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RECANTO DA LEITURA

 
 
 
 
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  Primeira Tradição - A unidade no discurso de Bill W.



Hoje, nós de A.A. estamos juntos e sabemos que vamos permanecer juntos.

Estamos em paz uns com os outros e com o mundo que nos rodeia.

Por isso, muitos de nossos conflitos são resolvidos e nosso destino parece assegurado.
Os problemas de ontem têm produzido as bênçãos de hoje.

Nossa história não é uma história comum; ao contrário, é a história de como, pela graça de Deus, uma força desconhecida tem se levantado da grande fraqueza; de como, sob ameaças de desunião e colapso, a unidade mundial e a Irmandade têm sido forjadas.

No curso dessa experiência, temos desenvolvido uma série de princípios tradicionais pelos quais vivemos e trabalhamos unidos, bem como nos relacionamos como uma Irmandade rara o mundo que nos rodeia.

Esses princípios são chamados de Doze Tradições de Alcoólicos Anônimos.

Elas representam a experiência extraída de nosso passado, e nos apoiamos nelas para nos manter em unidade, através dos obstáculos e perigos que o futuro nos possa trazer.

Não foi sempre assim.

Nos primeiros dias, vimos que uma coisa era alguns alcoólicos se recuperarem, mas o problema de viver e trabalhar juntos era algo mais.

Por conseguinte, foi um futuro desconhecido que vimos através da janela da sala de estar da casa do Dr. Bob, em 1937, quando pela primeira vez percebemos que os alcoólicos poderiam ser capazes de se recuperar em grande escala.

O mundo ao nosso redor, o mundo de pessoas mais normais, estava sendo destruído.

Poderíamos nós, os alcoólicos recuperados, permanecer juntos?

Poderíamos levar a mensagem de A.A.?

Poderíamos funcionar como grupos e como um todo?

Ninguém poderia dizer...

Nossos amigos psiquiatras, com alguma razão, começavam a nos prevenir: Essa Irmandade de alcoólicos é dinamite emocional.

Seu conteúdo neurótico pode explodi-la em pedacinhos.

Quando estávamos bebendo, na verdade, éramos muito explosivos.

Agora que estamos sóbrios, bebedeiras secas nos farão explodir?

Quando penso em explosões, sempre me lembro de meu amigo Icky.

Lá em Houston, no Texas, o chamam de o Homem Dinamite.

Icky é um perito em explosivos e demolições.

Durante a guerra, esteve na retaguarda da retirada russa, dinamitando pontes.

Depois da guerra, começou o mesmo negócio, e acredito que cometeu o mesmo erro de um pobre companheiro de Londres, certo dia.

Esse alcoólico londrino teve que se apresentar a um juiz.

Tinha sido detido totalmente embriagado.

Segurava sua garrafa vazia.

O juiz perguntou-lhe: Você bebeu toda a garrafa?

Oh! Sim!

Por que você bebeu toda a garrafa?

Porque eu perdi a rolha!

Lá em Houston, deve ter sido um daqueles dias em que nosso amigo Icky perdeu sua rolha.

Icky estava encarregado de demolir, por explosão, um certo pilar do Porto Houston, e ele dinamitou o pilar errado!

A grande pergunta nos primeiros dias era esta: explodiríamos nós ou poderíamos permanecer juntos?

Hoje temos a resposta.

Essa reunião de aniversário, em St. Louis é um vasto testamento do fato de termos permanecido juntos.

Claro que o pioneirismo de A.A. não parou.

Espero que nunca pare.

Hoje nos sentimos seguros aqui, mas existem ainda lugares distantes, onde A.A. nesse momento passa pelas mesmas dificuldades e sofrimentos de nossos primeiros dias.

Por exemplo, recentemente o escritório de New York recebeu uma carta, escrita por um padre jesuíta da Índia.

Contava a história de um professor hindu, que possuía uma vaca e uma minúscula área de terra.

Sua esposa era totalmente surda e ele tinha uma irmã que, como ele, bebia como um gambá.

Seu salário como professor era de aproximadamente cinqüenta centavos por dia.

O jesuíta traduziu os Doze Passos de A.A. para ele.

E, apesar de sua pobreza, apesar da surdez de sua esposa e apesar de sua irmã alcoólica e autoritária, ele permanecia sóbrio.

Sabemos que esse solitário hindu está provavelmente sentindo as mesmas preocupações que o Dr. Bob e eu tivemos naquela época, na sala de estar, em Akron.

Esse pioneiro hindu naturalmente está se perguntando:

Posso, sozinho, manter-me unido?

Posso levar essa mensagem?

Serei capaz de formar um grupo?

Sim, ele está se fazendo muitas dessas perguntas.

Mas em breve estará em comunicação com nosso escritório mundial, e podemos enviar bastante segurança àquela localidade tão distante, dizendo que estamos com ele, todos nós, e que nossa experiência está à sua disposição para que a use.

Quase na mesma mala postal, chegou uma carta de um ministro presbiteriano, de outra frente pioneira de A.A.

Ele disse: Há muito tempo venho tentando iniciar um grupo aqui na Tailândia. Recentemente chegou um tailandês de educação superior e falando inglês fluentemente.

Ele tinha um terrível caso de alcoolismo e desesperadamente desejava se recuperar.

Agora, com um período longo de sobriedade, está ansioso para traduzir para o siamês toda a literatura de A.A.

Ele e eu já estamos trabalhando, iniciando grupos.

Vocês poderiam nos ajudar?

O ministro continuou:

Levamos os Doze Passos de A.A. ao maior mosteiro budista dessa província.
Nós os mostramos ao sacerdote responsável pela organização.

Depois que terminou a leitura dos Doze Passos, o monge disse:

Pois bem, eles são excelentes! Já que nós, como budistas, não concebemos Deus como vocês O concebem, poderia ser mais aceito por nós se vocês inserirem a palavra bem, em seus Passos, em vez de Deus.

Entretanto, vocês dizem nesses Passos que é um Deus como cada qual O concebe. Isso esclarece o ponto para nós.

Sim, os Doze Passos de A.A. certamente serão aceitos pelos budistas daqui.

Pelo Bem estar Comum até a forma de se escrever os Passos foram pensadas.

Que exemplo de sacrifício pessoal face à Unidade:

Para alguns de nós, a idéia de substituir Deus por bem, nos Doze Passos pode parecer que enfraquece a mensagem de A.A.

Mas aqui precisamos nos lembrar de que os Passos de A.A. são somente sugestões.

Acreditar neles, tal como se apresentam, não é uma exigência para ser membro
de A.A.

Essa liberdade tem feito com que A.A. seja acessível para milhares de pessoas que nunca o teriam tentado, se tivéssemos insistido nos Doze Passos como estão escritos.

Mas mudanças neles raramente têm ocorrido.

A versão original geralmente prevalece.

O que tem sido provado tão verdadeiro aqui na América do Norte, provavelmente será provado verdadeiro em muitos outros países.

Os alcoólicos podem ser levados a acreditar em Deus, mas nenhum deles deve ser forçado.

O que tudo isso significa?

Significa que há grupos de A.A. na Índia, na Tailândia e em muitos outros lugares distantes, onde vivem alcoólicos.

Eles serão atingidos pelos mesmos temores, que tivemos no início, mas podemos ajudá-los e tranqüilizá-los.

Falando de temores, uma história veio à tona em nosso escritório.

Parece que A.A. tinha se iniciado em Tókio.

Como de costume, começou entre os bebedores americanos, mas se expandiu até os japoneses.

Logo um grande número de japoneses aderiu, dos quais ouvimos muitas boas histórias.

Certo dia apareceu um japonês no escritório de New York.

Ele tinha ouvido que seus compatriotas agora tinham grupos de A.A. e começou a escrever-lhes para inteirar-se de seu progresso.

Depois, num estado de grande alarme, ele disse:

Estão acontecendo coisas terríveis no Japão!

Vocês sabiam que lá eles têm dois tipos de A.A.?

Naturalmente eles têm os Doze Passos como os temos aqui, mas existe agora um outro líder de A.A. que escreveu Dez Passos e está cobrando 100 ienes para que se possa assistir às suas reuniões!

Em certa época esse tipo de heresia nos teria assustado terrivelmente.

Hoje em dia isso é apenas divertido.

Sabemos que logo os japoneses serão atingidos pelo bom senso e experiência.

erceberão que ninguém pode profissionalizar o Décimo Segundo Passo de A.A., e o membro antigo, que tenha boa vontade e o esteja fazendo impropriamente, mudará seus procedimentos.

Ele finalmente verá que o alcoolismo é uma questão de sobrevivência, na qual o bom é às vezes o inimigo do melhor, e que somente o melhor pode trazer o bem verdadeiro.

Muito mais poderia ser contado a respeito de A.A., de lugares distantes, de suas frentes pioneiras. Por exemplo, existe uma transmissão de rádio de A.A., dia e noite, que passa de navios petroleiros do Atlântico para o Pacífico.

Temos o bom velho capitão Jack num petroleiro da Standard Oil, transitando pelos portos do mundo; ele deixa literatura de A.A. quando desembarca e procura comunicar-se com os garçons de bares, médicos e pregadores, para que lhe informem acerca de prováveis membros.

Um grupo de A.A. começou a funcionar recentemente em Florença, na Itália, porque um marinheiro, membro de A.A., desembarcou e conheceu um provável membro, apresentado por um garçom de bar.

Muitos grupos começaram de forma quase fantástica e inacreditável.
Ficou claro que onde dois ou três de nós estivermos reunidos em Seu nome, aí se formará um grupo.

Permitam-me contar-lhes a maravilhosa lenda a respeito do grupo de A.A. que se formou em Point Barrow, no Alaska.

Dois prováveis membros saíram juntos e levaram com eles uma barraca e uma caixa de uísque.

O tempo ficou ruim, e a temperatura baixou para 20 graus negativos; eles estavam tão bêbados que deixaram o fogo apagar.

Escapando da morte, por congelamento, um deles acordou a tempo de reacender o fogo.

Saiu para procurar combustível e logo avistou um tambor vazio de óleo, cheio de água congelada.

Embaixo do gelo, ele avistou um objeto amarelo-avermelhado.

Eles descongelaram o tal objeto, e era um livro de A.A.

Um deles leu o livro e parou de beber.

A lenda diz que ele se tomou o fundador de um de nossos grupos mais longínquos do norte, talvez o grupo no qual temos agora muitos esquimós. A última vez que ouvi a respeito desses grupos do Alaska foi que eles estavam em comunicação pelo rádio, todos os dias, com um grupo de A.A. que funciona no extremo norte da Groenlândia, entre os homens de nossa base aérea desse lugar.

Alcoólicos Anônimos iniciou-se na Irlanda, em 1946, quando Connor F., um membro de A.A. e proprietário de um bar da Filadélfia, decidiu passar as férias com sua esposa na Ilha Emerald.

Quando chegaram em Dublin, eles disseram:

Não importam as férias; tratemos de iniciar um grupo de A.A. aqui.

Então entraram em contato com o hospital para doentes mentais da localidade, dirigido pelo clérigo Swift, e lá encontraram seu primeiro homem, Richard P.

Assim A.A. começou a criar raízes na Irlanda.

O grupo de Dublin, a propósito, alcançou renome especial, devido a seu correspondente mundial, Sackville M., o respeitável secretário do grupo.

No tocante a ajudar alcoólicos por correspondência, ele é sem dúvida o campeão mundial.

O começo de A.A., na Inglaterra, no princípio de 1947, foi surpreendente.

Alguns anos atrás, Bob B., um engenheiro de minas canadense, foi a Londres onde se encontrou com Bill H., um quitandeiro alcoólico.

Por meio de correspondência com New York, dois ou três ingleses já estavam começando a luta pela sobriedade, mas foi o aparecimento desses dois em cena que logo resultou num grupo ativo de A.A.

Como resultado, Londres e na verdade toda a Inglaterra estão hoje com grupos espalhados por todos os lugares.

No princípio, entretanto, encontraram tal resistência na Grã-Bretanha que, numa certa época, apenas o Financial -Chronicle publicou um anúncio sobre A.A.

Todos os outros jornais ingleses tiveram medo de que se tratasse de uma fraude.

Houve um processo inverso quando um nobre escocês, Philip, viajou para a América. Ele veio mais para dar uma olhada no Movimento de Liderança Cristã Internacional, onde encontrou um grupo de homens de negócios que estava interessado em levar Deus para dentro da indústria, por meio de reuniões matinais de oração e planejamento.

Philip pensou que talvez pudesse introduzir a idéia de Clubes Matinais na Escócia, com esperança de que um trabalho tão nobre pudesse ajudá-lo em sua obsessão fatal pela bebida.

Na primeira sessão, conheceu um antigo membro de A.A. da Filadélfia, George R., que lhe deu imediatamente as diretrizes espirituais deA.A.

O chefe de um dos mais antigos clãs da Escócia alcançou a sobriedade imediatamente.

Ele levou A.A. para sua terra e logo os alcoólicos escoceses estavam ficando sóbrios, em todo lugar, desde os fornecedores de provisões para os navios de Glasgow até os membros da sociedade de Edimburgo.

A.A. canadense também é dos melhores.

Certa vez, em 1940, um batalhador da temperança em Toronto mostrou um livro de A.A. para um alcoólico que tinha resistido a todas as outras tentativas de salvação.

Novamente o livro de A.A. atingiu o objetivo e, juntos, esses dois falaram de A.A. a muitos bebedores problema de Toronto e o processo de multiplicação levou eventualmente A.A. para todas as vilas e cidades, na província de Ontário.

Esse bom amigo, George Little, um ministro religioso e batalhador da temperança, não ficou desapontado ao constatar que seu novo rebanho não mostrava nenhum interesse em fazer com que todos parassem de beber.

Eles insistiam em que estavam somente preocupados com os bebedores do local que queriam A.A.

Aqui foi definitivamente provado, pela primeira vez, que A.A. nunca poderia tomar-se uma cruzada de abstinência, um fato que tem desde então embaraçado muitos batalhadores desta causa.

Essa primeira travessia da fronteira com o Canadá foi seguida por uma outra, em 1941, quando se iniciou o grupo número dois do Canadá, em Windsor, Ontário, do outro lado do rio, em frente a Detroit.

Em Vancouver, Colúmbia Britânica, um não-alcoólico se juntou com um alcoólico desde o princípio. Dessa vez foi um fabricante de doce, um homem zeloso pelo bem estar público que levou o livro para Charlie B., um corretor de imóveis. Inspirados com a mensagem e cheios de energia, esses dois investigaram a cidade de Victoria e a metade da província rapidamente, e
logo A.A. da Colúmbia Britânica era uma realidade. Depois de algum tempo a mensagem se expandiu em direção ao leste, até os campos de Alberta, Saskatchewan e Manitoba.


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