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RECANTO DA LEITURA

 
 
 
 
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  " PESSOAS "

" correntes de influência, e muitas pessoas, algumas não-alcoólicas, colaboraram, pela Graça de Deus, na consecução dos propósitos de A.A."
Bill em A. A. Atinge a Maioridade
(Trabalho publicado na Revista "EL MENSAJE" de dezembro de 1972)

Quase desde o começo, e até ao exagero de sentir-se incomodado, Bill vivia ansioso para dar crédito a outros pelo desenvolvimento de A.A. Seu desejo de passar desapercebido se estendia muito além da Décima Segunda Tradição que diz: "O anonimato é o alicerce espiritual de nossas Tradições, lembrando-nos sempre da necessidade de colocar os princípios acima das personalidades", o que para ele era motivo de satisfação pessoal.
Os extremos a que Bill chegava para proteger este fundamento incluem a recusa de muitas honras públicas, tais como um doutorado oferecido por urna renomada universidade; sua negativa em permitir que os editores da revista TIME fizessem publicidade dele não de AA, na capa da revista; a insistente negativa de vender os direitos autorais de sua biografia a vários produtores cinematográficos, não obstante as garantias, em todos os casos, de que seu anonimato seria zelosamente guardado. Todas essas oportunidades o preocupavam muito, não tanto pelo medo de violar inadvertidamente uma Tradição de A.A., mas porquê um membro de A.A. — o próprio Bill — poderia sentir-se exaltado pela adulação, e perder aquele ingrediente tão essencial, a humildade. Preocupava-se mais com o espírito do que com a letra da Tradição, apesar de que ninguém tinha mais sensibilidade que Bill ao fato de que AA. é uma irmandade de pessoas e que sua mensagem deve ser propagada por pessoas.
EBBY
No início contávamos com Ebby, Ebby o "reformado" a quem a religião havia calado (infiltrado), a quem, com efeito, levou à casa de Bill, no Brooklyn, os ingredientes básicos de Alcoólicos Anônimos. Bill e o Dr. Bob começaram a sonhar com uma irmandade. Mas, nos anos seguintes, Bill não contava sobre sua vida sem incluir a Ebby "meu padrinho" e seu crítico papel durante os primeiros anos.
E o que aconteceu a Ebby? O restante de sua história não é, desafortunadamente, tão feliz.
Menos de dois anos depois de sua conversão voltou a beber. A beber forte, alcoolicamente. Por cerca de dois decênios, Ebby voltou ao mundo do alcoolismo, alternando períodos de sobriedade e de embriaguez, revoluteando pelos arredores de A.A., contando sua história àqueles que o escutavam e aos poucos que davam fé à incrível verdade do homem que foi capaz de conduzir Bill à sobriedade.
Vez por outra foi conduzido a sanatórios E mil e uma vezes, seus velhos amigos, especialmente Bill, levaram a mão aos bolsos para comprar-lhe comida, e compensar, em parte, sua dívida de gratidão, ou para ajudá-lo durante seus períodos de abstenção. Durante os últimos poucos anos de sua vida, não obstante, Ebby viajou ao estado do Texas, onde, graças a seus esforços e a ajuda de seus amigos de A.A., retornou à sobriedade. Devido a seu delicado estado de saúde, o levaram às fontes térmicas de Baflston, no estado de Nova Iorque, onde faleceu em 1966.
LOIS E ANNE
Lois e Anne, a esposa do Dr. Bob, também tiveram grande influência na vida de Bill durante aquela época. Ê assunto comprovado (não uma noção sentimental) que estas duas damas sustentaram seus esposos, tanto econômica quanto moralmente, durante os últimos anos de sua vida de farra — e que apesar das enormes incertezas e freqüentes receios que deveriam ter — dedicaram suas energias na colaboração com seus esposos para fazer de A.A. uma organização de caráter nacional e logo de alcance mundial.
È muito interessante observar que muitas pessoas que inicialmente tiveram a seu cargo, em conjunto com 6111, a criação de AA, não eram alcoólicas, mas, dentro de sua compaixão, colaboraram com os fundadores para levar a cabo sua missão,
DR. SAM SHOEMAKER
Também temos o Dr. Sam Shoemaker, que originalmente pertencia ao Grupo Oxford da Igreja do Calvário, aonde Ebby levou Bill, e onde se plantaram as primeiras sementes de A.A. na mente de Bill. Alguns anos mais tarde, o Dr. Shoemaker escreveria a Bill: "Dou graças a Deus por aquilo que, fazendo em grande parte uso de você, dispersou pelo mundo. Pense não apenas naqueles que encontraram o caminho através de A.A. mas também naqueles milhares que já sabem que não há coisa mais maravilhosa do que o homem ser, assim, utilizado por Deus. A mim me parece que quase constitui o objetivo total do que importa na vida". Sam $hoemaker faleceu em 31 de outubro de 1963.
WILLIAM D. SILKWORTH
Temos o Dr. William D. Silkworth, a quem Bill se referia como "o bondoso doutorzinho que amava aos bêbados. "Silky", que era neurologista, explicava os sintomas físicos e a progressão da doença do alcoolismo a Bill, e o aconselhava ,ao lidar com bêbados, a enfatizar os aspectos da destruição física que causa o alcoolismo, e de recalcá-los da forma a mais dura possível. Antes de sua morte, ocorrida em 22 de março de 1951, utilizou sua simpatia e destreza médica ao ajudar a mais de 40.000 alcoólicos. Sua influência em A.A. será recordada tanto quanto a de Bill.
IRMÃ IGNACIA
Conhecemos a Irmã Ignacia, das Irmãs da Caridade de Santo Agostinho, que se associou ao Dr. Bob no Hospital de São Tomás, em Akron, até a morte dele. À medida que continuava seu sobresselente trabalho no Hospital de Caridade de São Vicente, em Cleveland, em anos posteriores, esta monjazinha se converteu na encarnação do Décimo Segundo Passo de A.A, e, até esta data, continua sendo o símbolo do amor e misericórdia para milhares de alcoólicos em recuperação em todo o mundo. A Irmã Ignacia morreu em 31 de março de 1966.
PADRE EDUARDO DOWLING
Outra pessoa de especial interesse para 8111 foi o Padre Eduardo Dowling, sacerdote Jesuíta de St. Louís, a quem Bill se referia como "o melhor amigo que sempre terei, e também meu conselheiro espiritual". Desde que se conheceram, numa noite do inverno de 1940 (na velha casa de A.A. na rua 24) e até ao falecimento do sacerdote duas décadas mais tarde, foram amigos íntimos e confidentes. O que Bill mais admirava no Padre Ed era sua inquebrantável fé, que Bill chamava seu "toque do eterno". Bill não guardava segredos para o Padre Ed, e o Jesuíta, por sua vez, era inesgotável fonte de consolo para Bill.
Quão estranho, poder observar alguém que é ministro de urna religião possa se comunicar tão intimamente com um leigo de outra. Houve um tempo, certo é, em que Bill andou considerando seriamente a possibilidade de se converter ao catolicismo, em grande parte devido aos seus sentimentos pessoais por este sábio sacerdote de St. Louis. Mas Bill (e o Padre Ed) abrigavam sérias dúvidas sobre o efeito que tal conversão poderia ter sobre outros A.As., tanto católicos corno não-católicos, e ainda mais, Bill tinha dúvidas também sobre o efeito que sua conversão ao catolicismo provocaria nele mesmo, 8111.
O apuro em que Bill se encontrava foi claramente expressado numa carta que enviou ao Padre Dowling: "Deve ser uma grande vantagem e satisfação a de estar absolutamente seguro quanto à verdade em relação ao nosso Senhor e nosso Deus. As poucas convicções que tenho a respeito são certamente minhas únicas âncoras. Ainda assim, quando vejo tanta gente comprovadamente de boa vontade e de elevada espiritualidade, tão diferente e autêntica em seus pontos de vista sobre estes importantes assuntos, faz-se evidente que a maioria deles, e a maioria do mundo, devem estar" equivocadas. Como pode um indivíduo como eu decidir quem é livre de erros e defeitos e quem os está cometendo? Apesar de que se possa pensar que Isto é apenas uma desculpa para não adotar a fé católica, ainda me parece um aspecto pertinente sobre o qual, na consciência, não conheço a resposta".
"É certamente incômodo sentir inseguro com relação a tantos assuntos de grande importância. Porém, pior seria vangloriar-me de uma certeza que a seguir resultasse equívoca. Não lhe parece? Honestamente, Ed, não o sei!". O Padre Dowling faleceu em 3 de abril de 1960, e sua morte foi uma terrível perda para Bill.
Esta lista das pessoas que cruzaram na vida de Bill, e que serviram de instrumento para levar A.A. a sua maturidade, poderia continuar indefinidamente, incluindo muitos nomes cujo anonimato não se pode quebrar porque ainda vivem e ainda constituem parte vital de A.A. Chegaram das mais diversas esferas: juízes, médicos, ministros, professores, vendedores, donas de casa, operários, viciosos. Eram também de todas as camadas sociais e raciais, e pertenciam a todas as religiões conhecidas pelo homem, assim como céticos, ateus e agnósticos, muitos deles discordando do fervoroso compromisso de Bill com um Poder Superior. Porém, eles admiravam e respeitavam o que ele havia conseguido devido a essa Força.
Como Bill escreveu certa vez: "A.A. não foi inventado! Suas idéias básicas nos foram trazidas por intermédio da experiência e sabedoria de muitos grandes amigos. Simplesmente as tomamos emprestadas e as adaptamos".
Nada deu maior satisfação a Sul do que completar, em 1955, a estrutura organizacional dos Serviços Mundiais de Alcoólicos Anônimos, segundo foi aprovada na Convenção do Vigésimo Aniversário, com o fim de se assegurar que a Irmandade passaria, em boas condições de trabalho, das mãos dos velhos A. As. para as novas gerações.
O pensamento parlamentar, a divisão de forças e as medidas e conjunto de controle adotados dentro do sistema, não saíram totalmente do esforço de Bill. Ele desfrutava dos conselhos de muitos outros. Porém, o espírito que respalda os Legados de A.A., são de Bill e do Dr. Bob, provieram da mesma experiência que serviu para a redação do Livro Grande, experiência que consiste no grande êxito e nos fracassos inevitáveis de 20 anos de história de A.A., até esta data.
Para aqueles de nós que vivemos nossas vidas de A.A. em nível de grupo, vivendo um dia de cada vez, e executando o trabalho do Décimo Segundo Passo na forma que podemos fazê-lo, os Treis Legados parecem diminuir em perspectiva e importância quando consideramos cada um em sua devida ordem. Os Doze Passos parecem relacionar-se mais imediatamente com nossa sobriedade, do que as Tradições. Os Doze Conceitos Para Serviços Mundiais parecem remotos quanto à vigilância que se requer de cada um de nós com õ objetivo de permanecermos distantes daquele primeiro gole, hoje.
Para Bill, a ordem do significado era ao revés. Desde set escritórios (1980-1970), em frente ao edifício das Nações Unidas, no 18° andar de um edifício de escritórios em Nova Iorque, a vista era amplíssima. O que havia se iniciado numa conversa entre dois alcoólicos em Akron, Ohio, em 1935, havia se espalhado pelo mundo, alcançando a milhões de seres unidos somente pelo laço de uma enfermidade comum: o alcoolismo, num tempo incrivelmente curto (considerando os modestos meios de comunicação que se utilizavam para transmitir a mensagem).

Tradução: Edson H.

Que o PS conceda-nos infinitas 24 Horas. SÓ POR HOJE!
Luizsereno



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