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RECANTO DA LEITURA

 
 
 
 
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  " APADRINHAMENTO "

"UM APOIO EM TEMPO DE NECESSIDADE"
(Tema apresentado na Quinta Reunião Mundial de Serviços de A.A., por Bill S., delegado do Reino Unido (Inglaterra e Escócia).)

Considero-me uma pessoa muito afortunada em muitos aspectos, muito particularmente em dois eventos cruciais de minha vida. O primeiro foi, indiscutivelmente, ter sido conduzido pela graça de Deus, tal como O entendo, para Alcoólicos Anônimos na hora de maior necessidade. O segundo, quando um membro de A.A. de ampla e magnífica experiência não apenas estava disponível como atendeu ao meu pedido de que fosse meu padrinho.
Um dos significados da palavra "apadrinhamento" é "apoio e esta é para mim uma descrição apropriada e confortante".
Devo admitir que quando fiz o pedido para que fosse meu padrinho, de maneira inocente ou ignorante esperava que ele se convertesse na pessoa responsável pelos meus atos. Logo aprendi que não poderia ser assim, posto que somente eu era responsável por mim mesmo. Contudo, minha desilusão foi minorada quando me explicou que compartilharia comigo sua experiência, força e esperança sobre uma base pessoal, para ajudar-me a adquirir a auto-responsabilidade.
Esta foi minha primeira lição sobre apadrinhamento: a de ser um apoio em tempos de necessidade, de oferecer disponibilidade e boa vontade em todas as ocasiões, para orientar-me para o descobrimento de minhas próprias soluções para os meus problemas e dificuldades pessoais.
No início, sua ajuda foi de natureza prática: sua presença nas reuniões, nosso intercâmbio em chamadas telefônicas e as preciosas conversas privadas especiais. Talvez tudo isto tenha sido apenas apoio moral, mas o fato de eu saber que o tinha disponível ajudou-me em muitas ocasiões a encontrar um porto seguro num mar de dificuldades.
Aqueles foram meus dias de passos vacilantes ao longo do caminho que conduz à abstenção, à sobriedade. Uma época para aprender a viver novamente, um tempo em que eu necessitava tanto de um mestre quanto qualquer criança na escola. O conteúdo dos livros e dos folhetos nem sempre era compreendido.
Pouco a pouco, durante um longo período, foi se operando uma sutil mudança na relação entre meu padrinho e eu. Na medida em que foram crescendo e fortificando-se minha confiança e respeito próprio, fui buscando um maior conhecimento do programa de recuperação de A.A.
Dentro do grupo podia-se apresentar e discutir muitos pontos, com o compartir de diversas...experiências.
Porém, ainda restavam muitos aspectos dos quais eu ainda carecia de ajuda e orientação.
Com o meu padrinho podia falar aberta e confidencialmente sobre os Doze Passos, e pude
passar a entender seu profundo significado interior. Lenta, porém seguramente, com o passar do tempo fui aprendendo através do exemplo e dirigindo minha mente para um melhor aproveitamento da vida de sobriedade.
Este período de transição, crescimento e renovação foi em muitos aspectos uma época muito feliz. Claro que houve problemas, mas meu padrinho me ensinou a rir deles e sobretudo a desenvolver um profundo sentimento de gratidão.
Até aqui falei somente muito brevemente do que foi para eu ter sido "apadrinhado". Necessariamente trata-se de um resumo já que fosse narrar todos os detalhes de tal experiência ocuparia muito mais tempo do aquele que me está destinado.

Nosso Escritório de Serviços Gerais considera este tema do "apadrinhamento" como da maior importância, e já desde a primeira Conferência em 1966 se tratou desta parte do serviço.
A sexta Conferência em 1971, cujo tema central foi "A unidade no Serviço para o membro novo", destinou dois comitês para tratar assuntos distintos. Um deles falou sobre "O apadrinhamento no grupo" e o outro compartilhou suas experiências sobre "A responsabilidade individual no Apadrinhamento".
A 12ª Conferência de 1977 teve novamente uma sessão dedicada ao exame de nossa consciência sobre o apadrinhamento.
Pelo o que foi dito anteriormente não é difícil deduzir a relevância que existe na Grã Bretanha quanto ao apadrinhamento, e como até agora, na vida de nossa Conferência temos prosseguido fazendo o inventário de grupo para examinar nossa consciência e para mantermos vivos em nossas mentes os benefícios que são obtidos tanto para o padrinho quanto para o afilhado.
Uma recente pesquisa cuidadosa em nossa associação revelou alguns interessantes resultados. Reconhecemos que a amostragem pesquisada é pequena, mas tomaram-se todas as medidas possíveis para assegurar que todos os setores de A.A. no país nela estivessem representados. As conclusões mostraram que 69% dos membros de A.A. tinham entre dois e seis anos de sobriedade, e que 75% das pessoas com mais de seis anos eram padrinhos de outro ou outros membros. A média geral dos membros que atuavam como padrinhos foi de 52%.
Outro fato interessante que veio à luz foi que 80% daqueles que atuaram como padrinhos mantêm uma relação de proximidade com a pessoa a quem apadrinharam. Isto poderia indicar a criação de um forte vínculo de amizade entre as pessoas envolvidas, amizade que se estabeleceu e que perdura através do tempo. Assim, parece confirmar-se a opinião expressada na edição revisada do folheto sobre apadrinhamento: "Um bom relacionamento padrinho-afilhado é uma espécie de elo recordado com prazer por cada um, mesmo se os dois já não estão entrosados. Mas pode também se transformar numa amizade duradoura, e quando isso acontece, geralmente os dois dizem: Agora apadrinhamos um ao outro.".
Quando escuto em meu grupo menção ao apadrinhamento, ainda que não seja este o tema da reunião, alegro-me profundamente. A pergunta do recém-chegado serve para recordar-me do tempo em que a palavra apadrinhamento era nova para mim e eu desconhecia seu propósito. A mente inquisitiva mostra um desejo de melhorar em sua rota para a sobriedade e uma boa disposição para utilizar toda ajuda possível, ao mesmo tempo em que acredita que haverá de encontrar a ajuda de que necessita, sem interessar de onde venha.
Entendo que somos afortunados por dispormos no folheto "P e Respostas sobre Apadrinhamento" de um tesouro de experiência compartilhada que nos pode guiar em tão importante atividade.
Diz-se que Deus nos deu dois ouvidos e uma só língua para nos indicar que devemos escutar duas vezes antes de falar. Eu procuro escutar atentamente e com a intenção de compreender; quando falo, procuro não sair dos limites de minha própria experiência. Tenho o privilégio de ser padrinho e - considero esta situação como uma parte muito importante do meu programa de recuperação, retribuindo, assim, à Irmandade uma fração mínima de tudo aquilo que me foi dado gratuitamente. -
Se me perguntassem como assumiria a responsabilidade do apadrinhamento, teria que responder: o apadrinhamento há que ser assumido de maneira sincera, honesta e amorosa.

Tradução: Edson H.



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