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RECANTO DA LEITURA

 
 
 
 
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  BILL ESCREVE SOBRE A FÉ

DEUS NA FORMA EM QUE O CONCEBEMOS

“O Melhor de Bill”

A frase “Deus na forma em que O concebemos” é talvez a expressão mais importante que pode ser encontrada em todo o vocabulário de A. A. No âmbito dessas sete palavras
significativas, podem ser incluídos todos os tipos e todas as intensidades da
Fé, juntamente com a garantia positiva de que cada um de nós pode escolher sua
própria Fé. Dificilmente menos valiosas para nós são aquelas expressões
complementares – “um Poder Superior” e “um Poder Superior a nós mesmos”. Para
todos aqueles que negam ou duvidam seriamente da existência de uma divindade,
essas expressões levam a uma porta aberta para além da qual o incrédulo pode dar
seu primeiro passo rumo a uma realidade até agora desconhecida para ele – o
domínio da Fé.




Esses avanços constituem acontecimentos diários em A. A. Os eventos são ainda mais notáveis quando refletimos sobre o fato de que uma Fé funcional parecia anteriormente ser
uma impossibilidade de primeira ordem, para talvez a metade da atual Irmandade
de mais de 350.000 membros. Tornou-se uma grande revelação para todos esses
incrédulos que, assim que conseguiram depositar sua principal confiança em um
poder superior – mesmo que esse poder fosse seu próprio Grupo de A. A. – eles
haviam vencido aquele obstáculo que sempre mantivera a ampla estrada afastada da
sua visão. Desse momento em diante – admitindo-se que eles tenham se empenhado
com afinco em praticar o restante do programa de A. A., com a mente aberta e
descontraída – havia surgido, às vezes inesperada e com frequência misteriosa,
uma Fé ainda mais profunda e ampla.

Lamentamos muito que esses fatos da vida em A. A. não sejam compreendidos pela legião de
alcoólicos do mundo que nos rodeia. Um número razoável desses alcoólicos
continua atormentado pela triste convicção de que, se algum dia aproximar-se de
A. A., será pressionado no sentido de obedecer a alguma determinada espécie de
fé ou teologia. Essas pessoas simplesmente não perceberam que a Fé nunca foi uma
exigência para filiação em A. A., que a sobriedade pode ser conseguida com um
mínimo de Fé facilmente aceitável e que nosso conceito de um poder superior e de
Deus, na forma em que O concebemos, permite a todos uma escolha quase ilimitada
no que diz respeito à crença e à ação espirituais.

A maneira de transmitir essa boa nova é um dos nossos problemas de comunicação mais
desafiadores, para o qual pode ser que não exista nenhuma resposta rápida ou
abrangente. Nossos serviços de informação ao público talvez pudessem começar a
enfatizar mais intensamente esse aspecto da máxima importância de A. A. E
poderíamos muito bem desenvolver , entre nossos próprios membros, uma
conscientização mais compassiva em relação à penosa situação desses sofredores
realmente isolados e desesperados. Ao socorrê-los, não podemos os contentar com
nada menos do que a melhor atitude possível e as ações mais engenhosas que
possamos empreender.


Podemos também reexaminar o problema da “falta de fé”, tal como ele existe bem à nossa porta.
Embora mais de 350.000 membros tenham se recuperado durante os últimos trinta
anos, mais de meio milhão, talvez, tenha chegado até nós e depois se afastado.
Alguns desses membros estavam, sem dúvida nenhuma, doentes demais até mesmo para
começar. Outros não conseguiram ou não quiseram admitir seu alcoolismo. Outros
ainda não puderam encarar seus defeitos de caráter subjacentes. E muitos deles
se afastaram por outras razões.


Mesmo assim, não podemos nos contentar com a idéia de que todos esses fracassos de recuperação tenham ocorrido inteiramente por falta dos próprios recém-chegados. Muitos deles talvez não tenham recebido o tipo e a intensidade de apadrinhamento dos quais
tanto necessitavam. Não nos comunicamos com eles quando podíamos tê-lo feito.
Assim, nós, os Aas, falhamos com eles. Pode ser que, mais frequentemente do que
pensamos, ainda não façamos nenhum contato em profundidade com aqueles que
sofrem do dilema da falta de Fé.

Nenhum de nós é certamente mais sensível ao orgulhos e à agressividade espirituais do que eles.
Tenho certeza de que isso é algo que esquecemos frequentemente. Nos primeiros
anos de A. A., eu quase arruinei todo o empreendimento com esse tipo de
arrogância inconsciente. Deus como eu O concebia tinha que ser para todos. Minha
agressividade era às vezes patente. Mas ela era de qualquer forma prejudicial –
talvez fatalmente – para os inúmeros incrédulos. É claro que esse tipo de coisa
não fica restrito ao trabalho do Décimo Segundo Passo. É algo muito propenso a
contaminar nosso relacionamento com todo mundo. Mesmo hoje em dia, eu me flagro
entoando o mesmo velho refrão gerador de barreiras, “Faça como eu faço, acredite
como eu acredito – ou você vai se dar mal!”

Segue-se um exemplo recente do custo elevado do orgulho espiritual. Um candidato muito
cabeça-dura foi levado à sua primeira reunião de A. A. O primeiro depoente
pontificou sobre sua forma de beber. O candidato parecia impressionado. Os dois
depoente seguintes (talvez palestristas) concentraram-se sobre “Deus na forma em
que eu O concebo”. Isso também poderia ter sido bom, mas certamente não foi. O
problema foi a atitude dos depoentes, a forma pela qual apresentaram suas
experiências. Eles transpiravam arrogância. O último depoente foi na realidade
longe demais sobre algumas das suas convicções teológicas pessoais. Os dois
estavam repetindo com perfeita fidelidade o meu desempenho de anos atrás. Muito
velada mas no entanto implícita em tudo que eles disseram, haviam a mesma idéia
– “Pessoal, preste atenção ao que eu digo. Nós possuímos a única mensagem
verdadeira de A. A. – e é melhor que vocês a aceitam!”

O novo candidato disse que bastava para ele – e bastava mesmo. Seu padrinho em perspectiva protestou contra aquilo não era realmente A. A. mas já era tarde demais; ninguém poderia mais convencer o candidato após tal episódio. Ele tinha além disso um
álibi de primeira classe para outra bebedeira. A última vez que ouvimos falar
dele, parecia ser provável um encontro prematuro com o agente funerário.




Felizmente, essa
agressão vinda dos companheiros, em nome da espiritualidade, não é observada com
frequência hoje em dia. No entanto, esse triste e raro episódio pode ser
convertido em aprendizado. Podemos nos perguntar-se, de maneira menos óbvias mas
não obstante destrutivas, não estaremos mais sujeitos a ataques de orgulho
espiritual do que havíamos imaginado. Se isso for constantemente trabalhado,
tenho certeza de que nenhum tipo de auto questionamento poderia ser mais
benéfico. Nada poderia incrementar com mais segurança nossas comunicações
interpessoais e com Deus.




Um assim-chamado
incrédulo fez-me ver isso muito claramente, há alguns anos atrás. Tratava-se de
um médico e de um bom médico. Conheci-o e à sua mulher Mary, na casa de um amigo
em uma cidade do meio-oeste. A ocasião era puramente social. A nossa Irmandade
de alcoólicos era o meu único assunto e eu monopolizei em grande parte a
conversa. Não obstante, o médico e sua mulher pareciam verdadeiramente
interessados, fazendo-me ele muitas perguntas. Mas uma delas me fez suspeitar de
que ele fosse um agnóstico ou talvez um ateu.




Isso me pôs em
ação imediatamente e me decidi a convertê-lo, ali naquele momento. Extremamente
sério, eu na realidade me vangloriei da minha espetacular experiência espiritual
no ano anterior. O médico perguntou-me gentilmente se essa experiência não
poderia ter sido alguma coisa diferente daquilo que eu pensava. Isso me atingiu
profundamente e eu fui abertamente indelicado. Não houvera nenhuma provocação
real; o médico mantivera-se cortês, bem-humorado e até mesmo respeitoso durante
todo o tempo. Sem nenhuma ansiedade, disse que frequentemente desejara ter ele
também uma fé sólida. Mas era muito claro que eu não o havia convencido de nada.




Três anos depois
visitei novamente o meu amigo do meio-oeste. Mary, a esposa do médico, apareceu
também para uma rápida visita e eu soube que o médico havia morrido na semana
anterior. Muita abalada, ela começou a falar do marido.




Ele era de uma
distinta família de Boston e havia estudado em Harvard. Estudante brilhante,
poderia ter obtido fama na sua profissão. Poderia ter desfrutado de uma clínica
rica e de uma vida social entre seus velhos amigo. Ao invés disso, ele insistira
em ser um médico de empresa em uma cidade industrial dilacerada por conflitos.
Quando Mary lhe perguntava ocasionalmente por que não voltavam para Boston, ele
segurava a mão dela e dizia: “Talvez você esteja certa, mas não consigo me
convencer a sair daqui. Acho que as pessoas da empresa realmente precisam de
mim”.




Mary recordou
então que nunca ouvira seu marido reclamar seriamente acerca de nada ou criticar
com amargura quem quer que fosse. Embora parecesse perfeitamente saudável, ele
havia esmorecido nos últimos cinco anos. Quando Mary o estimulava a sair à noite
ou tentava fazer com que chegasse ao consultório na hora, ele sempre apresentava
uma desculpa plausível e bem humorada. Até o momento da sua súbita e última
doença, ela nunca soubera que ele era portador de problema cardíaco que o
poderia matar a qualquer momento. Exceto por um único médico da sua própria
equipe, ninguém tinha a menor suspeita do fato. Quando ela o recriminou sobre
isso, ele simplesmente disse: “Bem, eu não vejo de que serviria levar as pessoas
a se preocuparem comigo – especialmente você, querida”.




Esta é a história
de um homem de grande valor espiritual. As marcas registradas disso estão à
vista de todos: humor e paciência, delicadeza e coragem, humildade e dedicação,
altruísmo e amor – uma demonstração de algo que eu talvez nunca viesse a
igualar. E esse era o homem que eu havia repreendido e tratado com
condescendência. Esse era o incrédulo a quem eu havia pretendido esclarecer!




Mary contou-nos
essa história há mais de vinte anos. E foi então que, pela primeira vez, desabou
sobre mim a percepção do quanto a Fé pode ser útil – quando desacompanhada da
responsabilidade. Aquele médico tinha uma Fé inabalável nos seus ideais. Mas ele
também praticava a humildade, a sabedoria e a responsabilidade. E disso decorria
a extraordinária vivência daquele homem.




Meu próprio
despertar espiritual havia me concedido uma Fé imanente em Deus – na realidade
uma benção. Mas eu não tinha sido nem humilde nem sábio. Ao alardear minha Fé,
eu havia esquecido meus ideais. O orgulho e a irresponsabilidade haviam tomado o
lugar desses ideais. Extinguindo dessa forma minha própria luz, eu tinha pouca
coisa a oferecer aos meus companheiros alcoólicos. Minha Fé era portanto inútil
para eles. Finalmente percebi porque muitos deles haviam se afastado – alguns
para sempre.




A Fé é portanto
algo maior do que a nossa dádiva máxima, e compartilhar essa Fé com os outros é
a nossa maior responsabilidade. Assim, possamos nós de A. A. buscar
continuamente a sabedoria e a boa vontade através das quais poderemos
corresponder àquela imensa confiança que o Doador de todas as dádivas perfeitas
colocou em nossas mãos.




(Fonte: O Melhor
de Bill – paginas: 3 a 11)
























“Reflexões
Diárias”










A FÉ A TODA HORA




A fé precisa estar
em ação durante as vinte e quatro horas do dia, dentro e através de nós, ou
morreremos.




A essência de
minha espiritualidade, e minha sobriedade, se baseia na fé diária em um Poder
Superior. Preciso lembrar e confiar no Deus do meu entendimento enquanto
prossigo em todas as minhas atividades diárias. Como é confortante para mim o
conceito de que Deus funciona dentro e através das pessoas. Quando faço uma
pausa no meu dia, lembro-me de exemplos concretos e específicos da presença de
Deus? Estou assombrado e enaltecido pelo numero de vezes que este poder é
evidente? Estou dominado pela gratidão da presença de Deus na minha vida de
recuperação. Sem esta força onipotente em cada uma das minhas atividades, cairia
novamente nas profundezas de minha doença e morreria.




ALVO: SANIDADE




“... o Segundo
Passo, sutil e gradualmente, começou a se infiltrar em minha vida. Não posso
dizer a ocasião e a data em que vim a acreditar num Poder Superior a mim mesmo,
mas certamente tenho essa crença agora”.




“Viemos a
acreditar”. Eu acreditava da boca para fora quando sentia vontade ou quando
pensava que ficaria bem. Eu realmente não confiava em Deus. Não acreditava que
Ele se preocupava comigo. Continuei tentando mudar as coisas que eu não podia
mudar. Aos poucos, de má vontade, comecei a colocar tudo nas mãos Dele dizendo:
“Você é onipotente, então tome conta disto.” Ele tomou. Comecei a ter respostas
para os meus problemas mais profundos, algumas vezes nas horas mais inesperadas:
dirigindo para o trabalho, comendo um lanche, ou quando estava quase adormecido.
Percebi que eu não tinha pensado naquelas soluções – um Poder Superior a mim
mesmo as estava dando.




Eu vim a
acreditar.




PREENCHENDO UMA
LACUNA




Bastava para o
caso fazermo-nos uma lacônica pergunta: “Creio agora ou estou disposto a crer,
que exista um Poder Superior a mim mesmo?” Uma vez que o homem possa responder
que crê ou quer acreditar, asseguramos-lhe enfaticamente que está no caminho
certo do êxito.




Sempre fui
fascinado com o estudo dos princípios científicos. Estava emocional e
fisicamente distante das pessoas enquanto procurava o Conhecimento Absoluto.
Deus e espiritualidade eram exercícios acadêmicos, sem significado. Era um
moderno home de ciência, o conhecimento era o meu Poder superior. Colocando as
equações na posição correta, a vida era apenas outro problema a resolver.




Mas meu ego
interior estava morrendo pela solução proposta pelo meu exterior para os
problemas da vida e a solução sempre foi o álcool. Apesar de minha inteligência,
o álcool tornou-se meu poder superior. Foi através do amor incondicional que
emana das pessoas de A. A. e das reuniões, que fui capaz de descartar o álcool
como meu poder superior.




A grande lacuna
estava preenchida. Não estava mais sozinho e separado da vida. Tinha encontrado
um verdadeiro Poder Superior a mim mesmo, tinha encontrado o amor de Deus.
Existe somente uma equação que realmente me importa agora: Deus está em A. A.




QUANDO A FÉ ESTÁ
PERDIDA




“Ás vezes A. A. é
aceito com maior dificuldade pelos que perderam ou rejeitaram a fé do que pelos
que nunca a tiveram, pois acham que já experimentaram a fé e esta não lhes
serviu.




Experimentaram
viver com fé e sem fé.”




Tão convencido
estava de que Deus tinha me abandonado que ao final tornei-me provocador, embora
soubesse que não devia ser assim, e mergulhei numa última bebedeira. Minha fé
tornou-se amarga e não foi por coincidência. Aqueles que já tiveram uma grande
fé atingem o fundo com mais dificuldade.




Levou tempo para
que minha fé reascendesse, mesmo tendo vindo para A. A. Estava intelectualmente
agradecido por sobreviver a queda tão vertiginosa, mas meu coração sentia-se
endurecido. Ainda assim, persisti com o programa de A. A.: as alternativas eram
muito tristes! Continuei assistindo as reuniões e, aos poucos, minha fé foi
ressurgindo.




UMA LIBERTAÇÃO
GLORIOSA




“A partir do
momento em que desisti de argumentar, comecei a ver e a sentir. Nesse instante,
o Segundo Passo, sutil e gradualmente, começou a se infiltrar em minha vida. Não
posso dizer a ocasião e a data em que vim a acreditar num Poder Superior a mim,
mas, certamente, tenho esta crença agora. Para adquiri-la bastou-me parar de
lutar e praticar o restante do programa de A. A. Com o maior entusiasmo de que
dispunha.”




Depois de anos
satisfazendo a uma “desenfreada obstinação”, o segundo Passo tornou-se para mim
uma libertação gloriosa de ficar sozinho. Nada agora é mais doloroso ou
intransponível na minha jornada. Alguém está sempre aqui para compartilhar
comigo as cargas da vida. O Segundo Passo tornou-se uma forma de reforçar minha
relação com Deus, e agora percebo que minha insanidade e meu ego estavam
curiosamente ligados. Para livrar-me do anterior, devo entregar este a alguém
com os ombros muito mais largos que os meus.




UM CAMINHO PARA FÉ




A verdadeira
humildade e a mente aberta poderão nos conduzir a fé. Toda reunião de A. A. é
uma segurança de que Deus nos levara de volta da sanidade, se soubermos nos
relacionar corretamente com Ele.




Minha última
bebedeira deixou-me num hospital totalmente quebrado. Foi então que eu fui capaz
de ver meu passado flutuar na minha mente. Percebi que por causa da bebida,
tinha vivido todos os pesadelos que pudera haver imaginado. Minha própria
teimosia e obsessão para beber levaram-me a um abismo escuro de alucinações,
apagamentos e desesperos. Finalmente vencido, pedi ajuda de Deus. Sua presença
convenceu-me para que acreditasse. Minha obsessão pelo álcool foi tirada e minha
paranóia foi suspensa. Não estou mais com medo. Sei que minha vida é saudável e
sã.




EU NÃO DIRIJO O
ESPETÁCULO




Quando nos
tornamos alcoólicos, abatidos por uma crise auto imposta que não podíamos adiar
ou evitar, tivemos que encarar, sem medo, a proposição de que Deus é tudo ou
nada. Deus existe ou não existe. Qual seria a nossa opção?




Hoje minha opção é
Deus. Ele é tudo. Por isso sou realmente grato. Quando penso que estou dirigindo
o espetáculo, estou bloqueando Deus em minha vida. Rogo para que possa
lembrar-me disto quando permito a mim mesmo ser levado a erros pelo ego. A coisa
mias importante é que hoje estou disposto a crescer espiritualmente e que Deus é
tudo. Quando estava tentado parar de beber da minha maneira, nunca funcionou:
com Deus e A. A. está funcionando. Isso parece ser um pensamento simples para um
alcoólico complicado.




OS LIMITES DA
AUTOCONFIANÇA




Perguntamo-nos por
que os tínhamos (os medos). Não por falta de autoconfiança?




Todos os meus
defeitos de caráter me separam da vontade de Deus. Quando ignoro minha ligação
com Ele, me encontro sozinho enfrentando o mundo e o meu alcoolismo e não me
resta outro recurso senão a autoconfiança.




Nunca achei
segurança e felicidade através da teimosia, e o único resultado obtido é uma
vida de medo e descontentamento. Deus fornece o caminho de volta para Ele e à
sua dádiva de serenidade e conforto. Porém primeiro devo estar disposto a
conhecer meus medos e entender suas origens e poder sobre mim. Frequentemente
peço a Deus para ajudar-me a entender como me separo Dele.




NÃO PODEMOS PENSAR
EM SER SÓBRIO A NOSSA MANEIRA




Para o homem ou
mulher intelectualmente auto suficiente, muitos Aas podem dizer: “Sim. Éramos
como você – inteligentes demais para o nosso próprio bem... Secretamente
achávamos que poderíamos flutuar acima dos outros, somente com o poder da
inteligência”.




Mesmo a mente mais
brilhante não tem defeito contra a doença do alcoolismo. Não posso pensar em ser
sóbrio a minha maneira. Tento lembrar-me de que a inteligência é um atributo
dado por Deus que eu possa usar, é uma alegria – como ter talento para dançar ou
desenhar ou ainda fazer um trabalho de carpintaria. Isto não me faz ser melhor
do que qualquer um e, particularmente, não é ferramenta digna de confiança para
recuperação. Para isto um Poder Superior a mim mesmo me devolverá a sanidade –
não um alto Q.I. ou diploma do colégio.




O AMOR EM SEUS
OLHOS




Alguns de nós se
recusam a acreditar em Deus, outros não podem e ainda outros, embora acreditem
na existência de Deus, de forma alguma confiam que Ele levará a cabo este
milagre.




Foram as mudanças
que vi nas novas pessoas que vieram para Irmandade que me ajudaram a perder o
medo e mudaram minha atitude negativa em positiva. Podia ver o amor em seus
olhos e estava muito impressionado pelo muito que a sobriedade “um dia de cada
vez” significava para eles. Eles olharam honestamente para o Segundo Passo e
vieram acreditar que um Poder Superior a eles, iria restituí-los à sanidade.
Isto fez com que eu tivesse fé na Irmandade e esperança que funcionaria também
para mim. Descobri que Deus era um Deus amoroso, não aquele Deus puni dor que eu
temia antes de chegar me A. A. Descobri que Ele tinha estado comigo durante
todas aquelas horas em que eu estava com problemas antes de vir para A. A.





Hoje sei que foi
Ele quem me levou para A. A. e que eu sou um milagre.




DIREÇÃO




“... isso
significa a crença num criador que é todo poder. Justiça e amor; um Deus que
quer para mim um propósito, o significado e um destino para crescer, ainda...
que aos poucos e com hesitação, em direção à sua imagem e semelhança”.




Quando me dei
conta de minha própria impotência e de minha dependência de Deus, como eu O
entendo, comecei a ver que havia uma vida que, se eu pudesse tê-la, teria
escolhido para mim desde o início. Através do continuo trabalho dos Passos e a
participação na vida da Irmandade é que aprendi a ver que realmente existe uma
maneira melhor pela qual estou sendo guiado. Quando comecei a conhecer mais
sobre Deus, fui capaz de confiar em Seu caminho e no Seu plano para
desenvolvimento do seu caráter em mim. Rapidamente ou lentamente, cresço em
direção a sua própria imagem e semelhança.




FUNCIONA




Funciona –
realmente funciona.




Quando consegui
ficar sóbrio, no início eu tinha fé somente no programa de Alcoólicos Anônimos.
Desespero e medo mantiveram-me sóbrio (e talvez um atencioso e severo padrinho
ajudou-me). A fé em um Poder Superior veio mais tarde. Esta fé chegou lentamente
a princípio, depois que eu comecei a ouvir os outros compartilhando nas reuniões
suas experiências – experiências as quais nunca tinha enfrentado sóbrio, mas que
eles estavam encarando reforçados por um Poder Superior. Desse compartilhar veio
a esperança de que eu também poderia conseguir um Poder Superior. Com o tempo
aprendi que um Poder Superior – uma fé que funciona sob qualquer condição é
possível. Hoje esta fé, mais a honestidade, uma mente aberta e boa vontade de
praticar os Passos do programa, dão-me a serenidade que procurava. Funciona –
realmente funciona.




A IDÉIA DE FÉ




Não permita que
preconceitos contra termos espirituais levem-no a deixar de perguntar
honestamente o que eles significam para você.




A idéia de fé é
algo difícil de engolir quando, medo, dúvida e raiva sobejam dentro e em volta
de mim. Às vezes, a simples idéia de fazer algo diferente, algo a que não estou
acostumado a fazer, pode eventualmente tornar-se um ato de fé se a fizer
regularmente, sem discutir se é a coisa certa a fazer. Quando um dia está ruim e
tudo está dando errado, uma reunião ou uma palestra com outro bêbado muitas
vezes me distrai, o bastante para me persuadir de que nem tudo é tão impossível,
tão esmagador como eu tinha pensado. Da mesma maneira, ir à uma reunião ou
conversar com outro companheiro alcoólico é um ato de fé; acredito que estou
detendo minha doença. Estas são as maneiras pelas quais movo-me lentamente para
uma fé num Poder Superior.




A CHAVE EA BOA
VONTADE




Uma vez que
introduzimos a chave da boa vontade na fechadura e entreabrimos a porta
descobrimos que sempre se pode abrir um pouco mais.




A boa vontade para
entregar o meu orgulho e minha obstinação a um Poder Superior a mim mesmo,
provou ser o único ingrediente necessário para resolver meus problemas hoje. Até
mesmo pequenas doses de boa vontade, se sincera, é suficiente para permitir que
Deus entre e tome o controle sobre qualquer problema, dor ou obsessão. Meu nível
de bem-estar está em relação direta com o grau de boa vontade que tenho num
determinado momento para abandonar minha vontade própria e permitir que a
vontade de Deus se manifeste em minha vida. Com a chave da boa vontade, minhas
preocupações e medos são poderosamente transformados em serenidade.




ENTREGANDO-A




Todos os homens e
mulheres que ingressaram e pretenderam ficar em A. A. começaram a praticar o
Terceiro Passo sem que mesmo se apercebessem disso. Não é verdade que em todo o
assunto relacionado com o álcool cada um decidiu entregar sua vida aos cuidados,
proteção e guia de Alcoólicos Anônimos?... Qualquer recém-chegado com boa
vontade está convicto que A. A. é o único porto seguro para o navio quase
afundado que ele representa. Ora, se isso não é entregar a vontade e a vida à
Providência recém-encontrada, o que é então?




Submissão à Deus
foi o primeiro passo para minha recuperação. Acredito que nossa Irmandade
procura uma abertura espiritual para uma nova afinidade com Deus. Quando me
esforço para seguir o caminho dos Passos, sinto uma liberdade que me dá
habilidade de pensar por mim mesmo. Minha adição me aprisionou sem qualquer
liberdade e atrapalhou minha habilidade de libertar-me do meu próprio
crescimento; mas A. A. me garante uma maneira de ir para frente. O compartilhar
mútuo, a preocupação e o cuidado são a nossa dádiva natural de um para com o
outro, e a minha dádiva é fortalecida à medida em que muda minha atitude em
relação a Deus. Aprendo a submeter-me à vontade de Deus em minha vida, a ter
dignidade e a manter sempre estas atitudes, dando sempre o que recebo.




A PEDRA ANGULAR




Ele é o Pai e nós
somos Seus Filhos. Na maioria das vezes, as boas idéias são simples, e este
conceito passou a ser a pedra angular do novo arco do triunfo, através do qual
passamos à liberdade.




A pedra angular é
a peça cunhada na parte mais alta de um arco que prende as outras peças no
lugar. As “outras peças” são os Passos Um, Dois e Quatro até o Décimo Segundo.




Neste sentido isto
soa como se o Terceiro Passo, fosse o Passo mais importante, que os outros onze
dependem o Terceiro para suporte. Na realidade porém, o Terceiro Passo é apenas
um dos doze. Ele é a pedra angular, mas sem as outras onze pedras para construir
a base e os lados, com ou sem a pedra angular, simplesmente não haverá arco.
Através do trabalho diário de todos os Doze Passos, encontro este arco do
triunfo esperando que eu passe através dele para outro dia de liberdade.




A IDÉIA DE DEUS




Quando vimos os
outros resolverem seus problemas através de uma simples confiança no Espírito do
Universo, tivemos que deixar de continuar duvidando do poder de Deus. Nossas
idéias eram ineficazes. Porém, a idéia de Deus surtia efeito.




Como um homem cego
recuperando gradualmente a visão, lentamente tateei o meu caminho no Terceiro
Passo. Percebendo que somente um Poder Superior a mim mesmo poderia me socorrer
do abismo sem esperança onde eu estava, soube que este era um Poder em que eu
tinha que me agarrar e que seria minha âncora no meio de um mar de desgraças.
Muito embora minha fé naquela hora fosse minúscula, foi grande o bastante para
me fazer ver que era hora de me livrar de minha confiança no meu orgulhoso ego,
e colocá-la na fortaleza segura que somente pode vir de um Poder muito Superior
a mim mesmo.




CULTIVANDO A FÉ




Não penso que
podemos fazer alguma coisa muito bem neste mundo, a não ser que nós a
pratiquemos. E não acredito que nós façamos bem o programa de A. A. a não ser
que pratiquemos.




Devemos
praticar... adquirir o espírito de serviço. Devemos tentar adquirir alguma fé, o
que não é fácil fazer, especialmente para a pessoa que tem sido sempre muito
materialista, seguindo o modelo da sociedade atual, porém, penso que a fé pode
ser, mesmo que lentamente, adquirida; ela precisa ser cultivada. Não foi fácil
para mim e, suponho que é difícil para qualquer um...




Muitas vezes o
medo é a força que me impede de adquirir e cultivar o poder da fé. O medo
bloqueia minha apreciação de beleza, tolerância, perdão, serviço e serenidade.




“BEM DENTRO DE
NÓS”




Encontramos a
Grande Realidade dentro de nós. Em última análise, somente ali Ele pode ser
achado... procurem diligentemente dentro de vocês... Com esta atitude não
poderão fracassar. O conhecimento consciente de sua própria crença chegará com
segurança.




Eu estava em
profunda solidão, depressão e desespero quando procurei a ajuda de A. A. Quando
fui me recuperando e comecei a ver como minha vida estava vazia e em ruínas,
comecei a me abrir para a possibilidade curadora que a recuperação oferece
através do programa de A. A. indo às reuniões, permanecendo sóbrio e praticando
os Passos, tive a oportunidade de ouvir com atenção crescente as profundezas de
minha alma. Todo dia eu esperava, com esperança e gratidão, por esta crença
segura e este amor constante pelos quais esperei por muito tempo em minha vida.
Neste processo eu encontrei meu Deus, como eu O entendo.




MEDO E FÉ




A conquista da
libertação do medo é uma tarefa para toda a vida, é algo que nunca pode ficar
completamente concluído.




Ao sermos
duramente atacados, estarmos gravemente enfermos ou em qualquer situação de
séria insegurança, todos nós vamos reagir a essa emoção de alguma maneira – bem
ou mal – conforme o caso se apresente. Somente os que enganam a si mesmos alegam
que estão totalmente livres do medo.




O medo causou-me
muito sofrimento, quando poderia ter tido mais fé. Há horas em que o medo
subitamente me arrasa, justamente quando estou experimentando sentimento de
alegria, felicidade e leveza no coração. A fé – e um sentimento de valor próprio
em relação a um Poder Superior – me ajudam a suportar a tragédia e o êxtase.
Quando optar por entregar ao meu Poder Superior todos os meus medos, então eu
serei livre.




UMA FÉ NATURAL




... dentro de cada
homem, mulher ou criança, jaz oculta a idéia fundamental de Deus. Poderá estar
sombreada pela calamidade, pela pompa, pela adoração de outras coisas; porém, de
uma forma ou de outra, está ali. Porque a fé em um Poder Superior a nós e as
demonstrações milagrosas desse Poder nas vidas humanas, são fatos tão velhos
como a própria humanidade.




Tenho visto as
obras de um Deus invisível nos Grupos de A. A. por todo os páis. Milagres de
recuperação são evidentes em toda a parte. Agora acredito que Deus está nas
reuniões e no meu coração. Hoje para mim, um antigo agnóstico, a fé é tão
natural como respirar, comer e dormir. Os Doze Passos ajudaram a mudar a minha
vida sob vários aspectos, porém nenhum é mais eficaz do que ter a consciência do
meu Poder Superior.




UM FALSO ORGULHO




Muitos de nós, que
nos havíamos considerado religiosos, despertamos para as limitações desta
atitude. Recusando colocar Deus em primeiro lugar, havíamos nos privado de Sua
ajuda.




Muitas noções
falsas operam no falso orgulho. A necessidade de orientação para viver uma vida
descente é satisfeita pela esperança experimentada na irmandade de A. A..
Aqueles que trilharam este caminho por muitos anos, um dia de cada vez, dizem
que uma vida centrada em Deus tem possibilidades ilimitadas para o crescimento
pessoal. Sendo assim, muita esperança é transmitida pelos veteranos em A. A..




Agradeço ao meu
Poder Superior por deixar-me saber que Ele funciona através de outras pessoas, e
agradeço a Ele por nossos servidores de confiança na Irmandade, que ajudam os
novos membros a rejeitar falsos ideais e a adotar aqueles que levam à uma vida
de compaixão e confiança. Os veteranos em A. A. desafiam os novos a
“despertar-se” – assim eles podem “vir a acreditar”. Peço a Deus que me ajude em
minha descrença.




UMA DÁDIVA SEM
PREÇO




A esta altura com
toda a probabilidade, já teremos adotado, de certo modo, medidas capazes de
remover os obstáculos que mais nos prejudicam. Desfrutamos momentos em que
sentimos algo parecido à verdadeira paz de espírito. Para aqueles de nós que,
até então, conheceram somente a excitação, a depressão ou a ansiedade – em
outras palavras, para todos nós – esta nova paz conquistada é uma dádiva
inestimável.




Estou aprendendo a
soltar-me e deixar Deus agir, a ter uma mente aberta e um coração disposto a
receber a graça de Deus em todos os meus assuntos: desta maneira posso
experimentar a paz e liberdade que vêm como resultado da minha entrega. Tem sido
provado que um ato de entrega, originado do desespero e da derrota, pode crescer
num progressivo até de fé significa liberdade e vitória.




SEMENTES DE FÉ




A fé é
absolutamente necessária, porém, a fé isolada não basta para nosso propósito.
Porque podemos ter fé e ao mesmo tempo deixar Deus fora de nossas vidas.




Quando criança
sempre questionava a existência de Deus. Para um “pensador científico” como eu,
nenhuma resposta resistia a uma dissecação completa, até que uma mulher muito
paciente finalmente me disse: “você precisa ter fé.”




Com esta simples
declaração, as sementes de minha recuperação foram plantadas.




Hoje, quando
prático minha recuperação aparando as ervas daninhas do alcoolismo – lentamente
estou deixando essas antigas sementes de fé crescer e florescer. Cada dia de
recuperação, de ardente jardinagem, se integra mais em minha vida o Poder
Superior de meu entendimento. Meu Deus tem estado sempre comigo através da fé,
mas é de minha responsabilidade ter a disposição para aceitar a Sua presença.




Peço a Deus para
me conceder a disposição para fazer a Sua vontade.




OUVINDO
ATENTAMENTE




Com que
persistência apregoamos nosso direito de decidir sozinhos o que pensaremos e com
agiremos.




Se aceito a atuo
pelos conselhos daqueles que têm feito o programa funcionar para si, tenho
chance para superar os limites do passado. Alguns problemas se reduzirão a nada,
enquanto outros podem requerer uma ação paciente e bem pensada. Ouvindo
atentamente quando os outros compartilham, pode-se desenvolver a intuição para
tratar os problemas que surgem inesperadamente. Normalmente é melhor para mim
evitar ações impetuosas. Assistir a uma reunião ou falar com um membro de A. A.
geralmente reduz a tensão o bastante para trazer alívio a um sofredor
desesperado como eu. Compartilhando problemas nas reuniões com outros alcoólicos
com os quais me relaciono, ou em particular com meu padrinho, posso mudar
aspectos das posições nas quais me encontro. Defeitos de caráter são
identificados e começo a ver como eles trabalham contra mim. Quando coloco minha
fé no poder espiritual do programa, quando confio em que outros me ensinem o que
preciso fazer para ter uma vida melhor, descubro que posso confiar em mim mesmo
para fazer o que é necessário.




LEVANTEI A CABEÇA
PARA A LUZ




“Acredite mais
profundamente: Levante a cabeça para a luz, ainda que no momento você não possa
ver.”




Num domingo de
outubro, durante minha meditação matinal, olhei pela janela a árvore de freixo
no pátio da frente. Uma vez mais fui vencido pela sua magnífica cor dourada!
Enquanto olhava com admiração a obra de arte de Deus, as folhas começaram a cair
e, dentro de minutos, os galhos estavam nus. A tristeza me assaltou quando
pensei nos meses de inverno à frente, mas enquanto estava refletindo no processo
anual do outono, a mensagem de Deus apareceu. Como as árvores, despidas de suas
folhas no outono, germinam novas flores na primavera, eu, despojado de meus
modos compulsivos e egoístas removidos por Deus, posso florescer como um sóbrio
e alegre membro de A. A.




Obrigado, Deus,
pela mudança das estações e por minha vida em mudança contínua.




(Fonte: Reflexões
Diárias – páginas:
27-40-42-43-44-46-49-50-52-56-61-69-74-75-76-82-83-120-177-181-194-209-211-225-226-336)















"A FÉ CHEGARÁ"





“Viemos a Acreditar”














No
início, rejeitei parte do programa de A. A. que se referisse a Deus de alguma
maneira. Até mesmo permanecia em silêncio quando as reuniões eram encerradas com
o Pai-Nosso. (Mesmo porque, eu nem sabia a oração.)





Voltando para o passado, não creio que eu fosse um agnóstico e nem tampouco um
ateu. Mas sei que não conseguia aceitar nada desse "negócio de Deus" e nem
queria vir a acreditar ou a experimentar qualquer despertar espiritual. Afinal
de contas, havia procurado A. A. para ficar sóbrio, e uma coisa não tinha nada a
ver com a outra.




Mesmo
com toda a minha estúpida arrogância, vocês ainda assim me amaram, estenderam
suas mãos em um gesto de amizade e, tenho certeza, usaram de cautelosa sabedoria
ao tentar chegar a mim com o programa. Mas eu só conseguia ouvir aquilo o que
queria ouvir.





Permaneci "seco" durante alguns anos. Então, como vocês já podem ter adivinhado,
bebi novamente. Era inevitável. Eu tinha aceitado apenas aquelas partes do
programa que se encaixavam na minha vida, sem nenhum empenho da minha parte.
Ainda era o egocêntrico de sempre, cheio de todos os meus antigos ódios, do meu
egoísmo e da minha incredulidade – tão carente de maturidade quanto quando
cheguei a A. A.




Desta
vez não tinha mais nenhuma esperança, quando fui internado no hospital. Afinal
de contas, vocês me haviam dito que A. A. era a última esperança para o
alcoólico, e eu havia fracassado. Não existia nada mais. Nesse exato momento,
minha irmã resolveu me enviar um recorte do jornal da Escola Dominical. Nenhuma
carta, apenas o recorte: "Reze com descrença, mas reze com sinceridade e a fé
chegará".




Rezar?
Como é que eu poderia rezar? Eu não sabia como rezar. Apesar disso, estava
pronto a fazer qualquer coisa para conseguir minha sobriedade e alguma coisa que
se parecesse com uma vida normal. Acho que simplesmente desisti. Parei de lutar.
Aceitei aquilo em que eu realmente não acreditava, muito menos entendia.




Comecei
a rezar, não de uma maneira formal. Apenas falei com Deus, ou melhor, implorei:
"Ajude-me, amado Deus. Eu sou um bêbado". Eu não tinha ninguém a quem recorrer,
exceto esse Deus que eu não conhecia.




Não me
lembro de nenhuma mudança imediata ou dramática em minha vida. Lembro-me de ter
dito à minha esposa o quanto isso me parecia inútil. Por sugestão dela,
recomecei a ler o Livro Grande e os Doze Passos e então encontrei neles muito
mais do que havia encontrado antes. Não rejeitei nada. Aceitei tudo exatamente
como estava escrito. Também não li nada além daquilo que estava escrito.




Repito
que nada mudou da noite para o dia. Mas, à medida em que o tempo passava,
adquiri uma fé cega onde, aceitando um Deus que eu não entendia e o programa de
A .A. exatamente como fora escrito, eu poderia manter minha sobriedade um dia de
cada vez. Se quisesse ter mais alguma coisa, ela viria à medida em que o tempo
passasse, exatamente como vieram as outras coisas boas.




Não
acho mais necessário provar minha descrença em Deus, através de cada raciocínio
e cada propósito, da maneira que fiz durante anos. Também não acho mais que seja
necessário provar minhas idéias perante os outros. Não – as únicas contas e a
única prova que devo prestar são a mim mesmo e a Deus, na forma em que O concebo
(ou não concebo). Tenho certeza de que irei errar de tempos em tempos, mas tenho
que aprender a perdoar a mim mesmo como Deus me perdoou pelo meu passado.




Creio
que tive um despertar espiritual, o mais simples possível, que prosseguirá
enquanto eu continuar a praticar este programa em todas as minhas atividades.
Para mim, não existe nenhum "lado espiritual" no programa de Alcoólicos
Anônimos; o programa todo é espiritual.




Tal
como vejo as coisas, algumas das evidências de um despertar espiritual são a
maturidade, o abandono do ódio habitual, a capacidade de amar e ser amado, a
capacidade de acreditar, mesmo sem entender, que Algo permite que o sol se
levante pela manhã e se ponha à noite, que as folhas renasçam na primavera e
caiam no inverno, e que dê musicalidade aos pássaros. Por que não deixar que
esse Algo seja Deus?










(Fonte: Viemos a Acreditar - St. Petersburg, Florida)














“Na Opinião do
Bill”










DOR E PROGRESSO




“Alguns anos atrás
eu costumava ter pena de todas as pessoas que sofriam. Agora somente tenho pena
daqueles que sofrem por ignorância, que não entendem o propósito e a utilidade
definitiva da dor.”




Certa vez alguém
disse que a dor é a pedra de toque do progresso espiritual. Nós, Aas, podemos
concordar com isso, pois sabemos que as dores decorrentes do alcoolismo tiveram
que vir antes da sobriedade, assim como o desequilíbrio emocional vem antes da
serenidade.




“Acredite mais
profundamente: Levante a cabeça para a Luz, ainda que no momento você não possa
ver.”




A DÁDIVA
COMPARTILHADA




A. A. é mais do
que um conjunto de princípios; é uma sociedade de alcoólicos em ação. Precisamos
levar a mensagem, caso contrário nós mesmos poderemos recair, e aqueles a quem
não foi dada a verdade podem perecer.




A fé é mais do que
nossa maior dádiva; compartilhá-la com os outros é nossa maior responsabilidade.
Que nós, de A. A., possamos buscar continuamente a sabedoria e a boa
vontade pelas quais possamos desempenhar bem a grande tarefa que o Doador de
todas as dádivas perfeitas colocou em nossas mãos.




NUNCA MAIS!




“Muitas pessoas se
sentem mais seguras com o plano das vinte e quatro horas do que com a resolução
de que nunca mais beberão. Muitas delas já quebraram muitas resoluções. Esse é
realmente uma questão de escolha pessoal; cada AA tem o privilégio de
interpretar o programa como quiser.




“Eu, pessoalmente,
pretendo nunca mais beber. Isso é um pouco diferente de dizer: ‘Nunca mais
beberei.’ Essa última atitude às vezes põe as pessoas em dificuldade, porque
significa comprometer-se, em nível pessoal, a fazer o que nós, alcoólicos, nunca
poderíamos fazer. Esse é um ato de vontade e deixa muito pouco lugar para a
idéia de que Deus nos libertará da obsessão de beber, contando que sigamos o
programa de A. A.”




SOMOS TODOS
ADORADORES




Descobrimos que de
fato tínhamos sido adoradores. Que calafrio nos dava pensar nisso! Não tínhamos,
em várias ocasiões, adorado pessoas, sentimentos, coisas, dinheiro e a nós
mesmos?




E também, com
melhor motivo, não tínhamos contemplado com adoração o pôr-do-sol, o mar ou uma
flor? Quem de nós não tinha amado alguma coisa ou alguém? Não foi com isto que
foram construídas nossas vidas? Não foram esses sentimentos que, afinal de
contas, determinaram o curso de nossa existência?




Era impossível
dizer que não éramos capazes de ter fé, amor ou adoração. De uma forma ou de
outra, estivemos vivendo pela fé e nada mais.




A VERDADEIRA
INDEPENDÊNCIA DO ESPÍRITO




Quanto mais nos
dispomos a depender de um Poder Superior, mais independentes ficamos. Portanto,
a dependência, como se pratica em A. A. é realmente um meio de se obter a
verdadeira independência de espírito.




Na vida diária
ficamos surpresos ao descobrir o quanto somos realmente dependentes e quão
inconscientes somos dessa dependência. Toda casa moderna tem fios elétricos que
levam força e luz a seu interior. Aceitando nossa dependência dessa maravilha da
ciência, descobrimos que somos pessoalmente mais independentes, que nos sentimos
mais à vontade e seguros. A força corre exatamente para onde é necessária.
Silenciosa e certeira a eletricidade, essa estranha energia que tão poucas
pessoas entendem, vem ao encontro de nossas necessidades diárias mais simples.




Embora aceitemos
prontamente esse princípio de saudável dependência em muitos de nossos assuntos
temporais, muitas vezes resistimos fortemente a esse mesmo princípio, quando nos
pedem que o apliquemos como um meio de crescer espiritualmente. É claro que
nunca conheceremos a liberdade sob a dependência de Deus, até que tentemos
buscar. Sua vontade em relação a nós. A escolha é nossa.




A HUMILDADE EM
PRIMEIRO LUGAR




Encontramos muitos
em A. A. que antes pensavam, como nós, que humildade era sinônimo de fraqueza.
Eles nos ajudaram a nos reduzir ao nosso verdadeiro tamanho. Com seu exemplo nos
mostraram que a humildade e o intelecto poderiam ser compatíveis, contanto que
colocássemos a humildade em primeiro lugar. Quando começamos a fazer isso,
recebemos a dádiva da fé que funciona. Essa fé é para você.




Apesar da
humildade primeiro ter significado uma humilhação, agora ela começa a
representar o ingrediente que pode nos trazer serenidade.




VER E CRER




A fé quase
infantil dos irmãos Wright, de que poderiam construir uma máquina que voasse foi
a mola mestra de seu sucesso. Sem ela, nada poderia ter acontecido.




Nós, os agnósticos
e ateus, estávamos agarrados à idéia de que a auto suficiência resolveria nossos
problemas. Quando os outros nos mostravam que a “suficiência de Deus” funcionava
para eles, começamos a nos sentir como aqueles que tinham insistido em que os
irmãos Wright nunca voariam. Estávamos vendo um outro tipo de vôo, uma
libertação espiritual deste mundo, pessoas que se elevavam acima de seus
problemas.




A CHEGADA DA FÉ




Em meu caso, a
pedra fundamental da libertação do medo é a fé: uma fé que, a despeito de todas
as aparências mundanas em contrário, faz-me crer que vivo num universo que faz
sentido.




Para mim, isso
significa a crença num Criador que é todo poder, justiça e amor; um Deus que
quer para mim um propósito, um significado e um destino para crescer, ainda que
aos poucos e com hesitação, em direção à Sua imagem e semelhança. Antes de
chegar à fé eu tinha vivido como um estranho num cosmo, que muitas vezes parecia
ser hostil e cruel. Nele não poderia haver, para mim, nenhuma segurança
interior.




“Quando caí de
joelhos por causa do álcool, me achei pronto para pedir a dádiva da fé. E tudo
mudou. Nunca mais, apesar de meus sofrimentos e problemas, experimentaria minha
antiga desolação. Vi o universo iluminado pelo amor de Deus; eu não estava mais
sozinho.”




BENEFÍCIOS DA
RESPONSABILIDADE




“Felizmente as
despesas de A. A. por pessoa são muito pequenas. Deixarmos de atendê-las seria
fugir a uma responsabilidade que nos beneficia.




Muitos alcoólicos
têm dito que nunca tiveram dificuldades que o dinheiro não resolvesse. Nós somos
um grupo que, quando bebíamos, sempre estendíamos a mão em busca de auxílio.
Então, quando começamos a pagar nossas próprias contas, isso constitui uma
mudança saudável.”




“Por causa da
bebida, meu amigo Henry perdeu um emprego de salário elevado. Restava uma bela
casa – com um despesas três vezes maior do que seus reduzidos ganhos.




Ele poderia ter
alugado a casa, por uma quantia suficiente, a fim de se sustentar. Mas não!
Henry disse que sabia que Deus o queria morando ali e Ele daria um jeito de
serem pagas as contas. Assim, ele continuou amontoando dívidas e cheio de fé.
Não foi surpresa quando finalmente os credores se apossaram da casa.




Henry hoje ri
disso, pois aprendeu que Deus ajuda muito mais àqueles que estão dispostos a se
ajudar.”




COMPLETA SEGURANÇA




Ao ingressar em A.
A., a lembrança dos anos desperdiçados nos levou ao pânico. A importância
financeira não era mais nosso principal objetivo; clamávamos agora por segurança
material.




Mesmo após
estarmos bem restabelecidos em nossos negócios, temores terríveis continuavam
nos perseguindo. Isso nos tornou mesquinhos e pão duros de novo. Precisávamos
ter completa segurança material de qualquer modo.




Esquecíamos que a
maioria dos membros de A. A. tem capacidade bem acima da média para ganhar
dinheiro; esquecíamos da enorme boa vontade de nossos companheiros Aas, tão
ansiosos para nos ajudar a conseguir melhor trabalho, desde que o merecêssemos;
esquecíamos da real insegurança financeira, atual potencial, que acompanhava
todos os habitantes da terra. E, pior de tudo, esquecíamos de Deus. Em matéria
de dinheiro, só confiávamos em nós e, mesmo assim, não muito.




NENHUM PODER
PESSOAL




“A princípio, o
remédio para minhas dificuldades pessoais parecia tão evidente que eu não podia
imaginar um alcoólico recusando a proposta que lhe fosse adequadamente
apresentada. Acreditando firmemente que Cristo pode fazer tudo, eu tinha idéia
inconsciente de supor que Ele faria tudo que eu quisesse. Depois de seis longos
meses, tive que admitir que ninguém tinha se apoderado do Mestre – nem mesmo eu.




“Isso me levou à
boa e saudável conclusão de que havia muitas situações no mundo sobre as quais
eu não tinha nenhum poder pessoal – que, se eu estava tão pronto a admitir isso
respeito do álcool, devia admitir também em relação a muitas outras coisas.
Tinha que ficar quieto e entender que Ele e não eu, era Deus.”




A SENSAÇÃO DE
FAZER PARTE




Talvez uma das
maiores recompensas da meditação e da oração seja a sensação de que passamos a
fazer parte. Não mais vivemos num mundo completamente hostil. Não mais nos
sentimos perdidos, amedrontados e inúteis.




A partir do
momento em que percebemos ainda que um vislumbre da vontade de Deus, e começamos
a ver a verdade, a justiça e o amor como valores reais e eternos, não mais
ficamos tão perturbados por todas as aparentes evidências do contrário, que nos
rodeiam nos assuntos puramente humanos. Sabemos que Deus nos protege com amor.
Sabemos que quando nos voltarmos para Ele, tudo estará bem conosco, aqui e
depois.




O CAMINHO DA FORÇA




Não precisamos nos
desculpar com ninguém por depender do Criador. Temos boas razões para descrer
dos que acham que a espiritualidade é o caminho da fraqueza. Para nós ela é o
caminho da força.




O ver edito da
história é que raramente falta coragem aos homens de fé. Confiam em seu Deus.
Assim, nunca nos desculpamos por crer n’Ele. Ao contrário, tentamos deixá-Lo
demonstrar, através de nós, o que Ele pode fazer.




PODER MILAGROSO




No mais profundo
de cada homem, mulher e criança, está a idéia fundamental de um Deus. Ela pode
estar obscurecida pela calamidade, pela pompa, pela adoração de outras coisas,
mas de uma forma ou outra ela está ali. Pois a fé num Poder Superior a nós
mesmos e as demonstrações milagrosas desse Poder nas vidas humanas são fatos tão
antigos como a própria humanidade.




“A fé pode muitas
vezes ser adquirida através de ensinamentos inspirados ou de um convincente
exemplo pessoal de seus frutos. Pode às vezes ser obtida através da razão. Por
exemplo, muitos clérigos acreditam que são Tomás de Aquino provou realmente a
existência de Deus por pura lógica. Mas o que se pode fazer quando todos esses
meios falham? Esse era meu doloroso dilema.




“Foi somente
quando passei a acreditar completamente que eu era impotente perante o álcool,
somente quando apelei a algum Deus que talvez existisse, que experimentei um
despertar espiritual. Essa experiência libertadora veio primeiro; e a fé veio em
seguida – foi sem dúvida uma dádiva!”




NÃO TEMER MAL
ALGUM




Embora nós de A.
A. estejamos vivendo num mundo caracterizado por medos destrutivos como nunca
houve na história, vemos grandes momentos de fé e fortes aspirações de justiça e
fraternidade. Contudo, nenhum profeta ousa dizer se o futuro do mundo nos
reserva uma terrível destruição ou o começo da mais brilhante era jamais
conhecida pela humanidade, sob a vontade de Deus.




Estou certo de que
nós, AAS compreendemos esta perspectiva. Em menor escala, experimentamos este
mesmo estado de terrível incerteza, cada qual em sua própria vida privada. Sem
nenhum orgulho, podemos dizer que não tememos o futuro do mundo, qualquer que
ele seja. Isto porque nos tornamos capazes de sentir profundamente e dizer: “Não
temos mal algum a temer – seja feita Sua vontade, não a nossa”.




SOBREVIVER AOS
TESTES




Em nosso modo de
pensar, qualquer esquema para combater o alcoolismo, que se propõe a proteger
completamente o doente da tentação, está destinado ao fracasso. Se o alcoólico
tenta se proteger, ele pode ser bem-sucedido por algum tempo, mas geralmente
acaba tendo a maior das explosões. Já tentamos esses métodos. Essas tentativas
de fazer o impossível sempre fracassaram. Nossa resposta é libertar-se do
álcool, e não fugir dele.




“A fé sem obras é
morta.” Essa é uma aterradora verdade para o alcoólico! Porque se um alcoólico
deixa de aperfeiçoar e ampliar sua vida espiritual por meio do trabalho e do
sacrifício próprio em benefício dos demais, ele não pode sobreviver aos testes e
aos momentos de fraqueza que esperam por ele. Se não trabalhar, com certeza
voltará a beber, e se beber, certamente morrerá. Então, a fé será realmente
morta.




ANTÍDOTO PARA O
MEDO




Quando nossas
falhas geram o medo, sofremos uma doença da alma. Essa doença, por sua vez, gera
mais defeitos de caráter.




O medo irracional
de que nossos instintos não sejam satisfeitos nos leva a cobiçar os bens dos
outros, a desejar ardentemente sexo e poder, a ficar com raiva quando nossas
exigências instintivas são ameaçadas, a sentir inveja quando as ambições dos
outros parecem ser realizadas, enquanto as nossas não o são. Comemos, bebemos e
nos apossamos de mais do que precisamos, sempre por medo de não ter o
suficiente. E realmente nos alarmamos frente a perspectiva de trabalho,
permanecemos preguiçosos.




Desperdiçamos
tempo e procrastinamos ou, na melhor das hipóteses, trabalhamos de má vontade e
sem energia.




Esses medos são os
cupins que, incessantemente, devoram os alicerces de qualquer tipo de vida que
tentamos construir.




Conforme cresce a
fé, cresce a segurança interior. O grande medo latente do nada começa a
desaparecer. Nós de A. A. descobrimos que nosso antídoto básico para o medo é o
despertar espiritual.




A RAZÃO – UMA
PONTE PARA A FÉ




Enfrentamos
honestamente a questão da fé. Não podíamos evitar a polêmica. Alguns de nós já
tinham atravessado a ponte da razão em direção ao litoral da fé, onde mãos
amigas se estendiam nos dando as boas-vindas. Ficamos agradecidos pela razão nos
levar tão longe. No entanto, por algum motivo, não nos atrevíamos a botar o pé
no litoral. Talvez estivéssemos dependendo demais da razão e não quiséssemos
perder seu apoio.




Mas sem saber, não
tínhamos sido levados até onde estávamos, por um certo tipo de fé? Não é
verdade que acreditávamos em nosso próprio raciocínio? Não é verdade que
tínhamos confiança em nossa capacidade de pensar? E não era isso uma espécie de
fé? Sim, tínhamos tido fé, de maneira objetiva, tínhamos sido fiéis ao deus da
razão. Assim, descobrimos que, de uma maneira ou de outra, a fé estava sempre
presente.




FÉ E AÇÃO




A educação e o
treinamento religiosos de seu provável membro podem ser bem superiores aos que
você tenha. Nesse caso, ele vai duvidar que você possa acrescentar alguma coisa,
ao que ele já conhece. Mas desejará saber por que as próprias convicções não
funcionaram, enquanto as suas parecem funcionar bem. Talvez ele seja um exemplo
de que a fé sozinha não basta.




Para ser vital, a
fé deve ser acompanhada de auto-sacrifício, altruísmo e ação construtiva.




Admita a
possibilidade de ele saber mais a respeito de religião do que você, mas chame a
atenção dele para o fato de que, por mais profundas que sejam sua fé e educação
religiosa, essas qualidades não devem ter lhe servido muito, caso contrário ele
não estaria solicitando ajuda.




O Dr. Bob não
precisava de mim para sua orientação espiritual. Ele tinha mais do que eu. Na
verdade o que ele mais precisava, quando nos encontramos pela primeira vez, era
de uma profunda deflação e da compreensão, que somente um bêbado pode dar a
outro. O que eu precisava era de humildade, de esquecimento de mim mesmo e de
estabelecer um verdadeiro parentesco com outro ser humano de meu próprio tipo.




DISPOSTOS A
ACREDITAR




“Não permita que
qualquer preconceito contra termos espirituais possa impedi-lo de se perguntar,
o que eles poderiam significar para você. No começo, era disso que precisávamos,
para dar início a um crescimento espiritual, ‘para estabelecer nossa primeira
relação consciente com Deus como nós O concebíamos’. Mais adiante passamos a
aceitar muitas coisas que nos pareciam inteiramente fora de alcance. Isso era
crescimento, mas para crescer tínhamos que começar de algum modo. Assim, no
princípio, usamos nossas próprias concepções de Deus, ainda que limitadas.




“Precisávamos nos
fazer apenas uma simples pergunta: ‘Acredito, ou estou mesmo disposto a
acreditar que exista um Poder Superior a mim?’ Assim que o indivíduo possa dizer
que acredita, ainda que seja em pequeno grau, ou que esteja disposto a
acreditar, nós lhe asseguramos enfaticamente que ele está no caminho.”




DEUS NÃO NOS
ABANDONARÁ!




“Acabo de saber
que você está suportando magnificamente a adversidade, sendo essa adversidade
seu estado de saúde. Isso me dá a oportunidade de expressar minha gratidão por
sua recuperação em A. A., e especialmente pela demonstração de seus princípios
que você nos está dando agora de maneira tão inspiradora.




“Você gostará de
saber que a este respeito os Aas raramente falham. Acho que isso ocorre por
sabermos com tanta segurança que, seja qual for nossa sorte, Deus não nos
abandonará. De fato Ele não nos abandonou quando estávamos bebendo. E assim há
de ser para o resto de nossas vidas.




“Certamente Ele
não tenciona nos salvar de todos os problemas e adversidades. Nem tampouco, no
fim, nos salvará da chamada morte – que afinal é apenas uma passagem para uma
nova vida na qual habitaremos em SUAS muitas mansões. Com respeito a essas
coisas, sei que você tem uma fé muito grande.”




A RESPOSTA NO
ESPELHO




Enquanto bebíamos,
tínhamos certeza de que nossa inteligência, apoiada pela força de vontade,
poderia muito bem controlar nossa vida interior e garantir nosso sucesso no
mundo em que vivemos. Essa filosofia valente, na qual cada um de nós fazia o
papel de Deus, soava muito bem, mas ainda tinha que passar pela prova decisiva:
será que funcionava mesmo? Uma boa olhada no espelho foi resposta suficiente.




Meu despertar
espiritual foi muito rápido e absolutamente convincente. De repente, me tornei
uma parte – embora pequenina – de um cosmo que era dirigido pela justiça e pelo
amor na pessoa de Deus. Apesar das conseqüências de minha própria obstinação e
ignorância, ou da de meus companheiros de viagem na terra, a verdade ainda era
essa. Essa era minha nova e positiva certeza – e ela nunca me abandonou.




EM BUSCA DA FÉ
PERDIDA




Muitos Aas podem
dizer a uma pessoa sem fé: “Nos desviamos da fé que tínhamos quando crianças.
Com a chegada do sucesso material, achamos que estávamos ganhando o jogo da
vida. Isso era emocionante e nos fazia felizes.




“Por que
deveríamos nos preocupar com abstrações teológicas e deveres religiosos ou com o
estado de nossas almas aqui ou no além?




A vontade de
ganhar os levaria para frente”.




“Mas então o
álcool começou a nos dominar. Finalmente, quando começamos a ver nosso placar
marcando zero, e percebemos que mais um golpe nos colocaria fora do jogo para
sempre, tivemos que buscar nossa fé perdida. Foi em A. A. que a reencontramos.”




REALIDADE INTERIOR




À medida que a
humanidade estuda o mundo material, nós é constantemente revelado que sua
aparência exterior não é, de modo algum, a realidade interior. A prosaica trave
de aço é uma massa de elétrons, girando uns ao redor dos outros, em velocidade
incrível, e esses pequenos corpos são governados por leis precisas. Assim nos
diz a Ciência. Não temos nenhuma razão para duvidar disso.




Entretanto, quando
é sugerida a hipótese perfeitamente lógica, de que além do mundo material, como
o contemplamos, existe uma inteligência criadora, orientadora e todo-poderosa,
no mesmo instante vem à tona nosso traço perverso de temperamento e procuramos
nos convencer de que isso não é verdade. Se fosse certa nossa argumentação
significaria que a vida se originou do nada, que nada significa e que não leva a
nada.




MEDO E FÉ




A conquista da
libertação do medo é uma tarefa para toda a vida; é algo que nunca termina.




Ao sermos
duramente atacados, estarmos gravemente enfermos ou em qualquer situação de
grande insegurança, todos reagimos a essa emoção – bem ou mal, conforme o caso.
Somente os que enganam a si mesmos pretenderão estar totalmente livres do medo.




Finalmente
percebemos que a fé em alguma forma de Deus era parte de nosso ser. Algumas
vezes tivemos que procurá-Lo persistentemente, mas Ele estava ali. Ele era tão
real quanto nós. Encontramos a Grande Realidade no mais profundo de nosso ser.




A FÉ – UM PLANO –
E TRABALHO




“A idéia de viver
um “plano de vinte e quatro horas” aplica-se primeiramente à vida emocional do
indivíduo. Emocionalmente falando, não devemos viver no ontem, nem no amanhã.




“Mas nunca entendi
que isto significasse que o indivíduo, o grupo ou A. A. como um todo não deveria
pensar em como funcionar amanhã ou mesmo num futuro mais distante. A fé sozinha
nunca construiu a casa em que você mora. Foi preciso haver um plano e um bocado
de trabalho para que essa casa se tornasse uma realidade.




“Nada é mais
verdadeiro para nós, de A. A., do que o dito bíblico: ‘A fé sem obra é morta’.
Os serviços de A. A., todos destinados a fazer mais, e o melhor possível, o
trabalho do Décimo Segundo Passo, são as ‘obras’ que garantem nossa vida e nosso
crescimento, impedindo a anarquia ou a estagnação.”




GENTE DE FÉ




Nós que
atravessamos o caminho do agnosticismo e ateísmo, lhe pedimos para se despojar
do preconceito, até do preconceito contra a religião organizada. Aprendemos que
sejam quais forem as fraquezas humanas que os vários credos possam ter, estes
têm dado propósito e orientação a milhares de indivíduos. As pessoas com fé têm
uma idéia lógica do que seja a vida.




Na realidade, não
costumávamos ter nenhuma concepção racional. Costumávamos nos divertir,
ridicularizando cinicamente as crenças e as práticas espirituais, quando
poderíamos ter visto que muitas pessoas espiritualizadas, de todas as raças,
cores e credos, estavam demonstrando ter um grau de equilíbrio emocional,
felicidade e utilidade que deveríamos ter procurado para nós mesmos.




APRENDENDO A
CONFIAR




Todo o programa de
A. A. se baseia no princípio da confiança mútua. Confiamos em Deus, confiamos em
A. A. e confiamos uns nos outros. Portanto, não podemos deixar de confiar em
nossos líderes em serviço. O “Direito de Decisão” que lhes oferecemos não é
somente um meio prático de permitir que eles atuem e dirijam efetivamente, mas
também um símbolo de nossa confiança implícita.




Se você chega a A.
A. sem ter uma convicção religiosa, você pode, se quiser, fazer do próprio A. A.
ou de seu grupo seu “Poder Superior”. Eles são um grande número de pessoas que
resolveu seu problema com o álcool. Nesse sentido, certamente representam um
poder superior a você. Esse mínimo de fé já era suficiente.




Muitos membros que
só dessa maneira atravessaram o limiar contar-lhe-ão que, uma vez do outro lado,
sua fé se ampliou e se aprofundou. Libertados da obsessão pelo álcool, com suas
vidas inexplicavelmente transformadas, vieram a acreditar num Poder Superior, e
a maioria deles começou a falar em Deus.




(Fonte: “Na
Opinião do Bill” – paginas:
3-13-16-23-26-36-47-51-84-112-114-117-129-152-166-188-196-208-212-219-221-225-235-260-263-284-300-310)















FÉ NAS PESSOAS





“Viemos a Acreditar”















Meus
pais me legaram uma fé que perdi nos anos mais recentes. Não, não era uma fé
religiosa, embora tivesse sido influenciada pelos ensinamentos de duas
denominações religiosas. Essa fé também não me foi imposta; simplesmente me
afastei dela através do tédio, e a minha crença em Deus, frágil e superficial,
desapareceu tão logo tentei pensar sobre ela.




Era uma
fé nas pessoas, aquela que meus pais me transmitiram – tanto me amando quanto me
respeitando como um indivíduo, habilitado a fazer suas próprias escolhas. Esse
amor eu aceitei e correspondi sem questioná-lo, como um fato natural.




Sozinha
no mundo por minha conta, ainda tinha a sensação de estar sob a proteção
benevolente; meus chefes imediatos (de ambos os sexos) pareciam me encarar tão
gentilmente quanto meus professores haviam feito. Estranhamente, minha boa-sorte
às vezes aborrecia-me. "O que é isso?", eu me perguntava. "Será que desperto
impulsos maternais?" Porque havia dentro de mim um elemento em guerra com minha
fé nas pessoas. Esse elemento era um orgulho obstinado e furioso que ansiava por
independência total. Com meus contemporâneos, era sempre dolorosamente tímida e,
mesmo naquela época, interpretei corretamente essa deficiência como um sintoma
de egocentrismo – o medo de que os outros não concordassem com minha própria
auto-avaliação.




Essa
avaliação não incluía certamente uma imagem de mim mesma como uma bêbada. Sempre
suspeitei que o orgulho mata tantos alcoólicos quanto a bebida. Poderia ter sido
muito facilmente uma dessas vítimas, porque minha reação ao rápido avanço do
alcoolismo foi principalmente um frenético esforço para ocultá-lo. Pedir ajuda?
Nem pensar!




Chegou
o dia em que meu orgulho foi esmagado (temporariamente) e pedi ajuda. Pedi ajuda
às pessoas – a estranhos. Mas meu orgulho, expandindo-se à medida em que a saúde
voltava, bloqueou minhas duas primeiras aproximações de A. A. (Durante esse
interlúdio, os amigos não-alcoólicos também me ajudaram – sem que lhes pedisse.)
Depois de outro fracasso em reconquistar minha capacidade de bebedora social,
fiquei convencida e ingressei em A. A. com toda a honestidade.





Ingressei felizmente em um Grupo que dedicava suas reuniões fechadas à
discussões sobre os Passos. A maioria dos membros tinha seu próprio conceito
sobre um Deus; a atmosfera de fé que me rodeava era tão acentuada que pensava às
vezes estar pronta para me integrar nela. Nunca o fiz. E não obstante descubro
os Passos a revelar, em cada discussão, novas profundidades de significado.




No
Segundo Passo, o "Poder Superior a nós mesmos" significava A. A., mas não apenas
os membros que conheci. Significava todos nós, em toda parte, partilhando a
preocupação uns pelos outros e criando assim um recurso espiritual mais forte do
que cada um de nós poderia proporcionar isoladamente. Outra mulher do meu Grupo
acreditava que as almas dos alcoólicos mortos, inclusive aquelas de tempos
anteriores a A. A., contribuíam para esse manancial de boa-vontade. O pensamento
era tão belo que desejei também poder acreditar nele.





Inicialmente, o Terceiro Passo era simplesmente a maneira como me sentia nas
manhãs sem ressaca do início da sobriedade, sentada ao lado da janela em dias
que pareciam ser sempre ensolarados, sem nenhuma perspectiva imediata de
emprego, mas sentindo-me de qualquer forma perfeitamente feliz e confiante.
Depois, esse Passo tornou-se uma alegre aceitação do meu lugar no mundo: "Não
tenho a menor idéia de Quem ou o Que está dirigindo o espetáculo, mas sei que
faço parte dele!" Também podia encarar o Terceiro Passo como uma boa atitude,
uma efetiva aproximação à vida: "Se eu estiver nadando em água salgada e entrar
em pânico, se começar a bracejar e a lutar contra a água, ela me afogará. Mas se
relaxar e tiver fé, ela me manterá boiando".




Embora
o Quarto Passo não mencione um Poder Superior, a palavra "moral" traz para mim
uma implicação de pecado, o que no meu manual se traduz numa ofensa a Deus.
Assim, considerei o inventário como uma tentativa de descrição honesta do meu
caráter, no lado negativo, ficavam as qualidades que tendiam a ferir as pessoas.
Tentando viver no mundo ao invés de fugir dele, tentando me abrir para as outras
pessoas ao invés de me afastar delas, esperava que esse contato com meus
semelhantes aplainasse de alguma forma as arestas agudas e ferinas da minha
personalidade – Sexto e Sétimo Passos.




Não
tenho certeza de que estivesse trabalhando conscienciosamente os Passos, mas na
certa eles estavam agindo sobre mim. Por volta do quarto ano de sobriedade, um
incidente trivial me fez perceber subitamente que minha velha desculpa da
timidez havia desaparecido. "Sinto-me em casa no mundo!", disse a mim mesma
atônita.




Hoje,
cerca de dez anos depois, ainda me sinto assim. Sob todos os aspectos da minha
vida, os benefícios da experiência de A. A. compensaram de longe os prejuízos do
alcoolismo ativo. O que é que supera (momentaneamente) meu orgulho e me torna
acessível? A melhor resposta que posso encontrar é aquilo que meu pai chamava de
"a força vital". (Ele era um velho médico de família e havia visto muitas vezes
essa força brotando ou desaparecendo.) Ela existe em todos nós, acredito; anima
as coisas vivas e mantém as galáxias girando. A metáfora da água salgada,
aplicada ao Terceiro Passo, não foi escolhida por acidente, porque o oceano é
para mim um símbolo dessa força; chego mais perto do Décimo Primeiro Passo
quando posso contemplar um horizonte infinito a partir do convés de um navio.
Fico reduzida ao meu tamanho real; sinto serenamente que sou uma pequena parte
de alguma coisa vasta e incompreensível.




Mas, o
oceano não é um símbolo bastante frio? Sim. Será, penso eu, que seu orgulho
enxergava os peixinhos e também está interessado no destino de algum indivíduo?
Falaria eu com ele? Não. Certa vez, um pouco antes de parar de beber, dirigi
três palavras a Algo não humano. Na obscuridade que antecede a manhã,
levantei-me da cama, ajoelhei-me, juntei as mãos e implorei: "Ajude-me, por
favor". Então, dei de ombros e disse: "Com quem estou falando?" e voltei para a
cama.




Quando
contei esse episódio a um dos meus padrinhos, uma mulher, ela disse: "Entretanto
Ele respondeu à sua prece".




Pode
ser. Mas não senti isso. Não argumentei com minha madrinha, mas hoje não ataco o
mistério com a lógica pura. Se você puder me provar logicamente que existe um
Deus pessoal – e não acho que possa – nem assim me sentirei inclinada a falar
com uma Presença que não possa sentir. Se eu pudesse provar-lhe logicamente que
não existe nenhum Deus – e sei que não posso – a sua fé verdadeira não ficaria
abalada. Em outras palavras, as questões relativas à fé residem inteiramente
fora do domínio da razão. Existe algo além do domínio da razão humana? Sim,
acredito que exista algo.




Nesse
ínterim, aqui estamos todos juntos – quero dizer todos nós e não apenas os
alcoólicos. Precisamos uns dos outros.









(Fonte: Viemos a Acreditar - Nova York, Nova York)




























por Marco Leite














pode ser definida de diversas formas, como: crença religiosa, conjunto de dogmas
e doutrinas que constituem um culto, a primeira virtude teologal: adesão e
anuência pessoal a Deus, seus desígnios e manifestações, firmeza na execução de
uma promessa ou de um compromisso, crença, confiança, asseveração de algum fato
ou testemunho autêntico que determinados funcionários dão por escrito acerca de
certos atos, e que tem força em juízo (isso no caso de uma relação de trabalho).









Essas definições aí de cima são do Aurélio e estão
colocadas de forma fria para mim, um alcoolista em recuperação e praticante dos
12 Passos de AA. A palavra FÉ, para mim, é a essência do 2º Passo, no qual
ingressei depois de admitir que tinha sido derrotado por uma ou mais garrafas de
vodka, que a minha vida em ruína não tinha mais controle, e que a derrota seria
ainda pior se eu não aceitasse que não tinha mais esse controle, pois nesse
momento quem tinha o controle era o álcool.









Era aceitar isso e pedir ajuda, pois sozinho eu não
iria mais conseguir sair do buraco onde me enfiei. O vazio que tomava conta do
meu ser tinha que ser preenchido e escolhi vir a acreditar, mas realmente
acreditar, que alguém Superior a mim poderia me devolver a sanidade e me guiar
rumo a saída do poço sem fundo que havia me metido.









Foi exatamente nesse momento que eu conheci a FÉ de
um alcoolista que realmente quer recuperação. Eu escolhi vir a acreditar que
seria possível viver longe do álcool e das drogas. E é esse vir a acreditar e a
entrega a Deus que me dão a FÉ necessária para prosseguir a minha caminhada. Sei
perfeitamente que, hoje, onde havia um grande vazio agora existe esperança e
salvação para uma pessoa que passou a acreditar que através da FÉ existia uma
saída para ela.


Obrigado a todos e espero poder ter colaborado.


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