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GALERIA DA MENSAGEM

 
 

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O TEMPO QUE FAZ NOSSA HISTÓRIA
   
         
   
         
   
         
   
         
   
         
   
         
   
         
   
         
   
         
   
         
       
 
             
     
             
     
             

AUTO CONHECIMENTO E TRANSFORMAÇÃO

     Prezados membros deste grupo, segundo entendo, Alcoólicos Anônimos elevou o fundo do poço dos novos membros, e porque digo isso? Por que, os indivíduos chegam ao A.A. bem antes de terem sentido a derrota total perante as bebidas alcoólicas, ou estão convencidos de que não podem mais ingerir bebidas alcoólicas, já com pouca idade. Este estágio de indecisão ou oscilação entre o beber e o não beber, dificulta a solidez da abstinência de bebidas alcoólicas, e por consequência facilita a recaída, pois o doente ainda espera ou entende que possa beber, não passou pela experiência da derrota total para as bebidas alcoólicas.

     Pouco tempo depois de ter começado a beber diariamente, uns 4 anos, tentei parar várias vezes, e não consegui, e isso já me levou a procurar ajuda com a psiquiatria e psicologia, como não funcionou recorria a outros meios não tão científicos, também sem sucesso. Naquele tempo não havia A.A. no RS, década de 1960. Em abril de 1973 fui a algumas reuniões de um grupo em formação, mas ainda sem membros fixos, na cidade que hoje moro, e não achei fundamento. Mais tarde, por recomendação de um clínico geral, voltei a esse mesmo grupo de A.A., já então estruturado quando então já morava nessa cidade. Estive 15 dias bebendo menos mas sem ingressar, nesse momento me perguntei, que se eu queria parar de beber porque não ingressava, e no dia 4 de fevereiro de 1975, fiz meu ingresso, e para minha felicidade, eu que até o dia do ingresso não conseguira passar um dia sequer sem beber, fiquei livre instantânea e definitivamente da vontade de beber.
     Continuo no entanto, não bebendo somente por hoje, ou agora. Isto foi um parar de beber quase perfeito, havia feito com certa precisão a primeira parte do primeiro passo de A.A., sem conhecê-lo sequer, e entendia naquela época, que com isso tudo estava resolvido, não notava que aquele que para poder beber deixará tudo a vontade e anarquicamente na família, queria agora que parara de beber, por ordem e organização em tudo e a todo o momento, deixando os familiares que estavam com o sistema nervoso em frangalhos exatamente pelas minhas bebedeiras, com essa nova pressão permanente de perfeccionismo, e sem me dar conta disso, terrivelmente sofredores, custei a ver essa realidade. Num determinado momento, li no 5º Passo, se me enganei a vida toda, como vou saber se ainda continuo me enganando?
     Iniciei a recuperação e no 4º passo encontrei a resposta, continuava me enganado em muitas coisas, o parar de beber estava muito bem, mas as questões emocionais haviam piorado muito, e essa parte da minha doença continuou a progredir. Segui a recuperação conforme orientação dos Doze Passos, comecei a me conhecer, ver as minhas mazelas, comportamentos falhos, egoísmos, orgulho, inveja e por ai vai, com isso consegui conhecer-me e conhecer ao outro, a entender-me e entender o outro. Com as mudanças de comportamento, foi se processando em mim no decorrer do tempo, pois não interrompi o exercício de ser cada dia mais justo e melhor do que fora ontem, um processo de mudança onde o velho homem que recebera informações equivocadas e de segunda mão (experiências dos outros) passadas de pai para filho, pela religião e pela cultura geral, para o novo homem, cujo comportamento e orientação advinham da própria e genuína experiência, na reforma sugerida pelos Doze Passos.
     A atmosfera na família mudou, de uma situação de atritos sérios provocados pelo perfeccionista do alcoólico, e correspondidos por familiares com sistema nervoso em frangalhos, para uma situação de entendimento, aceitação e harmonia. Essa transformação levou alguns anos é verdade, mas mesmo não me considerando culpado, mas sabendo ter sido a agente responsável pelo desconforto total de meus familiares, decidi ajudá-los a viver melhor seus dias, e graças a Deus do meu entendimento venho conseguindo esse objetivo, hoje não me permito perturbar-me, nem que me perturbem.
Aos amigos e amigas em A.A., obrigado por essa parceria.
Abraços fraternos, muita paz, luz e mais 24 h sóbrias. arco/RS

             

O vazio

Estimados membros deste grupo. Agora quando tive internamento hospitalar por 14 dias para tratar de uma pneumonia, sobrou tempo para relembrar muitas experiências e vivências desde a infância.
Tive a oportunidade de verificar, que poucas experiências pessoais determinaram a minha formação existencial, e sim as experiências de outros transmitidas pelos familiares, pela religião da família e pela cultura em geral, alias, a maioria dos seres humanos rejeita a própria experiência, a favor da experiência transmitida milenarmente de pai para filho; essas experiências citadas nos livros sagrados e pelos mestres vêm ditando as experiências dos indivíduos em detrimento das suas experiências pessoais mais convincentes pela própria experimentação pessoal.

Quando eu era jovem, era um cara triste e muito sozinho, tinha bons amigos, mas poucos, giravam entre dois ou três. Tive origem em uma família camponesa da classe média baixa, mas estruturalmente organizada. Aparentemente não houve desajustes. Comecei a beber ao redor dos 30 anos de idade. Meu mundo era vazio antes, e continuou depois quando eu bebia.

   Em termos materiais não tinha do que me queixar, até porque não era exigente nesse campo da vida. Quando entrei em A.A. já tinha quase 45 anos de idade, estava desesperado e no auge dos problemas, de ordem moral, emocional e espiritual, apesar de que no trabalho, na família e economicamente ainda estivesse razoavelmente bem. Meu fundo de poço foi na área do espírito, da emoção, dos sentimentos e da moral. Passei em A.A. uns cinco anos só sem beber, mas com meus defeitos de caráter crescendo a todo o vapor, só eu não via. Lendo um dia no 5º Passo: “Como vou saber se ainda cometo os mesmos defeitos que cometia quando bebia”.
   Comecei a olhar para dentro de mim mesmo e fui verificando a vida insuportável que eu estava infringindo a todos que de mim direta e indiretamente se acercavam, com meu perfeccionismo, minhas regrar rijas, certezas, razões, etc., sendo que quando eu bebia deixara tudo correr a vontade. Encetei então a mudança tendo por base os Doze Passos, mas lenta e persistentemente, e aquela tristeza, aquele vazio, aquela angústia que me dominavam, foram lentamente diminuindo de frequência e intensidade.
   Com a minha transformação comportamental, tudo a minha volta mudou para uma vida mais suave, leve e sem atritos. Lembro-me de que para este sentimento desolador que me acompanhava a vida toda, eu não tinha explicação. Hoje analisando à luz dos Doze Passos de A.A., tenho a convicção, de que em tudo, o que eu buscava era a minha origem, e como buscava onde não havia, ou seja, nos bens matérias, no prestígio, no poder e nos relacionamentos, nada conseguia. Hoje sei que minha origem é divina, vim Dele, e só uma vida dentro de Suas leis, tão bem enunciadas nos princípios de A.A. podem-me alcançar a felicidade e a paz tão desejada por mim, e que busquei em tudo menos Nele. Sei hoje que eu não bebia porque era triste, nem porque tinha problemas, mas que tinha mais problemas que os outros exatamente porque bebia, e isto ocorria porque eu sou um doente alcoólico.
   Os sadios também têm problemas, tristezas e dificuldades, tomam seus drinks para desopilar, mas tomam um ou dois drinks e param, não são doentes. Para mim como um bom doente alcoólico, uma doze era pouca e um balde não chegava, esta é a diferença do sadio para o doente alcoólico. A caminhada foi longa, continuará no dia a dia, até que chegue meu momento de ficar mais próximo Dele, ou juntar-me a Ele.

Agradeço a todos que aqui participam de minha jornada da sobriedade, e ao Deus do meu entendimento pela benesse da sobriedade e da paz.
Abraços fraternos, paz, luz e mais 24 h sóbrias. arco/RS.

 
             

 

 

 

     
 
     
 
     

 
     
 
     
 
     
 
     
 
 

 O SITE www.existeumasolucao.com.br É UM SITE INDEPENDENTE, PORTANTO, NÃO FAZ PARTE
DA ESTRUTURA DE ALCOÓLICOS ANÔNIMOS.

 

COMO POR EM PRÁTICA O TRABALHO DO CTO
(Trabalhando dentro das Tradições)

O papel de um profissional, seja ele médico, religioso, comunicador ou jornalista, assistente social, delegado ou qualquer outro, na relação com um alcoólico, é muito diferente do nosso costume de compartilhar experiências e colocar em prática o Programa de Recuperação de Alcoólicos Anônimos.

Estes profissionais trabalham sob o ponto de vista de suas especialidades e é vital, para nossa Irmandade, que eles entendam nosso programa e nossa maneira de trabalhar com alcoólicos.

 
Os trabalhos a serem executados pelas Comissões exigem cuidados especiais que, se não forem considerados, poderão atrapalhar o seu funcionamento, por isso, seus integrantes devem ser AA's com uma boa capacidade de comunicação e um sólido conhecimento e prática dos princípios de Recuperação, Unidade e Serviço. A formação, procedimentos, manutenção financeira e membros das Comissões estão descritas no manual de Serviço de A.A..

Os princípios que nos guiam como Irmandade estão contidos nas Doze Tradições. A responsabilidade de preservar essas Tradições é somente nossa. Não podemos esperar que pessoas de fora da Irmandade compreendam nossas Tradições, a menos que nós, membros de A.A., estejamos bem informados sobre elas e, sobretudo, que as observemos e as pratiquemos em nossas ações. Nossas Tradições estão, em grande parte, contidas em nosso Preâmbulo, que afirma: "O único requisito para se tornar membro é o desejo de parar de beber. Para ser membro de A.A. não há taxas ou mensalidades; somos auto suficientes, graças às nossas próprias contribuições. A.A. não está ligada a nenhuma seita ou religião, nenhum movimento político, nenhuma organização ou instituição; não deseja entrar em qualquer controvérsia; não apoia nem combate quaisquer causas. Nosso propósito primordial é manter-nos sóbrios e ajudar outros alcoólicos a alcançarem a sobriedade."

O CTO deverá trabalhar no sentido da mensagem fluir com a responsabilidade traduzida pelo cumprimento das Tradições de A.A., especialmente dentro do espírito da cooperação. O conhecimento e a prática em nossa vida diária dos princípios contidos nas Doze Tradições de A.A. dão as diretrizes para realizarmos um bom trabalho no CTO.
Vejamos:

A Primeira - assinala que a recuperação individual depende da Unidade de A.A. É algo que devemos sempre ter em mente. Sob quaisquer circunstâncias nossa Unidade deve ser preservada. O todo é mais importante que as partes que o compõem.

A Segunda - nos lembra que um Deus amantíssimo, que Se manifesta em nossa consciência coletiva, é a nossa única autoridade. É uma fonte de inspiração para nós, objetivando principalmente não tentarmos impor uma forma "correta" de trabalhar o programa para outros membros, aparentemente relutantes.

A Terceira - "O único requisito para ser membro..." nos diz que não temos o direito, a autoridade ou a competência para julgar quem é alcoólico, se deseja ou não parar de beber e se quer ou não tornar-se membro de A.A.

A Quarta - dá autonomia ao Grupo para conduzir suas atividades como julgar melhor, desde que essa autonomia não interfira em outros Grupos ou em A.A. no seu todo.

A Quinta - assinala o primordial e único propósito de qualquer Grupo de A.A.: transmitira mensagem de A.A. ao alcoólico que ainda sofre.

A Sexta - afirma que "nenhum Grupo de A.A. deverá jamais sancionar, financiar ou emprestar o nome de Alcoólicos Anônimos a qualquer sociedade parecida ou empreendimento alheio à Irmandade, para evitar que problemas de dinheiro, propriedade e prestígio não nos afastem do nosso objetivo primordial". Algumas instituições, que têm seus próprios programas de tratamento de alcoolismo, cooperam muito com A.A. e seus representantes falam muito animados de nosso Programa de Recuperação. Até que ponto devemos participar nos programas dessas instituições? A experiência nos tem norteado de maneira simples: cooperamos, porém não nos afiliamos. Queremos trabalhar com outras organizações que tratam do alcoolismo; porém, sem nos confundir com elas perante o público.

A Sétima - enfatiza que "todos os Grupo de A.A. deverão ser absolutamente autossuficientes, rejeitando quaisquer doações de fora". Como alcoólicos ativos, muitos de nós sempre estivemos dependendo de ajuda. Hoje, parte de nossa recuperação pessoal está em fazer de nós mesmos seres humanos responsáveis. O mesmo princípio se aplica à nossa Irmandade e muito do respeito que atualmente se tem por A.A. é o resultado da aplicação desse princípio.

A Oitava - diz que "Alcoólicos Anônimos deverá manter-se sempre não profissional". Esta Tradição nos mostra a linha divisória entre o trabalho voluntário de Décimo Segundo Passo e os serviços remunerados, mesmo que executados por membros da Irmandade. Ela nos orienta, mesmo assim, que como AAs nos mantenhamos no que melhor conhecemos (recuperação pessoal e Décimo Segundo Passo), não nos transformando em profissionais no campo do alcoolismo.

A Nona - recomenda que Alcoólicos Anônimos jamais deverá ter uma organização formal; porém, necessitamos de organismos de serviço que funcionem de maneira harmoniosa e com competência, para cumprirmos nosso objetivo primordial. Se ninguém fizer as tarefas dos Grupos, se o telefone tocar em vão, se não respondermos nossa correspondência, então A.A., tal como o conhecemos, pararia. Embora esta Tradição pareça tratar somente de coisas práticas em seu funcionamento, ela revela uma sociedade animada apenas pelo espírito de servir.

A Décima - diz que "Alcoólicos Anônimos não opina sobre questões alheias à Irmandade; portanto, o nome de A.A. jamais deverá aparecer em controvérsias públicas". Aqui, novamente somos lembrados para tratar somente de nossos próprios assuntos, sem nos desviar de nosso único propósito primordial. Colocando-nos fora de controvérsias públicas, reforçamos a Unidade de nossa Irmandade, assim como sua reputação perante o público.

A Décima Primeira - "Nossas relações com o público baseiam-se na atração em vez da promoção". A relação com o público é importantíssima. Precisamos manter nosso anonimato pessoal. Procuramos divulgação para os princípios de A.A. e não para seus membros. Esta Tradição é um lembrete permanente e prático de que a ambição pessoal não tem lugar em A.A. Nela cada membro se torna um diligente guardião de nossa Irmandade.

A Décima Segunda - "O anonimato é o alicerce espiritual das nossas Tradições, lembrando-nos sempre da necessidade de colocar os princípios acima das personalidades." A subordinação de nossos anseios pessoais ao bem comum é a essência de nossas Tradições. A substância do anonimato é o sacrifício. Temos a certeza que a humildade, expressa pelo anonimato, é a maior salvaguarda que Alcoólicos Anônimos sempre poderá ter.
Nos trabalhos do Comitê Trabalhando com os Outros é sempre útil enfatizar que as nossas Doze Tradições afirmam sermos membros de uma Irmandade de iguais, onde aprendemos a ajudar outros, sem esperar crédito ou recompensa.
 

 
O Grupo de A.A. - E NOSSAS FALHAS:

A Tradição Cinco e o Passo Doze, que trazem em seu bojo a essência da nossa Irmandade, não sendo compreendidos e aplicados, tornam-se um empecilho à recuperação daqueles que já pertencem à Irmandade e àqueles que estão para chegar. A coragem para mudar aquelas coisas que posso, se aplica perfeitamente dentro de nossas falhas.
A justificativa de que deu certo para alguns, tem que ser descartada, porque o Programa de Recuperação sugerido por Alcoólicos Anônimos, é para todos e não para alguns.
Como a primeira tradução para o português do Livro Azul, livro básico de A.A. somente ocorreu nos idos de 1973 (?), podemos com absoluta certeza afirmar que de 1947 a 1973 (?), toda mensagem recebida e transmitida, baseava-se no folheto que o publicitário americano Herbert L. Daugherty entregou ao economista inglês Harold W. para traduzi-lo - "Folheto (Livro) Branco", não tivemos a oportunidade de iniciarmos o A.A. no Brasil, com o livro básico de Alcoólicos Anônimos. Sabemos das dificuldades encontradas pelos nossos pioneiros, dificuldades estas vencidas através de suas boa vontade quase sempre alicerçadas no EU ACHO.
Mas hoje os tempos são outros, e já contamos com um elevado número de títulos da Literatura de A.A., traduzidos e distribuídos pela JUNAAB.
Pergunta-se então: Porque continuamos persistindo em transmitirmos a mensagem de A.A., contrariando nossos escritos? Talvez esta seja a nossa principal falha.
Temos consciência que estamos errados e não temos coragem para mudar. Podemos observar que mesmo nossos Órgãos de Serviços cooperam para que a mensagem de A.A. seja distorcida. Numa rápida análise, uma verdadeira avalanche de coisas materiais, são oferecidas como integrantes do Programa de Recuperação, visando apenas o lucro material, contrariando frontalmente o enunciado na Tradição Cinco. No apêndice do LIVRO AZUL - cada grupo de A.A. deve ser uma entidade espiritual.. .
Que entidade espiritual é esta que oferece objetos materiais? A Mensagem de A.A. é uma proposta de crescimento espiritual, uma nova maneira de viver, através dos Doze Passos - princípios espirituais - que se aplicados em nossas vidas, podem expulsar a obsessão pela bebida alcoólica.
Existe uma idéia generalizada, que o Brasil é um país com grande número de analfabetos. Devemos lembra que o analfabeto não é surdo. O analfabeto ouvindo é tão capaz de transmitir a mensagem ouvida, como um erudito...
Nossos Doze Conceitos para Serviços Mundiais, lembram-nos que não existe A.A. de segunda classe. Todos nós membros de um Grupo de A.A., temos que ouvir a mesma mensagem. Se um Grupo de A.A. não ouve e não transmite a verdadeira mensagem de A.A., como pode ser um Grupo de A.A. em Ação? Um Grupo de A.A. em Ação, subtende-se que é um Grupo de pessoas imbuídas de um mesmo ideal, mesma confiança mútua, mesmo propósito, etc...
Para que isto aconteça, acreditamos que a liderança do Grupo de A.A., tem que acreditar nas mudanças necessárias e pagar o preço que estas mudanças acarretam. Devemos lembrar que estamos lidando com vidas humanas.
Em casos de vidas humanas, não existe meia recuperação. O Programa de A.A. é para recuperação integral do doente alcoólico que queira se recuperar e o Grupo de A.A. deve estar à disposição de qualquer um queira fazer parte deste Grupo de A.A., sem lhe ser apresentado nenhum obstáculo à sua chegada. Nossa falha é a de não abrirmos a caixa de ferramentas espirituais e colocá-la à disposição de quem os procura e também explicar-lhes como estas ferramentas têm nos ajudado. Nossa falha está em continuarmos desrespeitando nossas Tradições, da Primeira à Décima Segunda, que é a única maneira de nos mantermos unidos. A Tradição Nove é rica em ensinamentos quando diz: "a mesma sentença se aplica aos Grupos..."
Teríamos uma grande relação de nossas falhas, mas acredito que o plenário, também pode e deve acrescentar algumas falhas observadas no seu Grupo de A.A., no seu Escritório de Serviços, no seu Distrito, na sua Área... que as apresente, enriquecendo nosso trabalho.

Uma indagação: FALTA DE CORAGEM PARA MUDAR AQUILO QUE PODE SER MUDADO?

Isaias
 
 
 
 

ESTRUTURA DE SERVIÇOS
INTERNOS DO GRUPO DE A.A.


Seguem-se os cargos instituídos por muitos grupos para servi-los internamente e junto à comunidade externa.

Coordenador: O coordenador do grupo serve durante um período especifico de tempo (normalmente seis meses ou um ano). A experiência sugere que o coordenador deva ter ao menos um ano de sobriedade contínua e, idealmente, deveria ter ocupado antes outros cargos no grupo.
Sua função é coordenar as atividades dos demais servidores do grupo e dos membros que assumirem a responsabilidade pela literatura, acolhida, café, programação de reuniões internas e outras atividades vitais para o grupo.
Quanto mais o coordenador e os demais servidores do grupo estiverem informados sobre A.A. como um todo, melhor exercerão suas funções. Tendo claramente em mente a Primeira Tradição e estimulando os membros a se familiarizarem com todas as Tradições, eles contribuirão para garantir que o grupo se mantenha saudável.

Secretário: À semelhança do coordenador, o secretário também precisa ser um servidor versátil. Em grupos que não têm coordenador, os secretários executam suas tarefas. Cada grupo tem procedimentos próprios, mas, a menos que existam outros servidores ou comitês, geralmente é atribuição dos secretários:

 
* Divulgar informações sobre atividades e eventos importantes de A.A.
* Manter atualizado um arquivo estritamente confidencial dos nomes, endereços e números de telefone dos membros do grupo (sujeito à aprovação de cada membro), e saber quais deles estão disponíveis para chamados de Décimo Segundo Passo.
* Manter um registro dos aniversários de sobriedade dos membros, caso o grupo assim o deseje.
* Manter um quadro de avisos para fixação de notícias e boletins de A.A.
* Certificar-se de que o distrito, o ESL e o Escritório de Serviços Gerais sejam informados por escrito de qualquer mudança de endereço, local, horário de reuniões ou servidores do grupo.
* Certificar-se de que os livros, livretos e folhetos aprovados pela Conferência estejam disponíveis e adequadamente expostos durante as reuniões.
* Aceitar e designar companheiros para atividades de Décimo Segundo Passo (a menos que haja um coordenador especifico para essa atividade).
* Transmitir aos membros do grupo a correspondência recebida.

Sétima Tradição: Todos os grupos de A.A. deverão ser absolutamente autossuficientes, rejeitando quaisquer doações de fora.

Tesoureiro: Os grupos de A.A. são autossuficientes através da contribuição voluntária de seus membros. A sacola que circula nas reuniões geralmente cobre as necessidades financeiras do grupo, sobrando o suficiente para que o grupo possa assumir sua parte na manutenção do ESL, do Comitê de Distrito e de Área e do Escritório de Serviços Gerais.
Ninguém é obrigado a contribuir, mas a maioria dos membros contribui. Os que podem contribuir geralmente se dispõem a colocar um pouco mais na sacola, para compensar os que não podem. Os fundos do grupo destinam-se a cobrir serviços como por exemplo:
* aluguel da sala;
* literatura de A.A.;
* lista dos grupos locais, geralmente adquiridas do ESL mais próximo ou do Comitê de Áreas;
* água e café;
* Contribuição aos órgãos de serviço de A.A., feita normalmente a cada mês ou a cada trimestre.
O tesoureiro normalmente mantém registros claros no livro-caixa e informa ao grupo quanto dinheiro foi arrecadado e quanto foi gasto. Fazem relatórios e demonstrativos financeiros periódicos ao grupo. Pode-se evitar problemas mantendo os fundos do grupo numa conta bancária separada que exija duas assinaturas em cada cheque.
A experiência de A.A. indica claramente não ser adequado que o grupo acumule grandes valores alem do necessário para suas despesas acrescido de uma reserva prudente. Esse valor deverá ser determinado pela consciência do grupo. Também podem surgir problemas quando o grupo aceita contribuições exageradas, em dinheiro, bens ou serviços, feitas por um único membro.
O folheto Autossuficiência pelas Nossas Próprias Contribuições, aprovado pela Conferência, contem sugestões de como o grupo pode contribuir para os serviços de A.A.
Atualmente grupos em todo o Brasil têm adotado o Plano 60-25-15. Esse plano consiste em o grupo, após cobrir todas as suas despesas mensais, e deduzida a parcela correspondente à sua reserva prudente, remeter o saldo registrado em seu livro caixa ao ESL. Fica a cargo do próprio ESL, a retenção de 60% desses fundos para seu uso próprio, repassando 25% daquela quantia para o Comitê de Área e 15% para o ESG.
Alem disso o ESG, os Comitês de Área e ocasionalmente de Distrito, bem como os ESL, aceitam contribuições de membros individuais – desde que não ultrapassem valor equivalente a dois mil dólares anuais. As contribuições provenientes de espólios em valores equivalentes a uma parcela única de no máximo dois mil dólares são aceitáveis, desde que sejam provenientes de membros de A.A.
Alguns membros celebram seus aniversários de sobriedade enviando um "presente" ao Escritório de Serviços Gerais para expressar sua gratidão pelos serviços prestados em todo o país – geralmente são contribuições do equivalente a um dólar por ano de sobriedade. Converse com o RSG de seu grupo, ou escreva para o ESG para obter maiores detalhes a respeito.

Representante de Serviços Gerais (RSG): Trabalhando através dos Comitês de Distrito e de Área, o RSG é o contato do grupo com a Conferência de Serviços Gerais, através da qual os grupos compartilham suas experiências e divulgam a consciência coletiva de A.A. Chamados algumas vezes de "guardiões das Tradições", os RSGs se familiarizam com o Terceiro Legado de A.A.: nossa responsabilidade espiritual de servir gratuitamente. Geralmente eleitos para períodos de dois anos, são tarefas do RSG:
* representar os grupos no Distrito e nas assembleias gerais de Área;
* manter os membros do grupo informados sobre as atividades de serviços gerais em suas áreas;
*receber e divulgar em seu grupo toda correspondência recebida dos demais órgãos de serviço e o BOB Mural, que é o principal instrumento de comunicação entre o ESG e a Irmandade.
O RSG também pode ajudar seu grupo a resolver uma série de problemas, especialmente os relacionados às Tradições. Para servir seu grupo, o RSG pode se apoiar em todos os serviços oferecidos pelo ESG (veja à página 40).
Junto com o RSG elege-se um suplente, para a eventualidade de o titular não poder comparecer a todas as reuniões de Distrito e de Área. O suplente deveria ser estimulado a dividir as responsabilidades com o titular no grupo, no Distrito e na Área. (Para maiores informações, consulte o Manual de Serviços de A.A., paginas 25 a 27)

Coordenador do CTO: É o coordenador do comitê responsável pela divulgação do grupo junto à comunidade. Reúne-se com os coordenadores de CTO dos demais grupos no CTO do Distrito. Para maiores detalhes sobre este trabalho leia o Manual do CTO.

Representante da Vivência (RV): A tarefa do RV é divulgar a revista brasileira da Irmandade – Vivência – junto aos membros do grupo, e familiarizá-los com a oportunidade de aprimoramento da sobriedade que ela oferece, através de artigos baseados em experiências pessoais de recuperação escritos por companheiros de A.A., alem dos artigos escritos por nãoAAs sobre suas experiências profissionais. Chamada às vezes de "reunião impressa", a Vivência também publica um calendário mensal dos eventos especiais de A.A.
O RV eleito pelo grupo deve enviar seu nome e endereço para: Vivência, caixa Postal 3180, CEP 01060-970, São Paulo-SP. Os mesmos dados devem ser enviados para o Coordenador Estadual de Vivência do ESL. Com estas informações ele será devidamente cadastrado e receberá regularmente correspondência com os formulários de assinatura de Vivência.
Outras atribuições do RV são:
* Informar ao grupo a chegada de cada nova edição e comentar sobre as matérias nela publicadas;
*Fazer com que a Vivência sempre esteja exposta em lugar visível no grupo e, se possível, manter um pequeno mural com frases da ultima edição, cupom de assinatura, lista das assinaturas vencidas e a vencer, etc.
* Sugerir aos companheiros mais antigos o uso da revista no apadrinhamento;
* Sugerir ao grupo que ofereça assinaturas de cortesia da Vivência a médicos, religiosos, juízes, advogados, delegados, assistentes sociais, jornalistas, repórteres, etc.
* Sugerir ao grupo que use artigos da revista nas reuniões com temas e nos trabalhos do CTO;
* Motivar os membros do grupo a mandarem colaborações para a Vivência: artigos, desenhos, etc.
* Solicitar aos profissionais, principalmente àqueles que conhecem o nosso programa, o envio de artigos à revista;
* Orientar e motivar os companheiros a fazerem ou renovarem suas assinaturas, e encaminhar à Vivência as assinaturas, renovações e sugestões dos assinantes;
* Manter contato com o Representante de Vivência do Distrito (RVD) ou Representante de Vivência do ESL, para a solução de eventuais problemas.

 
 
O grupo de A.A. – a palavra final da Irmandade

Dizem que Alcoólicos Anônimos é uma organização virada de ponta-cabeça porque a "responsabilidade final e a autoridade suprema pelos Serviços Mundiais recaem sobre os grupos – e não sobre os custódios, a Junta de Serviços Gerais ou o Escritório de Serviços Gerais em Nova Iorque". ("Doze Conceitos Ilustrados para os Serviços Mundiais").

Toda a estrutura de A.A. depende da participação e da consciência de cada grupo, e o modo como cada um desses grupos conduz seus assuntos afeta A.A. no mundo inteiro. Por isso, pessoalmente, estamos sempre conscientes da responsabilidade por nossa própria sobriedade e, como grupo, conscientes da necessidade de transmitir a mensagem de A.A. ao alcoólico que ainda sofre e que nos procura pedindo ajuda.
A.A. não tem nenhuma autoridade central. Dispõe apenas de uma organização mínima e algumas Tradições, ao invés de regulamentos. Como observou nosso co-fundador Bill W. em 1960, "respeitamos voluntariamente as Doze Tradições porque precisamos e porque queremos fazê-lo. Talvez o segredo de sua força resida no fato de essas mensagens inspiradoras brotarem de experiências de vida e estarem enraizadas no amor".
A.A. é formada pela voz coletiva de seus grupos locais e de seus representantes na Conferencia de Serviços Gerais, os quais trabalham visando a unanimidade nas questões vitais para a Irmandade. Cada grupo funciona de modo independente, exceto em questões que afetem outros grupos ou A.A. como um todo.
O trabalho essencial dos grupos de A.A. é feito por alcoólicos que estão, eles próprios, recuperando-se através da Irmandade, e cada um está habilitado a realizar sua tarefa em A.A. da forma que julgar melhor, dentro do espírito das Tradições. Isso significa que funcionamos como uma democracia, sendo todos os planos de ação do grupo aprovados pela voz da maioria. Nenhum indivíduo isolado é nomeado para agir pelo grupo ou por A.A. como um todo.
Cada grupo é tão singular quanto uma impressão digital, e os modos de transmitir a mensagem de sobriedade variam não apenas de grupo para grupo, mas também de região para região. Agindo com autonomia, cada grupo traça seu próprio rumo. Quanto melhor informados estiverem seus membros e quanto mais forte e mais coeso estiver o grupo, maior será a garantia de que, quando alguém nos procurar em busca de ajuda, a mão de A.A. esteja estendida.
A maioria de nós só consegue se recuperar se houver um grupo. Como disse Bill, "aflora em cada membro a percepção de que ele é apenas uma pequena parte de um grande todo... Ele aprende que o clamor de seus desejos e ambições deve ser silenciado sempre que possa prejudicar o grupo. Fica evidente que o grupo precisa sobreviver para que o indivíduo viva".