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RECANTO DA LEITURA

 
 
 
 
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  A mulher alcoólatra

Homem e mulher, ambos são igualmente vuneráveis; por isso tanto um como o outro podem desenvolver o alcoolismo.

1ª Parte

Há muito tempo a minha esposa vem me pedindo para escrever algo sobre a mulher alcoólatra. De fato, reconheço que quanmdo eu- ou qualquer outro- escreve sobre o alcoolismo, faço-o de tal maneira que o leitor pode facilmente concluir que o alcoolismo é um fenômeno que afeta quase exclusivamente o homem. Escrevemos dessa forma porque as frases se tornam meio pesadas quando interrompidas constantemente por parênteses:" O (ou a) alcoólatra; o marido ( ou esposa) quer bebe demais; o filho ( ou filha) que não quer admitir que ele ( ou ela) tem um problema". É bem mais fácil e menos confuso referir-se sempre ao pai, marido ou filho alcoólatra e depois explicar que também existem mulheres com essa doença.
E por que não haveriam de existir? Se o alcoolismo é, em pelo menos 80% dos casos, uma enfermidade de origem orgânica, cuja causa principal é uma predisposição bioquímica do corpo à substância chamada álcool, por que não haveriam de existir tantas mulheres quantos homens com esta predisposição? Tudo indica que existem. E por que não haveriam de existir tantas mulheres alcoólatras quantos homens alcoólatras? Aqui no Brasil, por uma única razão, a meu ver. Porque, para ser alcoólatra, é geralmente necessário ter aquela predisposição orgânica, mas é também necessário beber bebidas alcoólicas. E por motivos sócio-culturais, a mulher brasileira ainda não bebe tanto quanto o homem brasileiro. Melhor dito, no Brasil, menos mulheres bebem do que homens. Ainda.
Nos Estados Unidos, onde a mulher já bebe tanto quanto o homem, existe o mesmo número de mulheres alcoólatras quanto homens alcoólatras. Esta, pelo menos, é a opinião de muitas das maiores autoridades do mundo no campo do alcoolismo, entre elasdo Dr. Marvin Block, Robert G. Bell, Ruth Fox, Marty Mann, Muriel Nellis e Moris Chafets. Estes eminentes profissionais consideram que a proporção de mulheres para homens alcoólatras nos Estados Unidos é de "cinqüenta-cinqüenta". Quer dizer, de cada cem homens que bebem, dez a quinze desenvolvem o alcoolismo. E de cada cem mulheres que bebem, também dez a quinze desenvolvem o alcoolismo. Não há motivos para pensar que a coisa seja diferente no Brasil.
Não deve demorar muito para a mulher brasileira alcançar o grau de emancipação já adquirido pelas suas irmãs nos países "avançados" da Europa e América do Norte. assim sendo, talvez seja uma boa hora de se falar abertamente sobre a mulher alcoólatra no Brasil.
Há bastante evidência de que a mulher hoje esteja bebendo muito mais, e com maior freqüência, do que no passado. de fato, ela bebe menos cerveja do que o homem. Em compensação, bebe mais vinho e mais bebidas destiladas. A maior liberdade que a mulher tem adquirido nos últimos anos inclui maior liberdade para beber. Contudo, é engano culpar o movimento de libertação da mulher( ou mesmo os males que o movimento procura combater) como uma das causas do alcoolismo na mulher.
Os mitos e estereótipos sobre a mulher alcólatra morrem devagar. O fato de serem diferentes as suas necessidades e os seus problemas não quer dizer que são necessariamente piores. O que vemos é o velho padrão duplo, ainda tão enraizado na cultura latino-americana: aquele mesmo padrão que acha perfeitamente razoável um homem " dar suas saidinhas" e "ter uma menina por fora", ao mesmo tempo que a taxa de " promíscua" ou coisa pior a mulher que tem suas próprias relações extramaritais.
Homem que bebe demais é aceitável. O beber exagerado é até prova de sua hombridade na mente de muitos. Mas mulher que bebe demais é vulgar, licenciosa e imoral. Que tragédia que ainda se pense assim no Brasil, pois uma das conseqüências é que, ao invés de procurar solucionar seu problema, a mulher brasileira procura escondê-lo. Procurar um tratamento para seu problema de bebida, pensa a mulher, implicaria na admissão de que tudo o que estão dizendo a respeito dela é verdade.
JUnto com o estigma associado à mulher que bebe exageradamente( sinal de que possa estar sofrendo do alcoolismo, existe o sentido de cavalaria que cria um círculo "protetor" de silêncio ao redor dela. Curiosamente, os que falam mal da mulher que bebe do que aqueles que não comentam seu comportamento com ela. Porque, se ela for alcoolatra, a melhor coisa que pode fazer é sentir a necessidade de se tratar logo, enquanto o círculo protetor do silêncio tende a perpetuar a doença na mulher.

Texto de uma série de artigos publicados entre os anos de 1981 e 1982 pelo Dr. Donald Lazo- tradutor do livro Azul para o português.

A mulher alcoólatra ( 2ª parte )

Altos níveis de alcoól no sangue das gestantes podem comprometer o desnvolvimento do sistema nervoso central do bebê.

Além de serem contraditórias, não encontram apoio nos fatos e nas pesquizas as hipóteses de que a mulher alcoólatra bebe por sentir-se dependente demais ( encontrando, na bebida, um alívio da sensação de escravidão), ou para aumentar a sensação do poder ou mesmo da feminilidade.
Por outro lado, as diferenças físicas entre mulheres e homens bebedores não podem ser desprezadas. Quando uma mulher tenta acompanhar um homem, bebida por bebida, numa festa, tem grande probabilidade de se dar mal. Seu tamanho menor e o maior índice de gordura no seu corpo resultarão num nível de álcool no sangue mais alto na mulher do que no homem, mesmo que tenham bebido o mesmo número de drinques. E o que faz mal , quando a gente bebe, é o nível de álcool no sangue. Se for uma mulher que se preocupa em seguir um regime para manter a linha, pior ainda. Ela freqüentemente beberá com o estõmago vazio, resultando na absorção mais rápida do álcool na corrente sanguínea.
A menstruação também pode levar a um nível de álcool no sangue mais elevado. Quer dizer, ainda que beba a mesma quantidade de álcool no sangue será mais alto durante os dias de sua regra.
A mulher alcoólatra tende a progredir mais rápidamente para os estágios intermediários e avançados da doença do alcoolismo, do que o homem, pois as mudanças fisiológicas resultantes da enfermidade parecem ocorrer, na mulher, dentro de um espaço de tempo mais curto. Também devido a seu alcoolismo, as mulheres parecem mais propensas a ser vítimas da pressão alta e da cirrose. As mudanças hormonais e as deficiências de vitaminas e minerais associadas com a menopausa também parecem criar problemas especiais na mulher que bebe excessivamente.
O índice de divórcios, desquites e separações é bem mais alto no caso da mulher alcoólatra do que do homem, por uma razão bastante compreensível. Uma esposa tem mais probabilidade de continuar ao lado de um marido alcoólatra do que vice-versa. O homem que se encontra casado com uma mulher alcoólatra tem muito menos paciência, já que geralmente não depende financieramente dela.
Também com muito maior freqüência do que os homens, as mulheres alcoólatras relatam histórias de depressão em conjunto com seu alcoolismo. Isto, por sua vez, leva ao maior uso de drogas psicotrópicas por parte da mulher alcoólatra- freqüentemente receitadas por profissionais que desconhecem como são perigosos os barbitúricos, anfetaminas, soporíficos e tranqüilizantes nas mãos de uma pessoa que já criou dependência do sedativo álcool. Tomados juntos o efeito pode ser fatal ( como já descobriram milhares de mulheres, entre elas Judy Garland e marilyn Monroe).
Finalmente, nenhuma discussão sobre a mulher que bebe demais é completa sem mencionar o SíndromeAlcoólico Fetal (SAF).
Embora Aristóteles dissesse que não convinhauma recém-casada beber na noite de suas núpcias, já que poderia dar à luz uma criança defeituosa, a sabedoria dos antigos se perdeu na história. Até 1973 se confirmou o fato de que crianças nascidas de mães que beberam durante a gestação podiam mostrar o que se chamou de Síndrome Alcoólico Fetal. Relatórios médicos confirmaram que o feto absorve, de fato, álcool do sangue da mãe através da placenta. Quer dizer, toda vez que mamãezinha bebe um uísque com soda, o feto também bebe um uísque com soda!
Os sintomas de SAF: a criança nasce com comprimento e peso abaixo do normal, e nunca se normalizam. sua cabeça é pequena, como também é seu cérebro. É deficiente mental. tem defeitos do coração, pouca coordenação, irregularidades nas juntas e é hiperativa. O sintoma mais característico do SAF é a face peculiar, muitas vezes deformada.
Obviamente, nem toda criança de mãe que bebe durante a gestação nasce com Síndrome Alcoólico Fetal. Quantos filhos de mães alcoólatras nascem com SAF? As estimativas variam de 2,5% até 35%.
O problema nãom é hereditário; é um problema do ambiente intra-uterino. Parece ocorrer com maior probabilidade no primeiro trimestre da gestação, sobretudo se as bebedeiras produzem altos níveis de álcool no sangue no ponto crítico do desenvolvimento do sistema nervoso central do bebê. Contudo, por demorar mais de três meses para desenvolver-se o sistema nervoso central e por existir evidência de que mesmo níveis moderados de álcool no sangue podem causar os defeitos, as mães fariam muito bem em não tomar qualquer bebida alcoólica( ou qualquer outra deroga psicoativa) duranta a gestação. Aliás, já que a maioria das mulheres descobre que está grávida somente depois de ter perdido um período menstrual ( quando seu filho pode já estar vivo há seis semanas), o melhor mesmo é não beber a partir do momento em que se planeja ter um filho.

Texto de uma série de artigos publicados entre os anos de 1981 e 1982 pelo Dr. Donald Lazo- tradutor do Livro Azul.
Literatura gentilmente cedida pelo companheiro Fabio SP
SPH + 24h S S



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