Visitantes Online:  7

Home Page » Recanto da Leitura  
 
 
 
 

RECANTO DA LEITURA

 
 
 
 
<<< VOLTAR

  " A. A. INSTITUÇÃO OU MILAGRE "

Pelo Doutor Alberto Morales Tobón
Médico psiquiatra, Custódio não-alcoólico

É surpreendente como Deus, em seus inescrutáveis desígnios, escolheu para levar a cabo no mundo a obra redentora dos alcoólicos, precisamente a um alcoólico e em seu pior estado de degradação.
Por que não elegeu a um exímio cientista, ou a um ponderado religioso ou ao mesmo Bill em sua época de insigne corretor da bolsa e cavalheiro de Wall Street? Por que elegeu a outro bêbado, psiquicamente degradado, para ser o co-autor de tão transcendental empreendimento, e por que escolheu como cenário para sua fundação uma taberna? Não teria sido talvez mais apropriado o espaço de urna Universidade, ou o recinto de uma academia, ou o âmbito sagrado de um templo? Seria acaso tão miserável aos olhos de Deus um homem só pelo fato de estar bêbado, ou depreciável uma taberna por acolhê-lo em seu seio? Ou será, talvez, que os desígnios de Deus manifestam-se aos nossos olhos inescrutáveis porque projetamos neles nossas próprias misérias?
O tempo demonstrou sobejamente, que detrás de um bêbado aparentemente desprezível, se ocultava à figura grandiosa e nobre de um homem. Não foi gratuita a eleição nem arbitrário o procedimento levado a cabo pelo Criador. Deus abate e humilha aos seus eleitos e não lhes exige outra prova de suficiência além da humildade, e esta se traduz nas históricas palavras: "Me chamo Bill e sou um alcoólico, mas quero sinceramente deixar de beber e encontrar de novo minha própria personalidade". Esta frase pronunciada primeira ante Deus por um homem e depois ante Deus e ante aos homens por muitos outros, numa sucessão indefinida, é a Santa senha mágica com a qual o precioso legado é transmitido, e uma obra nascida na penumbra de duas almas se agiganta e se propaga por todos os cantos do Universo corno um milagre vivente, ante os olhos atônitos daqueles que continuam sem compreender sua verdadeira essência.
Antes de iniciar os Doze Passos, parece necessário descer os doze degraus. Que ironia e que paradoxo estabelece tão singular sistema aos olhos de quem, por não haver sofrido na própria carne suas amargas conseqüências, não consegue sequer vislumbrar o infinito prazer daqueles que a eles recorrem.
Quem poderia crer que aquele cego de espírito fosse capaz de traçar um caminho tão esplêndido para aqueles que encontram fechados todos os outros caminhos? À medida que o alcoólico vai repisando seus passos, agiganta seu ser como por arte de magia. Sua própria transformação vai transformando por sua vez todo o ambiente que o rodeia. O que antes era escuro torna-se brilhante; os olhos que outrora olhavam com tristeza e cobertos de lágrimas tornam-se alegres e serenos, ouvem-se risos onde antes se escutavam prantos, e sua alma se inunda de um prazer inefável que há muitos anos não experimentava. O reencontro com sua personalidade torna-se ainda mais surpreendente, porque se fala inexplicavelmente frente a um homem novo que nunca antes se havia conhecido. Suas faculdades não só não desapareceram como também se fortificaram, e a faculdade de dar-se a outros — que já parecia extinta, pois sequer podia dar-se a si mesmo — aparece agigantada. O último e interminável passo, o de ser útil e fazer os outros felizes, compensa amplamente não apenas o esforço do caminho percorrido, mas, também, todos os sofrimentos de sua vida de boêmio. Antes, dizia: "Me chamo Bill e sou um desgraçado". Agora, as palavras significam:
"Sou um homem feliz, porque sou capaz de prodigalizar a outros minha própria felicidade".

Que o PS conceda-nos infinitas 24 Horas. SÓ POR HOJE!
Luizsereno



<<< VOLTAR