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RECANTO DA LEITURA

 
 
 
 
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  " PRIMEIRA TRADIÇÃO "

Luiz Augusto - Ubá – MG

"Nosso bem estar comum deve estar em primeiro lugar; a reabilitação individual depende da unidade de A. A.".

No dicionário encontramos o significado de Unidade como sendo a qualidade do que é um ou único, qualidade daquilo que não pode ser dividido; homogeneidade, igualdade, identidade, uniformidade, etc.

A Primeira Tradição coloca a Unidade como condição básica para a sobrevivência de A. A., e nós acreditamos que sem estarmos unidos em torno de um único propósito haverá dispersão, discórdia, dissolução e, por fim, a morte do indivíduo e do Grupo.

Dentro de um Grupo, nos submetemos a sugestões e princípios espirituais, para podermos nos recuperar do alcoolismo e crescermos. Se nos afastamos desses princípios espirituais e sugestões, estaremos enfraquecendo e arriscando-nos a enfraquecer e morrer.

É provável que nenhuma sociedade valorize tanto o bem- estar pessoal de seus membros como faz o A. A., e há muito tempo aprendemos que esse deve vir em primeiro lugar, sem isto, o bem-estar pessoal seria muito pouco. Na verdade, não há outra irmandade que dispense mais carinhosa a atenção a seus membros. Assim, Os Doze Passos são apenas sugestões, As Doze Tradições contém apenas os verbos "devemos" e "deve". Nenhuma delas contém "não faça", "você tem que".

A Tradição diz que a Unidade entre os alcoólicos é a joia mais preciosa que nossa irmandade possui. Unidade é saber conviver com a palavra nós, ao contrário do que diz o dicionário supracitado. De nós depende a vida de cada um. Somos filhos de Deus e somos iguais perante Ele. Não existe inimizade, ódio, desamor, injúria, ambição de poder entre os membros de A. A.; estes sentimentos levam os Grupos a fecharem suas portas. A luta pela riqueza, pelo poder e pelo prestígio, não devem nos destruir. A chave da Unidade é uma consciência bem informada.

Nos aceitar como somos, é trazer para a realidade as palavras de Jesus Cristo. "Amarás seu próximo como a ti mesmo". Hoje estamos sobrevivendo e participando de uma comunidade de iguais no mundo. "Os ex-bêbados", nossa identificação é esta crua realidade. Como tudo no universo, somos independentes do afeto de outros seres, vivemos com pele e coração, feitos pelo amor de muita gente. De alguma forma, somos o resultado total de sentimentos próprios e alheios. Unidade devem ser uma rocha e forte, não podem existir barreiras. A posteriori, ao longo dos anos, serviu-nos para forjarmos a estrutura da nossa irmandade que prioriza a nossa maneira de viver e trabalhar em conjunto, na busca de paz e de harmonia, independentemente do mundo conturbado que existe a nossa volta.

UM FEIXE DE VARAS:

Da mesma forma que, em nossas vidas, individualmente dependemos da Unidade de propósitos, em nossos Grupos dependemos da Unidade e harmonia de A. A. no seu todo.

É através do compartilhar de experiências, ouvindo com mente aberta e falando com o coração, que assimilamos o que de bom emana de A. A.. Se o Grupo se afastar das Tradições, ficará debilitado e também sujeito a morrer. Se o Grupo não estiver em harmonia e integrado com os demais, pelos princípios e finalidade de A. A., contidos em suas Tradições estará indefeso frente às situações e problemas que o nosso crescimento acarreta. Por isso, a melhor maneira de viver e trabalhar em Grupo tornou-se a questão primordial.

Na medida em que aumenta o número de células de A. A., surge o perigo do isolamento entre nós. Se não mantivermos nossos Grupos em contato permanente, compartilhando suas experiências, os laços que nos unem estarão enfraquecidos. Estas células estarão vulneráveis a acontecimentos desastrosos à nossa sobrevivência como Grupos e como membros de A. A..

A nossa Unidade estará assegurada quando deixarmos do lado de fora das salas de A. A. nossos desejos exacerbados e unirmos em torno de nosso único propósito primordial que é o de mantermo-nos sóbrios e ajudar outros alcoólicos a se recuperarem do alcoolismo. Convém lembrar que um feixe de varas é difícil de ser quebrado, mas extremamente fácil quebrar suas varas, uma a uma, isoladamente, e como membros de A. A., sabemos bem que a união faz a força.

* Ciclo das Doze Tradições - outubro 2003 - Leopoldina - MG



" SEGUNDA TRADIÇÃO "

Figueiredo – Cataguases - MG


"Somente uma autoridade preside, em última análise, ao nosso propósito comum - um Deus amantíssimo que Se manifesta em nossa consciência coletiva. Nossos líderes são apenas servidores de confiança; não têm poderes para governar."

Devemos saber como encontrar essa consciência coletiva. Decisões que possam influir no funcionamento de um Grupo, no direcionamento de suas reuniões e, principalmente, no serviço decorrente do cumprimento da Quinta Tradição de A. A., devem sempre ser tomadas através da consulta da consciência do Grupo. Essa consciência, comumente é mal entendida ou mesmo propositadamente mal alcançada.

A consciência coletiva somente é obtida quando a decisão decorre de uma ampla discussão, com a presença de um número satisfatório ou significativo dos membros que compõem o Grupo. Um Grupo de A. A. não é composto por um espaço físico, uma sala ou um prédio. Um Grupo de A. A. é composto por pessoas. Sempre poderemos saber quais companheiros frequentam com relativa regularidade as nossas reuniões, respondem pelos serviços e pelas obrigações que assumimos, e que participam da obtenção da autossuficiência. Esses são os membros ativos do Grupo, que deveriam estar presentes a todas as discussões, quando urna decisão importante tivesse que ser tomada. A eles se deveriam garantir sempre o direito de manifestação e, se silenciassem, deveriam ser solicitados a se manifestarem.

Somente após esse amplo debate é que a consulta, pelo voto, deveria ser feita. Uma simples maioria jamais representaria uma vontade do Grupo. A consciência coletiva só se manifesta quando uma expressiva maioria se pronuncia, após exaustivo debate.

Muitos membros antigos ainda não acreditam nesta proposição. São os chamados "velhos resmungões", que acreditam que o Grupo não pode sobreviver sem eles e que as suas opiniões devem ser seguidas. Alguns se transformam em "velhos mentores", que veem a sabedoria das decisões do Grupo e não se sentem diminuídos e sim gratificados, pois sua experiência sempre é aproveitada pelo Grupo.

Que o Poder Superior abra a nossa mente para entendermos que só a consciência coletiva, com conhecimento de causa, pode ser a única autoridade final em todos os assuntos de Alcoólicos Anônimos.

* Ciclo das Doze Tradições - outubro de 2003 - Leopoldina - MG


" TERCEIRA TRADIÇÃO "

Inácio - Juiz de Fora- MG

"Para ser membro de A. A. o único requisito é o desejo de parar de beber"

Ainda estão bem vivas em minha lembrança, as lágrimas bebidas junto com a bebida alcoólica. Lagrimas derramada num momento de desespero, de dor e muitas promessas sinceras de não mais voltar a ingerir bebida alcoólica. Trago marcas no meu interior causadas pelo meu alcoolismo, por minhas atitudes insanas - agressão à minha mãe, por exemplo - como também em meu corpo, bem visíveis para os meus olhos, principalmente para minha mente, as marcas das três tentativas de suicídio. Os meus últimos beber eram um beber desesperado e, por isso mesmo, um não querer mais beber. Mas não sabia como evitar o primeiro gole, apesar de várias tentativas. Mesmo sem conseguir, eu era a expressão sofrida da Terceira Tradição de A. A., Irmandade que não conhecia e, logicamente, nada sabia dos seus Princípios Filosóficos, principalmente dos Doze Passos - base para a recuperação do alcoólatra.

No dia 16 de fevereiro de 1996 - uma tarde de sexta-feira de carnaval, procuro socorro em Alcoólicos Anônimos, através do Grupo Reunidos - Juiz de Fora MG, sendo atendido por G, meu padrinho. Ouvindo o meu desabafo, não precisando me perguntar se eu queria parar de beber - era claro o meu propósito, aconselhou-me a assistir as reuniões e a me entregar ao programa de recuperação - Os Doze Passos. Fui recebido efusivamente pelos companheiros: "Foi bom você ter vindo, melhor se ficar conosco; você é a pessoa mais importante desta sala". Não quiseram saber sobre o meu passado, minha personalidade e nem o que fiz ou deixei de fazer. Simplesmente me aceitaram no afã de me ajudar, fazendo chegar a mim a mensagem de A. A. - Décimo Segundo Passo e Quinta Tradição.

Mas nem sempre foi assim. O medo, o preconceito, o estigma e o basear-se no alcoolismo puro - sem outras complicações e na Quarta Tradição - mal entendida e, portanto, mal aplicada, fez com que Grupos, nos Estados Unidos da América, até a década de 40, rejeitassem alcoólatras negros, homossexuais, mendigos, prostitutas, ex-presidiários, usuários de outras drogas, agnósticos, ateus e até mesmo aqueles que ousassem periodicamente recair.

As Doze Tradições foram formuladas e publicadas em 1946 - só sendo aceita em 03 de julho 1955, na 1ª Convenção Internacional de A. A., em St. Louis. Ao se basear na Quarta Tradição para rejeitar os alcoólatras "não puros", esses Grupos esqueceram que a autonomia de um Grupo não poderia atingir outros Grupos e, principalmente, A. A. no seu conjunto. Por outro lado esqueceram que o "propósito primordial de um Grupo é o de transmitir sua mensagem ao alcoólico que ainda sofre" - Quinta Tradição. O mais importante, é que eles esqueceram que Alcoólico Anônimo se baseia nos princípios da Fraternidade e da igualdade entre os seres humanos - feitos à imagem e semelhança de Deus. Bill W. chegou a dizer: "engraçado, um alcoólatra julgando outro".

Muitas histórias ilustram a rejeição e a prática da Terceira Tradição. A de Ed, um agnóstico que acabou aceitando Deus; a de Jim S, um médico negro que fundou o 1° Grupo de A. A. para negros; e o célebre caso ocorrido em 1945, quando Barry em nome de seu Grupo, ligou preocupado para Bill W. a lhe relatar a situação vivida por eles ante ao pedindo de socorro de um alcoólatra negro, pobre, maquiado com cabelos pintados de louro, ex-presidiário e, como desgraça pouca é bobagem, usuário de outras drogas. Bill W. após ouvir o relato de Barry lhe perguntou se o homem tinha problema com a bebida alcoólica. Ao ouvir a confirmação, Bill W. disse: "Bom, acho que isto é tudo que podemos exigir". Foi esse alcoólatra, com toda essa impureza, quem sedimentou, nos corações dos alcoólatras "puros" de então, a verdadeira essência da Terceira Tradição - fazer o bem sem olhar a quem; principalmente quando necessitamos praticar esse bem para a nossa recuperação em busca da nossa sobriedade.

Nos dias de hoje, ainda há rejeição - velada, às vezes nem tanto, por parte de alguns membros a A. A. homossexuais, prostitutas, cidadãos de rua, usuários de outras drogas, ex-presidiários, sem cultura e, pasmem, até mesmos para aqueles que têm dificuldade em se manterem sóbrios - os recaídos. Isto sem falar no velado preconceito racial. Ou sejam: admitem esses alcoólatras em seus Grupos, mas não os aceitam em seus corações. Talvez por elitismo, talvez por se julgarem as melhores pessoas do mundo; talvez por não terem entendido os Princípios Filosóficos de Alcoólicos Anônimos ou, quem sabe: ainda não alcançaram o Despertar Espiritual (Décimo Segundo Passo). O mais importante: esqueceram que vieram do próprio Fundo de Poço, antes de ingressarem em Alcoólicos Anônimos. Mais: esqueceram que muito desses rejeitados foram alguns dos que os ajudaram quando pediram socorro à A. A.

A Terceira Tradição nos leva a meditar sobre o verdadeiro sentimento de Fraternidade, conforme ensinamento do Poder Superior; nos levando a pensar sobre preconceitos, estigmatização de pessoas e hipocrisia (Quarto Passo).

Eis a essência da Terceira Tradição de Alcoólicos Anônimos:

Eu sou responsável.

Quando qualquer um, seja onde for, estender a mão pedindo ajuda, quero que a mão de A. A. esteja sempre ali. E por isso: Eu sou responsável.

*Ciclo das Doze Tradições - outubro de 2003 - Leopoldina - MG



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