Visitantes Online:  2

Home Page » Recanto da Leitura  
 
 
 
 

RECANTO DA LEITURA

 
 
 
 
<<< VOLTAR

  APADRINHANDO O RECÉM-CHEGADO PARA O SERVIÇO - (AKIKO M. - JAPÃO)

Recebi um amável convite de John Grant, Coordenador da Décima-Terceira Reunião Mundial de Serviços, no qual me pedia para fazer uma palestra sobre "Apadrinhando o recém-chegado para o serviço". Lendo-o, imediatamente lembrei-me de minha experiência pessoal quando fui amadrinhada para o serviço.
Minha madrinha no serviço encorajou-me a permanecer disponível para ajudar os alcoólicos que ainda sofrem e guiá-los para o serviço. As palavras que eu ouvia dela freqüentemente eram: "por aqueles que estão sofrendo agora". Pelo seu exemplo, em suas atividades diárias, ela mostrou-me, tanto quanto possível, a atitude responsável de "serviço". Gostaria, todavia, de começar
minha palestra, a qual baseia-se em minha experiência de apadrinhamento de recém-chegados, falando sobre minha idéia de serviço.
Foi há oito anos, eu acredito, que o conceito de nosso Terceiro Legado de Serviço tornou-se conhecido pela primeira vez pelos membros de A.A. do meu país. Naquela época, o Japão já tinha mandado delegados à Reunião Mundial de Serviços. Desde os primeiros dias, datando do estabelecimento de A.A. no Japão, há 19 anos, nossos membros, mesmo desconhecendo a definição de "serviço", adotaram uma atitude de serviço.
O programa de A.A. foi introduzido no Japão por um membro de A.A. americano. O primeiro grupo foi um grupo de língua inglesa, na base americana de Tóquio, para residentes de língua inglesa da cidade. Durante os primeiros anos, alguns membros que tinham facilidade de fazer traduções, em bases voluntárias, traduziram o "Livro Grande" e "Doze Passos e Doze
Tradições" para o japonês; outros membros, com talento e equipamento para impressão e encardenação, transformaram os manuscritos em livros. Alguns membros de A.A. de língua inglesa visitaram nosso grupo e nos ajudaram a compreender alguns termos pouco familiares usados naqueles textos. Não posso, nesta oportunidade, deixar de mencionar que somos profundamente agradecidos pela assistência que o G.S.O, de Nova York, nos deu na
publicação do "Livro Grande", "Doze Passos e Doze Tradições" em japonês.
Nossos membros pioneiros eram muito ativos em levar a mensagem aos alcoólicos sofredores confinados em hospitais de tratamento. Minha madrinha me disse que no primeiro dia em que
assistiu uma reunião, ela foi mandada para levar a mensagem a um hospital (hoje recomendamos que os membros encarregados de levar mensagem aos centros de tratamento e hospitais tenham pelo menos três meses de sobriedade). Os antigos membros eram, também, ativos em contribuir para a então pequena Irmandade (os membros de hoje parecem ser mais cautelosos em fazer contribuições para o A.A.). De qualquer forma, os primeiros membros eram
muita ativos no serviço. Minha madrinha me levou a mensagem enquanto eu estava num hospital. Quando assisti à minha primeira reunião de A.A., fui recebida calorosamente. Os membros chamavam-me pelo nome, o que me fez muito feliz. Senti estar sendo tratada como um ser humano, não como uma bêbada irresponsável. E, felizmente, dois meses depois de minha chegada ao A.A., um grupo de N.A. foi fundado em Tóquio. Minha madrinha sugeriu-me assistir, também, às reuniões de N.A. para me libertar do meu problema de drogas. Poderia, então, saborear uma vida sóbria em A.A. e uma vida limpa em N.A Em ambos os grupos,
participei ativamente no serviço, o que me mantém ocupada, mas também feliz.
Naquela época passei por duas experiências dolorosas. Uma foi a morte de minha mãe e outra foi o divórcio e conseqüente separação de minha família.
Duvido que poderia ter sobrevivido a estas dificuldades sem a ajuda de minha madrinha. Ainda que me comportasse alegremente nas reuniões, à noite, quando estava só, ficava profundamente deprimida e chorava ao telefonar para minha madrinha. Ela era sempre paciente, ouvindo-me por longas horas, altas horas da noite, até que me acalmasse. Ela me deu um tremendo apoio.
Um dia ela pediu-me para visitar e levar a mensagem aos alcoólicos em um hospital onde eu estive internada para tratamento durante vários meses.
Enquanto compartilhava minha experiência com eles, comecei a me sentir muito orgulhosa de mim, superior a eles, impressionando-me com minhas próprias palavras. Minha madrinha disse-me para não me embriagar com palavras.
Naquela noite tivemos uma reunião de passos e lembrei-me da palavra HUMILDADE.
Minha primeira tarefa foi coordenar uma reunião. Quando minha madrinha pediu-me para ser coordenadora, imediatamente respondi: "Não! Eu não posso fazê-lo". Ela respondeu: "Se você não quiser, não é obrigada a aceitar.
Procurarei outro". Então respondi: "Sim. Eu quero. Gostaria de tentar".
Naquela época, eu simplesmente não podia expressar meus sentimentos de alegria por ser capaz de ajudar outras pessoas.
A estrutura de serviço de nosso país começou a organizar-se naquela época.
Em Tóquio, os grupos foram divididos em Distritos e cada Distrito formou seu próprio comitê. Minha madrinha era ativa nos comitês. Eu a segui e envolvi-me em vários tipos de serviço. Primeiro fui eleita RSG e depois tornei-me membro do Comitê de Hospitais e Instituições, então Coordenadora do Comitê de Informação ao Público e, posteriormente, Delegada à nossa
Reunião de Serviços Gerais. Agora sirvo como Delegada à Reunião de Serviços Mundiais. O Tema da XII RSM - "Serviço - Privilégio de cada um" - lembrou-me um importante princípio.
Minha madrinha mostrou-me como ser uma boa coordenadora. Aprendi a respeitar cada membro e suas opiniões. Como coordenadora, poderia apenas sintetizar suas opiniões e expressá-las em nome deles. Mas não tinha poderes para governá-los. Isto, implicitamente, requeria a prática da Segunda Tradição e do Décimo Conceito. Foi uma lição extremamente significativa para mim, um ensinamento que fui capaz de aplicar em todas as minhas posteriores
tarefas no serviço.
Naquele tempo, nosso Comitê de Informação ao Público publicou um boletim do A.A. japonês, patrocinando reuniões públicas, levando a mensagem de recuperação para áreas locais e engajando-se em muitas outras atividades.
Felizmente, nosso comitê pode contar com a assistência de muitos membros individualmente, com habilidades em campos específicos e relacionadas com aquela publicação. No princípio acreditei que aquele serviço era algo especial, tarefa a ser realizada por um seleto grupo de pessoas. Desde então, mudei de idéia. O mais importante é trabalhar juntos, ajudar uns aos
outros, unir-se para alcançar o objetivo único. Isto, eu acredito, é o objetivo básico do programa.
Este é nosso trabalho e nenhum outro - nossa preocupação que devemos partilhar calorosa e apaixonadamente com nossos companheiros sofredores. Não é difícil. Não requer técnicas especiais. Simplesmente compartilhamos nossa própria experiência, trabalhando juntos na esperança e no amor.
Agora quando amadrinho um recém-chegado para o serviço, sempre relembro das preciosas dádivas que me foram presenteadas por minha madrinha e por muitas outras pessoas. Quero compartilhá-las com outrem. É um grande prazer para mim, ser capaz de prestar serviço ao A.A., com base no verdadeiro amor, e percebo dever isto à minha sobriedade de hoje.
Por causa dos Três Legados de A.A., cada um de nós torna-se uma pessoa útil e leva uma vida significativa. Muitos outros recém-chegados aparecerão às portas do A.A. e eu gostaria de continuar assistindo-os, compartilhando minhas experiências e a alegria de ser uma boa madrinha. Quero ser humilde e grata, aceitando e abençoando a oportunidade de servir ao alcoólico que ainda sofre.
Assim como o A.A. salvou minha vida, quero compartilhar estas experiências com a próxima pessoa que estender a mão à recuperação, respeitando e enriquecendo novas vidas de meus companheiros, ajudando-os a se prepararem para um futuro brilhante.
(Vivência - Julho/Agosto 95)



<<< VOLTAR