Alcoólico mantinha uma reserva financeira do “Grupo de A.A. brasileiro”, a qual nesse ano foi diminuída pela metade a título de contribuição à Sede de onde periodicamente vinham boletins e cartas. Nessa ocasião foi solicitado também um exemplar do Manual do Secretário. Aparentemente os encargos existentes eram o de Tesoureiro e Secretário, que era uma espécie de Coordenador Geral.

O Grupo de A.A. fixou seu endereço à Rua Santa Luzia, de onde se mudou após um ano, quando começou a eleger mensalmente um Coordenador de Reuniões, A impressão do livrete “Como Cooperar para uma Obra Meritória”, segundo número da literatura em português, deu-se nesse período. Era uma cópia fiel do “Capítulo Sete” (Trabalhando com Outros) do Livro Grande, estrategicamente traduzido quando o Grupo de A.A. precisava crescer para se firmar e originar novos Grupos de Alcoólicos Anônimos.

.Em 1951, o companheiro Antônio P. sofreu um acidente de trabalho, teve o seu pescoço quase degolado e faleceu quando ainda passava por cirurgias plásticas. Antes de sua morte, recebeu uma carta de Harold, da qual podemos reproduzir o seguinte trecho:

“Você é um herói, Antônio, não há dúvida de que entre nós, você é o AA número um (primeiro). Pode ser um dos menores por fora, mas dentro dessa alma enorme e forte, cabemos todos nós folgadamente. Sem dúvida alguma, você conseguiu o que eu, pelo menos, ainda não alcancei: traduzir e interpretar bem à vontade as intenções do Poder Superior, e ser forte na certeza de que Ele está sempre ao seu lado, podendo enfrentar cada dia com paz de espírito e serenidade. Que Deus lhe abençoe, meu bom amigo”.

Provavelmente Antônio P. teve dificuldade em se fixar no Programa de Recuperação devido à linguagem, mas manteve-se firme em suas vinte e quatro horas até o final de sua vida.



A DIFICIL TAREFA DE DIVULGAR A MENSAGEM

Um mal-intencionado artigo distorce os Princípios da Irmandade



Tudo o que os iniciadores fizeram até os idos de 1952, fora transmitir a mensagem. Herb em 1947 foi o autor de uma matéria no jornal “O Globo”. A partir daí, uma sucessão de “boa publicidade” aconteceu; foram várias as matérias publicadas a bem da nossa recém forjada Quinta Tradição. Por falar em Tradições, elas haviam sido aprovadas no ano anterior, em Cleveland, e os Grupos de A.A. em geral tentavam seguir estes “Doze Pontos” para assegurar o futuro de Alcoólicos Anônimos. Mas, como no início da história da Irmandade de A.A. nos Estados Unidos, aqui no Brasil também tivemos problemas relacionados aos princípios tradicionais.

Uma das primeiras “desavenças” envolveu Harold num artigo que refletiu várias inverdades sobre a Irmandade de Alcoólicos Anônimos. “Os Regenerados do Álcool”, da Revista da Semana.

Provavelmente com a finalidade meramente noticiosa ou sensacionalista, a Revista da Semana coloca para os seus leitores um “furo de reportagem” sobre uma “sociedade secreta dos antigos viciados”. Tudo começou com uma farsa.

O repórter iniciou o trabalho de “desvendar o mistério” – usando uma expressão do texto – com telefonemas a Harold W., dizendo-se bebedor inveterado e ansioso por ajuda. Prontamente, como deveria ser, o companheiro marcou um encontro no qual sua primeira pergunta foi: “Quais são os sintomas que você sente quando bebe?” A resposta, o repórter comenta na matéria: “Por um instante ficamos paralisados sem saber o que responder. Da resposta que déssemos a essa insignificante pergunta, dependeria o sucesso da reportagem. Aquelas palavras, ditas à queima roupa, soavam com violência e ressonância aos nossos ouvidos. Naquele momento estava em jogo todo o trabalho de preparação, os esforços que fizemos para descobrir os responsáveis pela secreta agremiação, o assunto de suma importância para nós, enfim, tudo seria sacrificado se não respondêssemos satisfatoriamente. Havia a necessidade de responder que éramos portadores do malsinado vício, que éramos beberrões inveterados em busca da salvação e amparo. E foi o que fizemos, com êxito”.

A partir daí todos podem imaginar o teor comercial da reportagem. O artigo foi ilustrado pela capa e contracapa do Folheto Branco, e pela foto de Harold almoçando, fruto de um mirabolante plano. A recuperação através da Irmandade não é muita citada nos documentos que dispomos. No entanto, exatamente uma semana após a publicação, Harold escreveu ao diretor da Revista da Semana consternado por ter sido ludibriado e pela quebra da Tradição do Anonimato. Nesta carta Harold esclarece também os pontos distorcidos da Revista da Semana. Discorre com detalhes sobre o Princípio do Anonimato, sobre o nosso propósito único, a respeito da recuperação em A.A. , e encerra dizendo: “Se o seu repórter tivesse comparecido e declarado sua verdadeira intenção, eu o teria ajudado com o máximo prazer a apresentar uma reportagem que não afetasse desfavoravelmente os princípios da agremiação humilde de A.A. ou dos seus membros, nos moldes das publicadas anteriormente no Brasil por conceituadíssimos periódicos”.

O assunto da reportagem parece não ter ido muito à frente, mas provavelmente ajudou na resolução de se constituir um Órgão de Serviço de A.A. juridicamente com registro em cartório.

Em dezembro daquele ano um estranho Estatuto, mais “As Doze Tradições” foram registrados no Registro Civil de Pessoas Jurídicas. Estranho porque entre as incumbências do Secretário Geral do Conselho estavam: “Orientar e fiscalizar todos os Grupos de A.A. e seus membros, evitando qualquer ligação com outras entidades e exploração de qualquer natureza” e “Fazer cumprir as Tradições e estes Estatutos”.

Ainda falando em divulgação na imprensa, em 1953 o jornal “A Noite”, num artigo equivocado, dizia que Alcoólicos Anônimos havia sido fundado no Brasil, naqueles dias, quando o Grupo Rio de Janeiro de A.A findava as suas atividades e já contávamos com outros Grupos de A.A., dentre eles o Grupo Central do Brasil de A.A., fundado em 1952. Não obstante, a divulgação continuou inclusive no Rádio. Em 1956 contávamos com cerca de treze (13) Grupos de A.A. no Brasil, registrados no Catálogo Mundial.





OS SERVIÇOS GERAIS





1952 – Observa-se pelo descrito, que, embora insipiente, os serviços iam lentamente desenvolvendo-se. Para melhor memorização, vejamos os principais fatos ocorridos;

Em 08/12/52 foram registrados, como anteriormente foi citado, os primeiros Estatutos da Irmandade no Brasil.

Foi fundado o Grupo Central do Brasil de A.A., que durante a década centralizou as atividades de A.A. no Brasil.

Noticiou-se a formação dos Grupos de A.A. em Juiz de Fora/MG e Belo Horizonte/MG, Nova Friburgo/RJ e de Salvador/BA.

No período, houve diversas realizações no que concerne à literatura. Divulgação externa, com programas radiofônicos semanais, com a colaboração em particular do saudoso Dr. Paulo Roberto (médico do Rio de Janeiro); instituiu-se a sacola da Sétima Tradição.

Proliferaram as abordagens, tradução e publicação de literatura, sendo a oficialização e conseqüente direito de impressão negados pelos Serviços Mundiais de então.

Ainda entre os anos 1952 e 1961, constávamos com dez (13) Grupos de A.A. funcionando em todo o País, considerando a formação de mais dois (2) Grupos de A.A. no Rio de Janeiro, o de São Luiz/MA e em Juiz de Fora/MG e Itajubá/MG.



1962 a 1968 – Trata-se de um período de relevantes reformas no Serviço, com a preocupação de se formar novas lideranças, expandir-se com novos Grupos de A.A. e divulgar a mensagem, inclusive continuando no Rádio, assim tivemos uma Rádio Novela sobre A.A..

O Programa Homens, Fatos e Idéias, da Rádio Ministério da Educação e Cultura, em junho de 1962, dedicou-se ao problema do alcoolismo e a Alcoólicos Anônimos. Foi uma espécie de novela falada que se referia à fase crítica de um alcoólico, suas atitudes, seus familiares e sobre Alcoólicos Anônimos, dando ênfase às Quinze Perguntas (na época), editadas no final do Folheto, chamado “Livro Branco”. Num momento da história, o narrador interrompe.

“Você que nos ouve poderá ser um completo abstêmio. Poderá ser um leve bebedor social, para que o álcool não constitui um problema. Mas, certamente você conhece alguém que não consegue eliminar a própria sede e para quem o álcool é um grande e crescente problema. Apenas, no interesse desse seu amigo ou conhecido, a quem estamos tentando levar uma esperança, ouça com atenção algumas das perguntas que A.A. tem a fazer”.

Seguia-se o Programa com ilustração dos papéis pelos locutores e uma explicação minuciosa, com breve depoimento, proferido por um membro AA. Em seguida, após as perguntas, como no atual folheto “Você deve Procurar o A.A.?”, foi lido o resultado que fala das quatro respostas afirmativas. Durante todo o Programa, foi amplamente divulgado o número da Caixa Postal de A.A., que já não era o número daquela Caixa Postal cedida pela ACM e sim, uma nova Caixa Postal alugada desde 1950. De certo, esse Programa contribuiu muito para que Alcoólicos Anônimos recebesse vários alcoólicos pedindo ajuda.



OUTROS FATOS MERECEM REALCE NO PERÍODO



Criação das primeiras Intergrupais do Rio de Janeiro, na Paraíba e em Minas Gerais, que pelas suas forças de catalisação, ensejaram a formação de novos Grupos de A.A. em todo o Brasil, isto é, em Recife/PE, Campina Grande/PB, Goiânia/GO, etc.

Surgimento das primeiras Reuniões Administrativas sistematizadas, Grupos de A.A. temáticos e institucionais, manutenção da divulgação no Rádio, salas alugadas, Intergrupais com telefone, primeiros programas na televisão, participação em seminários sociais, a reuniões abertas à comunidade, criação e funcionamento de treinamento para Coordenadores de Grupos de A A..

Reforma dos Estatutos existentes, adequando-os às Tradições de A.A..

Realização da Convenção Nacional no Rio de Janeiro, em 1965, com a participação de seis (6) Estados e, por motivos de segurança, foi patenteada a sigla - “A.A.”.

Criação de um Conselho Administrativo de A.A. composto por membros veteranos que na mesma data realizou sua primeira reunião, elegendo seus membros e providenciando o registro em Cartório, com emissão da 1a. Circular para os Grupos de A.A., mandando igualmente publicá-la no Diário Oficial.

Em fins de 1968, existia no Brasil, cerca de oitenta e oito (88) Grupos de A.A..



A LITERATURA OFICIAL NO BRASIL

O LIVRO - “ALCOÓLICOS ANÔNIMOS”



Ao falarmos de literatura de A.A. e do início das publicações oficiais no Brasil, não poderíamos deixar de dar atenção especial ao fato sobre como aconteceu a publicação do livro Alcoólicos Anônimos, em português. Um companheiro de São Paulo, chamado Donald L., o qual se dispôs a traduzir o livro ‘Alcoólicos Anônimos’, comunicou-se com o GSO, que respondeu sua carta em outubro de 1966, sugerindo-lhe a tradução dos onze primeiros capítulos após a formação de um Comitê de Tradução, e também lhe informando que a impressão deveria ser feita, após análise, em Nova Iorque. O GSO não permitiu a impressão no Brasil.

Em fins de 1968, Gilberto, um membro do AA brasileiro, residente nos Estados Unidos, conheceu Donald L., conseguindo intermediar as relações entre ele e AAWS – A.A. World Service, Inc. – Serviços Mundiais de Alcoólicos Anônimos.

Órgão responsável pela Literatura Oficial de A.A..

Em havendo a concessão para a impressão do livro ‘Alcoólicos Anônimos’ e também do financiamento, o Diretor da Instituição do AAWS, o então Presidente Robert E. Hitchins enviou correspondência cientificando da decisão, estabelecendo porém, condições indispensáveis à impressão, quais sejam:

Que fosse instalado no Brasil um Centro de Distribuição de Literatura para o Brasil. (operacional);

Que o livro fosse vendido, no varejo no preço correspondente a US$ 2,00 (dois dólares) cada unidade, para indivíduo, com possibilidade de ser vendido até a US$ 1,75 (um dólar e setenta e cinco centavos) por unidade, para os Grupos de A.A.;

Que posteriormente, quando criado o Escritório de Serviços Gerais de A.A. no Brasil, o Centro de Distribuição de Literatura passasse a se constituir parte integrante daquela organização de serviços;

Que uma vez aprovada a proposta em questão, fosse a operação considerada “em confiança”, assumindo todos os participantes a responsabilidade, como reais representantes de todos os membros de Alcoólicos Anônimos no Brasil.

Aceita todas as condições do AAWS, em abril de 1969 o companheiro Robert E. Hitchins, Presidente dos Serviços Mundiais de A.A., liberou o Direito de Edição e Publicação, em português, de 2.000 (dois mil) exemplares do livro ‘Alcoólicos Anônimos’, ao custo total não superior a US$ 2.000 (dois mil) dólares.

O AAWS estabeleceu ainda, pela concessão, as condições que seguem:

Remessa ao AAWS de US$ 0,82 (oitenta e dois centavos) trimestralmente por cada exemplar do livro, vendido ou distribuído;

Advertência expressa no livro de que os Direitos Autorais pertencem ao AAWS, e, proteção integral quanto ao citado Direito;

Publicação do livro acima do limite de 2.000 (dois mil) livros, dependeriam da necessária autorização;

No caso de não serem vendidos nem distribuídos os 2.000 (dois mil) exemplares, notificar ao AAWS para providências julgadas de acertos.

À vista das condições enunciadas, em 20 (vinte) de setembro d0 ano de 1969, sob a coordenação do companheiro Donald M. Lazo, foi discutida e aprovada a criação do Centro Brasileiro, para edição em português, da literatura de A.A. de originais americanos.

Em 05 (cinco) de novembro do mesmo ano, encontravam-se regularmente formalizado o “CENTRO DE DISTRIBUIÇÃO DE LITERATURA DE A.A. PARA O BRASIL – CLAAB”, Sociedade Civil de natureza literária, sem fins lucrativos.

A publicação do livro Alcoólicos Anônimos, conhecido no Brasil como Livro Azul, proporcionou o intercâmbio oficial entre os Grupos de A.A. existentes na época e os seus cadastramentos, uma vez que o CLAAB ia anotando os endereços, dias e horários de reuniões, conforme as solicitações do livro, pelos Grupos de A.A., fornecendo-os às pessoas que buscavam ajuda.

A Revista Eclesiástica Brasileira – REB, Órgão Oficial de Comunicação entre a prelazia brasileira e as paróquias, publicou uma elogiosa crítica ao livro, recomendando-o como instrumento útil na recuperação de alcoólicos. Na mesma época, graças a amigos de A.A., tivemos acesso ao saguão da PUC – Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, onde se realizava o 4 Congresso Latino Americano de Psiquiatria, local em que foi montado um “stand”, com a pouca literatura de que dispúnhamos e os companheiros falaram diretamente com 2.000 (dois mil) médicos, explicando-lhes o conteúdo do livro, e oferecendo gratuitamente, exemplares dos folhetos disponíveis. Registrou-se um recorde: duzentos e vinte exemplares vendidos em quatro dias. (Até aquela data, nossa venda não havia passado de vinte exemplares por mês).



UM BREVE RETROSPECTO



1968 A 1975 – Início da Estrutura de Serviço no Brasil, alicerçada em quatro itens:

Fundação em 20/09/69, em São Paulo, do Centro de Distribuição de Literatura de A.A. para o Brasil – CLAAB.

Unificação do, A.A. no Rio de Janeiro, em 20/06/71, resultando na criação do primeiro Escritório Nacional de Serviços - ENSAA.

Realização do Primeiro Conclave em São Paulo, no carnaval de 1974, quando o CLAAB foi considerado um Organismo Nacional de Serviços de A.A..

Em 1974 o ENSAA do Rio de Janeiro encerra as suas atividades.

Esses acontecimentos serviram de ponto de partida para o extraordinário crescimento da Irmandade, considerando-se que houve um aumento de 468% (quatrocentos e sessenta e oito por cento) no número de Grupos de A.A., percentual este inferior apenas ao período de 1962 a 1968, cujo crescimento foi da ordem de 780% (setecentos e oitenta por cento).

Na época foram formados Grupos de A.A. em Brasília/DF, Porto Alegre/RS e Campo Grande/MS.





1975

Realizado o II Conclave em São Paulo.

Criação da primeira Central de Serviços. (Central de Serviços de Alcoólicos Anônimos da Zona da Mata de Minas Gerais)



Em conseqüência desse movimento evolutivo, registra-se acontecimento básico para a Irmandade no Brasil – assentamento para firmar os Serviços Gerais e a Estrutura em potencial.

O fundamental foi à fundação da JUNAAB, em 29 de fevereiro de 1976, instituída consoante carta no seguinte teor:





São Paulo, 1 de novembro de 1975



Estimados Companheiros



A débil chama ateada por Bill e Bob, há quarenta anos, sem dúvida por inspiração divina, é hoje esplendente luzeiro a espraiar seu brilho pelo mundo todo, iluminando o caminho de uma infinidade de alcoólatras em serena sobriedade: homens e mulheres que, unidos pela Fé, pela Esperança e pelo Amor, se empenham com sincera humildade em busca de seu crescimento espiritual.

No decorrer do quadragésimo ano de existência do A.A mundial, o CLAAB através de sua Diretoria Executiva, vem jubilosamente, congratular-se com os estimados Companheiros, pela inestimável contribuição desse valoroso Grupo à expansão e fortalecimento do A.A. no Brasil, augurando-lhes um sempre crescente êxito na tarefa de transmitirem a Sublime Mensagem aos alcoólatras que ainda sofrem.

O crescimento e a Unidade de A.A. em nosso País é uma esplêndida realidade que muito nos sensibiliza e conforta.

O Brasil, contando atualmente com mais de 500 Grupos de A.A., deverá proximamente, vencer a última etapa do desenvolvimento da Estrutura de Serviços Gerais, consolidando a união dos AAs de nossa querida Pátria, iniciada no memorável Conclave de Carnaval de 1974, com a reestruturação do CLAAB e posse de sua Primeira Diretoria Nacional.

Durante o 2 Conclave, o Conselho Diretor do CLAAB, reunido em Assembléia Geral Extraordinária, no dia 10 de fevereiro deste ano, com a presença de 18(dezoito) diretores (delegados representando 11 (onze) Estados, inclusive o Distrito Federal), deliberou sobre a criação da Junta de Serviços Gerais de A.A., para o Brasil, a ser efetivada durante o próximo Conclave a realizar-se em São Paulo, no carnaval de 1976.

A Junta, a qual o CLAAB ficará subordinado, deverá inicialmente ser constituída pelos atuais Delegados Estaduais eleitos para o biênio 1975/76, mais os que vierem a ser eleitos para o biênio 1976/1977.

A criação da Junta propiciará melhor distribuição dos encargos executivos, com o imprescindível desmembramento das funções ora atribuídas apenas aos dois membros da Diretoria Executiva do CLAAB, o que trará a desejada e necessária eficiência na execução dos serviços, mormente quanto à presteza no atendimento da correspondência.

A propósito, pedimos muitas desculpas aos estimados Companheiros por nossa aparente desatenção com relação à correspondência, tal como cartas não respondidas ou respondidas com atraso, falhas que lamentavelmente não temos conseguido superar, não obstante nossa dedicação e sincera vontade de servir. Outrossim, cumpre-nos informar o seguinte:

A imprevista mudança do Escritório – por terem os locadores, não obstante haverem prometido uma prorrogação do contrato, solicitado a entrega da sala – acarretou despesas extraordinárias de não pequena monta, com a aquisição de estantes e móveis, pois os que guarneciam o Escritório pertenciam aos locadores.

Foram feitas novas impressões dos quatro folhetos e contratada uma nova edição do Livro Grande, que deverá ser-nos entregue em dezembro, conforme prometido pela editora.

Por esses motivos e pelo fato de diversos “grupos” e alguns AAs individualmente, inclusive pretensos líderes, terem deixado de pagar literatura que solicitaram para pagamento em curto prazo, desequilibrando assim, nossas previsões financeiras, fomos obrigados a adiar a publicação do livrete “O Grupo”, cujo lançamento será feito, o mais tardar, até o carnaval de 1976.

Por outro lado, temos a satisfação de, com nossos agradecimentos, registrar as contribuições dos Grupos de A.A. relacionados em anexo, as quais, este ano, atingiram a soma de CR$ 3.275,40.

Apraz-nos também comunicar que a dívida do CLAAB para com o GSO está reduzida a apenas US$ 391,45.

A criação da Junta Nacional é o passo decisivo para a afirmação da maioridade e que o Poder Superior guie e ilumine todos nós!

Alcoólicos Anônimos no Brasil. Por isso, apelamos para que todos os Grupos de A.A. cooperem com o seu prestígio em prol da Unidade de A.A. no Brasil, nenhum deles se omitindo nas próximas eleições para a escolha dos Delegados Estaduais.





Fraternalmente



P/CLAAB

Arlindo Mello Bianchi Waldomiro de Oliveira

Diretor Executivo-Secretário



1976 - O chamamento foi atendido mediante a presença de 16 (dezesseis) Estados e participação de 27 (vinte e sete) membros – Delegados Estaduais – que somados aos membros do Conselho Diretor do CLAAB, reuniu-se no salão geral do Hilton Hotel, em São Paulo, capital, aos 20 (vinte) dias do mês de fevereiro de 1976, assinando o livro próprio de presença, sob a Presidência do companheiro Sigoulf Rau, e tendo como secretário o companheiro Luiz Alves de Araújo Filho, indicados pela Assembléia que se instalava para a instituição da Junta de Alcoólicos Anônimos para o Brasil – JUNAAB, que após a leitura, ampla discussão e as devidas emendas, foi aprovado os tão esperados Estatutos.

No bojo dos Estatutos foram transcritos “Os Doze Passos” e “As Doze Tradições”, enquanto nos seus artigos, parágrafos e itens, regulamentavam o funcionamento da Junta de Serviços Gerais de Alcoólicos Anônimos no Brasil – JUNAAB, consubstanciando que é uma Sociedade Civil, sem fins lucrativos e de duração indeterminada, com Fórum na Capital da cidade de São Paulo, regendo o seu Estatuto nas disposições Legais que lhe foram aplicadas. Tem como objetivo promover a Unidade e continuidade da Irmandade de Alcoólicos Anônimos no Brasil.

Constitui apenas um Órgão de Proteção de Serviços e jamais um Órgão Governamental para o A.A. no Brasil, tendo como formalidades à execução do serviço de A.A. no plano nacional e, será a guardiã d’Os Doze Passos e d’As Doze Tradições de A.A., cabendo-lhe emitir sugestões da Assembléia, que propiciem a Unidade Nacional de Serviços que lhe estão afetos.

O Estatuto dispõe que são Órgãos da Junta de Alcoólicos Anônimos – JUNAAB, uma Assembléia Geral, uma Diretoria e o CLAAB.

1 – Uma Assembléia Geral composta por representantes de Grupos de A.A. localizados nos Estados, em número de dois por Estado, eleitos pelos Representantes de Serviços Gerais – R.S.Gs, nas então, Convenções Estaduais, desses Grupos de A.A., denominados Delegados Estaduais, e por pessoas não-alcoólicas escolhidas e também eleitas nessas Assembléias e estatutariamente denominados “membros da Junta”, quando por esta forem homologados. Os membros não-alcoólicos devem ser pessoas residentes no País, não recebendo remuneração de qualquer espécie. As reuniões da Junta de Serviços Gerais poderão ser Assembléias Ordinárias ou Extraordinárias e ocorrendo uma vez por ano, por ocasião do carnaval, para avaliar, planejar e emitir sugestões e as recomendações necessárias à harmonia e ao desempenho das atividades da Obra em ação a nível nacional, onde possa alcançar os membros de A.A..

2 – Uma Diretoria constituída por companheiros de A.A. eleitos anualmente pelos Delegados Estaduais, sendo pilar básico de sua atribuição à continuidade da Junta, nos períodos compreendidos entre uma Assembléia e outra, responsabilizando-se por manter reuniões regulares da Junta – convocação e realização das citadas reuniões.

3 – O CLAAB identicamente é uma Sociedade Civil, sem fins lucrativos. Criado inicialmente por exigência do AAWS Inc. (Serviços Mundial de A.A.), com o propósito de tradução, impressão, venda e distribuição da literatura de A.A. no Brasil, originária dos EUA. Teve seus objetivos ampliados ao receber a responsabilidade de executor dos Serviços Gerais de Alcoólicos Anônimos no Brasil – JUNAAB, função cessada em cumprimento das Recomendações números 1 e 2 da Comissão de Finanças, quando da V Conferência de Serviços Gerais, realizada nos dias 16, 17 e 18 de abril de 1981, (A Conferência que determinou o desmembramento físico foi realizada em Porto Alegre/RS, no ano de 1980), que dispôs sobre o desmembramento físico, financeiro e administrativo do CLAAB/ESG. O CLAAB deveria ficar somente como editor e distribuidor da literatura de A.A. no Brasil.

Embora o CLAAB seja subordinado à Junta de Alcoólicos Anônimos, é um órgão distinto e autônomo, legalmente constituído, com Estatuto próprio sujeito às disposições aplicáveis pelas leis do País, formado por:

Uma Diretoria composta por membros de A. A. e por não-alcoólicos, com mandato de três anos e eleitos pelos Delegados Estaduais.

Um Conselho Fiscal composto por três membros efetivos e três membros suplentes, membros ou não de Alcoólicos Anônimos, nomeados pelo Presidente acordado com os Secretários e Tesoureiros. O mandato do Conselho Fiscal é de três anos e tem competência de praticar todos os atos e exercer todos os poderes que lhe são conferidos pelas leis do País.

A Ata relativa à instituição da Junta de Alcoólicos Anônimos do Brasil e, respectivo Estatuto, foram registradas sob o número 2.519, do dia 20 (vinte) de junho do mesmo ano (1976), no Cartório de Registro de Pessoas Jurídicas de São Paulo, Capital, enquanto os Estatutos e Ata da Constituição do CLAAB aprovados em 1 de março de 1978, acham-se registrados no 1 Cartório de Registro de Títulos e Documentos de São Paulo, em data de 20 de junho de 1976, sob o número 2.548 e anotado sob o número 19.671, Livro “A”, n 19 do Registro de Pessoas Jurídicas, documentos esses, arquivados com devido desvelo por integrar peças do acervo do A.A. no Brasil. A Assembléia que criou a JUNAAB, credenciou o A.A. no Brasil, a enviar dois representantes para a IV. Reunião Mundial de Serviço (hoje RSM), em Nova Iorque, em outubro de 1976.





1977 - NASCIMENTO DA CONFERÊNCIA DE SERVIÇOS GERAIS NO BRASIL



A Primeira Conferência de Serviços Gerais no Brasil, teve lugar em Recife/PE, nos dias 05, 06 e 07 de abril de 1977, e foi organizada nos moldes da IV Reunião Mundial de Serviços. (Nova Iorque, dias 06, 07, 08 e 09 de outubro de 1976), (ouvir a gravação feita pelo companheiro Joaquim Inácio, na ocasião, no encargo de Delegado a RSM, em 1976), quando o Brasil se fez representar pela primeira vez.

Esta representação resultou da criação da JUNTA NACIONAL DE ALCOÓLICOS ANÔNIMOS NO BRASIL – JUNAAB, em 29 de fevereiro de 1976, em São Paulo (durante o III Conclave Nacional), que já contava com 29 (vinte e nove) Delegados Estaduais, representando 15 (quinze) Estados e o Distrito Federal, oriundos do antigo Conselho Diretor do CLAAB.

Um recém-chegado aprende rapidamente a importância do trabalho do Décimo Segundo Passo, que serve para assegurar a sobriedade de quem leva a mensagem e como opção para quem recebe. De imediato, se percebe que o referido trabalho é ampliado para dar origem a Intergrupais, Centrais de Serviços e aos Comitês de Áreas e Distritos, bem como Órgãos de Serviços Nacionais.

Os SERVIÇOS em A.A. são vitais para o crescimento da Irmandade, uma vez que vêm suprir as necessidades que transcendem ao indivíduo, ao Grupo de A.A. e aos Organismos de Serviços.

A CONFERÊNCIA DE SERVIÇOS GERAIS é. portanto, a manutenção da consciência coletiva dos GRUPOS DE A.A., através de uma cadeia de representatividade iniciada pela ação dos Grupos de A.A. elegendo seus R.S.Gs, passando pelos M.C.Ds, Comitês de Áreas, terminando na Junta de Serviços Gerais. Para tanto, necessitam-se de contribuições voluntárias em dinheiro, vindas dos membros da Irmandade, para que haja um bom funcionamento.

A Conferência de Serviços Gerais é a depositária da Consciência Coletiva dos Grupos de A.A. e o Órgão máximo e soberano, de deliberação da Irmandade de A.A.no Brasil.

PARA QUE A CONSCIÊNCIA COLETIVA SE MANIFESTE CORRETAMENTE, É NECESSÁRIA A PARTICIPAÇÃO DE TODOS OS NÍVEIS DE SERVIÇOS, DE FORMA QUE A INFORMAÇÃO CHEGUE DE MODO CLARO, LÍMPIDO, RÁPIDO E PRECISO.





1977– PRIMEIRA CONFERÊNCIA DE SERVIÇOS GERAIS DO BRASIL



Nos dias 05 e 06 de abril de 1977, reuniram em Recife/PE, a Junta Nacional de A.A. no Brasil, em Assembléia Geral Ordinária. Cumprindo as formalidades de abertura, seguiu-se o item 3 (três), da Ordem do Dia, aprovando-se que os trabalhos se desenvolvessem tal e qual uma Conferência de Serviços Gerais, formada por Delegados Estaduais, pelos membros da JUNAAB e Diretores do CLAAB que integram Comissões, em número de 4: Agenda, Literatura e Publicações, Finanças e Política e Admissões. Iniciativa, fruto da experiência trazida da Reunião Mundial, pelos 02 (dois) representantes brasileiros.

Assim é que, desde a aprovação do primeiro Estatuto da JUNAAB e o início dos Serviços Gerais, havia convicção de que estas iniciativas eram temporárias e objetivavam a obtenção de ações de maior alcance e definição. Isto já demonstrava uma Recomendação da Conferência para que os Delegados Estaduais indicassem nomes de membros de A.A. com mais de 10 (dez) anos de sobriedade contínua para servirem como Custódios e de pessoas não-alcoólicas, bem relacionadas com a Irmandade, para funcionarem como membros da JUNAAB – note-se que tais pessoas não foram mencionadas como futuros Custódios não-alcoólicos.

Nessa mesma ocasião, Órgãos Locais de Serviços, já existentes, se formalizavam estruturalmente e compartilhavam suas experiências através do recém ativado “Boletim BOB”, informativo da JUNAAB. Ainda sinalizando progresso estrutural, este “Boletim” publicava informações e esclarecimentos sobre os Serviços Gerais, particularmente as atribuições do Delegado Estadual e do RSG.

Recomendou-se que o Conclave Nacional de A.A. fosse realizado a cada 2(dois) anos, preferencialmente nas capitais e a Conferência de Serviços Gerais anualmente, alternando com o local do Conclave e a Sede de Serviços Gerais – São Paulo/Capital.



1978 - Acontece a 2a. Conferência de Serviços Gerais em Belo Horizonte/MG e o V Conclave em datas de 20, 21 e 22 de março de 1978, que adiou os procedimentos para a Reforma Estatutária para posterior deliberação.

Finalmente, destacou-se neste evento a presença do Dr, John L. Norris, o conhecido “Dr. Jack”, Presidente da Junta de Custódios de Alcoólicos Anônimos para os Estados Unidos/Canadá, convidado especial da Coordenação, que acompanhou com interesse todos os trabalhos.

O Dr. Jack, ao sair do hotel, depois da Conferência, foi abordado pela gerência do hotel, e pagou do próprio bolso a despesa que deveria ser paga por Alcoólicos Anônimos no Brasil.



1979 – A Conferência de Serviços Gerais ocorreu nos dias 12, 13 e 14 de abril de 1979, em São Paulo, salientando a constituição de uma Comissão Especial e Permanente para a Reforma Estatutária, cujo trabalho findava em dezembro de 1981, e ser apresentado na VI Conferência de Serviços Gerais.

De modo que em 08/07/79, reuniu-se pela primeira vez em São Paulo a pré-citada Comissão, com inclusão dos Custódios, de acordo com as Recomendações 01 e 14, da Comissão de Política e de Admissões.



1980 – Em Porto Alegre, nos dias 31 de março, 1, 2 e 3 de abril de 1980, acontecia a IV Conferência de Serviços Gerais, que confirmou e reforçou a Comissão Especial e Permanente para a Reforma Estatutária nos termos da Conferência anterior (1979). Simultaneamente realizava-se o VI Conclave Nacional.

Alertavam ainda, aos Grupos de A.A. quanto as Traduções e Publicações que corriam à revelia do CLAAB e demais Organismos de Serviços, sendo repassado aos Grupos de A.A. e a companheiros individualmente, em desrespeito aos Direitos Autorais. Literatura essa considerada clandestina, (pirata).

Os Delegados Nacionais apresentaram os seus Relatórios referentes a V Reunião Mundial de Serviços, realizada em Helsinki/Finlândia e do Encontro Ibero/Americano, realizado em Bogotá/Colômbia.



1981 – Nos dias 16, 17 e 18 de abril de 1981, reuniu-se a V Conferência de Serviços Gerais, em São Paulo e como mencionado, ratificou o desdobramento Administrativo, Financeiro e Físico do CLAAB/ESG, ficando o CLAAB apenas como distribuidor de literatura de A.A. para o Brasil, enquanto o ESG assumia de fato os Serviços Gerais (Executivo) de A.A. a nível Nacional. (O Tio Nica, então diretor do ESG, deixou Porto Alegre/RS e foi para São Paulo, morando no mesmo cubículo onde era localizado o ESG).

Em setembro do mesmo ano, foi realizado em Brasília/DF, o I Seminário Nacional de Prevenção do Alcoolismo, promovido e coordenado pelo Ministério da Saúde – DINSAN, contando com representante da JUNAAB, companheiro do Rio de Janeiro. Este Seminário viria ensejar a Cooperação de A.A. e aquele Organismo (PROAA, posteriormente PREA – Projeto de Intercooperação com Sistema Informal de Saúde no Tratamento de Alcoólicos), que não prosperou.

Em fins de 1981, dia 07 de novembro, foi inaugurada a nova Sede do ESG, que se desmembrou do CLAAB, constituindo Estatuto próprio, com Registro no Terceiro Cartório de Registro Civil de Pessoas Jurídicas de São Paulo, sob número 27.091, em 02 de outubro do corrente ano (1981), sob denominação de “O Estatuto de Alcoólicos Anônimos no Brasil - Escritório de Serviços Gerais S/C. AABESG”, que funcionou à Rua Itaipu, 31 – Praça da Árvore – Vila Mirandópolis.

Na época, cogitou-se até em adquirir Sede própria, o que não aconteceu. (Felizmente para o nosso bem e para o A.A. como um todo).

Ainda neste ano, os Conclaves passaram a dominar-se Convenção, por melhor adequar-se à Irmandade de A.A..(Custamos a perceber que não éramos e não somos cardeais).

Registrou-se a uniformização do emblema (símbolo) de A.A., tendo na base do triângulo o I Legado – RECUPERAÇÃO; no lado esquerdo o II Legado – UNIDADE; no lado direito o III Legado – SERVIÇO; e suprimindo do emblema a palavra RESPONSABILIDADE, que não é Legado. Também recomendou a oficialização das cores branca e azul para o pavilhão (Bandeira), inserindo-se nosso Símbolo conforme apresenta nossa Bandeira Atual, (o Símbolo em Azul).

Volta-se a enfatizar quanto ao trabalho da Comissão Especial para a Reforma Estatutária a ser entregue à Comissão de Política e Admissões até 30 de novembro de 1981, já revisado pelos Delegados à Reunião Mundial de Serviço.

Nesse espaço de tempo, consoante pesquisa, foram efetuados em todo o País, Encontros, Seminários, Simpósios, etc,, reunindo milhares de AAs com trabalhos em cooperação com os Al-Anons e Alateens (estes formados no Rio de Janeiro, no mês de janeiro de 1966).

Notadamente neste período – 1976-1981 – o A.A. no Brasil ia ao encontro da consolidação estrutural, destarte, esta demora e receio para a aludida “Reforma Estatutária” evidenciasse a insegurança de se introduzir pessoas não-alcoólicas no Serviço da Irmandade, assunto intensamente debatido, contando com a oposição de membros da Conferência.



1982 – Face às ações havidas nos anos anteriores na VI Conferência e VII Convenção, nos dias 5, 6, 7, 8 e 9 de abril de 1982, em Fortaleza/CE, foi discutido e aprovado o tão almejado Estatuto da JUNAAB que possibilitaria A.A. no Brasil exercitar a Estrutura Tradicional da Irmandade, e instituir a Junta de Custódios, composta de 6 (seis) membros de A.A. e 3 (três) não-alcoólicos.

Recomendou-se também, a tradução e versão do Manual de Serviços Americano/Canadense, para o nosso uso experimental e conseqüente adaptação à realidade brasileira.

Essa Convenção, inovou ante o lançamento de um livro com os temas expostos pelos companheiros, que recebeu o título “Serviço – Responsabilidade de todos”, resultando para os companheiros que não puderam estar presentes, uma visão panorâmica do ocorrido naquele evento.

Atendendo ao elevado teor dos temas, o livro foi acolhido com simpatia e debatido com minúcias na maioria dos Grupos de A.A. do País, proporcionando crescimento significativo, motivando o apadrinhamento para os serviços.



1983 – Na VII Conferência de Serviços Gerais, em São Paulo, realizada nos dias 30 e 31 de março e 1 de abril de 1983, foram eleitos os primeiros Custódios do Brasil, em número de 9 (nove), conforme o previsto; sendo 3 (três) não-alcoólicos e 6 (seis) alcoólicos, membros da Irmandade, oriundo dos Grupos de A.A., todos para serem empossados na VIII Conferência de Serviços Gerais, em 1984.

Nesta Conferência, a Junta deixa de ser Junta Nacional de Alcoólicos Anônimos do Brasil (JUNAAB), para ser Junta de Serviços Gerais de Alcoólicos Anônimos do Brasil. Por ser difícil a pronúncia de JSGAAB, optou-se por mudar o nome e manter a sigla JUNAAB, mais fácil de pronunciar e já conhecida de todos os membros.

O encargo de Custódio era questionado, porquanto muitos membros AAs receavam o comportamento dos não-alcoólicos, principalmente, no que concerne na condução dos negócios da JUNAAB e nas relações com os Grupos de A.A. em geral.

Historicamente, os Custódios em A.A. surgiram com a Fundação do Alcoólico, na América do Norte e precederam a estrutura da Conferência de Serviços Gerais daquele País, que podia receber doações de fora e os doadores abaterem do Imposto de Renda, as quantias doadas. Com o advento dos Princípios em particular, das Tradições, a aceitação dessas contribuições foram abolidas.

A.A. no Brasil aperfeiçoava-se no serviço e na mensagem, surgindo nos diversos Encontros, as Reuniões Médicas, intituladas “Mesa-redonda”, com a participação dos assistentes, em sessões de perguntas e respostas, enriquecendo as Convenções.

Com a publicação e divulgação do Manual de Serviços, em 1983, algumas Áreas iniciaram a implantação experimental da Estrutura de Serviços Gerais, resultando na participação e aceitação dos R.S.Gs. De sorte que, nessa Conferência (1984), houve abertura para explanação sobre a experiência levada a efeito por essas Áreas, documentada por trabalhos escritos e entregues à Junta de Serviços Gerais.

Logo após a VI Conferência, em Fortaleza/CE e divulgado o Manual de Serviços e Os Doze Conceitos para o Serviço Mundial, (Na VII Conferência, em São Paulo, foram entregues O Manual de Serviços e Os Doze Conceitos para Serviço Mundial. Foi neste ano que os Delegados das Áreas, depois de eleger o Dr. Viotti, foram conhecê-lo no III Encontro Paulista), a Diretoria da então CEMISAA – Central Mineira de Serviços de A.A., ao receber os Relatórios do Custódio Alcoólico (Classe B), do Delegado Estadual 83/84 e do Secretário do CLAAB, detonaram a fase evolutiva do A.A. no Brasil, sensibilizando a liderança do Estado (Área/MG) para implantação da Estrutura tradicional.

Em 29 de maio de 1983, convocou uma Assembléia de R.S.Gs, onde explanação sobre Estrutura foram feitas, decidindo na seqüência, pela constituição de um Comitê de Área interno, para a implantação da referida Estrutura de Serviços, escolhendo por aclamação um Coordenador de Área, um Secretário e um Tesoureiro, o que viria a assinalar um marco na Estrutura de Serviços de A.A. no Brasil.

No período entre a eleição e a posse, o Dr, Jurandyr Barcellos da Silva/RS, que fora eleito Custódio não-alcoólico, veio a falecer, sendo substituído pelo General Olímpio, do Rio de Janeiro; o Custódio alcoólico Eduardo Guimarães, também eleito em 1983, não tomou posse na ocasião, sendo oficializada a posse de ambos na primeira reunião da Junta de Custódios, em Caxambu/MG, nos dias 14, 15 e 16 de dezembro de 1984.



1984 – O acontecimento relevante dessa 8a Conferência de Serviços Gerais, acontecido nos dias 16, 17, 18 e 19 de 1984, concomitantemente com a 8a Convenção, em Blumenau/SC, foi à instalação da Junta de Custódios,

Quando da posse levantou-se a questão sobre o prazo de 3 (três) anos para os quais os Custódios foram eleitos, quando na realidade, na forma estatutária, deveriam ser eleitos 3 (três) Custódios pelo período de 1 (um) ano, sendo 1 (um) classe “A” e 2 (dois) classe “B“; mais 3 (três) Custódios por 2 (dois) anos, sendo igualmente 1 (um) classe “A“ e 2 (dois) classe “B“, e, da mesma forma, 3 (três) Custódios, classe “A”, pelo período de 3 (três) anos. Prevendo-se a grande dificuldade que se encontrava para conseguir futuros Custódios, em particular classe “A“, o assunto foi amplamente debatido, (Faltou humildade nos companheiros que quiseram “sacrificar-se”, saindo com um (1) ou dois (2) anos), sugerindo-se que o cumprimento estatutário fosse modificado posteriormente, e que fosse mantido o mandato de 3(três) anos.

O assunto em votação, foi aprovado pela maioria e efetivada a posse da Junta de Custódios na seguinte ordem:

Presidente da Junta de Custódios ...Dr. José Nicollielo Viotti, Custódio Classe “A”;

2 Vice-Presidente ..........................Gefferson Baptista de Carvalho, Custódio Classe “B“;

1 Tesoureiro ..................................Professor Joaquim Luglio, Custódio Classe “A“;

2 Tesoureiro .................................Adauto de Almeida Machado, Custódio Classe “B“;

Secretário Geral .............................Waldir Ferreira Gonçalves, Custódio Classe “B”;

2Secretário ................................. José Washington Chaves, Custódio Classe “B“;

Custódio-Adjunto ......................... Lúcio Antônio Pinto, Custódio Classe “B“

Como observador, participou desta Conferência, Jorge Mário Ifrán, Secretário da OSG do Uruguai, que em sua palavra disse que levava muitos subsídios para o Serviço de seu País.

Nessa Conferência, houve a abertura para a explanação em Plenário, sobre a constituição da Estrutura de Serviços Gerais de A.A., na Área de Minas Gerais, feita pelo Coordenador da Área, documentada mediante trabalho escrito e entregue à Junta de Serviços Gerais, naquela oportunidade. (Recomendação n 32, da Comissão de Normas e Procedimentos).

A experiência mineira motivaria os demais Estados – Áreas – a trabalharem para igualmente implantar a Estrutura preconizada.

Nessa Conferência houve também, a eleição para a Diretoria do CLAAB/ESG.

Durante o ano, a Junta trabalhou intensamente para a sua organização, ouvindo os Organismos de Serviços, enfim, a Irmandade, para as ações a desenvolver. Reitera a autorização para a criação da Revista Brasileira.



1985 – O Serviço de A.A. ganha força e vigor com a formação da Junta de Custódios, que passa a reunir-se em Baependí/MG, sob a Coordenação do seu Presidente não-alcoólico, tendo como convidados representantes nacionais sem caracterização de encargos.

Nessas reuniões formavam-se Grupos de Trabalho e eram discutidos temas diversos relativos ao crescimento da Irmandade. Planejando-se para se dar corpo estrutural a composição da Junta de Serviços Gerais – JUNAAB.

Em assim sendo, na IX Conferência de Serviços Gerais, realizada em São Paulo, nos dias 01, 02, 03 e 04 de abril de 1985, a Presidência da Junta de Serviços Gerais, entre os vários informes, ressalvadas as dificuldades, em que se aproveitando experiências de companheiros que anseiam em colaborar, cita a criação dos seguintes Comitês de Serviços da Junta de Serviços Gerais: Finanças, Informações ao Público, Cooperação com a Comunidade Profissional, Instituições, Arquivos e Conferência (hoje Comitê de Assuntos da Conferência). Referiu-se às Finanças da Junta, dinheiro em A.A., que a Tesouraria daria detalhes minuciosos à respeito, além de comentar a forma de substituição – rodízio – dos Custódios e no que concerne os nossos Estatutos. Alerta e fala sobre prudência, comportamento e privacidade, que depende de nós, os membros, na prática do Programa de Recuperação, visando única e exclusivamente o crescimento da Irmandade e, por conseguinte, o de cada AA individualmente.

Alicerçado nesse progresso, a Comissão de Agenda sugere um tema para a Conferência: “ESTRUTURA - VAMOS FAZER?“, e propõe para a abertura, um gesto arrojado de exposição sobre “O Grupo”, “Estrutura de Serviços Gerais”; “O Programa de Recuperação – Os Doze Passos ”, "Unidade de A.A. – As Doze Tradições” e “Os Doze Conceitos para os Serviços Mundiais”, com espaços para debates – Seção de Participação.

Embora a proposta fosse enviada a todos os conferencistas, que não responderam, assinalando com o presente silêncio – aceitação – quando da prática da votação na Conferência de Serviços Gerais, não aprovaram a Agenda, mesmo em sendo modificada sob a alegação de vir de encontro ao Regimento Interno daquele Organismo.



ABRIMOS UM PARÊNTESE PARA A QUESTÃO “DINHEIRO”


Conquanto, a introdução da Sacola da 7a.Tradição tenha ocorrido no Brasil em 1952, a auto-suficiência sempre foi precária, mais para nenhuma.

O desconhecimento dos Princípios Básicos e a Irmandade no País em constante crescimento, nos seus aspectos dinâmicos e filosóficos, sempre estiveram a mercê do arbítrio e interpretação dos líderes da época, que se incumbiam de propagar, o que persiste ainda hoje, que em A.A. não se paga nada - ninguém é obrigado a nada – direcionando enganosamente à liberdade democrática oferecida pela Irmandade, que prevê que o membro AA para recuperar-se, deve submeter-se aos Princípios de Recuperação. Logo, o próprio membro AA deve obrigar-se, participando das reuniões, vivenciando Os Doze Passos, exercitando As Doze Tradições, entre elas, a Sétima Tradição, no sentido espiritual e material – doando-se espontaneamente, inclusive com o dinheiro.

Devido à falta de informação, membros dos nossos Órgãos de Serviços viajaram por todo o Brasil, conscientizando, divulgando a Literatura, ao tempo que angariavam fundos para a sustentação de nossos Escritório – CLAAB/ESG.

Foram criados carnês para contribuições, os Delegados Estaduais foram também concitados a contribuir e motivar os R.S,Gs a fazerem o mesmo, assim como os Grupos de A.A., mas as dificuldades não diminuíram.

Nesse estado crítico, a Junta de Custódios, recém empossada, ficou desorientada e ainda sem o assessoramento dos Comitês, idealizou e formalizou uma “rifa” para o sorteio de um automóvel, o qual era o primeiro prêmio dentre os cinco(5) prêmios prometidos. O que foi para todos nós, motivos de sérias polêmicas – uma amarga experiência, tão negativa, que não há como descrevê-la.

Alcoólicos Anônimos é do Poder Superior e houve a intercessão de DEUS; os prêmios ficaram para a Irmandade, decorrente dos números não vendidos, uma vez que o apurado não cobria os custos para os prêmios colocados a sorteio. Não devemos ser contrários aos Princípios – respeitemos as Tradições! Eis o alerta!

Caminhamos, estamos aprendendo a duras penas e nos sustentando. Tivemos a consciência de contribuições voluntárias, as Conferências de Serviços Gerais passaram a ser realizadas com as despesas niveladas e atualmente com a verba das vendas de Apostilas da Conferência, enquanto que as Convenções são realizadas sem lançar mão da venda de “souvenires”. São custeadas por intermédio de inscrições antecipadas dos membros AAs e também de lançamentos de edição de livros e livretes de nossa Literatura autorizada pela Conferência de Serviços Gerais de Alcoólicos Anônimos. Sobretudo, estamos mais abertos para falar de auto-suficiência e assumimos responsabilidades como Grupos de A.A. e membros da Irmandade.

Nessa Conferência de Serviços Gerais de 1985, foi proposta e aprovada a criação de uma Comissão Especial para Reforma do Manual de Sérvios de A.A. para o Brasil, composta de 02 (dois) membros da Área de Minas Gerais, 02 (dois) membros da Área de São Paulo e 02 (dois) Custódios Regionais, 1 (um) da Região Sudeste e outro da Região Centro-Oeste.



A REVISTA “VIVÊNCIA”



Uma revista brasileira de A.A. que servisse de divulgação em nível público sempre foi desejada desde os primeiros Conclaves (hoje, Convenções). Nos dias 17, 18 e 19 de agosto de 1985, a JUNAAB, na 2a. Reunião de Serviços Nacional, realizada em Baependí/MG, por sugestão dos Comitês, inclusive os membros do CIP. CCCP, CI. (CTO), recém oficializados, dos Comitês de Finanças e do Comitê de Literatura, elegeram uma Diretoria e autorizou uma edição experimental: seria o N 0 (Zero), marco inicial da revista, lançada em novembro do mesmo ano, em Campo Grande/MS, quando do Seminário da Região Centro-Oeste, com o nome de “Revista Brasileira de A.A.”

A revista foi um sucesso total, não obstante as cochiladas editoriais, e os 5.000 (cinco mil) exemplares editados foram quase todos vendidos em tempo recorde. A revista era viável. Devido a problemas técnicos e editoriais, consoante apreciação e Parecer do Comitê de Literatura da Junta, a Revista Brasileira de A.A. foi transferida para ser editada e publicada em Brasília/DF, sob nova direção, com o nome de “Vivência”. Adquiriu um formato bem menor, quase de bolso e institui-se a assinatura anual. Procurava-se resolver os problemas emergentes. A revista crescia.

Aos seis anos de idade a Vivência era trimestral e inclusive contribuía mesmo modestamente, para ajudar nas despesas do ESG. Ultrapassou os 3.000 (três mil) assinantes e as vendas avulsas transpuseram o patamar dos 1.500 (um mil e quinhentos) exemplares. Por problemas administrativos, a edição e publicação da revista “Vivência” foram transferidas de Brasília/DF para Fortaleza/CE.

Instalada em Fortaleza/CE, desde 1990, edição n 14 até a de n 24, relativa ao trimestre abril/maio/junho de 1993, período em que alcançou um grande avanço, passou de 1.500 (um mil e quinhentos) assinantes, para 4.000 (Quatro mil).

A edição n 25, julho/agosto/setembro de 1993, foi editada em São Paulo, no formato atual, um pouco maior que as anteriores – e com tiragem de 8.000 (oito) mil exemplares. Abandonou o tema de capa adotado em Fortaleza/CE, dando maior destaque à divulgação de eventos e voltando-se um pouco mais para temas ligados aos Três Legados de A.A., e continuou com a edição trimestral, por pouco tempo.

A partir da 1a. edição do ano de 1994, passou a ser editada a cada dois meses. A assinatura – cortesia foi apresentada pela primeira vez no Editorial da Revista de n 33, que também trazia um cupom “cortesia” impresso em suas páginas.

Até a última revisão do Manual de Serviços, ocorrida em 1995, onde foram reformulados os Estatutos da JUNAAB, a Vivência manteve-se como empresa separada, com Diretoria própria, assim ocorria com o extinto CLAAB. No entanto, após essa revisão estatutária, os três Órgãos de Serviços da JUNAAB fundiram-se numa única empresa e a Revista Vivência passou a ser de responsabilidade de um novo Comitê da Junta – o Comitê de Publicações Periódicas (CPP) – responsável também pela publicação do BOB Mural.

A 1a.edição publicada por este Comitê inovou com algumas mudanças. O tema da capa voltou (a 1a. edição de n 36 fala sobre apadrinhamento) e a linha editorial tende a retratar mais a prática do dia a dia do Programa de Recuperação dos membros de A.A., com a tão falada “Linguagem do Coração”, aquela em que só se ensina falando em experiência pessoal.

O projeto visual foi remodelado e a Revista Vivência ganhou mais ilustrações e dispositivos editoriais utilizados para facilitar e tornar mais agradável a leitura.

Ultimamente, após ter enfrentado sérios problemas com distribuição a Revista Vivência conta com cerca de 7,000 (Sete mil) assinantes assíduos e o Comitê responsável, com dois servidores atuantes, trabalhando firme no sentido de ampliar estes números, fortalecendo e fornecendo subsídios para que sua estrutura de divulgação tenha mais respaldo e eficiência em suas atividades. O conteúdo da Revista Vivência tem sido objeto de planejamento e estudo, e sua edição caminha a passos largos em direção ao aprimoramento técnico. Conta com colaboradores em diversas localidades do País e representantes em quase todas as Áreas, porém, pouco mais de 10% (dez por cento) dos Grupos de A.A. têm representantes (R.Vs). Os problemas com a distribuição das Revistas tendem a diminuir quando os Escritórios de Serviços Locais assumirem essa responsabilidade prevista neste Manual de Serviços.



1986 – A 10a. Conferência de Serviços Gerais e a 9a. Convenção, ocorreram nos dias 24, 25, e 26 de março de 1986, em João Pessoa/PB, com o tema “SERVIÇO É AMOR”. Nesta ocasião, foi editado e também lançado um livro, com este título.

A Conferência de Serviços Gerais foi aberta na forma de costume, sendo lido o Relatório sobre custos, aumento de preços de Literatura e previsão de gastos com a Convenção em andamento.

Um dos Delegados à R.S.M. apresentou seu Relatório e alertou quanto às falhas de apadrinhamento. Em enfático pronunciamento disse ser preciso haver uma troca de experiências nas Conferências de Serviços Gerais, com respeito às atividades realizadas nos Grupos de A.A.. Aprofundou-se com especificação do Programa de A.A. – d’Os Doze Passos e, encerrou com a frase: “As palavras convencem, mas os exemplos arrastam”.

Recomenda-se a sistemática de contribuições proporcional para os Órgãos de Serviços, assim distribuídos: 60% (Sessenta por cento) para Centrais/Intergrupais (hoje Escritório de Serviços Local – ESL), 25% (Vinte e cinco por cento) para o Comitê de Área e 15% (Quinze por cento) para a JUNAAB.


1987 – Em São Paulo acontece a 11a. Conferência de Serviços Gerais, nos dias 16, 17 e 18 de abril, tendo como assunto de destaque a apreciação do Anteprojeto do Manual de Serviços de A.A., adaptado à realidade brasileira, transformando-se a Reunião Ordinária em Reunião Extraordinária.

Contudo priorizou-se o assunto “Custódios”, assunto pendente desde 1984, no que se refere ao rodízio, eleição e posse. Em 1988 foram eleitos: 02 (dois) Custódios - Classe “B” e 01 (um) Custódio - Classe “A”, ficando a Junta acrescida de mais 03 (três) Custódios. Em 1989, eleição e posse de mais 02(dois) Custódios – Classe “B” e 01 (um) Custódio – Classe “A”, somando 15 (quinze) Custódios. Em 1990, nova eleição e posse de mais 02(dois) Custódios - Classe “B” e 01 (um) Custódio -Classe “A” e encerrados os mandatos de 09 (nove) Custódios, quando a Junta volta contar com o seu número normal de 09 (nove), satisfazendo o rodízio desejado e às Áreas envolvidas.

O tema da Conferência de Serviços Gerais, - “ABORDAGEM E APADRINHAMENTO”, foi exposto com os debates tradicionais, porém com interrupção, com permissão da Plenária, para dar entrada na Conferência de Serviços Gerais, dos companheiros Harold e John Burns. Harold, um dos membros mais antigos do A.A. no Brasil, e John Burns, atuante na recuperação de alcoólatras em Clínicas Especializadas; o qual enfatizou estar comprovado serem “Os Doze Passos de A.A.”, o mais eficaz instrumento para a recuperação do doente alcoólico.

Também foi feita a temática sobre “Organização da Conferência”, apresentada por um companheiro que sugeria reformulação, simplificação, aspectos legais, despesas e formação de fundos para o suporte daquele Organismo.



1988 – A XII. Conferência de Serviços Gerais e a X. Convenção, realizaram-se nos dias 27, 28 e 29 de março de 1988, em Curitiba/PR, com o tema “Sétima Tradição” e “Contribuição, Privilégio ou obrigação?”, respectivamente.

O assunto prevalecente referiu-se à reforma dos Estatutos da Junta, seguido das eleições dos Custódios, Delegados à RSM e apresentação dos Relatórios dos Organismos de serviços da Junta.

O A.A. no Brasil assumiu compromissos de apadrinhamento de Países da África, como: Moçambique, Angola, Guiné, Bissau, Cabo Verde, São Tomé e Príncipe, segundo relatou nosso Delegado à R.S,M.. Esclareceu também que quanto a Portugal, o trabalho está desenvolvendo a contento e que, de acordo e informes do CLAAB, já adquiriu mais Literatura do que 09 (nove) de nossas Áreas.

A CENSAA/SP apresentou o “Projeto Conjunto de Divulgação de A.A.” visando uma unificação da linguagem de divulgação para aprovação de sua implantação.

Ouvidas as Comissões que hoje compõe o CTO, estas referendaram o Projeto e sua praticabilidade ou praticidade.

As Centrais/Intergrupais (hoje E.S.Ls) em nível nacional, reuniram-se pela segunda vez, tendo como resultado intercâmbio dos mais proveitosos.

Os Estatutos da JUNAAB, com nova redação e analisados todos os Capítulos, foram aprovados por unanimidade pela Plenária, em sessão extraordinária, isto posto, incontinente, foi colocado em discussão e aprovação do Regimento Interno da Conferência de Serviços Gerais, que identicamente foi aprovado.

Fato inédito foi a introdução de uma Comissão de Avaliação da Conferência e das temáticas, que opinou pela manutenção de pelo menos duas palestras sobre temas determinados (polêmicos para os membros de A.A. e Grupos de A.A.), se possível com sugestões da Áreas. Os temas da Conferência de Serviços Gerais, foram propostos em 1985 e adotados, para regozijo do A.A. no Brasil.

Nas anteriores Conferências de Serviços Gerais, aspirávamos ver os Delegados Estaduais e à R.S.M. saindo da Conferência levando, já aprovadas, a Ata da Conferência. Vimos este fato concretizar-se nesta Conferência de Serviços Gerais (1988).



1989 – A XIII. Conferência de Serviços Gerais, foi realizada em Santos/SP, nos dias 22, 23 e 24 de março de 1989.

Mais uma vez temos propostas de Reforma de Estatutos, justificadas para atender as exigências fiscais, considerando que o ESG estava registrado indevidamente como personalidade jurídica, com CGC, quando esta característica deveria ser da JUNAAB. Não obstante protestos da minoria, as alterações foram aprovadas com a introdução do Regulamento da Revista Brasileira de A.A.- Vivência. Houve propositura para a revisão do Manual de Serviços de A.A.. De modo que, foi criada uma Comissão composta de 04 (quatro) companheiros, sendo 03 (três) Delegados de Área e 01 (um) Custódio.

O Delegado à RSM discorreu sobre o A.A. no Brasil e fez analogia em relação a outros Países informando que, no momento, o A.A. no Brasil ocupa o terceiro lugar em nível mundial.



1990 – Realiza-se em Belém do Pará/PA, a 14a. Conferência de Serviços Gerais, com o tema “A Mulher e o Terceiro Legado”, na cidade de Benevides/PA, nos dias 08, 09, 10, 11 e 12 de abril de 1990, simultaneamente com a 11a Convenção.

Instalada a Conferência de Serviços Gerais e ouvido o Relator da Comissão de Agenda, passou-se à exposição do tema, por uma companheira da Área de São Paulo e outra companheira da Área de Serviço do Rio de Janeiro – dignas representantes do tema, sendo também, apresentado o Relatório do Delegado à RSM.

Na forma de costume, foi escolhido o tema da próxima Conferência de Serviços Gerais, sendo eleito o tema com o título: “A Conferência toma o seu inventário”.

É recomendado que nos anos entre as Convenções, as Conferências de Serviços Gerais fossem realizadas na Área Metropolitana da cidade Sede ou sua circunvizinha (até 200 Km).



Com a apreciação pela Plenária, o Manual de Serviços de A.A., e com a revisão elaborada pela Comissão Especial de Reforma, foi sugerido e acatado a supressão dos Capítulos I, este com a ressalva de permanecer o RSG, e o Capítulo VI de título “As Centrais Estaduais de Serviços – CENSAAs”, para ser examinado separadamente, num Encontro Nacional de Centrais/Intergrupais.



ENCONTRO DE CENTRAIS E INTERGRUPAIS



No 4 Encontro desses Organismos, em Volta Redonda/RJ, nos dias 13 e 14 de outubro deste mesmo ano (1990), com o objetivo inicial de se criar um “Guia de Normas e Procedimentos” que evitasse pontos polêmicos no funcionamento, formou-se uma Comissão e se estipulou um tempo para apresentação de sugestões.

O 5 Encontro deu-se em Porto Alegre/RS, nos dias 31 de maio e 1 de junho de 1991. Considerando que as atividades do CTO estariam afetas às CENSAAs/ISAAs, portanto atribuições dos RIs, que compõem seus Conselhos de Representantes – CRI, formaram-se os Sub-Conselhos – SubCRI, com um Coordenador denominado “Coordenador do Sub Conselho –CSC”, nas Unidades Geográficas dos Comitês de Distrito, para tratar da divulgação da Irmandade, enquanto os RSGs e MCDs cuidariam de preparar o Grupo de A.A. para receber os visitantes, alcoólicos e não-alcoólicos, em cumprimento da Quinta Tradição.

No 6 Encontro, nos dias 19 e 20 de junho de 1992, em Fortaleza/CE, após as avaliações e feitos os acertos, o “Guia Nacional de CENSAAs e ISAAs”, foi aprovado e confirmado na 17a. Conferência de Serviços Gerais, em Santos/SP, nos dias 06, 07, 08 e 09 de abril de 1993, sendo publicado em agosto do mesmo ano (1993).

O Anteprojeto de Reforma do Estatuto da JUNAAB, após discussões e emendas, foi finalmente aprovado em 13 de abril de 1990 e registrado posteriormente como personalidade jurídica, em Cartório, para estes fins.

A Junta tratou de estruturar o Escritório de Serviços Gerais, de modo que, como Secretaria Executiva da Junta, possibilitasse o intercâmbio não só entre as Comunidades A.A., mas também com a Comunidade não-A.A., transmitindo e levando a mensagem da Irmandade.

Vejamos os Planos:

Proposta de temas e palestras para a Conferência de Serviços Gerais;

Conclamação para a implantação da Estrutura;

Palavras do Presidente de então “o propósito dessas reuniões é o de possibilitar o assessoramento da JUNAAB e a execução das várias atividades da Irmandade. Aproveitamento da experiência de membros de A.A. que se especializaram nas diferentes atividades”;

“Finalmente, dinamizar e agilisar a tomada de espaços pertinentes, visando o cumprimento do nosso propósito primordial, que é ajudar o alcoólico que ainda sofre”.



Para tal fim, foram compostos os Comitês relacionados, a seguir:



Comitê de Assuntos da Conferência (C.A.C.). (Foi criado como “Comitê de Apoio da Conferência”).

Comitê de Finanças (C.F.);

Comitê Trabalhando com os Outros (C.T.O.);

Comitê de Informação ao Público (C.I.P.);

Comitê de Cooperação com a Comunidade Profissional (C.C.C.P.);

Comitê Institucional (C.I.)

Instituições de Tratamento;

Instituições Correcionais.

Comitê de Literatura (C.L.).

Todos estes Comitês com atribuições definidas.



CINCO ANOS DEPOIS



Comunicação;

Modernização;

Departamento de Vídeo e Som;

Arquivo;

Estrutura Nacional;

Finanças;

Reuniões da Junta;

Instalações adequadas;

Custódios – Classe “A” , Ação;

CLAAB;

Vivência;

Bob Mural.

A partir daí, os textos das Apostilas constituem a História dos Serviços de A.A. no Brasil, acrescidas de informações referentes ao A.A. Mundial.



1991 a 1995 – As Apostilas foram aperfeiçoadas; disseminaram os Seminários, Simpósios, Ciclos de Estudos dos nossos Princípios; Interdistritais; Interáreas; Conferências Simuladas; etc..

Em que pese a crise financeira que envolve o nosso País e conseqüentemente a Irmandade de Alcoólicos Anônimos, sempre frágil em auto-suficiência, houve considerável melhoria, porquanto todos os Custódios custeavam suas próprias despesas, inclusive os Custódios não-alcoólicos, quando vinham participar das Reuniões da Junta ou para quaisquer outros serviços. Conseguimos, desde 1987, superar esta fase, graças à contenção de despesas, até mesmo reduzindo as Reuniões da Junta.

O relacionamento com os Profissionais, Imprensa, Órgãos Públicos, Instituições Particulares e Empresas, alcançou um índice relevante. Nossos Custódios não-alcoólicos participando de Congressos Médicos; Faculdades Universitárias Médicas e de Enfermagem; Clubes de Serviços, enfim, a nossa Irmandade vive uma etapa resplandescente. A Revista Vivência é revigorada e o Boletim Bob ganha nova forma; o “BOB Mural”.

Mudança de Sede dos nossos Órgãos de Serviços para um prédio comercial situado à Avenida Senador Queiroz, 101, no centro de São Paulo, bastante acolhedor; digno da Irmandade e das pessoas que nos procuram em busca de informações, proporcionando um clima salutar de trabalho para os nossos funcionários.



VEJAMOS O DESENROLAR DESTE PERÍODO



1991 – “A CONFERÊNCIA TOMA O SEU INVENTÁRIO”, o tema com a intenção de se avaliar os serviços da Conferência de Serviços Gerais, com profunda reflexão e debates pelos conferencistas, sobre a Unidade Nacional que deveria falar a mesma linguagem – a do coração, traduzida no nosso bem-estar comum. Trata-se da 15a. Conferência de Serviços Gerais, realizada em Santos/SP, no Centro de Formação para o Apostolado de Santos – CEFAS, nos dias 27, 28, 29, 30 e 31 de março de 1991.



1992 –“O GRUPO – MUDANÇA NA MATRIZ”, tema quente, provocou debates em todo o País, pelo entendimento de minorias que pretendiam mudar “O Grupo de A.A.”, senão o A.A. como um todo. Essas discussões trouxeram um grande crescimento para a Irmandade. Oportunizou falar-se muito do Programa de Recuperação, concentrado nos 36 (trinta e seis) Princípios dos Três Legados: Recuperação – Unidade – Serviço, que significam nossa Herança. O tema em questão foi da 16a.Conferência de Serviços Gerais e 12a. Convenção Nacional, realizada em Brasília/DF, nos dias 12, 13, 14, 15,16 e17 de abril de 1992.



1993 – “VIVENCIANDO A LITERATURA E REFORMANDO A MATRIZ”, reforça o tema anterior, dando ênfase à Literatura como nossa Herança. Surgem os “Ciclos de Estudos d’Os Doze Passos’; d ‘As Doze Tradições; dos Doze Conceitos: do livro ‘Alcoólicos Anônimos’ e formas de se praticar, com Reuniões Californianas (em círculo)”. O tema prende-se à 17a Conferência de Serviços Gerais, havida nos dias 06, 07, 08, 09 e 10 de abril de 1993, no CEFAS, Santos/SP.

1994 – “SERVIÇO – PRIVILÉGIO DE CADA UM”. Esta maravilha de tema foi desenvolvida na 18a. Conferência de Serviços Gerais, e na 13a. Convenção, que aconteceram nos dias 27, 28, 29, 30 e 31 de março de 1994, em Terezina/PI. Um claro chamamento para os membros de A.A. como indivíduos, para a responsabilidade/gratidão que significa a glória da Recuperação em Unidade. Todavia, nem sempre entendido, por induzir servir sem aparecer, sem querer elogios, honrarias, nomes estampados em jornais, prestígio e poder – O Sacrifício do Anonimato.



1995 – “A LITERATURA DE A. A. E OS TRÊS LEGADOS”. O tema refere-se à 19a. Conferência de Sérvios Gerais, que foi realizada nos dias 12, 13, 14, 15 e 16 de abril de 1955, nas dependências do CEFAS, Santos/SP. Reporta a força espiritual do Programa de Recuperação; a igualdade que deve prevalecer nos Grupos de A.A. e Órgãos de Serviços. Irmandade onde não há governos (chefes), e que as diversidades individuais se juntam pela necessidade da prática dos mesmos Princípios, se quiserem viver abstêmios – aperfeiçoando-se para viver em relativa sobriedade.

As Apostilas ganham consistência e a sua aquisição pelos Grupos de A.A. que se conscientizaram a cada ano de sua importância, praticamente cobrem as despesas da Conferência de Serviços Gerais e custeiam a participação dos seus representantes de Área – Delegados Estaduais.

Com respaldo nesta conscientização, a Conferência de Serviços Gerais/Comissão de Finanças, ratifica e aperfeiçoa a Recomendação n 5, dos anos de 1993 e 1994, ora transcrita: “A extinção da despesa nivelada”. As despesas da Conferência de Serviços Gerais serão suportadas por recursos das seguintes origens:

Resultado de venda das Apostilas, e

Repasse mensal efetuado pela JUNAAB.

A cada ano, as Áreas adquirirão Apostilas em n de 25% (vinte e cinco por cento) superior ao ano anterior, até o ano 2.000 (dois mil). O limite máximo obrigatório na evolução de compras de Apostilas, será igual a 02(duas) Apostilas, por Grupo de A.A. da Área. Da arrecadação como resultado das vendas, 25% (vinte e cinco por cento) serão destinados ao Comitê de Área adquirente.

Conforme o previsto, a reforma do Manual de Serviços de A.A. contemplava a revisão dos Estatutos da JUNAAB, porém, em fins de 1994, surge uma proposta da própria Junta, para que na reforma questionada houvesse a fusão dos Organismos de Serviços, CLAAB/REVISTA VIVÊNCIA, incorporando-os numa única empresa à Junta de Serviços Gerais de Alcoólicos Anônimos do Brasil, sob o argumento de que as despesas para a manutenção de duas empresas, embora, aparentemente gozem de privilégios fiscais, arcam com encargos sociais e fiscais.

Solicita à Conferência de Serviços Gerais, que em sessão extraordinária aprovasse a seguinte RESOLUÇÃO: ‘Fica o CONSELHO DIRETOR DA CLAAB autorizado a promover a sua dissolução, incorporando os seus bens patrimoniais à JUNTA DE SERVIÇOS GERAIS DE ALCOÓLICOS ANÔNIMOS DO BRASIL – JUNAAB, Sociedade Civil, sem fins lucrativos, criada através de Estatutos protocolados e registrados sob n 2519, Livro “A” do Primeiro Cartório de Pessoas Jurídicas de São Paulo, Capital, publicado no “Diário Oficial do Estado, em 29 de junho de 1976, página 78”.

Isto posto houve manifestações e propostas das mais variadas do Plenário, dentre elas anotamos, no caso de aprovadas, que se resguardasse o previsto no Conceito VIII, d’Os Doze Conceitos para os Serviços Mundiais, (não foi consignado em Ata). Prosseguiu com acirradas discussões, porém, resultando em aprovação, com maioria absoluta.

Em cumprimento a agenda, foi formada uma Comissão Especial de Exame do Manual de Serviços de A.A., composta de 02 (dois) Delegados Estaduais de cada Região, 01 (um) Custódio alcoólico e 01 (um) Representante da Comissão de Reforma do Manual de Serviços de A.A., que se mantiveram reunidos desde o dia 13 de abril, adentrando a madrugada do dia 15 de abril de 1995.

Às 09:15 horas desse mesmo dia 15 de abril, quando a apresentação do Manual de Serviços do A.A. examinado, o Relator propôs a votação, página por página, enquanto que a “Apresentação e o Acordo”, seriam votados no final dos trabalhos, havendo concordância do Plenário. Em seguida, por unanimidade, as matérias constantes das páginas 04 (quatro) até a página 19 (dezenove) do Manual de Serviços de A.A., foram dispensadas de leitura, por se tratar de cópias fiéis.

Ao iniciar o relato, o texto da página 20 (vinte) – “TRABALHANDO JUNTOS”, surgiram debates intensos, resultando em duas propostas – TRATA-SE DO ANTEPROJETO DO MANUAL DE ESTRUTURA UNIFICADA.

Os trabalhos foram interrompidos obedecendo ao adiantado da hora. No retorno, houve a inversão de pauta, consentida pelo Plenário, possibilitando a antecipação da apreciação do projeto de modificação do Estatuto da JUNAAB. Depois das emendas, foi aprovada por maioria absoluta.

Retomando ao exame do Manual de Serviços de A.A., trabalho exaustivo, com a leitura até a página 65 (sessenta e cinco), com as devidas correções, em votação, decidiu-se pela Estrutura atualmente existente, incluindo, porém, “O GUIA NACIONAL DE CENSAAs/ISAAs”, correspondente ao Capítulo IV, do Manual de Serviços de A.A. em uso, hoje em reformulação, esgotados os 05 (cinco) anos estipulados. Da mesma forma aprovou-se o “Regimento Interno da Conferência de Serviços Gerais”, com as emendas cabíveis.



1996 – O tema dessa 20a. Conferência de Serviços Gerais, “Autonomia de Grupo à luz da 4a. Tradição”, realizada nas dependências do CEFAS – Centro de Formação para o Apostolado de Santos/SP, nos dias 02, 03, 04, 05, 06 e 07 de abril de 1996, foi deveras proveitoso, ensejando conceituar Grupos de A.A. e autonomia, de conformidade com as Tradições, observando-se que “cada Grupo de A.A. é uma entidade particular rigorosamente dependente de sua própria consciência coletiva”.

Finalmente, para júbilo de Alcoólicos Anônimos no Brasil, participou dessa Conferência de Serviços Gerais, uma companheira Delegada do A.A. na Argentina, que proferiu palavras de agradecimento em sua despedida.



1997 – Todas as atenções dos AAs no Brasil estão voltadas para o “Cinqüentenário do A. A. no Brasil” contudo,, conforme o deliberado, acontece em Santos/SP, nas dependências do CEFAS, com recepção no dia 22 e abertura oficial no dia 23, seguindo até o dia 26 de março de 1997, a 21a. Conferência de Serviços Gerais, com o tema “O A. A. brasileiro faz o seu inventário”. Como a descortinar “os 50 anos” do nosso A.A., ocorreu a 14a. Convenção Nacional, no Rio de Janeiro, iniciada nos dias 26 e encerradas no dia 30 de março de 1997.

Foi instituída uma Comissão Especial para Estudo do Manual de Serviços de A.A., com 01(um) representante de cada Região (Delegados Estadual), mais 01 (um) membro do Comitê de Literatura, incluindo-se posteriormente, os Custódios Regionais. Foi aprovada.

Ocorreu no Rio de Janeiro, nos dias 26 e 27 de março de 1997 o 8 Encontro de CENSAAs/ISAAs, registrando-se a participação de 20 (vinte) Centrais e 20 (vinte) ISAAs.

Durante a Conferência de Serviços Gerais, assunto grave relativo a Finanças foi debatido e, elaborado pela Junta um expediente em caráter confidencial para cada Delegado de Área, extensivo aos Escritórios de Serviços Locais, tendo o Tesoureiro Geral da Junta, Custódio não-alcoólico, levado ao 8 Encontro de CENSAAs/ISAAs, o documento em mãos, porquanto com participação confirmada naquele Encontro.

A Convenção Nacional como se aspirava foi um sucesso, em nível de comparecimento de AAs e, também de não-alcoólicos, com um público no “Maracanãzinho” de aproximadamente 10.000 (dez mil) pessoas. Visitantes, que podemos chamar de ilustres, fizeram suas presenças no congraçamento do Cinqüentenário, como: Presidente da Junta de Custódios dos Estados Unidos/Canadá, companheiro do GSO – General Service Office – Escritório de Serviços Gerais, com Sede em Nova Iorque. Representantes Uruguaios, um de Literatura e outro de Finanças,, bem como uma Custódia não-alcoólica, do Chile.

A Convenção esteve abrilhantada não só pelos desfiles das bandeiras, incluindo as internacionais, mas também, pelas palestras, exposições levadas a efeito pelos companheiros tomados de emoções, no Centro de Convenção, na Barra da Tijuca/RJ.



1998 – Nas dependências do CEFAS, em Santos/SP, nos dias 08, 09, 10, e 11 se abril de 1998, acontecia a 22a. Conferência de Serviços Gerais, com o tema “Trabalhando com os outros, dádiva de gratidão”.

As Áreas exploraram a dádiva do Poder Superior, a gratidão de se trabalhar com os Outros – verdadeiro sacerdócio.

No concernente a revisão do Manual de Serviços de A.A., no decorrer do painel “O que você está pensando?” e “Perguntas e Respostas”, painel aberto pelo Presidente da Junta (inovação), os Conferencistas debateram ‘Conceito de Área’ e ‘Reforma do Manual de Serviços de A.A.’.

Percebe-se nesse desenrolar dos “Aspectos da história de A.A. no Brasil”, o serviço se estratificar em uma Estrutura A.A. no Brasil, assim conceituada: “ESTRUTURA DE SERVIÇOS DE ALCOÓLICOS ANÔNIMOS”, é a disposição metódica e criteriosa dos elementos e das partes que constituem um todo; onde os Princípios tradicionais da Irmandade se unem harmoniosamente às normas legais necessárias”. “A ESTRUTURA DE SERVIÇOS: OS PRINCÍPIOS COMO SUPORTE DA LEI”. Os RIs – Representantes Intergrupais, que antecederam aos RSGs, quando do surgimento dos primeiros Escritórios, deverão voltar às suas origens, na época, Representantes Institucionais (RIs) – Instituições em Geral - que buscavam o apoio desses Escritórios, proporcionando o intercâmbio com os serviços do Grupo de A.A., em particular, com os existentes, na ocasião, nos Hospitais e Clínicas. Entende-se assim, que agora, devam integrarem-se ao C.T.O..

Depreende-se pela análise das propostas do Anteprojeto do Manual de Serviços de A.A., que a tendência é para uma Estrutura Única, que os Escritórios de Serviços Locais (CENSAAs/ISAAs) devam ser incorporados aos Serviços Gerais, como Secretaria de Execução dos Serviços essenciais, sem contudo deixar de prestar os serviços de informações, atendendo ao Conceito de Trabalhando Juntos: Serviços Gerais e Serviços Locais, diante do estabelecimento do Comitê Executivo e conseqüentemente da Diretoria do Escritório de Serviços Locais, formando acordo com as necessidades, outros Comitês (Tradição Nove).





Obs. – Estes dados foram retirados do “Anteprojeto do Manual de Serviços de A;A.“ apresentado para a Conferência de Serviços Gerais de A.A., realizada em Salvador/BA, em junho do ano de 2000.



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