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RECANTO DA LEITURA

 
 
 
 
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  ORAÇÃO




“A MAIS DIFÍCIL ORAÇÃO”









Se não é
a Oração da Serenidade.. ....... Se não são as vinte e quatro horas....... ..
Meu nome é Antonio e sou um doente alcoólico, mas hoje não bebi e não pretendo
beber.

Para mim, nesta semana, começou tudo errado. Deveria estar participando de um
encontro Provincial em Curitiba até sexta-feira. Deveria! Porque na terça-feira,
às seis horas da manhã já estava voltando para a minha cidade. E às pressas. Por
que? Porque no dia anterior a igreja matriz de meu colega, de uma cidade
vizinha; com quem estávamos viajando, simplesmente desapareceu. Sumiu. Um
simples e rápido vendaval pôs o prédio no chão.Mas como as informações por
telefone estavam muito desencontradas e não se sabia ao certo o que houve de
fato; o jeito foi voltar para casa, para ver os estragos e tomar as devidas
providências. Lógico que o fato não aconteceu diretamente comigo, mas me atingiu
em cheio, pois eu estava junto com esta pessoa, e ela começou a ficar nervosa,
preocupada, desesperada. ......sem saber o que fazer; que atitude
tomar......Isso acabou atingindo tambem a mim, porque tive que assumir a
responsabilidade de dirigir o automóvel por mais de novecentos quilômetros, na
chuva, com paradas rápidas, só para tomar um café ou água e seguir viagem.
Graças a Deus a viagem transcorreu normal, não aconteceu nada, apesar de em
muitos trechos, ter abusado da velocidade. Chegamos à cidade pelas tres horas da
tarde. Outra decepção para mim, não apenas por ver as notícias confirmadas; de
fato, o prédio não existia mais; mas tambem por novamente ficar à pé. Pois o
carro iria ficar lá; mas eu tinha mais 60 quilômetros até chegar à minha casa.
Mas como Deus é bom e não deixa os seus na mão; tinha uma pessoa da minha cidade
que tambem foi ver os estragos e me deu carona até em casa. Que dia! Que
remédio! O que fazer?

Assim foi posta à prova mais uma vez não só a minha paciência mas a minha
confiança em Deus e no Programa. As famosas vinte e quatro horas. Claro esta que
em primeiro lugar para ficar sem beber. Mas isso não é suficiente numa situação
como esta ou outra semelhante. Se eu tivesse ficado apenas no não beber só por
hoje; certamente teria bebido, por causa da situação criada, pois tudo ajudava a
que eu procurasse o copo. Percebi então que o parar de beber é apenas o começo.
O ficar sem beber é que é o segredo do programa. Mas ficar sem beber e não cair
no porre seco; que seria pior ainda. Aos poucos começaram a desfilar pela minha
mente as famosas frases que a gente encontra nas paredes das salas: Vá com
calma, mas vá! Evite o primeiro gole. Só por hoje. O que voce não pode
modificar, modificado esta!....e uma infinidade de outros pensamentos, frase e
depoimentos. .... Portanto, não foram apenas vinte e quatro horas. Foi quase uma
semana inteira. Mas o que me manteve calmo em todos estes momentos mais agitados
não foi recitar a Oração da Serenidade e sim Medita-la. Aplicar as suas
palavras, que são poucas, em cada nova situação que se me apresentava de modo
inesperado. Por isso quando digo agora: Concedei-me, Senhor...... .digo junto:
Obrigado, Senhor por este programa tão maravilhoso. Obrigado senhor por todos
estes companheiros que nem sabiam da minha situação difícil, mas nas suas
orações estavam viajando junto comigo. Por isso te convido amigo, estenda a tua
mão e põe na minha mão para que caminhemos juntos...... .









(Fonte:

Informacoesdogorobo@yahoogrupos.com.br – companheiro: Antonio Mika)
















ORAÇÃO




“A TRILOGIA : SERENIDADE,
CORAGEM, SABEDORIA:”






DEUS, CONCEDEI-ME SERENIDADE.. ....

SERENIDADE em AA tem o seu significado, a sua conotação. Não é a simples Paz,
tão bem expressa nos dicionários populares, a Paz aconchegante dos cobertores,
do calor das noites frias; a Paz do ar das montanhas com sua brisa envolvente; a
Paz do carinho, do calor humano....Não. Serenidade é muito mais que isso.
Serenidade é antes de tudo um estado de espírito que nasce de Deus e cresce
dentro de mim. A minha Serenidade não depende do mundo exterior, de outrem, de
outras coisas. A Serenidade de que preciso, não pode depender de ninguém, de
nada. Ela esta comigo, é minha, faz parte da minha vida, do meu dia-a-dia. Não é
como a Paz aconchegante dos cobertores, que se vai quando se tiram de mim os
cobertores; não é a Paz do ar fresco, da brisa envolvente vinda da montanha, que
se desfaz quando eu me afasto da montanha. Não é como a Paz do aconchego, do
carinho, que se vai quando se afasta de mim o ente querido que me acarinhava..
...a minha Paz, a minha Serenidade, não pode ser tomada e perturbada por
ninguém, por nada deste mundo. Ela é uma dádiva divina, uma dádiva de Deus e
portanto, só Ele poderia ma tomar de volta.

A Serenidade precede a ACEITAÇÃO. É preciso. Há uma seqüência lógica em tudo
isso. Sem Serenidade não há aceitação capaz de fazer com que eu aceite as coisas
que não posso modificar, porque não dependem de mim. A Serenidade põe ordem na
minha mente, para que eu possa compreender o que os outros estão dizendo, para
que eu possa aceitar as pessoas e as coisas como elas são; para escutar o que os
outros dizem, sem contestações,; para aceitar tanto o mal como o bem como o bom,
já que assim fazendo, eu deixo de brincar com Deus.....Serenidade não é
subserviência ou covardia, não é um ato instintivo e precipitado, mas um ato
consciente, um ato de coragem. Quando eu alcanço a Serenidade, eu estou apto
para servir a Deus.

CORAGEM PARA MODIFICAR AS COISAS QUE POSSO.......

Coragem é uma força advinda da Fé. Da Fé em algo que é Superior a mim mesmo.
Coragem é o medo de Ter medo. É o me colocar distante do egoísmo. Não é
egocentrismo. É o saber que não posso modificar o mundo sozinho, mas saber que
posso fazê-lo a mim....mesmo! Coragem não é uma exaltação do meu ego, da minha
personalidade. Não é um ato de afoiteza, de ousadia, de arrojo. A Coragem exige
de mim um moral forte, vinda de uma força que não depende de mim, mas que me é
dada a mim. Coragem é saber pedir ajuda, porque Deus se manifesta através de uma
consciência coletiva, pois, a Coragem pode ser alguma coisa feita por algum
outro, porque ela pode ser alguma coisa que eu não estou apto a
fazer.....sozinho. Coragem é perseverança, é intrepidez, é Ter personalidade.
Coragem é saber que Ele fará todas as coisas certas se eu submeter-me à SUA
vontade, mas saber, antes de tudo, qual é a SUA vontade. Coragem é Ter Deus
dentro de mim, comigo.

SABEDORIA PARA SABER A DIFERENÇA.... ....

Sabedoria é a essência da humildade. É o próprio Deus conversando comigo. É
saber escutar os outros, às suas experiências, já que Deus tambem se manifesta a
mim, através dos livros e da linguagem do próximo. Sabedoria é Ter tolerância e
procurar compreender aos outros que podem me dar discernimento, luz, melhor do
que eu poderia adquirir por mim mesmo. Sabedoria é a verdade das coisas, já que
ela, acima de tudo, é verdadeira. Sabedoria é a puríssima virtude da Prudência e
Prudência é o saber distinguir se o que é bom para mim, hoje, é o melhor para os
outros, amanhã. Sabedoria é bom senso, discernimento, é procurar mais
compreender que ser compreendido, amar que ser amado. Sabedoria é receber.....
dando.

Nota: Não é por menos que SOBRIEDADE é um estado de espírito, próprio e
exclusivo aos membros de AA e que se tivesse que ser representada graficamente,
o seu símbolo seria um triângulo equilátero e seus lados seriam simplesmente:
HUMILDADE, SERENIDADE E FÉ. Art. 130 (Rio, Nov./1987). Aluizio F. Amigos, boa
leitura e meditação. Saudações Antonio









(Fonte:

informacoesdogorobo@yahoogrupos.com.br – companheiro: Antônio Mika)









ORAÇÃO

A
ORAÇÃO DA SERENIDADE




“POR ALUIZIO F:”










Caros
amigos, creio pessoalmente que é o melhor já escrito tanto sobre a origem desta
Oração bem como sobre os motivos e as explicações porque ela deve ser recitada
no singular e não no plural como aparece em nossa versão portuguesa. Mas como
versões, são versões.....simplesm ente coloco à disposição de todos o artigo
deste nobre companheiro que esta em minhas mãos e não se encontra em nenhum dos
dois volumes da Coletânea. Abraços..... Antonio

"A Oração da Serenidade e sua Trilogia" Por Aluizio F.

A "Oração da Serenidade", para muitos, Prece ou Evocação, provavelmente seja a
mais usada de todas as orações que se fazem atualmente, por este mundo de Deus.
Além de ser usada nas reuniões de mais de 68.000 grupos de A.A. do mundo
inteiro, ela também é usada em muitos outros tipos de reuniões e sua mensagem é
transmitida até em cartões de felicitações de Natal, em vários países do mundo.
"Al-Anons", "Alateens", associações religiosas de diversos tipos e seitas,
grupos outros de ajuda mútua, etc., etc., enfim, essa bela e profunda "Oração",
atribuída a muitos autores, "NÃO TEM DONO"! E como tal, ao contrário do que
muitos poderiam pensar, ela não é "propriedade" do A.A.! Bem diziam os nossos
co-fundadores: "O A.A. não tem nada de seu! Alcoólicos Anônimos é simplesmente
uma Síntese, uma Grande Síntese, de princípios tirados da Religião, de
ensinamentos levados pela própria Medicina, acrescidos, todos eles, da
extraordinária experiência dos alcoólatras".

Em Novembro de 1964, a revista "The A.A. Grapevine", publicou um artigo em que
atribuía a origem da "Oração da Serenidade" ao Dr. Reinhold Niebuhr, professor
de Ética e Teologia do Seminário da União Teológica de New York, nos Estados
Unidos da América do Norte, o qual, em 1932 lhe teria dado a forma atual e que é
a que é feita em todas as reuniões de Alcoólicos Anônimos do mundo inteiro; o
professor Niebuhr a usava sempre ao final de todas as suas "pregações". Um belo
dia, um amigo seu, também pastor, ao assistir a uma dessas reuniões, achou-a
simplesmente maravilhosa e pediu, ao final da reunião, ao Dr. Niebuhr, que lhe a
"emprestasse" e mais, que permitisse que a divulgasse a outras pessoas que a
desconheciam e que, provavelmente, como ele - o professor Howard Hobbins, esse
era o seu nome - também gostariam de desfrutá-la. O professor Niebuhr, ao
entregar-lhe uma cópia da mesma, disse-lhe, simplesmente: "Tome-a! Eu não
preciso usá-la para mim mesmo"! E assim, a "Oração da Serenidade" passou a ser
divulgada e usada, de início nos Estados Unidos apenas, e depois no mundo
inteiro.

No A.A. ela foi introduzida a partir de Junho de 1941, quando, numa coluna de
obituário do "New York Tribune Herald", intitulada "In Memoriam", ela foi
encontrada por um companheiro nosso - Jack C. - que a levou para o então ainda
incipiente "Escritório de A.A." de Vesey Street, entregando, à então secretária
RuthHock (aquela mesma que escreveu os rascunhos do nosso "Livro Grande" -
Alcoólicos Anônimos) um recorte do jornal e que dizia: "Mãe - Deus, concedei-me
Serenidade para aceitar as coisas que não posso modificar, Coragem para
modificar as coisas que posso, e Sabedoria para saber a diferença - Adeus!".
Ruth, então, impressionada com sua beleza e profundidade e achando que aquela
"Oração" se enquadrava perfeitamente em nosso "programa" e na vida de muitos
daqueles já então milhares de alcoólatras complicados e pouco afeitos a
"aceitações", resolveu copiá-la e usá-la nas cartas que escrevia aos grupos e
aos membros de A.A. então existentes. Mais tarde, outro companheiro nosso -
Horace C. - teve a idéia de imprimí-la em cartões, pagando, ele próprio, por sua
impressão.

Mas, mesmo assim, a sua origem tem sido bastante discutida e tem até preocupado
a muitas pessoas e muito especialmente a membros de A.A. Todos gostariam de
saber fielmente as suas raízes, a sua origem. Difícil, se não de todo,
impossível! As origens da "Oração da Serenidade" são muito controvertidas e
obscuras, embora, para nós, membros de A.A., ela seja atribuída mesmo ao Prof.
Reinhold Niebuhr, o qual lhe teria dado a forma atual e que é a usada pelos
grupos de A.A. do mundo inteiro, à exceção, naturalmente os do Brasil, que ainda
teimam em fazê-la na forma plural e que, os poucos grupos que resolveram fazê-la
no singular, fazem-se errada, graças a orientações também erradas e ao pouco
caso a ela dado por elementos da "cúpula" do A.A. do nosso país.

Muitos a atribuem a um monge de Saragoza, na Espanha, que a teria usado lá pelos
idos de 1647. Outros a atribuem à Rainha Elizabeth I, da Inglaterra, outros
ainda, ao almirante Nelson (inglês) que a teria usado em uma de suas batalhas
navais. E assim, sucessivamente, uma infinidade de nomes d de pessoas que a
teriam usado, geralmente em momentos de provações e desespero.

No jornal de A.A. "Box-4-5-9", editado em diversos idiomas e que é remetido aos
grupos de A.A. do mundo inteiro, na edição de Agosto/Setembro de 1985, há uma
nota referente à "Oração da Serenidade", dizendo, em certo trecho, que um membro
de A.A. lhes enviara um recorte do "Paris Herald Tribune", com um artigo escrito
por um correspondente daquele jornal, na Alemanha Ocidental, dizendo tê-la visto
escrita em uma imponente nave de um velho edifício transformado em Hotel, na
cidade de Koblenz, "marcada por bandeiras prussianas" numa placa escrita com os
seguintes dizeres: "Deus, dá-me o despego emocional necessário, para aceitar as
coisas que não posso modificar; coragem para modificar as coisas que posso; e
sabedoria para distinguir umas das outras". Estas palavras teriam sido escritas
por Friedrich Octinger, um piedoso evangélico do século XVIII. E acrescenta
ainda aquele jornal de A.A.: "Nós não temos em nosso poder a inscrição alemã da
cidade de Koblens. Também temos um cartão impresso com a informação de que a
"Oração" é a oração de um soldado do século IV. E mais: "Pensamos que talvez, no
futuro, se descubram ainda mais possíveis origens da "Oração da Serenidade".
Porém, não devemos perder-nos labirintos de informações históricas; é o rezar a
"Oração", o que ma vai ajudar, a mim, um alcoólatra".

No livro "Pass It On" (A Vida de Bill), recentemente editado pela "A.A.W.S."
(Editora oficial das literaturas de A.A.) nos Estados Unidos, no capítulo XIV,
em uma referência à "Oração da Serenidade" e sua introdução no "programa de
A.A.", há uma nota em que diz: "As origens da "Oração da Serenidade" são
obscuras. Pode datar de Boethius, um filósofo que viveu cerca de 500 anos, era
de Cristo e foi martirizado pelos Cristãos. Antes de morrer, Boethius esteve
numa prisão por longo tempo escreveu, entre outras coisas, "Consolação da
Filosofia". E acrescenta ainda: "Ela é atualmente creditada a Reinhold Niebuhr,
um teólogo do século XX, que, em compensação, a atribui a Friedrich Octinger, um
teólogo que viveu no século XVIII".

Certa vez, escreveram ao Prof. Reinhold Niebuhr, dizendo-lhe que estavam
deturpando a sua "Oração", fazendo-a no plural, em vez de no singular, como fora
escrita por ele. Ele respondeu simplesmente: "Se a estão fazendo assim, é por
que a acham melhor que na forma escrita por mim, mas, de qualquer maneira, o que
importa é que não desvirtuem a sua finalidade, o seu valor espiritual".

Em 1959 escreveram ao nosso Bill W. indagando sobre o costume de certos grupos
de A.A. de usarem o "Padre Nosso" ao final de suas reuniões, dizendo até que
muitos contestavam o seu uso, alegando ser o "Padre Nosso" uma oração cristã.
Bill respondeu, dizendo que o uso do "Padre Nosso" em nossas reuniões é um
costume antigo e que foi herdado dos "Grupos Oxford", bastante influentes nos
primeiros tempos de A.A. Acrescenta ainda aquele nosso co-fundador que "sempre
existem aqueles que parecem ofender-se pela introdução de qualquer oração dentro
de uma reunião regular de A.A. Algumas vezes há queixas de que o "Padre Nosso" é
um documento cristão. Não obstante, esta oração é de uso tão extenso e tem tal
reconhecimento, que a argumentação de sua origem cristã é um pouco ultrapassada.
Também é verdade que a maioria dos A.A. acreditam em alguma espécie de Deus e
que a comunicação e fortaleza é o consenso geral; parece ser justo que, pelo
menos, a "Oração da Serenidade" e o "Padre Nosso" sejam usados em conexão com
nossas reuniões. Não é necessário ater-nos aos sentimentos de nossos
recém-chegados agnósticos e ateus para que escondamos as boas qualidades que
temos adquirido. O pior que pode acontecer a esses objetores é fazer um saudável
exercício de tolerância durante sua etapa de progresso".

É preciso lembrar que há muitos grupos espalhados pelo mundo inteiro que fazem
também a "Oração de São Francisco", no início ou no final de suas reuniões.

De qualquer maneira, há sempre "algo" de espiritual em todas as nossas reuniões
- no início ou no fim - e a mais comum mesmo, é a "Oração da Serenidade".

Alguns anos atrás, pouco antes de sua morte, ocorrida em 24/01/71, o nosso Bill
W. "encarregou" o jornalista, ex-Custódio de A.A., Jack Alexander, que se
tornara famoso em nossa Irmandade por Ter escrito uma das páginas mais
importantes e belas de nossa literatura - o famoso artigo publicado no dia 1º de
Março de 1941, no "Suterday Evening Post", de Cleveland (hoje literatura oficial
de A.A.) para que pesquisasse sobre a origem da "Oração da Serenidade", afim de
que se procurasse, da melhor forma possível, "satisfazer" a sempre e cada vez
mais crescente curiosidade dos membros de A.A. sobre sua origem. Algum tempo
depois, Jack Alexander deu a resposta àquele nosso co-fundador: "Realmente, há
muitas idéias sobre a origem da "Oração da Serenidade" - citando a seguir muitos
dos fatos acima relacionados - "porém", disse ele, "o verdadeiro autor, aquela a
quem é atribuída a forma atual dessa bela "Oração", é contemporâneo nosso e a
escreveu lá pelos idos de 1932. O seu nome é Reinold Niebuhr, professor do
Seminário Teológico de "New York". E mais, aquele grande jornalista e amigo
nosso, deu a Bill W. a forma atual da "Oração da Serenidade", logo depois
publicada e distribuída aos grupos de A.A. do mundo inteiro pelo "G.S.O."
(Escritório de Serviços Gerais de A.A. dos Estados Unidos da América do Norte) e
que é:

"Deus, concedei-me Serenidade para aceitar as coisas que não posso modificar;
Coragem para modificar as coisas que poso; e Sabedoria para saber a diferença.

Vivendo um dia de cada vez. Desfrutando um momento por vez. Aceitando as
dificuldades como o caminho da Paz. Tomando como ELE fez, este mundo pecaminoso
como ele é, não como eu gostaria que fosse. Confiando em que ELE fará todas as
coisas certas, se eu submeter-me à SUA vontade, que eu possa ser razoavelmente
feliz nesta vida. E infinitamente feliz com ELE, para sempre, na próxima.
Amém!".

No nosso jornal informativo, o "Bob" nº 44, na fl. 4, está escrita a seguinte
nota: "Esclarecendo sobre a Oração da Serenidade: Em vista das constantes
dúvidas se a Oração da Serenidade deve ser proferida no singular ou no plural,
transcrevemos notícia divulgada no "Bob" nº 22 de 1982: "Recebemos comunicação,
através do "G.S.O.", nos informando e sugerindo que a "Oração da Serenidade"
seja feita no singular" (o grito é nosso) - e segue à notícia, a publicação da
Oração no singular, numa forma simplória, errada, com os dizeres inventados e
adaptados pelos "responsáveis" por nossos órgãos de serviço, deturpando-a e até
acrescentando palavras que não existem no seu texto original. Lamentável,
simplesmente lamentável, o pouco caso dado por essas pessoas a tão importante e
sério assunto, como se já não bastasse Ter vindo essa "recomendação" do próprio
Escritório ("G.S.O.") considerado como "mundial" do A.A.

Há pouco tempo foi sugerido pelo "Comitê de Literaturas" em língua latina da
"Reunião Ibero-Americana de Serviços de A.A." para que o "CLAAB" (Centro de
Distribuição de Literaturas de A.A. para o Brasil) que corrigisse, no nosso
livro "Os 12 Passos", a "Oração da Serenidade" que está impressa na forma plural
e não no singular, que é a forma correta.

A razão de tudo isso, que para muitos pode parecer supérfluo, é muito simples:
"O A.A. vive e deixa viver". E além do mais, a nossa "10ª Tradição" diz
simplesmente: "Alcoólicos Anônimos não opina sobre assuntos alheios à Irmandade,
para que o nome de A.A. não entre em controvérsias públicas". E mais, se o A.A.
"não tem nada de seu", nós que fazemos essa querida Irmandade, não temos o
direito de modificar coisas que foram feitas ou escritas pelos outros e que nem
ao menos foram feitas para nós. O que me diriam os companheiros se nós
resolvêssemos, por nosso próprio gosto, modificar a "Oração de São Francisco"
(que também é feita em grupos de A.A.) e fazê-la no plural? Provavelmente as
autoridades religiosas, nem só do país, mas e também do mundo inteiro (o Papa,
por exemplo), solicitariam aos brasileiros ou ao A.A. como um todo, que
respeitassem a "Oração de São Francisco" e que, se desejassem usá-la que a
usassem, mas na sua forma correta, como ela teria sido escrita por aquele
piedoso e querido santo.

Diante de tudo isso, não nos resta outra alternativa, que não unicamente colocar
nossas vaidades de lado e procurarmos fazê-la, como se faz em todos os grupos de
A.A. do mundo, na forma verdadeira e correta e que é... no singular!









(Fonte:

informacoesdogorobo@yahoogrupos.com.br – companheiro: Antônio Mika)














ORAÇÃO




“Na
Opinião do Bill”
















LUZ
PROVENIENTE DE UMA ORAÇÃO











Concedei-nos, Senhor, a Serenidade necessária para aceitar as coisas que não
podemos modificar. Coragem para modificar aquelas que podemos, e Sabedoria para
distinguir umas das outras.










Guardamos como um tesouro nossa “Oração da Serenidade”, porque ela nos traz uma
nova luz que pode dissipar nosso velho e quase fatal habito de enganar a nós
mesmos.




No
esplendor dessa oração, vemos que a derrota, quando bem aceita, não significa
desastre. Sabemos agora que não temos que fugir, nem deveríamos outra vez tentar
vencer a adversidade por meio de um outro poderoso impulso arrasador, que só
pode nos trazer problemas difíceis de serem resolvidos.









ALICERCE
PARA A VIDA











Descobrimos que recebemos orientação para nossas vidas, à medida que paramos de
fazer exigências a Deus, a fim de que Ele nos dê aquilo que queremos.









Ao orar,
simplesmente pedimos que durante o dia todo Deus nos dê o conhecimento de Sua
vontade e nos conceda a graça, com a qual possamos realizá-la.









Há uma
relação direta entre o auto-exame e a meditação e a oração. Usadas
separadamente, essas práticas podem trazer muito alívio e benefício. Mas quando
são relacionadas e entrelaçadas, resultam numa base sólida para a vida toda.









EM BUSCA
DE ORIENTAÇÃO










“O homem
foi feito para pensar e agir. Ele não foi criado à imagem de Deus para ser um
autômato.




“Minha
própria fórmula a esse respeito é a seguinte: primeiro, penso bem nos prós e nos
contras de cada situação, orando nesse meio tempo para não ser influenciado por
considerações egoísticas. Afirmo que gostaria de fazer a vontade de Deus.




“Tendo
examinado o problema dessa maneira e não obtendo resposta conclusiva ou
contundente, espero por alguma orientação, que pode vir direto à minha mente ou
vir através de outras pessoas ou circustâncias.




“Se
sinto que não posso esperar e ainda assim não tenho nenhuma indicação clara,
repito a primeira medida várias vezes e tento decidir da melhor forma, antes de
agir. Sei que, se estiver errado, o céu não cairá. No mínimo aprenderei uma
lição.”









LIVRE DA
DEPENDÊNCIA











Perguntei a mim mesmo: “Por que não podem os Doze Passos libertar-me dessa
insuportável depressão?” Por horas e horas olhei fixamente para a Oração de São
Francisco: “É melhor consolar , que ser consolado.”




De
repente percebi qual poderia ser a resposta. Meu principal defeito sempre foi a
dependência das pessoas ou circunstâncias para dar-me prestígio, segurança e
confiança. Não conseguindo obter essas coisas conforme meus sonhos
perfeccionistas e meus pedidos, lutei por elas. E quando veio a derrota, veio
também a depressão.





Reforçado, pela graça que pude encontrar na oração, tive que entregar toda minha
vontade e ação para cortar essas dependências emocionais das pessoas e
circunstâncias. Só assim pude ficar livre para amar como São Francisco amou.










RESTABELECENDO UMA LIGAÇÃO










No
decorrer do dia podemos fazer uma pausa, quando situações devam ser enfrentadas,
decisões tomadas e renovando o simples pedido: “Seja feita a Tua vontade, não a
minha”.




Nos
momentos de grande perturbação emocional, com certeza vamos manter nosso
equilíbrio, desde que lembremos e repetimos para nós mesmos uma oração ou frase
que, particularmente, nos tenha agradado e nossa leitura ou meditação. Apenas
dizê-la repeditamente, muitas vezes nos torna capazes de restabelecer uma
ligação, interrompida pela raiva, medo, frustração ou desentendimento, e nos
permite voltar à mais segura de todas as ajudas – nossa procura da vontade de
Deus, não da nossa, no momento de tensão.









REVER O
DIA










Quando
nos deitamos, à noite, revemos construtivamente nosso dia. Ficamos magoados?
Fomos egoístas, desonestos ou medrosos? Devemos satisfação a laguém? Estamos
guardando em segredo algo que deveria ser discutido logo com outra pessoa? Fomos
amáveis e afetuosos com todos? O que poderíamos ter feito melhor? Estivemos
pensando em nós mesmos a maior parte do tempo? Ou estivemos pensando no que
poderíamos fazer para melhorar a vida?




Devemos
ter o cuidado de não nos deixar abater pela preocupação, remorso ou reflexão
mórbida, pois isso diminuiria nossa utilidade em relação a nós mesmos e aos
outros. Após fazer nossa revisão, pedimos pedrdão a Deus e perguntamos quais as
medidas corretivas que deveriam ser tomadas.










ATMOSFERA DE GRAÇA










Aqueles
dentre nós que se acostumaram a fazer uso regular da oração, não seriam mais
capazes de passar sem ela, como não passariam sem ar, alimentos ou a luz do sol.
E pela mesma razão. Quando ficamos sem ar, luz ou alimento, o corpo sofre. E
quando nos afastamos da meditação e da oração, estamos privando nossas mentes e
nossa instituições de um apoio vitalmente necessário.




Da mesma
forma que o corpo, a alma pode deixar de funcionar por falta de alimentação.
Todos precisamos da luz da realidade de Deus, do alimento de Sua força, e da
atmosfera de Sua graça. Os fatos da vida de A. A. Confirmam de maneira
surpreendente essa verdade eterna.









APRENDER
EM SILÊNCIO










Em 1941,
um membro de New York chamou nossa atenção pera um recorte de jornal. Tratava-se
de uma nota da seção de necrologia de um jornal local, onde apareciam as
seguintes palavras: “Concedei-me Senhor, a serenidade necessária para aceitar as
coisas que não posso modificar, coragem para modificar aquelas que posso e
sabedoria para distinguir umas das outras”.




Nunca
tínhamos visto tanto de A. A. Em tão poucas palavras. Com uma velocidade
surpreendente a Oração da Serenidade chegou ao uso geral.









Na
meditação não há lugar para o debate. Descansamos tranquilamente com os
pensamentos ou as orações de pessoas espiritualmente centradas e compreensivas,
para que possamos sentir e aprender. Esse é o estado de espírito que com tanta
frequência revela e aprofunda um contato consciente com Deus.









A
SENSAÇÃO DE FAZER PARTE










Talvez
uma das maiores recompensas da meditação e da oração seja a sensação de que
passamos a fazer parte. Não mais vivemos num mundo completamente hostil. Não
mais nos sentimos perdidos, amedrontados e inúteis.




A partir
do momento em que percebemos ainda que um vislumbre da vontade de Deus, e
começamos a ver a verdade, a justiça e o amor como valores reais e eternos, não
mais ficamos tão perturbados por todas as aparentes evidências do contrário, que
nos rodeiam nos assuntos puramente humanos. Sabemos que Deus nos protege com
amor. Sabemos que quando nos voltarmos para Ele, tudo estará bem conosco, aqui e
depois.










PERSISTÊNCIA NA ORAÇÃO










Muitas
vezes temos a tendência a desprezar a meditação e a oração sincera, como se
fossem algo que não é realmente necessário. Sinceramente, sentimos que elas
poderiam nos ajudar a enfrentar uma emergência, mas a princípio muitos de nós
são capazes de considerá-las uma prática misteriosa dos clérigos, da qual
podemos esperar obter um benefício de segunda mão.









Em A. A.
descobrimos que os reais bons resultados da oração são indiscutíveis. Eles são o
fruto do conhecimento e da experiência. Todos os que persistiram, encontraram
uma força que geralmente não tinham. Encontraram sabedoria superior à sua
capacidade normal. E encontraram cada vez mais a paz de espírito que pode se
manter firme, frente às mais difíceis circunstâncias.









MAIS DO
QUE CONFORTO










Quando
me sinto deprimido, repito para mim mesmo declarações como estas: “O sofrimento
é a pedra de toque do progresso...” “Não tema o mal”... “Isso também vai
passar”... “Essa experiência pode se transformar em benefício.”




Esses
fragmentos de oração trazem muito mais do que um mero conforto. Eles me mantêm
no caminho da aceitação perfeita, dissolvem meus temas obsessivos de culpa,
depressão, revolta e orgulho; e às vezes me dão a coragem para mudar as coisas
que posso e sabedoria para perceber a diferença.









A
VONTADE DE QUEM?










Temos
visto Aas pedirem, com muita sinceridade e fé, orientação explícita de Deus
sobre assuntos que variam desde desastrosas crises domésticas ou financeiras,
até a correção de pequenas falhas pessoais, como a impontualidade. Um homem que
tenta dirigir rigorosamente sua vida por esse tipo de oração, com essa
necessidade egoística de respostas divinas, é uma pessoa especialmente confusa.
A qualquer pergunta ou crítica a suas ações, ele logo fala de sua confiança na
oração como um guia para todos os assuntos, sejam eles importantes ou não.




Ele pode
ter esquecido a possibilidade de que seus desejos e a tendência humana de
reacionalizar tenham distorcido sua assim chamada orientação. Com a melhor das
intenções ele tende a impor sua própria vontade em qualquer situação ou
problema, com a confortável segurança de que está agindo sob a direção
específica de Deus.










EXPERIMENTADORES










Nós,
agnósticos, gostávamos de A. A. E não hesitávamos em dizer que produzia
milagres. Todavia, ante a meditação e a oração, sentíamos o mesmo retraimento do
cientísta que se recusava a realizar certa experiência por temor de ter de
derrubar sua teoria predileta. Quando finalmente fizemos a experiência, e
surgiram resultados inesperados, nos sentimos diferentes: na verdade enxergamos
a diferença e assim aceitamos a meditação e a oração. E descobrimos que isso
pode acontecer com qualquer pessoa que se disponha a tentar. Acertou quem disse
que “os que zombam da oração são, quase sempre, os que não experimentaram o
suficiente”.









A HORA
DA DECISÃO










Nem
todas a sgrandes decisões podem ser tomadas simplesmente anotando os prós e os
contras de uma determnada situação, por mais útil e necessário que seja esse
processo.




Não
podemos sempre depender daquilo que nos parece lógico. Quando há dúvidas acerca
de nossa lógica, contamos com Deus e procuramos ouvir a voz da intuição. Se, na
meditação, essa voz é persistente o suficiente, podemos ter bastante confiança
em agir de acordo com ela, e não de acordo com a lógica.




Se,
depois de tentar nos guiar por essas duas coisas, ainda estivermos em dúvida,
então deveríamos esperar uma maior orientação e, quando possível, adiar por
algum tempo as decisões importantes.




Então,
com maior conhecimento de nossa situação, a lógica e a intuição podem estar bem
de acordo no caminho certo.




Mas se a
decisão deve ser tomada na hora, não vamos fugir dela por medo. Certa ou errada,
sempre podemos tirar proveito da experiência.









ORANDO
PELOS OUTROS










Mesmo
orando sinceramente, ainda podemos cair em tentação. Formamos idéias sobre o que
achamos ser a vontade de Deus para com as outras pessoas. Dizemos para nós
mesmos: “Este deveria ser curado de sua doença fatal” ou “Aquele deveria ser
libertado de sua crise emocional” e oramos para obter estas determinadas coisas.




Claro
que estas orações representam, no fundo, atos de bondade, mas muitas vezes se
baseiam na suposição de que conhecemos a vontade de Deus a respeito da pessoa
para quem oramos. Isto significa que, ao lado de uma oração sincera, pode
existir em nós uma certa dose de presunção e vaidade.




A
experiência de A. A. É que, especialmente nestes casos, deveríamos orar para que
se faça a vontade de Deus, seja qual for, tanto para os outros como para nós
mesmos.









LIVRE DA
ESCRAVIDÃO










No
Terceiro Passo, muitos de nós nos dirigimos ao nosso Criador, como nós O
concebíamos: “DEUS, a Ti ofereço minha vida para que construas e faças dela o
que for de Tua vontade. Leberta-me da escravidão do ego, a fim de fazer melhor
Tua vontade. Remove minhas dificuldades, para que minha vitória sobre elas sirva
de testemunho, àqueles a quem eu ajudaria, com Teu poder, Teu amor e Teu modo de
vida. Que eu possa sempre fazer a Tua vontade”.




Pensamos
bem antes de fazer este Passo, assegurando-nos que estávamos prontos. Então,
começamos a nos entregar inteiramente a Ele.










PENSAMENTOS MATINAIS










Ao
acordar, pensemos nas próximas vinte e quatro horas. Pedimos a Deus que dirija
nossos pensamentos, especialmente que eles estejam isentos de auto piedade e dos
motivos desonestos ou de interesseiros. Livres disso, podemos utilizar nossas
faculdades mentais com segurança, pois Deus nos deu o cérebro para ser usado.
Nossos pensamentos estarão num nível mais elevado quando começarmos a
clareá-los, eliminando os falsos motivos.




Se temos
que decidir qual o caminho tomar, pedimos a Deus inspiração, um pensamento
intuitivo ou uma decisão, e a seguir relaxamos. Depois de tentar este
procedimento por algum tempo, muitas vezes nos surpreendemos ao ver com de
repente as respostas certas aparecem.





Geralmente concluímos nossa meditação com uma oração na qual pedimos que durante
todo o dia nos seja indicado qual o próximo passo a ser dado. Pedimos
especialmente para sermos libertados de vontade que possam nos causar danos.









ORAÇÃO
NOS MOMENTOS DE TENSÃO










Quando
me sinto sob grande tensão, prolongo minhas caminhadas diárias e repito
lentamente nossa Oração da Serenidade, ao ritmo de meus passos e respiração.




Se sinto
que meu sofrimento foi em parte causado por outros, tento repetir: “Deus,
concedei-me a serenidade para amar o que eles tenham de melhor e nunca ter medo
do que eles tenham de pior”. Esse benéfico processo de cura pela repetição, que
às vezes precisa ser repetido por alguns dias, raramente deixou de me restituir
pelo menos uma perspectiva viável e o equlíbrio emocional.









O PASSO
QUE NOS MANTÉM CRESCENDO










Algumas
vezes, quando amigos nos dizem como estamos indo bem, sabemos em nosso íntimo
que não é asim. Ainda não conseguimos lidar com a vida como ela é. Deve haver
alguma falha séria em nossa prática e desenvolvimento espirituais.




Que
falha é esta, então?




O mais
provável mesmo é que localizemos nossa dificuldade em nossa falta de compreensão
ou negligência, em relação ao Décimo Primeiro Passo de A. A. – prece, meditação
e orientação de Deus.




Os
outros Passos podem manter a maioria de nós sóbrios e, de alguma forma,
funcionando. Mas o Décimo Primeiro Passo pode nos manter crescendo, se tentarmos
arduamente e trabalharmos sempre nele.









SEGUIR
SOZINHO










Em se
tratando de assuntos espirituais, seguir sozinho é perigoso. Quantas vezes
ouvimos pessoas bem-intencionadas proclamarem agir sob a orientação de Deus,
quando era mais do que evidente que estavam muito enganadas. Faltando-lhes tanto
a prática quanto a humildade, tinham-se iludido a ponto de poder justificar os
maiores disparates sob a alegação de que eram ditados por Deus.




Pessoas
que alcançaram grande desenvolvimento espiritual quase sempre insistem em
verificar com amigos ou conselheiros espirituais a orientação que sentem ter
recebido de Deus. Portanto, certamente o novato não deveria permitir-se correr o
risco de cometer erros tolos e talvez trágicos. Embora os comentários ou a
orientação de outros possam não ser infalíveis, é provável que sejam mais
específicos do que qualquer orientação direta que possamos receber, enquanto
ainda somos inexperientes no estabelecimento de um contato com um Poder Superior
a nós mesmos.










SEPARANDO RESSENTIMENTOS











Começamos a ver que o mundo e as pessoas realmente tinham nos dominado. Sob essa
infeliz condição, as más ações dos outros, imaginários ou reais, tinham força
até para nos destruir, porque pelo ressentimento poderíamos ser levados de volta
à bebida. Vimos que esses ressentimentos devem ser superados, mas como? Não
bastava só desejá-lo.




Ese foi
nosso procedimento: percebemos que as pessoas que nos maltrataram talvez
estivessem espiritualmente doentes. Então, pedimos a Deus que nos ajudasse a
lhes mostrar a mesma tolerância, piedade e paciência que, com satisfação,
teríamos para com um amigo doente.




Hoje,
evitamos a vingança e a discussão. Não podemos tratar as pessoas donetes dessa
maneira. Se o fizermos, destruiremos nossa chance de ser úteis. Não podemos ser
úteis a todas as pessoas, mas pelo menos Deus nos mostrará como ser bons e
tolerantes para com todos.









REVOLTA
OU ACEITAÇÃO










Todos
nós passamos por períodos em que somente podemos orar com o maior empenho. Às
vezes, vamos ainda mais longe. Somos acometidos por uma revolta tão doentia que
simplesmente não conseguimos orar. Quando essas coisas acontecem, não devemos
achar que somos tão doentes. Devemos simplesmente voltar à prática da oração,
tão logo possamos, fazendo o que sabemos ser bom para nós.









Uma
pessoa que persiste na oração encontra-se na posse de grandes dádivas. Quando
tem que lidar com situações dificéis, descobre que pode enfrentá-las. Pode
aceitar a si mesma e ao mundo que a cerca.




Pode
fazer isso porque agora aceita um Deus que é Tudo – e que ama a todos. Quando
ela diz: “Pai nosso que estais no céu, santificado seja Teu nome”, ela quer
dizer isso profrunda e humildemente. Quando em verdadeira meditação e portanto
livre dos clamores do mundo, sabe que está nas mãos de Deus, que seu destino
final está realmente seguro, aqui e no além, acnteça o que acontecer.









ORANDO
CORRETAMENTE











Achávamos que levávamos a sério as práticas religiosas quando, após uma
apreciação honesta, descobrimos que tínhamos sido apenas superficiais. Ou, indo
ao extremo, tínhamos chafurdado no sentimentalismo e tínhamos também confundido
isso com o verdadeiro sentimento religioso. Em ambos os casos, pe´diamos algo
sem dar nada.




Nem
sequer tínhamos orado corretamente. Sempre dizíamos: “Concedei-me as coisas que
quero”, em vez de “Seja feita Tua vontade”. Não entendíamos absolutamente o amor
a deus e ao próximo. Assim, continuávamos nos enganando e portanto éramos
incapazes de receber graça suficiente para nos devolver sanidade.









OS
RESULTADOS DA ORAÇÃO










Quando o
cético experimenta o processo da oração, deve começar a acumular resultados. Se
persistir, é quase certo que encontrará mais serenidade, mais tolerância, menos
medo e menos raiva. Vai adquirir uma coragtem calma, sem nenhuma tensão. Poderá
ver o “fracasso! E o “sucesso” como realmente são. Os problemas e calamidades
começarão a representar aprendizado em vez de destruição. Vai sentir-se mais
livre e mais sadio.




A idéia
de que tenha se hipnotizado por auto-sugestão parecerá ridícula. Seu senso de
utilidade e de propósito aumentará. Suas ansiedades começarão a diminuir. Sua
saúde física talvez melhore. Coisas imprevistas e maravilhosas começarão a
acontecer. Relações distorcidas com a família e com outras pessoas melhorarão
surpreendentemente.









AGIR À
NOSSA MANEIRA?










Ao orar,
nossa tentação imediata será a de pedir soluções específicas para problemas
específicos e a capacidade de ajudar outras pessoas, da forma como achamos que
deveriam ser ajudadas. Nesse caso, estamos pedindo a Deus que aja à nossa
maneira. Portanto, deveríamos considerar cuidadosamente cada pedido, para levar
em conta seu verdadeiro mérito.




Além
disso, ao fazer pedidos específicos, seria bom acrescentarmos a cada um deles
uma ressalva:”... se for a Tua vontade”.









A GRANDE
REALIDADE











Reconhecemos que sabemos pouco. Deus revelará cada vez mais, tanto a você como a
nós. Pergunte-lhe, eu sua meditação matinal, o que você pode fazer a cada dia
por quem ainda está doente. As respostas virão, se sua própria casa estiver em
ordem.




Porém,
evidentemente, você não pode transmitir algo que não tem. Procurte fazer com que
sua relação com Ele seja oba e acontecerão grandes coisas para você e para
muitos outros. Essa é nossa grande realidade.




Ao
recém-chegado:





Entregue-se a Deus, como você O concebe. Admita suas faltas a Ele e a seus
semelhantes. Desfaça-se da ruína de seu passado. Dê livremente aquilo que você
receber e junte-se a nós. Estaremos com você na irmandade do espírito, e você
certamente se encontrará com alguns de nós, quando trilhar o caminho do destino
feliz.




Que Deus
o abençõe e o protejá até lá.









(Fonte:
Na Opinião do Bill – paginas:
20-33-55-63-78-89-93-108-117-127-148-170-189-202-206-210-243-250-264-274-286-293-295-321-329-331)


























A PRÁTICA DA
ORAÇÃO DA SERENIDADE





“ livro Viver
Sóbrio cap. 7”



Nas
paredes de milhares de salas de reuniões de A .A., pode-se ver em pelo menos
cinco idiomas, a seguinte invocação:




Concedei-nos,
Senhor, a Serenidade necessária



para aceitar
as coisas que não podemos modificar,



Coragem para
modificar aquelas que podemos,



e Sabedoria
para distinguir umas das outras.




Não foi A. A. que a criou. Diferentes versões têm sido empregadas
através dos séculos por várias crenças, e esta é de uso corrente hoje em dia
tanto fora de A.A. como dentro da irmandade. Quer pertençamos a esta ou àquela
igreja, quer sejamos humanistas, agnósticos ou ateus, a maioria de nós achou
nestas palavras um guia maravilhoso para alcançar a sobriedade, continuar sóbrio
e desfrutar de uma vivência sóbria. Quer consideremos a Oração da Serenidade uma
verdadeira prece ou apenas um desejo fervoroso, ela oferece uma receita simples
para uma vida emocional saudável.




Pusemos um item no alto da lista das coisas "que não podemos
modificar": nosso alcoolismo. Independentemente do que façamos, sabemos que
amanhã não deixaremos, de repente, de ser alcoólicos, como não teremos menos 10
anos de idade ou mais 15 centímetros de altura.




Não pudemos mudar nosso alcoolismo. Mas não dizemos docilmente:
"Está bem, sou um alcoólico. Acho que tenho de beber até morrer". Havia alguma
coisa que podíamos mudar. Não tínhamos de ser bêbados. Podíamos vir a ser
sóbrios. Certamente isso exigia coragem. E foi necessário um lampejo de
sabedoria para ver que isso era possível, que podíamos ser outros.




Para nós este foi o primeiro e o mais óbvio emprego da Oração da
Serenidade. Quanto mais nos distanciamos do último gole, mais bonitas e mais
carregadas de sentido estas poucas linhas se tornaram. Podemos aplicá-las a
todas as situações cotidianas das quais costumávamos fugir direto para a
garrafa.




Tomemos um exemplo: "Odeio o meu trabalho. Tenho de ficar nele ou
posso deixá-lo?". Entra em cena um pouco de sabedoria. "Bem, se eu sair desta
firma, as próximas semanas ou os próximos meses poderão ser difíceis, porém
acabarei num lugar melhor".




Mas a resposta pode ser: "Enfrentemos a verdade. Os tempos não
estão para procurar emprego, tendo uma família para sustentar. Além disso, estou
sóbrio há seis semanas apenas, e meus amigos de A .A. dizem que é melhor não
começar a fazer mudanças drásticas ainda – devo, é melhor, concentrar-me em não
tomar o primeiro gole e esperar até que minha mente se abra. Ora bem, não posso
mudar de serviço agora mesmo. Mas talvez possa mudar minha atitude. Vejamos:
Como posso aprender a aceitar serenamente o emprego?"




Essa palavra - "serenidade" - parecia quase um objetivo
impossível na primeira vez que vimos a oração. De fato, se serenidade
significasse apatia, amarga resignação ou resistência impossível, então nem
iríamos tentar atingi-la. Descobrimos, porém, que não significava isso. Quando a
vemos agora, é mais como plena aceitação, uma maneira nítida e realista de ver o
mundo, acompanhada de paz e força interior. A serenidade é como um giroscópio
que nos permite conservar o equilíbrio, a despeito da turbulência que nos
assalta. É um estado de espírito que vale a pena buscar.









LEVAR
ADIANTE – Pág. 277 – 2ª Edição




A oração foi descoberta na coluna "In Memoriam" em um número do
Herald Tribune de Nova York, em princípios de junho de 1941. 0 texto exato era:
"Mãe, Deus me dá a serenidade para aceitar as coisas que não posso modificar,
coragem para modificar aquelas que posso e sabedoria para perceber a diferença.
Adeus". Ruth afirmou que Jack C. chegou uma manhã no escritório e mostrou a ela
o recorte com a Oração da Serenidade. "Fiquei tão impressionada quanto ele e
pedi que a deixasse comigo, para que eu a copiasse e pudesse utilizá-la em
cartas enviadas aos Grupos e aos solitários. Horace C. teve a idéia de
imprimi-la em cartões e pagou a primeira impressão."










ALCOÓLICOS ANÔNIMOS ATINGE A MAIORIDADE – Pág. 189/190 - 5ª
Edição




Pouco antes da saída de Ruth, o jornalista Jack, um membro de Ney
York, chamou nossa atenção para um recorte de jornal cujo conteúdo viria a ser
famoso. Tratava-se de uma notícia da seção de necrologia de um jornal de New
York. Sob o relato comum de uma pessoa que tinha falecido, apareciam as
seguintes palavras: "Concedei-nos, Senhor, a serenidade necessária para aceitar
as coisas que não podemos modificar, coragem para modificar aquelas que podemos
e sabedoria para distinguir umas das outras". Nunca tínhamos visto tanto de A.
A. em tão poucas palavras. Enquanto Ruth e eu estávamos apreciando a oração e
nos perguntando como usá-la, nosso amigo Howard entrou em nosso escritório.
Confirmando nossas próprias idéias, exclamou: "Deveríamos imprimi-la em cartões
e anexá-la a toda correspondência que sair daqui. Pagarei a primeira
impressão.". Durante anos seguimos sua sugestão, e com uma velocidade
surpreendente a Oração da Serenidade chegou ao uso geral e tomou seu lugar junto
a nossas duas orações favoritas, a Oração do Pai-nosso e a Oração de São
Francisco. Ninguém pode dizer com certeza quem primeiro escreveu a Oração da
Serenidade. Alguns dizem que ela veio dos antigos gregos; outros acham que ela
saiu da pena de um poeta anônimo inglês; ainda outros acham que foi escrita por
um oficial da marinha americana e Jack Alexander, que em certa ocasião pesquisou
a respeito, atribuiu-a ao Rev. Reinhold Niebuhr, do Seminário Teológico União.
De qualquer maneira, temos a oração que é repetida milhares de vezes
diariamente. Consideramos que seu autor está entre nossos maiores benfeitores.










AS INCERTAS ORIGENS DA ORAÇÃO DA SERENIDADE - (Vivência - Nov/Dez
96)




Durante muitos anos, bem depois da Oração da Serenidade ter sido
incorporada ao próprio contexto da vida e do pensamento da Irmandade, a sua
origem exata e o seu autor vêm jogando um fascinante e sedutor jogo de
esconde-esconde com os pesquisadores, dentro e fora de A. A. É muito mais fácil
determinar com precisão os fatos de como, há meio século, ela começou a ser
utilizada por A. A.




No início de 1942 - escreve Bill W. em A. A. Atinge a Maioridade
- , um membro de Nova York, Jack, chamou a atenção de todos sobre uma nota que
aparecia em um comunicado de falecimento, no jornal New York Herald Tribune, que
dizia:




"Senhor, concedei-nos a Serenidade para aceitar as coisas que não
podemos modificar, Coragem para modificar aquelas que podemos, e Sabedoria para
reconhecer a diferença."




A essência de
A. A. em forma de Oração



Todas as pessoas que se encontravam presentes no florescente
escritório da Rua Vesey, em Manhattan, ficaram impressionadas pela força e pela
sabedoria contidas no contexto daquela oração. "Nunca tínhamos visto tanta
essência de A. A. em tão poucas palavras", escreve Bill. Alguém sugeriu que se
mandasse imprimir a oração em um pequeno cartão, do tamanho de uma cédula, para
que fosse incluída em todas as cartas a serem despachadas. Ruth Hock, a primeira
secretária da Irmandade (não alcoólica), entrou em contato com Henry B., um
membro de Washington D.C., que era tipógrafo profissional, para perguntar-lhe
quanto custaria mandar imprimir uma grande quantidade.




A entusiasmada resposta de Henry foi imprimir 500 cópias da
oração, com o comentário: "A propósito, eu só sou ingrato quando estou bêbado...
de modo que, naturalmente, não pode haver preço para algo dessa natureza".




A difusão da
Oração



"Com uma rapidez assombrosa", escreve Bill, "a Oração da
Serenidade começou a ser utilizada de uma maneira geral, e veio a ocupar o seu
lugar junto às nossas outras duas favoritas, o Padre-Nosso e a Oração de São
Francisco."




Foi assim que o achado "acidental" de uma oração de autor
desconhecido, impressa junto a uma nota de falecimento, abriu o caminho para o
uso dessa oração por milhares e milhares de AAs do mundo inteiro.




Porém, apesar dos anos de investigação por numerosos indivíduos,
a origem certa da oração está envolta em sombras de histórias e até de mistério.
Além disso, cada vez que um pesquisador parece ter descoberto a origem
definitiva, surge outro para rebater a afirmação do primeiro, uma vez que
apresenta novos fatos intrigantes.




O que está fora de dúvida é o fato da reinvidicação de autoria
feita pelo teólogo Dr. Rheinghold Nieburh, que por várias oportunidades relatou
a entrevistadores ter escrito a oração como retoque final de um sermão sobre
Cristandade Prática, que ele havia pronunciado. Porém, até o próprio Dr. Nieburh
deixou entrever ao menos uma certa dúvida à sua afirmação, ao dizer a um
entrevistador: "Certamente ela deve ter, por muitos anos, até séculos, aparecido
aqui e acolá, mas não o creio. Acredito que eu mesmo a escrevi".




Autoria
indefinida



No começo da Segunda Guerra Mundial, com autorização do Dr.
Nieburh, a oração foi impressa em cartões que foram distribuídos entre as
tropas. Para aquela ocasião, foi também reimpressa pelo Conselho Nacional de
Igrejas, bem como por Alcoólicos Anônimos.




O Dr. Nieburh tinha razão ao sugerir que a oração poderia, por
séculos, ter "aparecido aqui e acolá". "Ninguém pode dizer com segurança quem
foi o primeiro a escrever a Oração da Serenidade", escreve Bill em A. A. Atinge
a Maioridade. "Alguns dizem que ela é oriunda dos antigos gregos; outros, que
saiu da pena de um poeta inglês anônimo; ainda outros afirmam que foi escrita
por um oficial da Marinha americana... ou textos em sânscrito, Aristóteles,
Santo Agostinho, São Tomás de Aquino, e Espinosa. Recentemente, um membro da
Irmandade encontrou no livro do filósofo romano Cícero, "Seis erros do homem",
um que diz: "A tendência de se preocupar por coisas que não podem ser
modificadas ou corrigidas.".




Na verdade, ninguém achou o texto da oração entre os escritos
dessas supostas fontes originais. Muito antigos, como a citação acima, de
Cícero, provavelmente são os temas de aceitação, de coragem para modificar o que
pode ser modificado e a disposição para desprender-nos do que está fora da nossa
capacidade de modificar.




A busca para se determinar, com precisão, as origens da oração,
tem sido frustrante, porém fascinante, para não dizer mais. Por exemplo, em
julho de 1964, The Grapevine recebeu um recorte de um artigo que foi publicado
no Herald Tribune de Paris, assinado pelo correspondente do jornal, em Koblenz,
na então Alemanha Ocidental. Assim escreve o correspondente: "Em um lúgrube
salão de um antigo hotel, com vistas para o Reno, em Koblenz, há uma placa
inscrita com as seguintes palavras: Deus, concedei-me o desprendimento para
aceitar as coisas que não posso alterar; a coragem para alterar aquelas coisas
que posso; e a sabedoria para distinguir uma coisa da outra ".




Estas palavras são atribuídas, escreveu o correspondente, a um
pietista (luterano radical) do século dezoito, Friedich Oetinger (1702-1781).
Além disso, a placa estava colocada na parede de uma sala, na qual as tropas e
os comandantes das companhias do novo exército alemão eram treinados "sobre os
princípios de normas e procedimentos do soldado cidadão de um estado
democrático".




Evidências
concretas



Finalmente, a esta altura dos acontecimentos - concluíram os
investigadores de A. A. -, havia uma evidência concreta: texto, autor e data da
origem da Oração da Serenidade. Essa convicção ficou sem ser contestada durante
quinze anos. Depois disso, no ano de 1979, apareceram alguns dados,
compartilhados com Beth K. da G.S.O., trazidos à tona por Peter T., de Berlim. A
investigação de Peter pôs por terra a autenticidade da paternidade literária do
século XVIII, e ainda acrescentou alguns fatos intrigantes acerca da origem da
placa.




"A primeira forma da oração", escreveu Beth, "teve sua origem em
Boecio, filósofo romano (480-524), autor do livro Os consolos da filosofia. A
partir de então, as idéias da oração foram utilizadas pela "gente religiosa, que
por suas crenças tiveram que sofrer, primeiro, sob o domínio dos ingleses, logo,
dos puritanos da Prússia... em seguida pelos pietistas do sudoeste da
Alemanha... depois, pelos AAs... e pelos alemães ocidentais após a segunda
guerra mundial."




"Além do mais", continuou Beth, "depois da guerra, um professor
da universidade do norte da Alemanha, Dr. Theodor Wilhelm, que dera início a um
renascimento da vida espiritual na Alemanha Ocidental, aprendeu a "pequena
oração" através de alguns soldados canadenses. Ele havia escrito um livro, no
qual incluíra a oração, sem citar o seu autor. No entanto, teve como resultado o
aparecimento da oração em muitos lugares diferentes, tais como salas de oficiais
do exército, escolas, e outras instituições. Qual era o nome literário do
escritor? Friedich Oetinger, o pietista do século dezoito. Tudo leva a crer que
Wilhelm adotara o pseudônimo de Oetinger, por admiração a seus antepassados do
sul da Alemanha.




"A Oração do
General"



Logo depois disso, em 1957, um membro do departamento pessoal da
G.S.O., Anita P., folheando alguns livros em uma livraria de Nova York,
deparou-se com um cartão cuidadosamente adornado, no qual estava impresso:
"Deus, Todo Poderoso, Nosso Pai Celestial, concedei-nos a Serenidade para
aceitar o que não pode ser modificado, a Coragem para modificar o que deve ser
modificado, e a Sabedoria para distinguir uma coisa da outra; por Jesus Cristo,
nosso Senhor".




O cartão, que era procedente de uma livraria da Inglaterra, tinha
como título "A Oração do General", e a data remontava ao século XIV.




Constam, ainda, outras reinvidicações que, sem dúvida,
continuarão com as descobertas em anos vindouros. De qualquer maneira, a Senhora
Reinhold Nieburh disse mais recentemente a um entrevistador, que seu marido era,
sem sombra de dúvida, o autor da oração, pois ela havia visto a folha de papel
em que ele escrevera, e que seu marido - uma vez que existiam numerosas
variações do texto - "usava e preferia" a seguinte forma: Deus, concedei-nos a
graça de aceitar com serenidade as coisas que não podem ser modificadas, a
coragem para modificar as coisas que devem ser modificadas, e a sabedoria para
distinguir umas das outras."




Uma parte de
A. A.



Mesmo que essas pesquisas sejam fascinantes, estimulantes, e até
misteriosas, carecem de importância perante o fato de que, durante cinqüenta
anos, a oração chegou a ficar tão extremamente incrustada no coração, na alma do
pensamento e da vida de A. A., bem como em sua filosofia, que quase se poderia
crer que a oração teve sua origem na própria experiência de A. A.




Bill fez essa mesma afirmação anos atrás, ao agradecer a um amigo
AA pela placa que trazia os dizeres: "Na criação de A. A., a Oração da
Serenidade tem sido um bloco de sustentação muito valioso realmente, uma pedra
angular". (R.) - Vivência N° 44 - NOV/DEZ 1996. Apesar dos anos de investigação,
a origem certa da oração está envolta em sombras de histórias e até de mistério.










NA OPINIÃO DO BILL 20




Luz proveniente de uma oração




Concedei-nos,
Senhor, a Serenidade necessária



para aceitar
as coisas que não podemos modificar,



Coragem para
modificar aquelas que podemos,



e Sabedoria
para distinguir umas das outras.




·
* * Guardamos como
um tesouro nossa "Oração da Serenidade", porque ela nos traz uma nova luz que
pode dissipar nosso velho e quase fatal hábito de enganar a nós mesmos. No
esplendor dessa oração vemos que a derrota, quando bem aceita, não significa
desastre. Sabemos agora que não temos que fugir, nem deveríamos outra vez tentar
vencer a adversidade, por meio de um outro poderoso impulso arrasador, que só
pode nos trazer problemas difíceis de serem resolvidos.




( Fonte:
Grapevine de março de 1962.)














ORAÇÃO





“Reflexões Diárias”










UM PLANO
DIÁRIO










Ao
acordar, pensaremos nas vinte e quatro horas vindouras. Consideraremos nossos
planos para o dia. Antes de começar; pedimos a Deus que dirija nossos
pensamentos e, especialmente, que eles estejam divorciados da autoridade, da
desonestidade e do egoísmo.





(Alcoólicos Anônimos)









Todo dia
peço a Deus para acender dentro de mim o fogo de Seu amor para que esse amor,
brilhante e claro, ilumine meu pensamento e me permita fazer Sua vontade da
melhor forma. Durante o dia, quando circunstâncias exteriores deprimem o meu
espírito, peço a Deus que grave em minha mente a consciência de que posso
começar o meu dia da maneira que escolher; centenas de vezes, se necessário.









ORAÇÃO:
FUNCIONA










Acertou
quem disse “os que zombam da oração são, quase sempre, aqueles que não a
experimentaram devidamente.”




(Os Doze
Passos e as Doze Tradições)









Tendo
crescido num ambiente agnóstico, me senti um pouco tolo quando tentei rezar pela
primeira vez. Sabia que havia um Poder Superior trabalhando em minha vida – como
então estava permanecendo sóbrio? – porém, certamente não estava convencido de
que ele/ela deseja ouvir minhas preces. Pessoas que tinham o que eu desejava
diziam que a oração era uma parte importante na prática do programa, assim eu
perseverei. Com um compromisso de rezar diariamente, fui surpreendido ao
encontrar-me cada vez mais sereno e confortável com o meu lugar no mundo. Em
outras palavras, a vida se tornou mais fácil e deixou de ser uma luta. Ainda não
estou certo quem, ou o que, escuta minhas preces, mas nunca pararia de fazê-las,
pela simples razão de que elas funcionam.









GRATIDÃO
PELO QUE TENHO










Durante
este processo de aprendizagem, a respeito de humildade, o resultado mais
profundo de todos foi a mudança de nossa atitude sobre Deus.




(Os Doze
Passos e as Doze Tradições)









Hoje
minhas preces consistem principalmente em dizer “obrigado” ao meu Poder Superior
por minha sobriedade e pela maravilhosa generosidade de Deus, mas preciso também
pedir ajuda e força para colocar em prática a Sua vontade na minha vida. Não
preciso pedir a Deus a cada minuto para me socorrer de situações em que me
coloco por não fazer a Sua vontade. Agora minha gratidão parece estar ligada
diretamente à humildade. Enquanto tenho humildade para ser grato pelo que tenho,
Deus continua me abstecendo.









NÃO
POSSO MUDAR O VENTO










É fácil
descuidar do programa espiritual de ação e ficar só na fama que criamos. Se o
fizermos, estaremos à beira do perigo, pois o álcool é um inimigo sutil.





(Alcoólicos Anônimos)









Meu
primeiro padrinho falou-me que havia duas coisas a dizer sobre a oraçãoa e
meditação: primeiro, tinha que começar e segundo, tinha que continuar. Quando
vim para A. A., minha vida espiritual estava em falência; se eu ocasionalmente
considerava Deus, o chamava somente quando tinha minha própria vontade era
inzapaz de uma tarefa ou quando medos avassaladores corroíam meu ego.




Hoje sou
grato por uma nova vida, uma vida na qual minhas orações são de ação de graças.
Meu tempo de oração é mais para ouvir do que para falar. Hoje eu sei que, embora
não possa mudar o vento, posso ajustar minhas velas para navegar. Sei a
diferença entre superstição e espiritualidade. Sei que existe uma maneira
elegante de estar correto, e muitas maneiras de estar errado.










FOCALIZANDO E ESCUTANDO










A
prática do auto-exame, da meditação e da oração estão diretamente interligadas.
Usadas separadamente, elas podem trazer muito alívio e benefício.




(Os Doze
Passos e as Doze Tradições)









Se faço
primeiro meu auto-exame, tenho certeza de que terei bastante humildade para orar
e meditar – porque verei e sentirei a necessidade de fazê-lo. Alguns desejam
começar e terminar com a oração, deixando um intervalo para o auto-exame e a
meditação, enquanto outros começam com a meditação, escutando os conselhos de
Deus sobre seus defeitos ainda escondidos ou não reconhecidos. Outros ainda se
empenham num trabalho escrito e verbal de seus defeitos, terminando com uma
oração de louvor e de ação de graças. Estas três – auto-exame, meditação e
oração – formam um círculo sem começo nem fim. Não importa onde ou como eu
começo, aos poucos chego ao meu destino: uma vida melhor.









UMA
DISCIPLINA DIÁRIA










...
quando essas práticas (auto-exame, meditação e oração) estão logicamente
relacionadas e interligadas, resultam em uma base inabalável para toda a vida.




(Os Doze
Passos e as Doze Tradições)









Os
últimos três Passos do programa invocam a disciplina amorosa de Deus sobre a
minha natureza obstinada. Se dedico apenas alguns momentos toda a noite para uma
revisão dos pontos mais importantes do meu dia, junto com o recolhimento
daqueles aspectos que não me agradam muito, eu ganho uma história pessoal de mim
mesmo, uma história que é essencial à minha caminhada para o autoconhecimento.





Fui
capaz de peerceber meu crescimento, ou a falta dele, e pedir numa prece para ser
aliviado desses defeitos de caráter contínuos que me causam sofrimento.
Meditação e oração também me ensinam a arte de concentrar-me e escutar.




Verifico
que a confusão do dia se acalma quanto rezo por Sua orientação e vontade. A
prática de pedir a Ele que me ajude em meus esforços para a perfeição coloca uma
nova perspectiva ao tédio de cada dia, porque sei que existe honra em qualquer
trabalho bem feito. A disciplina diária de oração e meditação me manterá em boa
condição espiritual, capaz de encarar qualquer coisa que o dia me traga, sem
pensar em uma bebida.









“A
QUALIDADE DA FÉ”










Esta...
tem que vir com a qualidade da fé... Jamais havíamos nos examinado, no sentido
profundo e significativo... Nem sequer havíamos aprendido a rezar da maneira
certa. Sempre havíamos dito: “Concedei-me as coisas que desejo” ao invés de:
“Seja feita a Vossa vontade.”




(Os Doze
Passos e as Doze Tradições)









Deus não
me dá posses materiais, nem tira meu sofrimento ou me poupa dos desastres, mas
Ele me dá uma boa vida, a habilidade de seguir em frente, e paz de espírito.
Minhas orações são simples: primeiro, elas expressam minha gratidão pelas boas
coisas em minha vida, independente de como foi duro para mim encontrá-las; e
segundo, peço somente a força e a sabedoria para fazer a Sua vontade. Ele
responde com soluções para os meus problemas, reforçando minha capacidade para
superar as frustrações do dia, com uma serenidade que eu não acreditava que
existisse, e com a força para praticar os princípios de A. A. Em todos os meus
assuntos diários.









INDO COM
O FLUXO











Procuramos, através da prece e da meditação, melhorar nosso contato consciente
com Deus, na forma em que O concebíamos...




(Os Doze
Passos e as Doze Tradições)









As
primeiras palavras que falo, quando levanto de manhã são: “Oh! Deus, me levanto
para fazer a Tua vontade!”




Esta é a
oração mais curta que conheço e ela está profundamente enraizada em mim. A
oração não muda a atitude de Deus para comigo: ela muda minha atitude para com
Deus.




Distinta
da oração, a meditação é um tempo calmo, sem palavras. Estar centrado é estar
físicamente relaxado, emocionalmente calmo, mentalmente focalizado e
espiritualmente consciente. Uma maneira de manter o canal aberto e melhorar meu
contato consciente com Deus, é manter uma atitude de gratidão. Nos dias em que
sou grato, coisas boas parecem acontecer em minha vida. No momento que começo a
xingar as coisas na minha vida, o fluxo do bem pára. Deus não interrompeu o
fluxo do bem pára. Deus não interrompeu o fluxo: minha própria negatividade é
que o interrompeu.










SOLTE-SE E ENTREGUE-SE A DEUS










...
rogando apenas o conhecimento de Sua vontade em relação a nós, e forças para
realizar essa vontade.




(Os Doze
Passos e as Doze Tradições)









Quando
eu “me solto e me entrego a Deus”, penso mais clara e sabiamente. Sem ter que
pensar a respeito, rapidamente me livro das coisas que me causam dor e
desconforto. Como acho difícil me livrar da espécie de pensamentos e atitudes
preocupantes que me causam uma imensa angústia, tudo que preciso fazer nestas
horas é permitir que Deus, como eu O concebo, me liberte delas e no mesmo
instante me solto de pensamentos, recordações e atitudes que estão me
incomodando.




Quando
recebo ajuda de Deus como eu O concebo, posso viver minha vida um dia de cada
vez e lidar com os desafios que apareçam no meu caminho. Somente então posso
viver uma vida de vitória sobre o álcool, numa sobriedade confortável.









UMA
AVENTURA INDIVIDUAL










A
meditação é algo que sempre pode ser desenvolvido. Ela tem limites tanto na
extensão como na altura. Embora possamos ser auxiliados por qualquer instrução
ou exemplo que encontrarmos, ela é essencialmente uma aventura individual que
cada um de nós realiza à sua maneira.




(Os Doze
Passos e as Doze Tradições)









Meu
crescimento espiritual é com Deus como eu O concebo.




Com Ele
eu encontro meu verdadeiro eu interior. Meditação e oração diárias renovam e
reforçam minha fonte de bem-estar. Recebo então a abertura para aceitar tudo que
Ele me oferece. Com Deus tenho a afirmação reiterada de que minha jornada era
como Ele deseja para mim e, por isso sou grato de ter Deus na minha vida.










CAMINHANDO PARA A LUZ










Mas,
antes de tudo desejaremos a luz. Pouca coisa pode crescer na escuridão. A
meditação é nosso passo em direção a luz.




(Na
Opinião do Bill)









Às vezes
penso que não tenho tempo para a aoração e a meditação, esquecendo que sempre
tinha tempo para beber.




É
possível conseguir tempo para qualquer coisa que deseje fazer, se desejar
realmente. Quando inicio a rotina de oração e meditação, é uma boa idéia
planejar devotar uma pequena quantidade de tempo para ela.




Pela
manhã leio uma página de um dos livros da Irmandade e à noite ao deitar-me digo:
“Obrigado, Deus”.




Quando a
oração torna-se hábito, aumento o tempo que dedico a ela, sem mesmo notar o
espaço que ela toma no meu dia ocupado. Se tenho dificuldades para rezar, apenas
repito a Oração do Pai Nosso, porque ela realmente cobre tudo. Então penso nos
motivos que tenho para estar grato e digo uma palavra de agradecimento.




Não
preciso me fechar num gabinete para rezar. A oração pode ser feita até numa sala
cheia de gente. Eu apenas me concentro por um instante. À medida que a prática
da oração continua, percebo que não preciso de palavras, pois Deus pode ouvir e
ouve meus pensamentos através do silêncio.









UMA
SENSAÇÃO DE PERTENCER










Talvez
uma das maiores recompensas que conseguimos obter com a meditação e a oração,
seja a íntima convicção de que passamos a fazer parte.




(Os Doze
Passos e as Doze Tradições)









É isso:
“fazer parte”.




Após uma
sensação de meditação, sabia que o sentimento que experimentava era uma sensação
de fazer parte, porque me sentia tão à vontade. Eu sentia muita quietude
interna, com mais disposição para deixar de lado pequenas irritações.





Apreciava meu senso de humor. O que também experimento na minha prática diária é
o puro prazer de pertencer ao fluxo criativo do mundo de Deus. Como é favorável
para nós, que a oração e a meditação estejam escritas diretamente em nossa
maneira de vida de A. A.









ACEITAR
A SI MESMO










Sabemos
que o amor de Deus vela sobre nós. Enfim, sabemos que quando nos voltarmos para
Ele, tudo estará bem conosco, agora e para sempre.




(Os Doze
Passos e as Doze Tradições)









Rezo
para estar sempre disposto a recordar que sou filho de Deus, uma alma divina
numa forma humana, e que a tarefa mais urgente e básica na minha vida é aceitar,
conhecer, amar e cuidar de mim mesmo. Quando me aceito, estou aceitando a
vontade de Deus. Quando me conheço e me amo, estou conhecendo e amando a Deus.
Quando cuido de mim, estou agindo sob a orientação de Deus. Rezo para ter
disposição de abandonar minha arrogante autocrítica, e louvar a dEus
humildemente aceitando-me e cuidando de mim mesmo.










PENSAMENTO MATINAIS











Pergunte-lhe: na sua meditação matinal, o que você pode fazer, a cada dia por
aquele que ainda está doente.





(Alcoólicos anônimos)









Por
muitos anos ponderei sobre a vontade de Deus para mim, acreditando que talvez um
grande destino tivesse sido preparado para minha vida. Afinal, tendo nascido
numa determinada religião, não me tinham dito que eu era um “escolhido”/





Finalmente, quando considerei a passagem acima, me ocorreu que a vontade de Deus
para mim era simplesmente de que praticasse o décimo Segundo Passo todo dia.
Além disso, deveria fazer isto com o melhor de minha habilidade. Logo aprendi
que a prática me ajuda a manter minha vida dentro do contexto do dia de hoje.









OLHANDO
PARA FORA










Pedimos,
sobretudo, que sejamos libertados do egoísmo e tomamos o cuidado de não pedir
nada exclusivamente para nós. Porém, podemos pedir algo para nós mesmos, sempre
que esse algo ajudar aos outros. Cuidamos de nunca rezar por motivos egoístas.





(Alcoólicos Anônimos)









Como
alcoólico ativo, eu permitia que o egoísmo corresse solto em minha vida. Eu era
tão vinculado à minha bebida e a outros hábitos egoístas, que as pessoas e os
princípios morais vinham em segundo lugar. Agora, quando rezo pelo bem-estar dos
outros, ao invés de pelos meus “próprios motivos egoístas”, eu pratico uma
disciplina de me soltar dos vínculos egoístas, cuidando de meus companheiros e
me preparando para o dia em que serei solicitado a me soltar de todos os
vínculos da terra.









INTUIÇÃO
E INSPIRAÇÃO










....
pedimos a Deus inspiração, um pensamento intuitivo ou uma decisão. Relaxamos e
seguimos com calma. Não lutamos.





(Alcoólicos Anônimos)









Eu
invisto o meu tempo no que realmente amo. O Décimo Primeiro Passo é uma
disciplina que me dá condições de ficar junto com meu Poder Superior,
lembrando-me que, a ajuda de Deus, intuição e inspiração são possíveis.




A
prática deste Passo conduz ao amor-próprio. Na tentativa consciente para
melhorar meu contato consciente com um Poder Superior, sou sutilmente lembrado
do meu passado doentio, com suas estruturas de pensamentos grandiosos e
sentimentos falsos de onipotência. Quando peço por força para realizar a vontade
de Deus para mim, torno-me consciente da minha impotência. Humildade e uma
saudável amor-próprio são compatíveis, um resultado direto de trabalhar o Décimo
Primeiro Passo.










MANUTENÇÃO VITAL









Aqueles
de nós que estão se utilizando regularmente da oração seriam tão incapazes de
dispensá-la como ao ar, ao alimento ou à luz do sol, tudo pela mesma razão.
Quando recusamos ar, luz ou alimento, o corpo sofre. Se virarmos as costas à
meditação e à oração, também estamos negando às nossas mentes, emoções e
intuições, um apoio imprescindível.




(Os Doze
Passos e as Doze Tradições)









O Décimo
Primeiro Passo não precisa me esmagar. O contato consciente com Deus pode ser
tão simples e tão profundo como o contato com outro ser humano. Posso sorrir.
Posso escutar. Posso perdoar. Todo encontro com o outro é uma oportunidade para
a oração, para reconhecer a presença de Deus dentro de mim.




Hoje
posso me aproximar um pouco mais do meu Poder Superior. Quanto mais procuro a
beleza do trabalho de Deus nas outras pessoas, mais seguro estarei de Sua
presença.









UM
ALIVIO DIÁRIO










O que
temos na realidade é um alívio diário, que depende da mautenção de nossa
condição espirtual.





(Alcoólicos Anônimos)









Manter
minha condição espiritual é como fazer exercícios todo dia, planejando a
maratona nadando, correndo. É permanecer em boa forma espiritualemnte, e isto
requer prece e meditação. A mais simples e mais importante maneira de melhorar
meu contato consciente com o Poder Superior é rezar e meditar. Sou impotente
perante o álcool como sou para fazer voltar as ondas do mar; nenhuma força
humana teve o poder para vencer o meu alcoolismo. Agora sou capaz de respirar o
ar de alegria da felicidade e da sabedoria. Tenho o poder para amar e reagir aos
eventos à minha volta com os olhos de uma fé em coisas que não são aparentes.
Meu alívio diário significa que não importa o quanto as coisas pareçam ser
difíceis e dolorosas. Hoje eu sempre posso recorrer à força do programa para
permanecer liberto de minha sutil, frustradora e poderosa doença.










SUPERANDO A SOLIDÃO










Quase
sem execução, os alcoólicos são torturados pela solidão. Mesmo antes de nossas
bebedeiras se tornarem graves e as pessoas começarem a se afastar de nós quase
todos sofremos a sensação de estar sós.




(Na
Opinião do Bill)









As
agonias e o vazio que muitas vezes senti por dentro, ocorrem cada vez menos na
minha vida hoje. Aprendi a enfrentar a solidão. Somente quando estou sozinho e
calmo é que sou capaz de me comunicar com Deus, pois Ele não me pode alcançar
quando estou perturbado. É bom manter contato com Deus à toda hora, mas é
absolutamente essencial que, quando parece que tudo vai mal, eu mantenha este
contato através da prece e da meditação.









UMA REDE
DE SEGURANÇA










Às
vezes... somos acometidos por uma rebelião tão mórbida que simplesmente não
rezamos. Quando estas coisas acontecem, não devemos ser demasiadamente rigorosos
conosco. Devemos apenas voltar à prática da oração tão logo pudermos. Fazendo o
que sabemos ser bom para nós.




(Os Doze
Passos e as Doze Tradições)









Algumas
vezes grito, bato o pé e dou as costas para o meu Poder Superior. Então minha
doença me diz que sou um fracasso e que, se continuar zangado, com certeza irei
beber. Nesses momentos de obstinação é como se eu estivesse escorregando de um
penhasco e uma mão me apanhasse. A mensagem acima é a minha rede de segurança,
no sentido de que me instiga a tentar algum novo comportamento, como o de ser
amável e paciente comigo mesmo. Ela me garante que meu Poder Superior esperárá
até eu estar disposto mais uma vez a arriscar a me entregar, cair na rede e
rezar.










EU
ESTAVA CAINDO RÁPIDO









Nós Aas
somos pessoas ativas, desfrutando da satisfação de lidar com as realidades da
vida... Portanto, não é de se estranhar que, com frequência, façamos pouco caso
da meditação e da oração séria, como não sendo coisas de real necessidade.




(Os Doze
Passos e as Doze Tradições)









Eu
estava escorregando para fora do programa já algum tempo, mas foi preciso a
ameaça de uma doença terminal para me trazer de volta e, particularmente, para a
prática do Décimo Primeiro Passo de nossa abençoada Irmandade. Embora tivesse
quinze anos de sobriedade e fosse ainda muito ativo no programa, sabia que a
qualidade de minha sobriedade caíra bastante. Dezoito meses mais tarde, um exame
revelou um tumor maligno e o prognóstico de morte certa dentro de seis meses. O
desespero se instalou quando me registrei em um programa de reabilitação, após o
qual sofri dois pequenos ataques que revelaram dois grandes tumores no cérebro.
Enquanto ia atingindo novos fundos de poço, eu me perguntava por que isto estava
acontecendo comigo. Deus permitiu que eu reconhecesse minha desonestidade e que
me tornasse capaz de aprender novamente. Milagres começaram a acontecer.




Mas
básicamente reaprendi o significado total de Décimo Primeiro Passo. Minha
condição física melhorou dramaticamente, e minha doença é insignificante,
comparada com o que quase perdi.









“TUA
VONTADE, NÃO A MINHA”










...
sempre que tivéssemos de fazer determinados pedidos, faríamos bem em acrescentar
esta ressalva:” ... se for de Tua vontade.”




(Os Doze
Passos e as Doze Tradições)









Eu peço
simplesmente que durante o dia Deus coloque em mim o melhor entendimento de Sua
vontade que eu possa ter, e que me conceda a graça de poder executá-la.




No
transcorrer do dia posso fazer uma pausa quando diante de situações que precisam
ser enfrentadas e de decisões que precisam ser tomadas, e renovar o pedido
simples: “Seja feita a Tua vontade, não a minha.”




Devo ter
sempre em mente que em toda situação eu sou responsável pelo esforço e Deus é
responsável pelo resultado. Posso “Soltar-me e entregar-me à Deus.” Repetindo
humildemente: “Seja feita a Tua vontade e não a minha.” Paci~encia e
persistência na procura de Sua vontade me libertarão da dor de expectativas
egoístas.









UMA
ORAÇÃO CLÁSSICA










“O
Senhor! Faze de mim um instrumento de Tua Paz; Onde há ódio, faze que eu leve o
amor; onde há ofensa que leve o perdão; onde há discórdia que eu leve a união;
onde há dúvidas que eu leve a fé; onde há erros que eu leve a verdade; onde há
desespero que eu leve a esperança; onde há tristeza que eu leve a alegria; onde
há trevas que eu leve a luz!




Oh!
Mestre! Faze que eu procure menos ser consolado do que consolar; ser
compreendido do que compreender; ser amado do que amar: Porque é dando que se
recebe; é perdoando que se é perdoado; é morrendo que se vive para a Vida
Eterna!”




(Os Doze
Passos e as Doze Tradições)









Não
importa em que parte do meu crescimento espiritual me encontre, a oração de São
Francisco me ajuda a melhorar meu contato consciente com o Deus do meu
entendimento. Penso que uma das grandes vantagens de minha fé em Deus é que eu
não O entendo. Pode ser que meu relacionamento com meu Poder Superior seja tão
proveitoso, que eu não precise entender. Tudo que sei é que se pratico o Décimo
Primeiro Passo regularmente, da melhor maneira que posso, continuarei a melhorar
meu contato consciente, conhecerei a Sua vontade para comigo e terei forças apra
executá-la.









SOMENTE
DOIS PECADOS










...
existem somente dois pecados; o prieiro é interferir no crescimento de outro ser
humano, e o segundo é interfirir no nosso próprio crescimento.





(Alcoólicos Anônimos)










Felicidade é um estado ilusório. Quantas vezes minhas “preces” para os outros
envolvem orações “escondidas” para meu próprio benefício? Quantas vezes a minha
procura pela felicidade é uma pedra no caminho do crescimento do outro u até do
meu próprio? Procurar crescer através da humildade e da aceitação nos traz
coisas que dificilmente parecem ser boas, saudáveis e vitais. Porém, olhando
para trás, posso ver que a dor, as lutas e os reveses todos contribuíram,
eventualmente, para a serenidade, através do meu crescimento no programa.




Peço ao
meu Poder Superior que me ajude a não impedir o crescimento de outra pessoa ou a
mim próprio.









LEVANTE
A CABEÇA PARA A LUZ











“Acredite mais profundamente: Levante a cabeça paara a Luz, ainda que no momento
você não possa ver.”




(Na
Opinião do Bill)









Num
domingo de outubro, durante minha meditação, olhei pela janela a árvore de
freixo no pátio da frente. Uma vez mais fui vencido pela sua magnífica cor
dourada! Enquanto olhava com admiração a obra de arte de Deus, as folhas
começaram a cair e, dentro de minutos, os galhos estavam nus. A tristeza me
assaltou quando pensei nos meses de inverno à frente, mas enquanto estava
refletindo no processo anual do outono, a mensagem de Deus apareceu. Como as
árvores, despidas de sua folhas no outono, germinam novas flores na primavera,
eu, despojado de meus modos compulsivos e egoístas removidos por Deus, posso
florescer como um sóbrio e alegre membro de A. A.





Obrigado, Deus, pela mudança das estações e por minha vida em mudança contínua.









(Fonte:
Reflexões Diárias – páginas:
80-87-208-314-316-317-318-319-320-321-322-323-324-325-326-327-328-329-330-331-332-333-334-335-336)



























DÉCIMO PRIMEIRO
PASSO




“Livro os Doze
Passos e as Doze Tradições”
















“Procuramos, através da prece
e da meditação, melhorar nosso contato crescente com Deus, na forma em que O
concebíamos, rogando apenas o conhecimento de Sua vontade em relação a nós,
e forças para realizar essa vontade.”














A oração e a meditação são
nossos meios principais de contato consciente com Deus.









Nós AAs somos pessoas ativas,
desfrutando a satisfação de lidar com as realidades da vida, geralmente pela
primeira vez em nossas vidas, tentando denodadamente ajudar o primeiro
alcoólico que aparecer. Portanto, não é de se estranhar que, com freqüência,
façamos pouco caso da meditação e da oração séria como não sendo coisas de
real necessidade. Sem dúvida, chegamos a considerá-las como algo que possa
nos ajudar a enfrentar uma emergência, mas, a princípio, muitos dentre nós
são capazes de entendê-las como expressão de um Dom misterioso dos
religiosos, do qual poderemos esperar qualquer benefício de Segunda mão. É
possível que não acreditemos em nada destas coisas.









Para certos ingressantes e
para aqueles antigos agnósticos que ainda se apegam ao grupo de A .A. como
sua “força superior”, as afirmações sobre o poder da oração, apesar de toda
a lógica e a experiência que a comprovam, podem não convencer e até
desagradar bastante. Aqueles entre nós que uma vez já se sentiram assim,
certamente podem Ter por eles simpatia e compreensão. Recordamo-nos muito
bem da revolta que se levantava em nosso íntimo contra a idéia de genuflexão
perante qualquer Deus. Outros, usando lógica convincente, “provavam” a não
existência de Deus. E os acidentes, a doença, a crueldade e a injustiça do
mundo? E todas essas criaturas infelizes, resultados diretos da pobreza e de
um conjunto de circunstâncias incontroláveis? À vista desses fatos, não
poderia haver justiça e, consequentemente, qualquer Deus.









Às vezes, argumentávamos de
outra maneira. Está certo, nos dizíamos, a galinha provavelmente veio antes
do ovo. Sem dúvida o universo teve algum tipo de “origem primeira”; o Deus
do átomo, quem sabe, se transformando sucessivamente em frio e calor. Mas
certamente não havia indicação alguma da existência de um Deus que conhecia
e se interessava pelos homens. Gostávamos de A .A. e não hesitávamos em
dizer que operava milagres. Todavia, ante a meditação e a oração, sentíamos
o mesmo retraimento do cientista que se recusava a realizar certa
experiência por temor de Ter que derrubar sua teoria predileta. É claro que
no fim resolvemos experimentar e, quando surgiram resultados inesperados,
nós vimos as coisas diferentes; de fato, sentimos de forma diferente e
acabamos capitulando totalmente diante da meditação e da oração. E isso,
descobrimos, pode acontecer com qualquer pessoa que experimente. Acertou
quem disse que “os chateadores da oração são, quase sempre, aqueles que não
a experimentaram devidamente.”









Aqueles de nós que estão se
utilizando regularmente da oração seriam tão incapazes de dispensá-la como
ao ar, , ao alimento ou à luz do sol, tudo pela mesma razão. Quando
recusamos ar, luz ou alimento, o corpo sofre. Se viramos as costas à
meditação e à oração, também estamos negando às nossas mentes, emoções e
intuições, um apoio imprescindível. Da mesma forma que o corpo, a alma pode
deixar de funcionar por falta de alimentação. Todos necessitamos da luz da
presença de Deus, do alimento de Sua força e da atmosfera de Sua graça. Os
fatos da vida de A. A. confirmam a uma extensão maravilhosa esta verdade
eterna.









A prática do auto-exame, da
meditação e da oração estão diretamente interligadas. Usadas separadamente,
elas podem trazer muito alívio e benefício, mas quando são relacionadas e
interligadas logicamente, resultam em uma base inabalável para toda a vida.
De vez em quando podemos gozar de um vislumbre dessa realidade suprema que é
o reino de Deus. E estaremos reconfortados e assegurados de que nosso
próprio destino nesse reino estará garantido enquanto tentarmos, mesmo que
vacilantes, encontrar e realizar a vontade de nosso próprio Criador.









Como nos foi dado perceber, é
pelo exame de nossos próprios pensamentos e sentimentos que conseguimos que
uma nova visão, ação e a graça venham a influir no lado escuro e negativo de
nosso ser. É um passo para o desenvolvimento daquele tipo de humildade que
nos permite receber a ajuda de Deus. No entanto, é apenas um passo e devemos
querer ir mais longe.









Vamos querer que o bem que
está em todos nós, mesmo dos piores, cresça e floresça. Na certa,
precisaremos do ar revigorante e de abundante alimentação. Mas, antes de
mais nada, desejaremos a luz solar: pouco pode crescer na escuridão. A
meditação é um passo em direção ao Sol. De que forma, então, meditaremos?









A experiência existente a
respeito da oração e da meditação através dos séculos, é por certo imensa.
As bibliotecas e as igrejas do mundo são um tesouro à disposição de todos
que o procuram. É de se esperar que todo A. A. filiado a uma religião que dê
ênfase à meditação, retorne a essa prática com maior devoção do que nunca.
Porém, que dizer aos menos afortunados entre nós, que nem sabem por onde
começar?









Bem, poderíamos começar desta
maneira. Primeiro procuremos uma oração que seja boa de fato. Não será
necessário procurar muito. Grandes homens e mulheres de todas as religiões
nos deixaram uma coleção maravilhosa. Iniciemos com uma que é clássica.









Seu autor foi um homem que é
considerado um santo, há algumas centenas de anos. Não nos impressionaremos
ou nos assustaremos com esse fato, pois, embora ele não tivesse sido
alcoólico, passou, como nós, pelo crivo de todas as emoções. E quando ele
surgiu do outro lado dessa dolorosa experiência chegando à outra margem da
vida, na oração abaixo expressou o que viu, sentiu e desejou ser:









“Ó Senhor!




Fazei de mim um instrumento
da Tua Paz;




Onde há ódio, fazei que eu
leve o Amor;




Onde há ofensa, que eu leve o
Perdão;




Onde há discórdia, que eu
leve a União;




Onde há dúvidas, que eu leve
a Fé!




Onde há erros, que eu leve a
Verdade;




Onde há desespero, que eu
leve a Esperança;




Onde há tristeza, que eu leve
a Alegria;




Onde há trevas, que eu leve a
Luz!




Ó Mestre! Fazei que eu
procure menos




Ser consolado, do que
consolar;




Ser compreendido, do que
compreender;




Ser amado, do que amar...




Porquanto:




É dando que se recebe, é
perdoando, que se é perdoado;




E é morrendo que se vive para
a Vida Eterna.




Amém.”









Como principiantes,
poderíamos aprender a meditar, relendo esta oração várias vezes e bem
devagar, para saborear cada palavra e procurar absorver o sentido profundo
de todas as frases e idéias. Seria de grande ajuda se pudéssemos abandonar
toda a resistência às palavras desse nosso amigo. Pois na meditação não há
lugar para o debate. Descansemos sossegada mente com os pensamentos de quem
entende do assunto, para que possamos experimentar e aprender. Como se
estivéssemos deitados numa praia ensolarada, relaxemos e respiremos
profundamente a atmosfera espiritual com a qual a graça desta oração teve o
Dom de nos envolver. Que nos tornemos dispostos a tomar parte,
fortalecer-nos e elevar-nos pelo poder, beleza e amor espirituais absolutos,
transmitidos por essas magníficas palavras. Então, olhemos para o mar e
meditemos sobre os mistérios que ele esconde e deixemos que o nosso olhar se
perca no horizonte distante, além do qual iremos procurar todas as
maravilhas ainda desconhecidas para nós.









“Ora!” – diz alguém – “Isto é
bobagem, não é prático.”









Quando tais pensamentos
surgem, é bom lembrar, mesmo com certa dose de tristeza, quanto valor
dávamos, em outro tempo, à imaginação que tentava criar a realidade de
dentro das garrafas. Não é verdade que nos deleitávamos com esse modo de
pensar? E, hoje, embora sóbrios, não continuamos tentando, às vezes, fazer
coisa semelhante? Talvez nosso problema não residisse no fato de usarmos a
imaginação. Quem sabe, o verdadeiro problema fosse nossa quase total
incapacidade para dirigir a imaginação no rumo dos objetivos certos. Nada há
de mal na imaginação construtiva; todo o empreendimento bem fundado depende
dela. Afinal de contas, ninguém pode construir uma casa sem antes arquitetar
um plano. Bem, a meditação também é assim; ela nos ajuda a Ter uma noção de
nosso objetivo espiritual antes que tentemos nos encaminhar em sua direção.
Isto posto, voltemos àquela praia ensolarada, ou talvez, à planície ou às
montanhas.









Quando, por métodos simples
como esse, tivermos entrado num estado de espírito que nos permita a
concentração na imaginação construtiva, sem interrupção, poderemos proceder
assim: relemos a nossa oração, tentamos novamente compreendê-la na
profundidade de sua essência e pensamos no homem que foi o primeiro a
proferi-la. Primeiro, ele quis tornar-se um “instrumento de paz”. Então ele
pediu a graça de levar amor, perdão, harmonia, verdade, fé, esperança, luz e
alegria a todos quantos pudesse. Depois veio a expressão de uma aspiração e
de uma esperança para ele próprio. Ele esperava que se Deus quisesse, lhe
fosse permitido ser capaz de encontrar alguns desses tesouros também. Isso
ele tentaria realizar através do que chamou dar de si mesmo. O que ele quis
dizer com “é dando que se recebe” e como se propôs a consegui-lo?









Ele achava melhor consolar e
não ser consolado; compreender e não ser compreendido; perdoar e não ser
perdoado.









Tudo isso poderia ser parte
do que designamos por meditação, talvez nossa primeira tentativa em alcançar
um estado espiritual ou, então, fazer uma viagem ao reino do espírito.
Deveríamos, assim, comparar o ponto em que agora estamos com aquele em que
poderíamos estar se pudéssemos nos aproximar do ideal que apenas
vislumbramos. A meditação é algo que pode sempre ser desenvolvido. Ela não
tem limites, tanto na extensão como na altura. Embora possamos ser
auxiliados por qualquer instrução ou exemplo que encontrarmos, ela é
essencialmente uma aventura individual que cada um de nós realiza à sua
maneira. Porém, seu objetivo é sempre o mesmo: melhorar nosso contato
consciente com Deus, com Sua graça, sabedoria e amor. Lembremo-nos sempre,
que a meditação é na realidade sumamente prática. Um de seus primeiros
frutos é o equilíbrio emocional. Com ela podemos alargar e aprofundar o
canal de ligação entre nós e Deus, na forma em que o entendemos.









E a oração? A oração é a
elevação do coração e da mente para Deus e, neste sentido, abrange a
meditação. Mas, como se deve orar? E como se relaciona a oração com a
meditação? O estilo comum de oração é uma petição a Deus. Havendo aberto o
nosso canal de comunicação da melhor forma possível, procuramos pedir
determinadas coisas de que nós, ou outros, temos premente necessidade.
Acreditamos que em certa parte do Décimo Primeiro Passo está bem definida a
extensão completa de nossas necessidades quando diz: “... o conhecimento de
Sua vontade em relação a nós e forças para realizá-la...” Um pedido como
este pode ser feito a qualquer hora do dia.









Cedo, de manhã, pensamos nas
horas que virão. Talvez venhamos pensar no trabalho daquele dia, nas
oportunidades de sermos úteis e prestativos ou em algum problema especial
que possa aparecer. Possivelmente, hoje ainda perdurará uma séria questão
não resolvida desde ontem. Teremos a tentação imediata de pedir soluções
específicas para casos específicos e ajuda para outras pessoas, da forma que
nós julgamos devam ser ajudadas. Nesse caso, estamos pedindo a Deus que faça
à nossa
maneira. Portanto, devemos ter o cuidado de aquilatar o mérito real de cada
pedido antes de fazê-lo. Mesmo assim, sempre que tivéssemos de fazer
determinados pedidos, faríamos bem em acrescentar esta ressalva: “Se for de
Sua vontade.” Simplesmente pedimos que durante todo o dia, Deus nos dê a
melhor compreensão de Sua vontade e, através da graça, nos seja concedida
força suficiente para cumpri-la.









No decorrer do dia, quando
tivermos de enfrentar situações delicadas e tomar decisões, podemos parar um
momento e renovar o mais simples de todos os pedidos: “Seja feita a Sua
vontade, não a minha.” Nos momentos de fortes perturbações emocionais,
manteremos nosso equilíbrio se nos lembrarmos de uma oração qualquer ou
frase que, particularmente, nos tenha agradado durante a leitura ou
meditação. Dizendo esta frase ou oração por algumas vezes, podemos, em geral
restabelecer uma ligação interrompida pelo rancor, pelo medo, pela
frustração ou pelo desentendimento, e poderemos voltar à mais segura de
todas as ajudas: a procura da vontade de Deus, não a nossa, no momento de
tensão. Assim, nestes momentos críticos, se nos lembrarmos de que “é melhor
consolar do que ser consolado, compreender do que ser compreendido, amar do
que ser amado”, estaremos seguindo a intenção do Décimo Primeiro Passo.









É razoável e compreensível
que se faça repetidamente a pergunta: “Por que não podemos submeter
diretamente a Deus um dilema específico e perturbador e, através da oração,
receber d´Ele respostas certas e definidas a nossos pedidos?”









Isso pode ser feito, mas
apresenta graves riscos. Temos visto AAs pedirem, com muita sinceridade e
fé, orientação explícita de Deus sobre assuntos que variam desde desastrosas
crises domésticas ou financeiras, até a correção de pequenas falhas, como a
impontualidade. Porém, é freqüente o fato de que os pensamentos que afloram
à mente e
parecem vir de Deus não são respostas adequadas.
Provam ser, isto sim, bem intencionadas racionalizações inconscientes. É um
indivíduo muito desconcertante o AA, ou qualquer homem, que tenta implantar
rigorosamente em sua vida este modo de rezar, com esta necessidade egoística
de respostas divinas. A qualquer pergunta ou crítica a suas ações, ele vem
logo com sua inabalável confiança na oração como guia para todos seus
feitos, grandes ou pequenos. Pode Ter esquecido a possibilidade de que seus
desejos e a tendência humana de auto justificar, tenham distorcido sua
decantada orientação. Com a melhor das intenções, ele tende a impor sua
própria vontade em qualquer situação ou problema, confortavelmente seguro de
que está agindo diretamente dirigido por Deus. Iludido desta maneira, é
claro que pode sem querer causar grandes estragos.









Há uma outra tentação
semelhante, na qual caímos quando formulamos idéias sobre o que achamos ser
a vontade de Deus para com outras pessoas. Dizemos a nós mesmos: “Este deve
ser curado desta doença fatal...” ou “Aquele deve ser tirado desta crise
emocional...” e rezamos por estas coisas bem caracterizadas. Tais orações, é
natural, representam, no fundo, atos de bondade, mas geralmente se baseiam
na suposição de que conhecemos a vontade de Deus a respeito da pessoa que
tentamos ajudar. Isto significa que, a par de uma oração sincera, pode
existir dentro de nós uma boa dose de presunção e vaidade. Evidencia-se a
experiência de A. A. especialmente nesses casos, quando sugere que
deveríamos orar para que se faça a vontade de Deus, seja qual for, tanto
para nós como para os outros.









Em A. A. descobrimos que bons
e reais resultados da oração são indiscutíveis. Eles são casos de
conhecimento e experiência. Todos os que persistiram, encontraram uma
reserva de forças além de suas próprias. Ostentaram sabedoria muito superior
à sua capacidade normal e desenvolveram cada vez mais a paz de espírito
inquebrantável, mesmo nas mais difíceis circunstâncias. Descobrimos que de
fato recebemos orientação para nossas vidas em proporção à medida em que
paramos de exigir de Deus que nos dê o que queremos e como queremos. Raro é
o A. A. experiente que não possa contar como seus assuntos melhoraram
incrível e inesperadamente, na medida em que procurou estreitar seu contato
consciente com Deus. Quase sempre ele poderá contar que nas épocas de
sofrimento e dor, quando a mão de Deus parecia ser pesada e até injusta,
foram aprendidas novas lições sobre a vida, descobertas novas fontes de
coragem e que, finalmente e de forma iniludível, chegou a convicção de que
Deus, efetivamente, “age de maneira
misteriosa na realização de Suas maravilhas”.









Esses acontecimentos devem
constituir notícia animadora para aqueles que recuam da oração por falta de
fé, ou por se sentirem não contemplados pela ajuda ou orientação de Deus.
Todos nós, sem exceção, já passamos por períodos em que só rezamos depois de
impelidos pela maior força de vontade possível. Às vezes, chegamos a ir mais
longe ainda, quando somos acometidos por uma rebelião tão mórbida que
simplesmente não rezamos. Quando estas coisas acontecem, não devemos ser
demasiadamente rigorosos conosco. Devemos apenas voltar à prática da oração
tão logo pudermos, fazendo o que sabemos ser bom para nós.









Talvez, uma das maiores
recompensas que conseguimos obter com a meditação e a oração seja a íntima
convicção de que passamos a
fazer parte. Não mais vivemos num mundo
inteiramente hostil. Já não nos sentimos abandonados, amedrontados e sem
objetivo na vida. A partir do momento em que percebemos, mesmo que seja um
pequeno vislumbre da vontade de Deus, e começamos a ver a verdade, a justiça e o
amor como os valores reais e eternos na vida, não mais ficaremos profundamente
abalados com a aparente evidência do contrário que nos rodeia em assuntos apenas
humanos. Sabemos que o amor de Deus vela sobre nós. Sabemos que quando nos
voltarmos para Ele, tudo estará bem conosco, aqui e no que vier após




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