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RECANTO DA LEITURA

 
 
 
 
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  RESPONSABILIDADE

“Quando qualquer um, seja onde for, estender a mão
pedindo ajuda, quero que a mão de A.A. esteja sempre ali.
E por isto: Eu sou responsável”.

Para marcar a ocasião do trigésimo aniversário de A.A. a Convenção Internacional de Toronto, Canadá, teve como tema “A Responsabilidade de A.A.”.
Naquela oportunidade foram revisadas as três décadas de vida da Irmandade e um mês antes da Convenção Bill afirmou que ninguém poderia imaginar a soma de sofrimentos que experimentamos ou as desgraças que impusemos aos nossos entes mais próximos e que poderia resultar em experiências espirituais transformadoras pelas quais passamos em nossa Irmandade.
Os benefícios que temos recebido ultrapassam a concepção humana. Animados por uma gratidão inexplicável, damos graças a Deus por ter tornado possível obtermos o nível de responsabilidade, individual e coletiva, que conduziu nossa Irmandade ao seu estado atual de bem estar e alcance mundial.
Em cada Convenção de A.A. encontramos caras novas. Pessoas vindas de todos os cantos, de todos os níveis econômicos e culturas, ou seja, barreiras de raça, religião e cultura vão sendo superadas em A.A. e isso nos leva a acreditar que, através deste testemunho demonstrado pelas caras novas podemos constatar que estamos tendo responsabilidades, que estão garantindo nossa sobrevivência, afinal sem caras novas não temos como sobreviver.
Não devemos nos parabenizar por isso, pois perceberemos que esses bens são dádivas de Deus, aos quais temos correspondido em parte mostrando-nos cada vez mais dispostos a descobrir e realizar a Sua vontade para conosco.
Devemos lembrar também que o sofrimento imposto pela nossa grave enfermidade nos forçou a tomar o que para a maioria de nós era a primeira decisão responsável em muitos anos: - unir-mo-nos a A.A.
Impulsionados pela enfermidade acabamos em A.A. e vislumbramos pela primeira vez em muitos anos um novo mundo de compreensão e carinhoso interesse.
Demos uma olhada rápida nos Doze Passos e a maioria de nós ficou na dança dos dois Passos esquecendo os outros dez talvez por acharmos desnecessário, afinal, pensamos que assistir as reuniões e ajudar os recém-chegados seria o suficiente para resolvermos o problema do álcool e provavelmente todos os demais problemas. Livres da bebida estaríamos no paraíso, entretanto com o tempo, começamos a sentir certos descontentamentos e inquietações, inclusive dentro do nosso próprio Grupo. As coisas não eram tão maravilhosas como um dia imaginávamos. Em casa também a coisa não ia tão bem. No trabalho, as coisas iam de mal a pior. As velhas cicatrizes não cicatrizavam. A nuvem rosada se havia dissipado.
Recorremos aos nossos padrinhos para contar-lhes sobre os nossos problemas e estes não se impressionaram com as nossas lamúrias e nos sugeriram que devêssemos esquecer a dança dos dois Passos e dar uma olhada em todos os Doze Passos. Pelo menos para aqueles que tiveram a felicidade de ser bem apadrinhados e humildade de aceitar esta sugestão um novo caminho foi aberto. Deixamos de fazer inventários dos outros e passamos a fazer os nossos.
Acostumamos com o auto-exame; começamos a dar-nos conta de quais eram as nossas verdadeiras responsabilidades para conosco mesmos e para com as outras pessoas, embora fosse uma tarefa penosa no início e à medida que prosseguíamos ela ficava cada vez mais fácil. Começamos a descobrir que todo progresso espiritual consiste em saber qual é nossa real responsabilidade e, em seguida, começarmos fazer algo a respeito.
Descobrimos que, ao irmos assumindo com mais prazer as nossas responsabilidades de viver e crescer, nem sempre tínhamos que estar motivados pelo mal estar, nem sempre teríamos que ter a companhia do mau humor, então, para o nosso espanto, chegamos, a saber, que a aceitação total de qualquer responsabilidade bem definida e a firme resolução de atuar de acordo com essa responsabilidade quase sempre nos levaria à verdadeira felicidade e tranqüilidade de espírito.
Pois bem, isto tem sido uma realidade para cada um de nós. O que acontece com o membro individualmente, acontece com o grupo e com A.A. em seu todo. Tal como os membros um dia rejeitaram os Doze Passos, os Grupos inicialmente e normalmente rejeitaram as Tradições; depois eles as procuram por necessidade e a aplicação das Doze Tradições concretizou nossa unidade de maneira espantosa.
Surgem os Órgãos de Serviços para nos dar mais solidez e, com uma base sólida, vamos crescendo.
Apesar desta grata capacidade para superar os problemas, de ontem e de hoje nos damos conta claramente de que nossos defeitos de caráter não desapareceram e nunca desaparecerão, por tanto, nossa responsabilidade deve ser a de fazer, sem medo, um inventário de nossos defeitos conforme vamos progredindo, para dessa forma estarmos em melhores condições de corrigi-los.
Descobrimos, então, que o programa não tem fim e nem data para terminar. É para sempre, um dia de cada vez. A grande pergunta que era feita às vésperas da Convenção de Toronto era: “Que tipo de herança deixaremos para as futuras gerações de nossa Irmandade?” “O que podemos fazer enquanto temos tempo para multiplicar o positivo e subtrair o negativo?”
Devemos nos preocupar, acima de tudo, com os alcoólicos que ainda não conseguimos atingir, embora não consigamos atingir a alguns porque estes ainda não sofreram bastante e a outros porque sofreram muito. Muitos têm complicações mentais e emocionais que parecem anular a possibilidade de recuperação, entretanto, muitos estão prontos para admitir a derrota total e ficar bem se soubessem como. Está claro que todos estes doentes necessitam saber o que é o alcoolismo e reconhecer que se encontram atacados por esta doença. Logo, temos que utilizar todos os recursos de informação pública e de comunicação pessoal para alcançá-los e dizer-lhes exatamente os passos que podem dar para encontrar o caminho da recuperação. Além disso, jamais devemos acreditar que A.A. é a única saída para o alcoolismo e nem detemos autoridade absoluta sobre o tema. Existem vários órgãos governamentais ou não que estão à procura de uma terrível doença,
tanto na área da saúde como na área de educação.
Quantas vezes depreciamos e até ridicularizamos os projetos desses nossos amigos, simplesmente porque nem sempre vemos o assunto com os mesmos olhos que eles. Devemos sempre nos perguntar: “Quantos alcoólicos continuam bebendo simplesmente porque nós não cooperamos de boa fé com esses órgãos? Nenhum alcoólico deve tornar-se louco ou morrer pelo mero fato de não ter vindo diretamente a A.A.”.
A.A. não é uma religião, nem tratamento médico, nem pretende ter nenhuma perícia com relação às motivações inconscientes do comportamento humano. Estas são realidades que às vezes esquecemos. Pelo fato de que temos umas convicções que estão dando bons resultados nos chega a ser fácil crer que temos toda a verdade. Se deixarmos que este tipo de arrogância se manifeste, forçosamente tentamos nos impor, exigindo que as pessoas estejam de acordo conosco.
Alguns perigos nos ameaçam sempre, tais como o dinheiro, as controvérsias internas, a tentação eterna de buscar prestígio e até poder dentro e fora da Irmandade. O temor de acumular riquezas ou de montar uma estrutura de serviço, não deve ser pretexto para cobrir os nossos legítimos gastos de serviço. O temor às controvérsias não deve intimidar os nossos líderes. Nem o temor de acumular prestígio e poder devem nos impedir de conceder s nossos servidores a autoridade apropriada para atuar por nós.
Resumindo, o medo de estar quebrando algumas de nossas Tradições não pode fazer com que cruzemos os braços acomodadamente. Era mais ou menos assim que Bill e os companheiros pensavam às vésperas da Convenção de Toronto e foi através desta linha de pensamento que foi formulado o nosso conhecido Termo de Responsabilidade.
Fica a pergunta para reflexão de cada um: Como estamos hoje em relação a este termo?
Agradeço a Revista Vivência pela oportunidade a aos companheiros pelo tempo e atenção que dedicaram a este artigo.

Marcos/C. do Campo/MG

Vivência nº107 – Maio/Junho/2007




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