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RECANTO DA LEITURA

 
 
 
 
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  O Início

Corria o ano de 1985. A Junta de Custódios havia inaugurado seus comitês de assessoramento. Reuniam-se, Junta e comitês na cidade de Baependi, Estado de Minas Gerais, próximo a Caxambu. O Presidente da Junta era o nosso sempre lembrado e querido Dr. José Nicoliello Viotti. Os membros dos comitês vinham, quase todos, do Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais. Do Nordeste, vinha Carvalho, de Fortaleza; do Centro-oeste, Aragão, de Campo Grande, no Mato Grosso do Sul; do Rio Grande do Sul, Gentil, de Porto Alegre. Os membros dos comitês pagavam suas próprias despesas de transporte, hospedagem e alimentação e ainda contribuíam para as despesas da reunião: normalmente dez cruzeiros por pessoa. O prestígio do Dr. Viotti na cidade era muito grande. Conseguia sempre hospedagem num hotel razoavelmente bom, tipo duas estrelas, a preço bastante acessível.
Havia um anseio generalizado de se editar uma revista para o A.A. brasileiro. O assunto foi trazido à baila numa dessas reuniões. Aragão prontificou-se imediatamente a editá-la em Campo Grande, no Mato Grosso do Sul. Mas persistia uma série de dúvidas nos espíritos daqueles companheiros reunidos em Baependi, todos sumamente preocupados com o sucesso e o bom nome de A.A.
Estaria a Irmandade suficientemente madura para sustentar uma revista de nível nacional? Teríamos material suficiente para publicar uma revista? Publicaríamos depoimentos ou somente matéria doutrinária? Como seria o nome da revista? Qual a sua periodicidade? Qual o tamanho? Quem seria o encarregado da revista? Para cada uma dessas indagações, Aragão tinha uma resposta pronta e satisfatória. A revista chamar-se-ia Revista Brasileira de A.A. Ele se encarregaria de editar o número zero em Campo Grande para circular naquele mesmo ano, em novembro, por ocasião do Seminário do Centro-oeste. O pagamento da gráfica e dos profissionais seria feito com o resultado da venda da Revista. Depois de muita discussão, Aragão foi autorizado a editar o número zero da revista como ele tinha planejado: em Campo Grande, Mato Grosso do Sul.
A revista foi sucesso absoluto. A venda excedeu todas as expectativas. Dos cinco mil exemplares editados, mais da metade foi vendida imediatamente. Dissiparam-se as dúvidas: a revista era viável. Dever-se-ia iniciar a tiragem periódica. Tudo ficou para ser resolvido na primeira reunião de 1986, da Junta de Custódios com seus comitês em Baependi.
Com o sucesso, como sempre acontece, vieram também, as críticas.
A revista divulgou erradamente a data da Convenção Nacional a realizar-se em João Pessoa, naquele ano de 1986; publicou a foto de uma igreja dizendo ser da Paraíba mas que, de fato, não era; publicou também uma matéria do Al-Anon sem autorização daquela
Irmandade; publicou uma fotografia de alguém que nada tinha a ver com a Irmandade. Aragão, em sua defesa, justificou e desculpou-se de todos os erros.
A Junta reuniu-se em sessão fechada para escolher o diretor da revista. Todos esperavam a nomeação de Aragão, até ali o único a assumir todos os riscos e responsabilidades pela revista. Só os membros da Junta sabem o que aconteceu naquela reunião.Voltando a
plenário, a Junta anunciou: o diretor da revista seria o companheiro Chaves, Custódio classe B (alcoólico), residente em Brasília.

VIVÊNCIA em Brasília
Mudou-se o nome da revista de Revista Brasileira de A.A. para VIVÊNCIA e diminuiu-lhe o tamanho. A orientação editorial da VIVÊNCIA era levar a mensagem de A.A. para os profissionais e para o público em geral. Inicialmente, a Revista era editada em Brasília e distribuída pelo ESG. Logo com o número dois aconteceu um acidente. Uma das caixas que levava a revista de Brasília para São Paulo extraviou-se no caminho. O seguro pagou o prejuízo em dinheiro, mas o número dois da revista ou o que dele sobrou esgotou-se rapidamente transformando aquela edição em verdadeira raridade bibliográfica. Posteriormente, a revista passou a ser produzida e distribuída em Brasília.
VIVÊNCIA ficou em Brasília até 1990. Ali foram editados treze números, todos da melhor qualidade dentro daquele enfoque editorial: a Revista era feita não para os membros de A.A. mas para as pessoas de fora da Irmandade. Em outubro de 1990, a Junta resolveu passar a direção da Revista ao companheiro Carvalho, de Fortaleza.

VIVÊNCIA em Fortaleza
Os companheiros de Fortaleza, inicialmente Carvalho, Alexandre e Gil editaram a edição de número 14. Nessa época havia cerca de três mil assinantes. Era o número aproximado de revistas distribuídas a assinantes. O ESG colocou quinhentos cruzeiros à disposição da Revista. Foi utilizada apenas a metade. A despesa com a produção da VIVÊNCIA número 14 foi de quatrocentos e oitenta cruzeiros. O restante saiu de novas assinaturas e de contribuições pessoais de companheiros. Posteriormente, a Revista pagou a dívida ao ESG e ainda contribuiu, mesmo que modestamente, para ajudar nas despesas do escritório.

Mudou-se o enfoque editorial da Revista. A publicação passou a ser feita pelos companheiros de A.A., para os companheiros de A.A. Cada edição trazia um artigo de um profissional de medicina. Esse trabalho não era difícil porque a tiragem da revista era trimestral. Assim, tinha-se de conseguir um artigo de médico a cada três meses.

Na Conferência de 1993, a Junta de Custódios nomeou nova direção para a VIVÊNCIA. À frente o companheiro Antonio. Havia circulado o número 23. A Junta pediu aos antigos dirigentes para editarem mais uma revista: o número 24. Isso foi feito e aquela edição circulou em junho. Foi a última feita em Fortaleza. VIVÊNCIA transferia-se para sua morada definitiva em São Paulo.

Publicado o número 24, o acervo da Revista foi encaminhado para São Paulo. Foram dezesseis caixas de papéis: matérias para publicação, blocos de recibos de assinaturas, revistas antigas, talões antigos de assinaturas, pastas de correspondências recebidas e expedidas. Uma papelada incrível. O telefone adquirido para a Revista durante a sua estada em Fortaleza foi vendido, assim como os móveis e o dinheiro transferido para o ESG. Transferiu-se, também para o ESG, o valor correspondente à impressão do número 25. E assim terminou essa aventura de VIVÊNCIA no Ceará, deixando-nos muito honrados e saudosos.
Correríamos o risco de ser omissos se tentássemos agradecer a todas as pessoas que nos ajudaram durante nosso período à frente da VIVÊNCIA. O apoio, o acatamento, o incentivo vieram do Brasil inteiro, de Norte a Sul, de Leste a Oeste. Chegamos às seis mil assinaturas. As vendas avulsas se multiplicaram. Jamais conseguimos publicar todas as matérias que nos foram enviadas. Lançamos os RVs, uma idéia que julgamos muito boa.
Mas mesmo correndo o risco da omissão, gostaríamos de agradecer especialmente à Junta de Custódios que funcionou durante o período em que VIVÊNCIA esteve em Fortaleza, da qual nunca recebemos uma censura, embora reconheçamos que às vezes, merecíamo-la, e que nos apoiou, sem reservas, a todo o tempo. Nossa imorredoura gratidão. A segunda menção de agradecimento vai à Área de Rondônia, campeã absoluta de assinaturas por grupo naquele período.

(Carvalho, Ceará)

Vivência - Edição Especial


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