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RECANTO DA LEITURA

 
 
 
 
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  BILL ESCREVE SOBRE O AMOR




A próxima etapa




SOBRIEDADE EMOCIONAL














Acredito que muitos veteranos que submeteram nosso Programa de
Recuperação de A. A. a testes severos, mas bem-sucedidos, ainda descobrem que
frequentemente lhes falta sobriedade emocional. Talvez eles venham a ser a ponta
de lança do próximo desenvolvimento importante AM A. A. – o desenvolvimento de
uma maturidade e um equilíbrio muito mais reais (o mesmo que dizer humildade),
em nossos relacionamentos com nós mesmos, com nossos companheiros e com Deus.




Aqueles anseios adolescentes que tantos de nós experimentavam,
por aprovação superior, segurança perfeita e romance perfeito – anseios muito
adequados quando se tem dezessete anos – revelam-se uma forma de vida impossível
quando temos quarenta e sete ou cinqüenta e sete anos.




Desde o início de A. A., passei por imensos percalços em todas as
áreas, devido à minha incapacidade de crescer emocional e espiritualmente. Meu
Deus, como foi doloroso tentar exigir o impossível e como doeu descobrir,
finalmente, que havíamos colocado o carro adiante dos bois durante todo esse
tempo! Veio então a agonia final de perceber o quão pavorosamente errados
tínhamos sido, mas ainda assim nos descobrimos incapazes de pular fora do
carrossel emocional.




Como traduzir uma convicção mental correta em um resultado
emocional correto e, assim, numa vida fácil, boa e feliz – bem, esse problema
não é só dos neuróticos; é o problema da própria vida para todos nós que
chegamos ao ponto da real disposição para respeitar princípios corretos em todas
as nossas atividades.




Mesmo assim, à medida em que talhávamos esses princípios, a paz e
a alegria ainda nos fugiam. Foi a esse ponto que tantos veteranos de A. A.
chegaram. E é um ponto infernal, literalmente. Como poderá nosso inconsciente –
de onde ainda fluem tantos dos nossos temores, compulsões e falsas aspirações –
ser alinhado com aquilo em que realmente acreditamos, sabemos e queremos? Como
convencer o nosso obtuso, raivoso e oculto “Mr. Hyde”, converte-se em nossa
tarefa principal.




Cheguei recentemente à conclusão de que isso pode ser conseguido.
Acredito nisso porque comecei a encontrar muitas pessoas perdidas na escuridão –
gente como você eu – começando a obter resultados. No último outono, uma
depressão sem nenhuma causa racional quase me levou para o buraco. Comecei a
temer que estivesse me encaminhando para outro longo período crônico.
Considerando-se as aflições que sofri com os períodos de depressão, a
perspectiva não era nada brilhante.




Eu continuava me perguntando: “Por que é que os Doze Passos não
podem funcionar para aliviar a depressão?” Lembrava-me a toda hora da Oração de
São Francisco... “É melhor consolar do que ser consolado”. A fórmula estava lá,
tudo bem. Mas por que é que ela não funcionava?




Percebi subitamente qual era o problema. Minha falha básica
sempre fora a dependência – a dependência quase absoluta – de pessoas ou
circunstâncias que me alimentassem com prestígio, segurança e coisa assim. Não
conseguindo obter essas coisas de acordo com meus sonhos e especificações
perfeccionistas, eu havia lutado por elas. E quando veio a derrota, assim também
veio minha depressão.




Não havia nenhuma possibilidade de converter o altruísta amor de
São Francisco em uma forma de vida funcional e radiosa, até que essas
dependências fatais e quase absolutas fossem eliminadas.




Uma vez que eu havia experimentado um pequeno desenvolvimento
espiritual ao longo dos anos, a qualidade absoluta dessas dependências
apavorantes nunca fora antes tão cruamente revelada. Reforçado por um pouco de
Graça que podia garantir através da oração, constatei que tinha que despender
cada grama de força de vontade e ação para romper essas dependências emocionais
falhas em relação às pessoas, ao A. A. e, na verdade, em relação a qualquer
conjunto de circunstâncias que fosse.




Só então eu poderia ser livre para amar como São Francisco havia
amado. As satisfações emocionais e instintivas eram na realidade, como percebi,
os dividendos extras de experimentar o amor, oferecer o amor e expressar o amor
adequado a cada relacionamento na vida.




Falando francamente, eu não poderia me tornar disponível para
receber o amor de Deus, até que fosse capaz de oferecê-lo de volta amando aos
outros da forma que Ele me amava. E eu não poderia possivelmente fazer isso
enquanto fosse vitimizado pelas falsas dependências.




Para mim, dependência significava exigência – a exigência da
posse e do controle das pessoas e das condições que me rodeavam.




Embora as palavras “dependência absoluta” possam parecer um
truque, foram elas que me ajudaram a iniciar minha libertação até meu presente
grau de estabilidade e silêncio mental, qualidades que estou agora tentando
consolidar oferecendo amor aos outros, independentemente do seu retorno.




Esse parece ser o circuito de restabelecimento primordial: um
amor altruísta pela criação de Deus e pelos Seus filhos, através do qual nos
tornamos receptivos ao amor d’Ele por nós. É da máxima clareza que o fluxo
verdadeiro não poderá fluir até que nossas dependências paralisantes sejam
rompidas, e rompidas em profundidade. Somente então poderemos possivelmente ter
um lampejo daquilo que o amor adulto realmente é.




Cálculo espiritual, dirá você. Nada disso. Observe qualquer
recém-chegado em A. A. há seis meses trabalhando em um novo caso de Décimo
Segundo Passo. Se a “vítima” disser “Vá para o Diabo”, o Mensageiro apenas
sorrirá e se dedicará a outro caso. Ele não se sentirá frustrado ou rejeitado.
Se o caso seguinte se interessar e, por sua vez, começar a conceder amor e
atenção a outros alcoólicos embora não conceda nada ao seu Padrinho, este estará
contente de qualquer forma. Nem assim ele se sentirá rejeitado; ao invés disso,
ele se alegrará pelo fato do primeiro membro abordado estar sóbrio e feliz. E se
o seu caso seguinte acabar mais tarde se tornando seu melhor amigo (ou amor),
então o Padrinho experimentará a alegria máxima. Mas ele saberá muito bem que
essa felicidade é um produto colateral – o dividendo extra por haver se dado sem
nada exigir em troca.




A coisa realmente estabilizante para ele será ter e oferecer amor
àquele bêbado desconhecido na soleira da sua porta. Assim trabalhava São
Francisco, poderoso e prático: menos dependência e menos exigência.




Nos seis primeiros meses da minha própria sobriedade, trabalhei
exaustivamente com muitos alcoólicos. Não tive êxito com nenhum deles. Não
obstante, esse trabalho manteve-me sóbrio. A questão não era aqueles alcoólicos
me darem alguma coisa. Minha estabilidade veio da tentativa de dar e não de
exigir recebimento.




É dessa forma portanto que acredito que a estabilidade emocional
possa funcionar. Se examinarmos cada contratempo que nos aparece, grande ou
pequeno, descobriremos na raiz dele alguma dependência doentia e sua conseqüente
exigência doentia. Vamos abandonar continuamente, com a ajuda de Deus, essas
dependências embaraçantes. Poderemos então nos libertar para viver com amor;
poderemos então ser capazes de dar o Décimo Segundo Passo, em relação a nós
mesmos e aos outros, a fim de alcançar a sobriedade emocional.




É claro que não ofereci a vocês nenhuma idéia realmente nova –
apenas um truque que começou a desembaraçar alguns dos meus próprios
“embruxamentos” em profundidade. Hoje em dia, meu cérebro não dispara mais
compulsivamente para a exaltação, a grandiosidade ou a depressão. Consegui um
lugar calmo sob o sol brilhante.









ORAÇÃO




Atribuída a São Francisco de
Assis














“Ó Senhor!




Faze de mim um instrumento da Tua
Paz;




Onde há ódio, faze que eu leve o
Amor;




Onde há ofensa, que eu leve o
Perdão;




Onde há discórdia, que eu leve a
União;




Onde há dúvidas, que eu leve a
Fé!




Onde há erros, que eu leve a
Verdade;




Onde há desespero, que eu leve a
Esperança;




Onde há tristeza, que eu leve a
Alegria;




Onde há trevas, que eu leve a
Luz!




Ó Mestre! Faze que eu procure
menos




Ser consolado, do que consolar;




Ser compreendido, do que
compreender;




Ser amado, do que amar...




Porquanto:




É dando que se recebe;




É perdoando, que se é perdoado;




E é morrendo que se vive para a
Vida Eterna.




Amém”.









(Fonte: O melhor de Bill –
paginas: 48 a 54)














UMA HISTÓRIA DE AMOR









Eu vivo uma verdadeira história de amor com A. A.




Incrível como em A. A. posso viver a palavra de Deus na sua
expressão mais ampla, onde os princípios de qualquer religião humana estão
presentes.




O reconhecimento de que sem Deus
não sou nada,
está lá, assumido e vivido.




O amor ao próximo,
quando aceito o outro como ele é, não como eu gostaria que fosse, também está
lá, no seu lema: viva e deixe viver.




A caridade/partilhada
na troca e não na soberba de quem tem muito, dá a quem tem pouco. Mas, por
incrível que pareça, o que dou é exatamente a mesma medida do que preciso. Não
me esvazio, mas me encho.




A humildade,
quando tenho consciência de minhas reais falhas.




Entrei em A.A quase por acaso. Na época, já tinha reconhecido
minha incapacidade de beber “socialmente”. Também já sabia que sozinha eu não
conseguiria. Que só uma força superior, infinitamente maior do que a minha,
poderia me ajudar. Vinha realizando um levantamento das grandes besteiras e
estragos que havia feito na minha vida e na vida dos outros. Tentava, na medida
do possível e da minha capacidade, fazer os reparos. Mudava de atitudes e
comportamentos. Tentava ressignificar meus erros, para que eles não fossem um
peso, mas adubo para minha vida. Não queria ficar chorando em cima de mim mesma,
com auto piedade, mas, queria sim, ganhar dignidade.




Comecei a trabalhar os meus defeitos de caráter e a fazer o meu
inventário pessoal e, consequentemente, as devidas reparações às pessoas que
havia magoado e prejudicado.




E minhas mudanças de comportamento se expressavam nas minhas
atitudes em casa, no trabalho e com os amigos.




Foi quando conheci um membro de A. A. que me revelou seu
anonimato, presenteou-me com a bibliografia básica da Irmandade e, quase sem
querer (ele não sabia do meu problema), me apadrinhou em A. A..




Ao fazer a leitura do Livro Azul, e do Viver Sóbrio me dei conta
da minha enfermidade. Decidi conhecer A. A..




Na primeira reunião já me identifiquei com as pessoas, falas e
atitudes. Revivi o meu passado de ilusão alcoólica, que eu não queria mais e
principalmente sabia o que eu queria viver daqui pra frente.




Fui ficando em A. A., amando e querendo bem; me identificando, me
valorizando, me tornando gente “diferente-igual” a todo mundo.




A. A. foi o reconhecimento da vida que eu quero levar, a que
grupo eu quero pertencer.




Em A. A. eu me encontrei e encontrei outros que querem viver
assim: sóbrios e felizes.




Sou feliz porque faço parte dessa linda irmandade chamada A. A.




Felizes 24 horas de plena sobriedade.









(Fonte: Revista Vivência – 112 –
Mar./Abr.2009 – Roberta/Crateú/Orocó/PE)














UM MONUMENTO FEITO DE AMOR














Estive recentemente em Porto Alegre, por ocasião do XVI Seminário
da Região Sul de A. A. e envio as impressões que tive a todos os amigos, que não
estavam lá, mas que de alguma forma participaram.




No final do livro Dr. Bob e os Bons Veteranos esta escrito: “Dr.
Bob foi enterrado exatamente como os outros sujeitos. Próximo a ele está Anne,
como esteve durante tantos anos. Além de uma lápide simples, não há nenhum
monumento”.




- Nenhum monumento?




Pois eu vi um pedacinho do monumento numa cidade do sul da
América do Sul, muito abaixo do trópico de Capricórnio.




Vi um pedacinho do monumento nos companheiros que acompanhavam
pela Internet, da Espanha, de Portugal, dos Estados Unidos, do Japão, além do
Brasil todo.




Vi um pedacinho do monumento na companheira que, pelas suas 24
horas, atravessou o oceano e foi ajudar um desconhecido nas 24 horas dele,
plantando a semente em Angola.




Vi um pedacinho do monumento nos companheiros que têm mais de
três décadas de 24 horas, que começaram sem saber direito o que fazer, que
erraram e acertaram, que brigaram e acreditaram, que já viram e ouviram de tudo,
e estavam lá para provar que funciona.




Vi um pedacinho do monumento nas lágrimas e nos sorrisos
partilhados entre os companheiros que se encontraram depois de longa data, nos
companheiros que se viram um dia antes, nos companheiros que se conheceram
pessoalmente depois de muita conversa virtual, nos companheiros que estavam
iniciando a caminhada para sair da dor.




Vi um pedacinho do monumento em cada um dos quase mil
companheiros que foram lá, levando suas esperanças, forças e experiências e que
depois juntaram tudo numa única imensa e alegre celebração.




O monumento, meu irmão, é muito maior do que se pode enxergar,
porque o milagre que se realiza é muito maior do que o milagre que se deseja.




Levei minhas 24 horas.




Grata ao Poder Superior por ser parte deste monumento feito de
amor!




Beijo e mais 24 abençoadas horas, ainda numa condição de parva
deslumbrada com as benesses de A. A..









(Fonte: Revista Vivência –
113-Mai./Junh.2008-Constance/S.J.dos Pinhais/Paraná)














AMOR




“Na Opinião do Bill”









Companheiro e sócio




“O Dr. Bob foi meu constante
companheiro e sócio na grande aventura de A. A.. Como médico e grande criatura
humana que era, ele escolheu trabalhar com os outros em sua sublime dedicação a
A. A. e alcançou um recorde que, em quantidade e qualidade, ninguém conseguira
ultrapassar. Assistido pela incomparável Irmã Ignatia, no St. Thomas Hospital,
em Akron, ele – sem receber pagamento – trabalhou clinicamente e auxiliou
espiritualmente cinco mil sofredores.




Com todo o esforço e dificuldades
do pioneirismo de A. A., nunca houve uma palavra dura entre nós dois. Por isso,
posso dizer com toda a gratidão que o crédito foi todo dele.”




Eu me despedi do Dr. Bob sabendo que ele ia se submeter a uma
delicada cirurgia. O maravilhoso e antigo sorriso estava em seu rosto, quando me
disse quase brincando: “Lembre-se Bill, não deixe que isso se acabe. Mantenha-o
simples!” Saí sem conseguir dizer uma palavra. Essa foi a última vez que o vi.









Somos todos adoradores




Descobrimos que de fato tínhamos sido adoradores. Que calafrio
nos dava pensar nisso! Não tínhamos, em várias ocasiões, adorado pessoas,
sentimentos, coisas, dinheiro e a nós mesmos?




E também, com melhor motivo, não tínhamos contemplado com
adoração o pôr-do-sol, o mar ou uma flor? Quem de nós não tinha amado alguma
coisa ou alguém? Não foi com isto que foram construídas nossas vidas? Não foram
esses sentimentos que, afinal de contas, determinaram o curso de nossa
existência?




Era impossível dizer que não éramos capazes de ter fé, amor ou
adoração. De uma forma ou de outra, estivemos vivendo pela fé e nada mais.









Detenção diária




Não estamos curados do
alcoolismo. O que fazemos, na realidade, é deter a doença do alcoolismo
diariamente, o que depende da manutenção de nossa condição espiritual.




Nós, de A. A., obedecemos a princípios espirituais, primeiro
porque precisamos e depois porque gostamos do tipo de vida que essa obediência
acarreta. O grande sofrimento e o grande amor são os disciplinadores de A. A.;
não precisamos de nenhum outro.









Um coração cheio e agradecido




Um exercício que pratico é o de tentar fazer um inventário
completo de minhas bênçãos e então aceitar as muitas dádivas que tenho, tanto
temporais como espirituais. Aí então tento alcançar um estado de alegre
gratidão. Quando essa espécie de gratidão é repetidamente afirmada e ponderada,
ela consegue finalmente afastar a tendência natural de me felicitar por qualquer
progresso que eu possa ter sido capaz de alcançar em alguns setores da vida.




Tento me convencer de que um coração cheio e agradecido não pode
abrigar nenhum orgulho. Quando cheio de gratidão, o coração por certo só pode
dar amor, a mais bela emoção que jamais podemos sentir.









“Solitários” – mas não sozinhos




O que se pode dizer dos muitos membros de A. A. que, por várias
razões, não podem ter uma vida familiar? No início muitos deles sentem-se sós,
magoados e abandonados, ao testemunhar tanta felicidade doméstica ao seu redor.
Se não podem ter esse tipo de felicidade, A. A. pode lhes oferecer satisfações
igualmente valiosas e duradouras?




Sim, desde que eles se disponham a procurá-las. Cercados por
tantos amigos Aas, os assim chamados “solitários” nos contam que já não se
sentem sós. Em companhia de outros homens e mulheres, podem se dedicar a
inúmeros ideais, pessoas e projetos construtivos. Podem participar de
empreendimentos que por sua natureza seriam negados aos casados. Todos os dias
vemos esses membros prestarem relevantes serviços e receberem, de volta, grandes
alegrias.









Ver desaparecer a solidão




Quase sem exceção, os alcoólicos
são torturados pela solidão. Mesmo antes de nossas bebedeiras se tornarem graves
e as pessoas começarem a se afastar de nós, quase todos sofremos a sensação de
estarmos sós. Ou éramos tímidos e não nos atrevíamos a nos aproximar dos outros,
ou éramos capazes de ser bons sujeitos, sempre desejando ardentemente a atenção
e o companheirismo, mas raramente conseguindo. Sempre existia aquela barreira
misteriosa que não conseguíamos vencer nem entender.




Essa é uma das razões pela qual
amávamos tanto o álcool. Mas até Baco nos traiu; ficamos finalmente arrasados e
caímos numa terrível solidão.




A vida adquire um novo sentido em A. A. Ver pessoas se
recuperarem, vê-los ajudarem os outros, ver desaparecer a solidão, ver crescer
uma fraternidade ao redor de você, ter um grande número de amigos – essa é uma
experiência que não deve ser perdida.









Confiança cega?




“Certamente não pode haver confiança onde não há amor, nem pode
haver amor verdadeiro onde reina a maligna desconfiança.




“Mas será que a confiança exige que sejamos cegos em relação aos
motivos dos outros ou até dos nossos? Claro que não: isso seria loucura.
Certamente devemos avaliar tanto a capacidade de fazer o mal como a capacidade
de fazer o bem das pessoas em quem vamos confiar. Esse inventário particular
pode revelar o grau de confiança que podemos depositar em qualquer situação que
se apresente.




“Mas esse inventário precisa ser feito com espírito de
compreensão e amor. Nada pode prejudicar mais nosso julgamento, quanto as
emoções negativas de suspeita, ciúme ou raiva.




“Tendo depositado nossa confiança numa outra pessoa, devemos
fazer com que ela saiba disso. Desse modo, quase sempre ela vai corresponder de
maneira magnífica e muito além da nossa expectativa.”









Esse assunto de honestidade




“Somente Deus pode saber completamente o que é honestidade
absoluta. Portanto, cada um de nós tem que imaginar com o máximo de sua
capacidade o que pode ser esse grande ideal.




“Falíveis como somos e sempre seremos na vida, é presunção supor
que poderemos alcançar uma honestidade absoluta. O melhor que poderemos fazer é
atingir uma melhor qualidade de honestidade.




“Ás vezes precisamos colocar o amor acima da indiscriminada
‘honestidade objetiva’. Não podemos, sob o pretexto de uma ‘perfeita
honestidade’, ferir cruel e desnecessariamente outras pessoas. Sempre devemos
nos perguntar: O que posso fazer de melhor e mais amoroso!”









A verdadeira tolerância




Aos poucos começamos a ser
capazes de aceitar os erros dos outros, assim como suas virtudes. Inventamos a
poderosa e significativa frase: “Vamos amar sempre o que há de melhor nos outros
– e nunca temer o que tenham de pior”.




Finalmente começamos a perceber que todas as pessoas, inclusive
nós, estão de alguma forma emocionalmente doentes e muitas vezes erradas. Quando
isso acontece, nos aproximamos da verdadeira tolerância e percebemos o que
significa de fato o verdadeiro amor ao próximo.









Amar todo mundo?




Poucas pessoas podem afirmar que amam com sinceridade todo mundo.
A maioria de nós tem que admitir ter amado apenas alguns outros semelhantes; ter
sido indiferente a muitos, e ter nutrido antipatia e até mesmo ódio a muitos
outros.




Nós, Aas, descobrimos que precisamos de algo muito melhor a fim
de manter nosso equilíbrio. A idéia de que podemos amar possessivamente algumas
pessoas, ignorar muitas, e continuar a temer ou odiar quem quer que seja tem que
ser abandonada, mesmo que seja aos poucos.




Podemos procurar não fazer exigências descabidas àqueles que
amamos. Podemos demonstrar bondade onde antes havíamos demonstrado. E, com
aqueles com quem não simpatizamos, podemos pelo menos começar a prática da
justiça e cortesia, talvez nos esforçando para compreendê-los e ajudá-los.









Amor irresistível




A vida de cada AA e de cada grupo
é construída ao redor de nossos Doze Passos e Doze Tradições. Sabemos muito bem
que a punição para a desobediência sistemática desses princípios é a morte do
indivíduo e a dissolução do grupo. Mas a força maior que contribui para a
unidade de A. A. é o amor irresistível que temos por nossos companheiros e por
nossos princípios.




Você pode pensar que as pessoas do escritório de A. A., em Nova
Iorque certamente deveriam ter alguma autoridade pessoal. Mas há muito tempo,
tanto os custódios como os secretários descobriram que podem apenas dar
discretas sugestões aos grupos de A. A.




Tiveram até que cunhar algumas frases que ainda aparecem em
algumas das cartas que escrevem, como por exemplo: “Claro que vocês têm toda a
liberdade de resolver esse assunto como acharem melhor. Mas a experiência da
maioria, em A. A., parece sugerir que...”




O escritório mundial de A. A. não dá ordens. Ele é, ao contrário,
nosso maior divulgador das lições aprendidas com a experiência.









Amor + racionalidade =
crescimento




“Parece para mim que o objetivo primordial de qualquer ser humano
é o de desenvolver-se, como Deus pretendeu, sendo essa a natureza de tudo o que
cresce.




“Nossa busca deve ser em direção à realidade que podemos
encontrar, incluindo a melhor definição e sentimento de amor que podemos
adquirir. Se a capacidade de amar existe no ser humano, então ela certamente
existe em seu Criador.




“A teologia me ajuda, porque a maioria de seus conceitos me faz
acreditar que vivo num universo racional, sob o poder de um Deus amoroso e que
tinha própria irracionalidade pode aos poucos desaparecer. Esse é, suponho, o
processo de crescimento para o qual estamos destinados.”









Conselheiros afetuosos




Se não tivesse sido abençoado por conselheiros afetuosos e sábio,
eu poderia ter me arrebentado há muito tempo. Uma vez um médico me salvou da
morte por alcoolismo, porque me obrigou a encarar a mortalidade dessa doença.
Mais adiante, um outro médico, psiquiatra, me ajudou a manter a sanidade, porque
me levou a descobrir alguns de meus defeitos mais profundos. De um clérigo
adquiri os verdadeiros princípios, pelos quais nós, Aas, tentamos agora viver.




Mas esses preciosos amigos fizeram muito mais do que me suprir
com suas capacidades profissionais. Aprendi que eu poderia recorrer a eles com
respeito a qualquer problema que tivesse. Eu podia contar sempre com sua
sabedoria e integridade.




Muitos de meus queridos amigos de A. A. têm mantido comigo
exatamente essa mesma relação. Em muitas ocasiões, puderam ajudar onde outros
não puderam, simplesmente por serem Aas.









(Fonte: Na Opinião do Bill –
paginas: 18-23-27-37-53-90-144-172-203-230-273-294-303)














“AMOR EM AÇÃO”









Tudo começou a muito tempo!




O Poder Superior, Deus como cada um O concebe é amor puro. Por
nos amar muito esse Amor entrou em Ação e agindo em Bill e Bob deu início nossa
Irmandade.




Por amor um membro de A. A. entra em ação e traz a mensagem para
o Brasil. Também por amor uma companheira faz o mesmo, trazendo a mensagem de A.
A. para o Paraná.




Amor sem obras não é amor. Se não agirmos, se nada fizermos, o
nosso amor é fútil, efêmero, sem vida. O amor dá vida, por exemplo: o amor da
esposa, o amor dos filhos e o amor de Alcoólicos Anônimos.




Quando ingressamos em A. A. vamos praticando os Passos sugeridos
para a recuperação e, através deles vamos nos desenvolvendo espiritualmente. Ao
praticarmos os Doze Passos, vamos marchando em direção a um tipo de amor que não
tem preço.




Na prática destes Passos, frutos da Ação do Amor de Deus,
adquirimos, ou melhor, descobrimos em nós o verdadeiro amor: “amor paciente,
bondoso, que não tem inveja, que não é orgulhoso, nem arrogante, nem
escandaloso. Amor que não busca seus próprios interesses, não se irrita e nem
guarda rancor. Amor que tudo desculpa, tudo crê, tudo espera e tudo suporta”.




Ao despertarmos espiritualmente, graças a estes Passos, chegamos
à conclusão de que é hora de colocarmos esse “Amor em Ação”.




Procuramos então, transmitir a mensagem aos alcoólicos que ainda
sofrem e praticar os princípios de A. A. em todas as nossas atividades.




Graças a esse “Amor em Ação” é que nossa Irmandade cresce a cada
dia e cada vez mais irmãos e irmãs alcoólicos estão sendo salvos das garras da
doença do alcoolismo.




Cada um de nós tem uma DIVIDA DE GRATIDÃO para com aqueles que
nos deram o “amor em Ação”: é como diz o ditado, amor com amor se paga.




Por isso devemos cada vez mais entrar em ação e levar este amor e
a mensagem de A. A. até os confins do mundo; como está escrito: “Ide, pois, e
ensina a todas as nações, ensinando-as a observar tudo o que vos prescrevi; eis
que estou convosco todos os dias, até ao fim do mundo.”




Esta é a única forma de pagar a dívida: ajudar os outros sem nada
pedir em troca. Não há dinheiro no mundo que pague a nossa sobriedade.




Pela doença ingressamos nesta Irmandade e nos tornamos irmãos e
irmãs. Perante o Poder superior, Deus como nós O concebemos, o qual podemos
chamar de Pai, somos todos irmãos e irmãs, por isso, convido a todos, para que,
sempre de mãos dadas, como membros de uma mesma família, fazermos a declaração
da responsabilidade, dizendo a uma só voz:




“Quando qualquer um, seja onde
for, estender a mão pedindo ajuda, quero que a mão de A. A. esteja sempre ali. E
por isso, eu sou responsável.”




A paz esteja com todos e que o Senhor nos abençoe e nos guarde.









(Fonte: Revista Vivência – 114 –
Jul./Ago. 2008 – Hermes F/Curitiba/PR)














POR AMOR




Pensando em dar uma força ao
irmão, ele foi a uma sala de A. A. E ali permaneceu.









Não vim para A. A. porque eu queria parar de beber. Muito pelo
contrário. Por mim estaria bebendo, muito feliz até hoje, pois eu bebia quando
tinha vontade e parava de beber a hora que eu queria. Conseguia ficar até 48
horas sem beber. Após uma ressaca braba.




Certa vez consegui ficar seis meses sem beber (foi uma única vez
em 45 anos de ativa). Na época eu tinha 21 anos de idade.




Segunda feira, 6 de abril de 1998, meu irmão foi pela primeira
vez a uma reunião de A. A. Na terça feira, quando ele chegou na minha loja, de
manhã, (ele trabalhava comigo), foi logo dizendo todo entusiasmado: “Deni, ontem
eu fui ao grupo de A. A. e gostei à beça. Você tem que ir lá. Vai adorar.”




“Pode parar”, cortei. “Se você tem problemas com bebida é
problema seu. E até é bom voltar.”




“Cara, voltei na reunião de A. A. ontem e até ingressei. Vocês
tem que ir lá pra ver. Vai adorar!”




“Você está igualzinho a essas pessoas que entram para alguma
igreja e querem converter todo mundo. Pra gente não se aborrecer, vou te pedir
um favor: não toque mais nesse assunto. Eu não sou alcoólico e não tenho
problema com álcool. Nunca caí na rua, não separei de minha mulher. A bebida
nunca me trouxe problema. Aquilo lá não é para mim”, ponderei, cheio de moral.




Na quinta feira Santa, à tarde, viajei para o Rio a fim de passar
a Semana Santa com meus sogros e, como era de praxe, lá chegando encontrei uma
caixa de cerveja em lata na geladeira. Não deu outra: bebi até ficar satisfeito,
sem causar problema algum.




Na sexta feira Santa, pela manhã, resolvi polir o meu carro. Às 9
horas da manhã eu já estava todo suado e com muita sede. Pedi então à minha
esposa que me desse uma “latinha gelada”.




“Hoje é seta feira Santa, não pode beber. Se você quiser, tem
vinho na geladeira.”




Foi o que ouvi.




“Manda então um copo duplo.




Não sei quantos copos e nem até que hora bebi. Só sei que acordei
às 21 horas com uma sede de arrasar. A primeira coisa que fiz foi ir direto à
geladeira e enchi um copo de vinho.




“Viu o que você fez no assento do carro?”




Quase cai para trás.




“Você sentou no banco do motorista e colocou o copo de vinho no
banco do carona. O copo virou no estofamente.”




Corri até o carro. Qual não foi a surpresa... minha mulher já
havia lavado e tirado a mancha de vinho do estofamento. Entreguei o copo a ela
e, mais uma vez, jurei nunca mais beber.




Não bebi no sábado nem no domingo de Páscoa. Na segunda feira à
tarde fui visitar uma senhora que morava a 5 quilômetros de minha casa e, na
volta, lá pelas 6h20 vim pensando pelo caminho:




“Eu vou lá na sala de A. A. para dar uma força ao meu irmão,
senão ele é capaz de – por falta de incentivo – voltar a beber. Pensando bem,
não vou, não. O que é que vou fazer no meio daquele monte de pés inchados? Mas,
se eu não for, o mano pode voltar a beber.”




E assim, vim eu pela estrada: vou não vou, quando, de repente eu
estava na porta do centro de Saúde onde A. A. funciona, sem saber com eu tinha
ido parar ali.




Então eu resolvi: “Vou lá, fico 15 minutos e me mando. Pelo menos
ele não pode dizer que eu não dei uma força.”




Subi e, com 20 minutos de reunião, eu já estava querendo ir à
cabeceira de mesa. O coordenador disse-me no intervalo que para ir à cabeceira
de mesa eu teria que ingressar. Ele me deixou de castigo, mas uma hora boa para
poder me ingressar.




Na terça feira, às 11 horas, saindo para almoçar, já ia eu direto
tomar uma “purinha” antes do almoço. Foi quando me questionei:





“Que falta de vergonha. Ingressei ontem e hoje já vou beber?”




Segurei minha ficha amarela e fui até minha casa com ela na mão e
até hoje, graças ao Poder Superior, não tive nem uma recaída. Parei de fumar e
encontrei minha religião.




Eu não queria parar de beber e hoje me orgulho de ter aprendido
que não basta você parar de beber. É preciso mudar, pois nada muda se você não
mudar.









(Fonte: Revista Vivência – 78
Jul./Ago.-2002 Deni,Itaocara/RJ)



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