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RECANTO DA LEITURA

 
 
 
 
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  A TRADIÇÃO DE A.A. COMO SE DESENVOLVEU

Neste livrete o companheiro Bill W. mostra o início e o desenvolvimento dos princípios essenciais para a unidade e sobrevivência de Alcoólicos Anônimos.
A questão central deste tema é como nós, membros de A.A. preservaremos melhor nossa unidade?
Os laços que nos unem, precisam ser muito mais fortes do que as forças que nos dividiriam se pudessem. A unidade é essencial para a nossa segurança.
Quatro condições básicas são aqui apresentadas para que possamos a cumprir a nossa missão como irmandade que tem por finalidade transmitir uma mensagem que possibilite a recuperação do alcoólico que ainda sofre:

1ª - Como membros de A.A, cada um de nós conseguir recusar prestígio público e renunciar a qualquer desejo de influência pessoal;

2ª - Se como movimento, insistirmos em permanecer pobres, a fim de evitar disputas a respeito de grande propriedade e sua administração;

3ª - Se rejeitarmos sempre todas as alianças políticas, sectárias ou quaisquer outras, evitando assim a divisão interna e a notoriedade pública;

4ª - Se como movimento, continuarmos sendo uma entidade espiritual, interessada somente em levar nossa mensagem aos companheiros sofredores, sem recompensa ou obrigação.

Atitudes e práticas que têm desmoralizado outras formas de sociedades humanas seriam um risco para A.A porque poderiam atingir de morte a unidade tão vital para nós.
A unidade de A.A. não pode se preservar automaticamente e assim como na recuperação, temos que sempre trabalhar para mantê-la, eis alguns requisitos necessários: honestidade, humildade, mente aberta, altruísmo e, acima de tudo vigilância.
Em determinado momento percebemos a necessidade de trabalhar e viver juntos e conviver.
Cada membro deve tomar consciência de tendências perturbadoras que nos põem em perigo como um todo. Aqui vale a pena uma reflexão, será que nos dias atuais ainda corremos esse risco? Assim como os defeitos pessoais põem em risco a sobriedade e paz de espírito do indivíduo, a quebra da unidade ameaça de morte a irmandade de Alcoólicos Anônimos.
Os Doze Pontos da Tradição de A.A. constituem nossa primeira tentativa para estabelecer princípios sólidos da conduta de grupo e relações públicas. Nesta ocasião as Doze Tradições já se mostravam sólidas o suficiente para se tornar o guia básico e a proteção para A.A. Devemos aplicar as Tradições tão seriamente à vida do grupo como fazemos com os Doze Passos de recuperação para nós mesmos.
Unidade permanente para que possamos aliviar o sofrimento daqueles que ainda estão por se unir a nós em busca da liberdade pessoal que um dia alcançamos.
Ninguém inventou Alcoólicos Anônimos. Ele brotou. Por ensaio e erro tem produzido uma rica experiência. Tentamos e erramos, tentamos e erramos e com isto adquirimos uma rica experiência, que nos foi legada, porque alguém teve a humildade de deixar escrito para nós, primeiro como norma de procedimento e depois como tradição.
Mas nesta hora foi colocado um aviso de prudência não deveríamos ser por demais rígidos; a letra pode matar o espírito. Para isto evitamos as pequenas regras e proibições; o falso orgulho de pensarmos que tínhamos dito a última palavra; a tentação de impor nossas rígidas regras aos alcoólicos, sob a ameaça de deixá-los de fora. Isso seria impedir o crescimento e desenvolvimento de Alcoólicos Anônimos.
As lições aprendidas com as nossas experiências valem muito. Adquirimos durante esses anos um grande conhecimento do problema de conviver/viver e trabalhar juntos. Se conseguirmos isto de forma permanente, então, e somente então, nosso futuro estará assegurado.
Depois da libertação da calamidade pessoal que não mais nos escravizava, a maior preocupação dos nossos membros mais antigos passou a ser o futuro de Alcoólicos Anônimos. Neste momento, aqui reunidos, buscamos certamente, a resposta para a pergunta: como preservar entre nós AAs., essa poderosa unidade para que nem a fraqueza das pessoas, nem a tensão e disputa desses tempos modernos possam prejudicar a nossa causa comum?
Já naquela ocasião e, infelizmente ainda hoje, falávamos em nossos problemas de grupo. Basicamente esses problemas foram assim definidos:

a) relações de uns membros com os outros;

b) relações do grupo com o mundo exterior;

c) a relação do grupo com Alcoólicos Anônimos como um todo;

d) o lugar que Alcoólicos Anônimos ocupa na sociedade moderna;

e) a relação do grupo com a estrutura de Alcoólicos Anônimos;

f) a nossa atitude – membros e grupos -com relação a liderança, dinheiro e autoridade.

O futuro de A.A pode muito bem depender de como sentimos e atuamos a respeito das coisas que são sujeitas a controvérsia e como consideramos as nossas relações públicas.

Ao final dessas considerações de suma importância para a existência de Alcoólicos Anônimos chegou-se àquela época a duas indagações vitais para a definição do conjunto de princípios que hoje norteiam e balizam a nossa convivência representando, ainda, a garantia da preservação de Alcoólicos Anônimos.

- Será que já adquirimos experiência suficiente para apresentar normas de procedimentos bem definidas sobre essas questões preponderantes para nós?

- Podemos agora estabelecer os princípios gerais que poderiam levar às tradições vitais e tradições mantidas no coração de cada A.A por sua própria convicção profunda e pelo consentimento comum de seus companheiros?

Essa é a questão. Apesar de que respostas completas para todas as nossas dúvidas possam nunca ser encontradas, disse Bill W., tenho certeza que chegamos finalmente a uma posição vantajosa, de onde podemos vislumbrar os principais contorno de um corpo de tradição que, se Deus quiser, pode permanecer como um eficiente vigilante contra todas as destruições de tempo e circunstancias.

Finalmente, Bill W. expressa o sentimento dos membros da época ao assentarem os trilhos que evitaram que a locomotiva chamada Alcoólicos Anônimos descarrilasse e não conseguisse atingir o seu único e primordial objetivo, ou seja, a transmissão de sua mensagem. Eis na íntegra o trecho que marca a entrega das tradições à nossa irmandade:

Atuando de acordo com o desejo persistente dos velhos amigos de A.A. e com a convicção de que agora é possível um entendimento e acordo geral entre nossos membros, arriscarei colocar em palavras estas sugestões para uma Tradição de Relações de Alcoólicos Anônimos e os Doze Pontos para assegurar nosso futuro.

AS TRADIÇÕES NA FORMA INTEGRAL

A experiência de A.A. nos tem ensinado que:

1ª Cada membro de Alcoólicos Anônimos é apenas uma pequena parte de um grande todo. A.A. precisa continuar a viver ou a maioria de nos certamente morrerá. Portanto nosso bem-estar comum vem em primeiro lugar. Mas o bem-estar individual vem logo depois.

2ª Para os objetivos de nosso grupo, há somente uma autoridade final - um Deus amantíssimo, como pode expressar-Se em nossa consciência coletiva.

3ª Nossa Irmandade deve incluir todos os que sofrem do alcoolismo. A condição para tornar-se membro não deve nunca depender de dinheiro ou formalidade. Dois ou três alcoólicos quaisquer reunidos em busca de sobriedade podem se autodenominar um grupo de A.A., desde que como grupo não possuam qualquer outra afiliação.

4ª Com respeito a seus próprios assuntos, nenhum grupo de A.A. esta sujeito a autoridade alguma além de sua própria consciência. Quando porém, seus planos interferirem no bem-estar de grupos vizinhos, estes devem ser consultados. E nenhum grupo, comitê regional ou membro como indivíduo deve tomar qualquer atitude que possa afetar seriamente A.A. como um todo, sem consultar os custódios da Junta de Serviços Gerais. Em tais questões, nosso bem-estar comum tem absoluta primazia.

5ª Cada grupo de Alcoólicos Anônimos deve ser uma entidade espiritual com um único propósito primordial - o de levar sua mensagem ao alcoólico que ainda sofre.

6ª Problemas de dinheiro, propriedade e autoridade podem facilmente nos afastar de nosso objetivo espiritual primordial. Acreditamos, portanto, que quaisquer bens de valor considerável, de real utilidade a A.A. devem ser incorporados e administrados separadamente, fazendo-se assim uma divisão entre material e espiritual. Um grupo de A.A., como tal, jamais deve dedicar-se ao comércio. Entidades secundárias de auxílio a A.A., tais como clubes ou hospitais, que requeiram muitos bens materiais e muita administração devem ser incorporadas, de forma que, se necessário, possam os grupos livremente descartarem-se deles. Tais instituições não deveriam, portanto, usar o nome de A.A. Sua administração deve ser exclusiva responsabilidade das pessoas que as financiam. Para os clubes, são em geral preferíveis gerentes que sejam membros de A.A. Mas os hospitais e outros locais de recuperação devem, porem, ficar afastados de A.A e ter supervisão médica. Embora um grupo de A.A. possa cooperar com quem quer que seja, tal cooperação nunca deve chegar ao ponto de filiação ou endosso, real ou implícito. Um grupo de A.A. não pode vincular-se a ninguém.

7ª Os grupos de A.A. devem ser inteiramente auto-financiados pelas contribuições voluntárias de seus próprios membros. Acreditamos que cada grupo deve atingir, em pouco tempo, esse ideal; que qualquer solicitação de fundos usando-se o nome de A.A. é altamente perigosa, seja ela feita por grupo, clubes, hospitais ou outros agentes exteriores; que a aceitação de grandes donativos de qualquer fonte ou de contribuições que acarretem quaisquer obrigações é desaconselhável. Vemos ainda com muita preocupação aquelas tesourarias de A.A. que continuam a acumular além da reserva prudente, fundos sem um propósito específico. A experiência tem nos demonstrado, frequentemente , que nada pode destruir nosso patrimônio espiritual com tanta certeza, como as discussões fúteis sobre propriedade, dinheiro e autoridade.

8ª Alcoólicos Anônimos deveria manter-se sempre não-profissional. Definimos profissionalismo como o emprego do aconselhamento a alcoólicos em troca de honorários ou salário. Todavia podemos empregar alcoólicos pra desempenhar aquelas funções para as quais, em outras circunstâncias, teríamos que contratar não-alcoólicos. Mas nosso trabalho habitual de Décimo Segundo Passo de A.A. jamais deve ser pago.

9ª Cada grupo de A.A. necessita da menor organização possível. A forma rotativa da liderança é a melhor. O grupo pequeno pode eleger um secretário; o grupo grande seu comitê rotativo e os grupos de uma ampla região metropolitana seu Comitê Central ou Intergrupal, o qual frequentemente emprega um secretário em tempo integral. Os Custódios da Junta de Serviços Gerais de A.A. se constituem na realidade, em nosso Comitê de Serviços Gerais de A.A.. São eles os guardiões de nossa Tradição de A.A. e os depositários das contribuições voluntárias dos AAs, através dos quais mantemos nosso Escritório de Serviços Gerais em Nova York. Eles são autorizados pelos grupos a cuidar de nossas relações públicas em geral e garantem a integridade de nosso principal órgão de divulgação: a revista A.A. Grapevine (Revista Vivência). Todos esses representantes tem suas ações guiadas pelo espírito de serviço, pois os verdadeiros líderes em A.A. são apenas servidores experientes e de confiança da Irmandade. Seus títulos não lhes conferem nenhuma autoridade real e eles não governam. O respeito universal é a chave para sua utilidade.

10ª Nenhum grupo ou membro de A.A. deve jamais expressar, de forma a envolver A.A., qualquer opinião sobre assuntos controversos externos - particularmente política, medidas de combate ao álcool ou religião sectária. Os grupos de A.A. não se opõem a nada. Com respeito a tais assuntos, eles não podem expressar qualquer opinião.

11ª Nossas relações com o público em geral devem caracterizar-se pelo anonimato pessoal. Acreditamos que A.A. deve evitar a publicidade sensacional. Nossos nomes e fotografias, como membros de A.A., não devem ser divulgados pelo rádio, filmados ou publicamente impressos. Nossas relações públicas devem orientar-se pelo princípio da atração e não da promoção. Nunca há necessidade de elogiarmos a nós mesmos. Achamos melhor deixar que nossos amigos nos recomendem.

12ª Finalmente, nós de Alcoólicos Anônimos acreditamos que o princípio do anonimato tem uma enorme significação espiritual. Lembra-nos que devemos colocar os princípios acima das personalidades; que devemos realmente conduzir-nos com genuína humildade. Isto para que as nossas grandes bênçãos jamais nos corrompam, a fim de que vivamos para sempre e grata contemplação d Aquele que reina sobre todos nós.

Arrozal, 30/10 a 01/11/2009.

Uma Declaração de Unidade

O futuro de A.A. depende de ser colocado, em primeiro lugar, o nosso bem-estar comum, a fim de manter a nossa Irmandade unida. Da unidade de A.A. dependem as nossas vidas e as vidas daqueles que virão.



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