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TRIBUTO A ROBERT H. SMITH – DR. BOB 08/10/2018 - 18:51
Tributo a Robert H. Smith – Dr. Bob

Pela passagem do 65º aniversário da sua morte
Nasceu em Saint Johnsbury, Vermont 08 de agosto de 1879
Morreu em Akron, Ohio, 16 de novembro de 1950
“IN MEMORIAM – DR. BOB

Alcoólicos Anônimos expressa aqui sua eterna gratidão pela vida e obra de seu cofundador,
o Dr. Robert Holbrook S.
Conhecido afetuosamente como “Dr. Bob”, ele se recuperou do alcoolismo no dia 10 de
junho de 1935; naquele ano ajudou a formar o primeiro grupo de Alcoólicos Anônimos; esse farol
que ele e sua bondosa esposa Anne tão bem zelaram com sua luz em toda a extensão, atravessou o
mundo Quando nos deixou, a 16 de novembro de 1950, ele tinha ajudado espiritualmente e como
médico inúmeros companheiros sofredores.
Dr. Bob tinha aquela humildade que recusa todas as honras, a integridade que não admite
favoritismo e a devoção ao homem e a Deus que, pelo brilhante exemplo, iluminará para sempre.
A Irmandade Mundial de Alcoólicos Anônimos apresenta esse testamento de gratidão aos
herdeiros do Dr. Bob e Anne S.”
Homenagem pública prestada na Segunda Convenção Internacional
de A.A. em St. Louis, Mississipi, em julho de 1955, reproduzida na
página 9 do livro “A.A. Atinge a Maioridade” – Junaab, código 101
Leia o artigo “Dr. Bob: Um Tributo” escrito por Bill W. , publicado em janeiro de
1951 na revista Grapevine e reproduzido a partir da página 416 no livro “A
Linguagem do Coração” – Junaab, código 104.

... “Uma vez, quando estava trabalhando com uma mulher em Cleveland, chamei-o [ao Dr.
Bob] e perguntei-lhe: ’O que faço com alguém que está entrando em delirium tremens?’. Ele me
disse o nome do remédio que devia dar a ela e completou: ’Quando sair do delírio e decidir que quer
ser uma mulher diferente, consiga para ela o livro ’A Maior Coisa do Mundo’ (1). Diga-lhe para lêlo
por completo todos os dias durante 30 dias e será uma mulher diferente’”.
“Bem. eu não sei se ela conseguiu ser uma mulher diferente”, contou Dorothy, “mas eu,
através dos anos, ainda o leio e o releio. Estes foram os três livros mais importantes da época: ‘A
Maior Coisa do Mundo’, ’O Quarto Superior’, e o ’Sermão da Montanha’”...
A partir da página 319/6/2 do livro “Dr. Bob e os Bons Veteranos” – Junaab, código 116.
(1) A Maior Coisa do Mundo
Título original: The Greatest Thing In The World
Transcrição integral
(Este texto NÃO é literatura de A.A.)
“O Amor nunca falha, e a vida não falhará enquanto houver Amor. Seja
qual for sua crença, ou sua Fé, busque primeiro o Amor. Ele está aqui,
existindo agora, neste momento.
O pior destino que um homem pode ter é viver e morrer sozinho, sem amar
e sem ser amado.
O poder da vontade não transforma o homem.
O tempo não transforma o homem. O Amor transforma”.
Vês esta mulher?
Entrando em tua casa, não me deste água para os pés; esta, porém, regou meus pés com lágrimas e
os enxugou com seus cabelos. Não me beijaste; ela, entretanto, desde que entrei não cessa de me
beijar os pés. Não me ungiste a cabeça com óleo, mas esta com bálsamo ungiu meus pés. Por isso te
digo: perdoados lhe são os seus muitos pecados, porque ela muito amou; mas aquele a quem pouco
se perdoa, pouco ama.
Lucas, 7; 44-47
No final do século 19, numa tarde fria de primavera, um grupo de homens e
mulheres se reuniu para escutar o mais famoso pregador daquela época. Eram
pessoas vindas de diversos lugares da Inglaterra, ansiosas para ouvir o que o
homem tinha a dizer.
Mas o pregador, depois de oito meses percorrendo diversos países do
mundo num cansativo trabalho de evangelização, sentia-se vazio. Olhou a
pequena plateia, ensaiou algumas frases, e terminou por desistir. O Espírito de
Deus não o havia tocado naquela tarde.

Triste, sem saber o que fazer, virou-se para um jovem missionário que estava entre os
presentes. O rapaz havia regressado da África há pouco tempo, e talvez tivesse alguma coisa
interessante para dizer.
Pediu, então, que o rapaz o substituísse.
As pessoas reunidas naquele jardim em Kent ficaram um pouco desapontadas.
Ninguém sabia quem era o jovem missionário. Na verdade, ele nem era um missionário; havia
recusado sua ordenação como ministro, porque não estava seguro de que aquela fosse sua verdadeira
vocação.
Procurando uma razão para viver, procurando a si mesmo, o rapaz havia passado dois anos no
interior da África — entusiasmado com o exemplo de pessoas que iam atrás de um ideal.
As pessoas no jardim em Kent não gostaram da troca. Tinham vindo por causa de um pregador
experiente, sábio, famoso. E agora eram obrigadas a ouvir uma pessoa que — assim como elas —
ainda lutava para encontrar a si mesma.
Mas Henry Drummond — este era o nome do rapaz — havia aprendido algo.
Henry pediu emprestada uma bíblia de um dos presentes e leu um trecho da carta de Paulo aos
coríntios:
“Ainda que eu fale as línguas dos homens e dos anjos, se não tiver amor, serei como o bronze que
soa, ou como
o címbalo que retine. Ainda que eu tenha o dom de profetizar e conheça todos os mistérios e toda a
ciência; ainda que eu tenha tamanha fé, a ponto de transportar montanhas, se não tiver amor, nada
serei.
E ainda que eu distribua todos os
meus bens entre os pobres e ainda que entregue meu próprio corpo para ser queimado,
se não tiver amor, nada disso me aproveitará.
O amor é paciente, é benigno, o amor não arde em ciúmes, não se ufana, não se ensoberbece, não se
conduz inconvenientemente, não procura seus interesses, não se exaspera, não se ressente do mal;
não se alegra com a injustiça, mas regozija-se com a verdade. Tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo
suporta.
O amor jamais acaba. Mas, havendo profecias, desaparecerão; havendo línguas, cessarão; havendo
ciência, passará. Porque em parte conhecemos, e em parte profetizamos. Quando, porém, vier o que é
perfeito, o que então é em parte será aniquilado.
Quando eu era menino, falava como um menino, sentia como um menino. Quando cheguei a ser
homem, desisti das coisas próprias de menino.
Porque agora vemos como em espelho, obscuramente, e então veremos face a face; agora conheço em
parte, e então conhecerei como sou conhecido.
Agora, pois, permanecem a Fé, a Esperança, e o Amor. Estes três. Porém, o maior deles é o Amor”.
Todos escutaram em silêncio respeitoso. Mas estavam decepcionados. A maior parte já conhecia o
trecho, e já havia meditado longamente sobre ele. O rapaz podia ter escolhido algo mais original,
mais palpitante.

Quando acabou de ler, Henry fechou a Bíblia, olhou para o céu, e começou a falar:
Todos nós, em algum momento, já fizemos a mesma pergunta que todas as gerações fizeram:
Qual é a coisa mais importante da nossa existência?
Queremos empregar nossos dias da melhor maneira, pois ninguém mais pode viver pela gente.
Então, precisamos saber: para onde devemos dirigir nossos esforços, qual o supremo objetivo a ser
alcançado?
Estamos acostumados a escutar que o tesouro mais importante do mundo espiritual é a Fé.
Nesta simples palavra se apoiam muitos séculos de religião.
Consideramos a Fé a coisa mais importante do mundo? Pois bem, estamos completamente
errados.
Se em algum momento acreditamos nisto, podemos deixar de acreditar.
No capítulo que acabei de ler, fomos conduzidos aos primeiros tempos do Cristianismo. E,
como vimos, "permanecem a Fé, a Esperança, e o Amor, estes três. Porém, o mais
importante é o Amor".
Não se trata de uma opinião superficial de Paulo, autor daquelas linhas. Afinal de contas, ele
estava falando de Fé um momento antes. Ele dizia:
“Ainda que eu tenha tamanha f é , a ponto de transportar montes, se não tiver Amor,
nada serei”.
Paulo não fugiu do assunto; pelo contrário, comparou a Fé com o Amor. E concluiu:
“ ( . . . ) o maior destes é o Amor”.
Deve ter sido muito difícil para Paulo dizer isto. Um homem costuma recomendar aos outros
aquilo que, nele, é o ponto forte.
O Amor não era o ponto forte de Paulo. Um estudante com senso de observação irá notar que, à
medida que envelhecia, o apóstolo tornava-se mais tolerante, mais terno. Mas a mão que escreveu
"porém, o maior destes é o Amor", esteve muitas vezes manchada de sangue na juventude.
Além disso, esta carta aos coríntios não é o único documento a mostrar o Amor como o
summum bonum, o Dom Supremo. Todas as obras-primas do Cristianismo concordam a este
respeito
Pedro diz: “acima de tudo, porém, tende amor intenso uns para com os outros, porque o amor
cobre multidão de pecados”.
E João vai mais longe: “Deus é Amor”.
Podemos ler, também, em outro texto de Paulo: “o cumprimento da Lei é o Amor”.
Por que Paulo disse isto? Nessa época, os homens procuravam chegar até o Paraíso cumprindo
os Dez Mandamentos — e as centenas de outros dez mandamentos que eles haviam fabricado tendo
como base as Tábuas da Lei. Cumprir a lei era tudo. Era mais importante, inclusive, que viver.
Então Cristo disse: “eu vou mostrar a vocês uma maneira mais simples de chegar ao Pai. Se
vocês aprenderem isto, podem fazer centenas de outras coisas sem medo de ofender a Deus.
Amor. Se vocês amarem, estão cumprindo a lei, mesmo que não tenham consciência disto”.
Podemos verificar por nós mesmos que este conselho funciona.
Peguemos um mandamento qualquer: “Amar a Deus sobre todas as coisas”. Eis o Amor.
“Não tomar seu santo nome em vão”.
Ousaríamos falar superficialmente de alguém que amamos?

“Guardar domingos e festas”.
Não ficamos muitas vezes ansiosos, esperando o dia de encontrar quem amamos para nos
dedicarmos ao Amor? Então, se amamos Deus, o mesmo há de acontecer.
O Amor exige que obedeçamos todas as leis de Deus.
Quando um homem ama, é desnecessário exigir que honre seu pai e sua mãe, ou que não mate.
Para o homem que quer bem a seu próximo é uma ofensa exigir que não roube — como poderia
roubar quem ama? E seria supérfluo pedir que não levante falso testemunho — pois jamais faria isto,
como seria incapaz de desejar a pessoa que o outro ama.
Portanto, “o amor é o cumprimento da Lei”.
O Amor é a regra que resume todas as outras regras.
O Amor é o mandamento que justifica todos os outros mandamentos.
O Amor é o segredo da vida.
Paulo terminou aprendendo isto, e nos deu, na carta que lemos agora, a melhor e mais
importante descrição do summum bonum, o Dom Supremo.
Paulo começa por comparar o Amor com outras coisas que, em seu tempo, tinham muito valor para
os homens.
Ele compara com a eloquência; um dom nobre, capaz de tocar os corações e mentes dos seres
humanos, e estimulá-los a realizar importantes tarefas sagradas, ou aventuras que vão além dos
limites.
Paulo se refere aos grandes pregadores e diz: “Ainda que eu fale as línguas dos homens e dos
anjos, se não tiver amor, serei como o bronze que soa, ou como o címbalo que retine”.
E todos nós sabemos por quê. Muitas vezes escutamos o que pareciam ser grandes ideias de
transformação do mundo. Mas são palavras ditas sem emoção, vazias de Amor,
elas não nos tocam, por mais lógicas e inteligentes que pareçam ser.
Paulo compara o Amor com a Profecia. Compara com os Mistérios. Compara com a Fé.
Compara com a Caridade.
Por que o Amor é mais importante que a Fé?
Porque a Fé é apenas uma estrada que nos conduz até o Amor Maior.
Por que o Amor é mais importante que a Caridade?
Porque a Caridade é apenas uma das manifestações do Amor. E o todo é sempre mais
importante que a parte. Além disso, a Caridade é também apenas uma estrada, uma das muitas
estradas que o Amor utiliza para fazer com que um homem se una a seu próximo.
E existe, todos nós sabemos disto, um bocado de caridade sem Amor. É muito fácil jogar uma
moeda para um pobre na rua. Geralmente é mais fácil fazer isto que deixar de fazê-lo.
Deixamos de nos sentir culpados pelo cruel espetáculo da miséria.
Que grande alívio, por apenas uma moeda! É barato para nós, e resolve o problema do
mendigo.
Entretanto, se realmente amássemos aquele pobre, nós faríamos muito mais por ele.
Ou não faríamos nada. Não daríamos a moeda e - quem sabe - a nossa culpa por aquela miséria
poderia despertar o verdadeiro Amor.

Paulo então compara o Amor com o sacrifício e o martírio. E eu suplico àqueles que desejam, algum
dia, trabalhar para o bem da Humanidade: jamais esqueçam que, mesmo que seus corpos sejam
queimados em nome de Deus, se não tiverem Amor, não adianta nada. Nada!
Vocês não podem dar nada mais importante do que reflexo do Amor em suas vidas. Isto é a
verdadeira linguagem universal, que nos permite falar chinês, ou os dialetos da índia. Se algum dia
vocês forem a estes lugares, a eloquência silenciosa do Amor fará com que sejam entendidos por
todos.
A mensagem de Fé de um homem está na maneira como vive sua vida, e não nas palavras que
ele diz.
Faz pouco tempo, estive no coração da África, perto dos Grandes Lagos. Ali, entrei em contato
com homens e mulheres que lembravam-se com carinho do único homem branco que conheceram:
David Livingstone. E, ao seguir os passos dele pelo Continente Negro, o rosto das pessoas se
iluminava quando me contavam sobre um doutor que por ali havia passado três anos antes. Eles não
podiam compreender o que Livingstone dizia. Mas sentiam o Amor que estava presente em seu
coração.
Carreguem este mesmo Amor com vocês, e o trabalho de suas vidas estará plenamente
justificado.
Vocês não podem possuir nada mais eloquente que isto, quando forem falar de Deus e do
mundo espiritual. De nada adianta seguir adiante — levando relatos de milagres, testemunhos de Fé,
belas orações. Se vocês tiverem tudo isto, e esquecerem o Amor, para nada servirá tanto esforço.
Porque vocês podem conseguir tudo. Podem estar prontos para qualquer sacrifício.
Mas se entregarem seus corpos para serem queimados, e não tiverem Amor, isto não significará
nada para vocês nem para a causa de Deus.
Depois de comparar o amor com tudo o que já vimos, Paulo - em três versos pequenos - faz uma
surpreendente análise do que é este Dom Supremo.
Ele nos diz que o Amor é uma coisa composta de muitas outras.
Como a luz. Aprendemos na escola que, se pegarmos um prisma e fizermos com que um raio
de sol o atravesse, este raio se divide em sete cores.
As cores do arco-íris.
Paulo, então, pega o Amor e faz com que atravesse o prisma de sua sensibilidade, dividindo-o
nos seus elementos.
Paulo nos mostra o Arco-íris do Amor, como o prisma atravessado por um raio nos mostra o
Arco-íris da Luz.
E quais são estes elementos? São virtudes das quais ouvimos falar todos os dias, virtudes que
podemos praticar em qualquer momento de nossas vidas.
São estas pequenas coisas, estas virtudes simples, que compõem o Dom Supremo.
O Amor é composto de nove ingredientes:
Paciência: “O Amor é paciente”,
Bondade: “é benigno”,
Generosidade: “o amor não arde em ciúmes”,
Humildade: “não se ufana nem se ensoberbece”,
Delicadeza: “o amor não se conduz inconvenientemente”,

Entrega: “não procura seus interesses”,
Tolerância: “não se exaspera”,
Inocência: “não se ressente do mal”,
Sinceridade: “não se alegra com a injustiça, mas regozija-se com a verdade”.
Paciência. Bondade. Generosidade. Humildade. Delicadeza. Entrega. Tolerância. Inocência.
Sinceridade. Estas coisas compõem o bem supremo, estão na alma do homem que quer estar
presente no mundo e próximo a Deus.
Todos estes dons estão relacionados com a gente, com a nossa vida diária, com o hoje e com o
amanhã, com a Eternidade.
Nós sempre escutamos falar muito do Amor a Deus.
Mas Cristo nos fala do Amor ao homem.
Nós buscamos a paz nos Céus.
Cristo busca a paz na Terra.
A Busca do Ser Humano para responder sua principal pergunta - “a que devo dedicar minha
existência?" - não é uma coisa estranha ou imposta. Ela está presente em todas as civilizações,
mesmo que estas não se comuniquem. Porque nasceu junto com o homem, e reflete o sopro do
Espírito Eterno neste mundo.
O Dom Supremo também reflete este sopro. Não é apenas um Dom em si, mas a soma de
várias atitudes e palavras de nosso dia-a-dia.
O Amor é Paciência.
Este é o comportamento normal do Amor, esperar com calma, sem pressa, sabendo que em
determinado momento ele poderá se manifestar.
Está pronto para fazer seu trabalho na hora certa, mas aguarda com calma e mansidão.
O Amor é paciente. Aguenta tudo.
Acredita em tudo.
Tudo espera.
Porque o Amor é capaz de entender.
Bondade. Amor ativo.
Já repararam que Cristo utilizou grande parte do seu tempo no mundo sendo bom para os
outros, deixando os outros contentes?
Utilizou grande parte do pouco tempo que tinha na Terra para fazer feliz seus contemporâneos?
Procure olhar por este ângulo, e notará que, embora Cristo tivesse muito o que fazer, não
esqueceu de ser carinhoso para com o próximo.
Existe apenas uma coisa mais importante que a felicidade: é a santidade. Isto não está ao nosso
alcance. Mas está ao nosso alcance fazer os outros felizes. Deus colocou isto em nossas mãos, e não
nos custa quase nada. Se olharmos com cuidado, verificaremos que não nos custa absolutamente
nada.
Mesmo assim, por que relutamos em alegrar nosso próximo? A felicidade não é um bem que se
multiplica em cativeiro, nem é nada que diminui quando se dá. Ao contrário, somente semeando
felicidade é que conseguimos aumentar nossa cota.

“A coisa mis importante que podemos fazer por um pai”, disse alguém certa vez, “é ser
amável com seus filhos”.
Como o mundo precisa disto! E como é fácil ser amável. O efeito é imediato e seu autor é
lembrado para sempre.
E como a recompensa é abundante - pois não existe dívida mais honrada que a dívida do Amor.
O Amor nunca falha.
O Amor é a verdadeira energia da vida. Como diz (Robert) Browning:
“... pois a Vida, com todos os seus momentos [ d e alegria e tristeza e esperança, e
medo], é apenas a chance para aprender o Amor como o Amor pode ser, como foi, e
como é”.
Onde existe Amor, existe o ser humano, e existe Deus.
Aquele que se alegra no Amor, se alegra com o ser humano, e se alegra em Deus.
Deus é Amor. Portanto: AME!
Sem distinção, sem hora marcada, sem adiamentos, sem medo de sofrer: AME!
Derrame generosamente seu amor sobre os pobres, o que é fácil; e sobre os ricos, que
desconfiam de todos, e não conseguem enxergar o Amor de que tanto necessitam; e sobre seus
semelhantes - o que é muito difícil. É com nossos semelhantes que somos mais egoístas. Muitas
vezes tentamos agradar, mas o que precisamos fazer é dar alegria.
Dê alegria. Jamais perca uma oportunidade de dar alegria ao próximo, porque você será o
primeiro e se beneficiar disto - mesmo que ninguém saiba o que você está fazendo. O mundo à sua
volta ficará mais contente, e as coisas serão muito mais fáceis para você.
Eu estou neste mundo, vivendo o presente. Qualquer coisa boa que eu possa fazer, ou
qualquer alegria que puder dar aos outros, por favor, digam-me. Não me deixem adiar ou esquecer,
pois jamais tornarei a viver este momento novamente.
Generosidade. "O amor não arde em ciúmes." O Amor não inveja. “Arder em ciúmes” significa:
amar competindo com o amor do; outros.
Deixe que os outros amem. E procure amar mais ainda.
Dê a sua parte, dê o melhor de si.
Sempre que você quiser praticar uma boa ação, encontrará pessoas que fazem a mesma; coisa,
às vezes de uma maneira muito melhor que a sua. Não os inveje.
A inveja é um sentimento dirigido àqueles que estão ao nosso lado, geralmente tentando
destruir o que há de melhor nesta pessoa. A inveja é o sentimento mais desprezível que um homem
pode ter. Está sempre esperando para arrasar tudo o que os outros fazem; mesmo que seja o melhor
para nós.
E a única maneira de escapar à inveja é concentrando forças no Amor.
Apenas uma coisa temos que invejar: s grande, rica e generosa alma daqueles que conhecem
um Amor que “não arde em ciúmes”.
E então, depois de aprender tudo isto, temos que aprender mais uma coisa: humildade. Colocar um
selo em nossos lábios, e esquecer nossa paciência, nossa bondade, nossa generosidade. Depois que o

Amor penetrou em nossas vidas, e realizou seu belo trabalho, devemos ficar quietos e não dizer
nada.
O Amor se esconde, inclusive, de si mesmo.
O Amor evita a autossatisfação.
O Amor “não se ufana, nem se ensoberbece”.
O quinto ingrediente é algo que pode parecer estranho e inútil neste Arco-íris do Amor: delicadeza.
Este é o amor entre os homens, o amor na sociedade. Muitas pessoas costumam dizer que delicadeza
é um sentimento supérfluo.
Não é verdade: delicadeza é o Amor manifesto nas pequenas coisas.
O Amor não consegue ser agressivo ou inconveniente, não consegue comportar-se de maneira
errada. Você pode ser a pessoa mais tímida do mundo, mais despreparada para lidar com o próximo
- mas, se tiver um reservatório de amor em seu coração, sempre agirá da maneira certa.
Carlyle dizia: Robert Burns é mais nobre que toda a nobreza da Inglaterra, porque consegue
amar tudo - o rato, a margarida, todas as coisas grandes e pequenas que Deus fez. Assim, com este
passaporte, Burns podia conversar com qualquer pessoa, visitar palácios e dormir em cabanas.
Você sabe o que quer dizer “nobre”? Significa alguém que age de maneira digna. Este é o
mistério do Amor.
Quem possui Amor em seu coração, não pode agir grosseiramente, ao passo que o falso nobre,
aquele que é apenas esnobe, está preso a seus sentimentos e não consegue amar.
“O Amor não se conduz inconvenientemente”.
Entrega. O Amor não procura seus interesses, não busca a si mesmo.
O Amor não busca sequer aquilo que é seu.
Na Inglaterra, como em muitos outros países, os homens procuram lutar - e com toda razão -
pelos seus direitos. Mas há momentos - momentos muito especiais - em que podemos inclusive abrir
mão destes direitos.
Paulo, porém, não nos exige isto. Porque ele sabe que o Amor é algo tão profundo que quem
ama ignora qualquer recompensa.
Ama-se porque o Amor é o Dom Supremo, e não porque ele nos dá algo em troca.
Não é difícil abrir mão de nossos direitos - afinal de contas, eles são coisas fora de nós, ligadas
à nossa relação com a sociedade. O que é difícil é abrir mão de nós mesmos.
Mais difícil ainda é não procurar alguma recompensa para nós mesmos quando amamos.
Geralmente procuramos, compramos, conquistamos, merecemos, atingimos o melhor - e
podemos, num gesto nobre, abrir mão da recompensa. Mas eu falo de não buscar.
Id opus est. Esta é a obra. O Amor basta a si mesmo.
“Você procura grandes coisas em sua vida?”, pergunta o profeta. “Não as procure”. Por quê?
Porque não existe grandeza nas coisas. As coisas não podem ser maiores do que elas mesmas. A
única grandeza que existe é na entrega proporcionada pelo Amor.
Sei que é muito difícil abrir mão de uma recompensa.
Mas é muito mais difícil não buscar uma recompensa naquilo que fazemos.
Não, não devo falar desta maneira. Na verdade, nada é difícil para o Amor. Acredito realmente
que o fardo do Amor seja suave. O “fardo” é apenas Sua maneira de viver a vida. E, tenho certeza, é

também a maneira mais fácil de viver, porque o Amor que não busca recompensas é capaz de
preencher cada minuto da existência com sua luz.
A lição mais presente em todos os ensinamentos espirituais nos diz: não existe felicidade em
ter e receber; apenas em dar.
Repito: não existe felicidade em ter e receber. Apenas em dar.
Quase todo mundo, neste momento, está seguindo uma pista falsa para chegar até a casa da
Felicidade. Pensa-se muito em ter e receber, em exibir, em conquistar, em ser servido um dia pelos
outros. Isto é o que a maior parte das pessoas chama realização.
Realização, entretanto, é dar e servir. O que quiser ser maior entre todos vocês, disse Cristo,
que sirva a seu próximo. Quem quiser ser feliz deve colocar no Amor o seu encontro com a vida. O
resto não tem importância.
O próximo ingrediente é tolerância. “O amor não se exaspera”.
Somos inclinados a julgar a intolerância como um defeito de família, uma característica da
personalidade, uma distorção da natureza, quando na verdade deveríamos considerá-la uma
verdadeira falha do caráter do homem. Em razão disso, na análise que faz do Amor, Paulo cita a
tolerância. E a Bíblia, em muitas outras passagens, cita a intolerância como elemento mais destruidor
da nossa maneira de agir.
O que mais me impressiona é que a intolerância, o preconceito, está sempre presente na vida de
pessoas que se julgam virtuosas. Geralmente é a grande mancha numa personalidade que tinha tudo
para ser gentil e nobre. Conhecemos muitas pessoas que são quase perfeitas mas que - de repente -
acham que estão certas em alguma coisa e perdem a cabeça por causa disto.
Esta suposta boa relação entre a virtude e a intolerância é um dos mais tristes problemas da
raça humana e da sociedade.
Na verdade, existem dois tipos de pecado: pecados do corpo e pecados do espírito. Em certa
parábola do Novo Testamento, o Filho Pródigo abandona sua família e sai pelo mundo, enquanto o
irmão mais velho fica junto ao pai. Depois de muitas desgraças, o Filho Pródigo resolve voltar, e o
pai dá uma grande festa em sua homenagem. Ao saber disso, o irmão mais velho revolta-se contra o
pai: “Não fiquei aqui ao seu lado este tempo todo, trabalhando, enquanto ele gastava sua
herança?”, pergunta.
Podemos considerar que o Filho Pródigo comete o primeiro tipo de pecado, enquanto o irmão,
o segundo. A sociedade, curiosamente, garante saber qual dos dois tipos de pecado é o pior, e sua
condenação cai, sem sombra de dúvida, sobre o Filho Pródigo. Mas será que estamos certos?
Não temos nenhuma balança para pesar o pecado dos outros, e “melhor” ou “pior” são apenas
duas palavras do vocabulário. Mas eu vos digo: faltas mais sofisticadas podem ser muito mais
graves do que as simples e óbvias.
Aos olhos Daquele que é Amor, um pecado contra o Amor é cem vezes pior. Não existe
nenhum vício, ou desejo, ou avareza, ou luxúria, ou embriaguez que seja pior que um temperamento
intolerante.
Por tornar a vida amarga,
por destruir comunidades,
por acabar com muitas relações,
por devastar lares,
por sacudir homens e mulheres de suas bases,
por tirar toda a exuberância da juventude,
por seu poder gratuito de produzir miséria, a intolerância não tem concorrentes.
Olhamos para o irmão mais velho, correto, trabalhador, paciente, responsável. Vamos dar a ele
todo o crédito de suas virtudes - olhemos para este rapaz, para esta criança que agora se encontra na
porta da casa, diante de seu pai.
“Ele se indignou”, nós lemos, “e não queria entrar”. Como a atitude do irmão deve ter afetado
o Filho Pródigo! E quantos filhos pródigos são mantidos fora do Reino de Deus por causa destas
pessoas sem amor, que garantem estar do lado de dentro!
Como devia estar o rosto do irmão mais velho ao dizer aquelas palavras? Coberto por uma
nuvem de ciúme, raiva, orgulho, crueldade, certeza de que havia agido sempre direito.
Determinação, ressentimento, falta de caridade. São estes os ingredientes desta alma escura e sem
amor. São estes os ingredientes da intolerância e do preconceito.
E todos nós, que já sofremos este tipo de pressão muitas vezes na vida, sabemos que estes
pecados são muito mais destruidores do que os pecados do corpo.
Não falou o próprio Cristo a este respeito, quando disse que as prostitutas e os pecadores
entrariam primeiro no Reino dos Céus, na frente dos sábios escribas de sua época?
Não existe lugar no Reino para os preconceituosos e os intolerantes. Um homem
preconceituoso conseguiria tornar o Paraíso insuportável para si e para os outros.
Se o intolerante não nascer de novo, deixando de lado tudo aquilo que julga intocável e certo,
ele não pode - simplesmente não pode - entrar no Reino dos Céus.
Porque, para entrar no Reino dos Céus, o homem precisa carregar o Paraíso em sua alma.
Reparem! Enquanto falava, eu me exasperei. E uma bolha da intolerância subiu, mostrando algo
podre lá no fundo. Este é um grande teste para o Amor, saber que por mais que tentemos, não
conseguimos quase nunca a paz necessária para que o Amor floresça. Vejam como as partes mais
ocultas da alma aparecem quando baixamos a guarda. E de repente, pregando a generosidade, a
humildade, a paciência, a cortesia, a entrega, me exaltei.
Cometi o vício de quem fala em virtude: a intolerância manifestou-se.
Vemos que não basta apenas falar de preconceitos ou lidar com eles. Temos que ir até onde
eles se escondem, mudar o que há de mais íntimo em nossa própria natureza. Só assim os
sentimentos de raiva morrerão por si mesmos. E nossas almas serão mais suaves - não porque
colocaram a agressividade para fora, mas porque colocaram o Amor para dentro.
Deus é Amor. Um Amor que, ao nos penetrar, suaviza, purifica, e a tudo transforma. Afasta o
que está errado, renova, regenera, reconstrói o interior do homem.
O poder da vontade não transforma o homem.
O tempo não transforma o homem.
O Amor transforma.
Portanto, deixem o Amor entrar. Lembrem-se: isto é uma questão de vida ou de morte. De nada
adianta eu estar aqui falando sobre o amor se sou incapaz de despertá-lo. “Melhor seria que se lhe
pendurasse ao pescoço uma pedra de moinho e fosse atirado ao mar do que fazer tropeçar a um
destes pequeninos”.
Ou seja: melhor não viver que não amar.
Melhor não viver que não amar.
Vamos falar pouco de inocência e sinceridade. As pessoas que mais nos influenciam, mais nos
tocam, são aquelas que acreditam no que dizemos. Num ambiente de mútua suspeita, as pessoas se
retraem.
Diante da inocência, porém, todos nós crescemos. Encontramos coragem e amizade junto de
quem acredita em nós.
Quem nos entende, pode nos transformar.
É muito bom saber que, aqui e ali, ainda existem certas pessoas que não ficam ressentidas com
o mal porque sabem a importância do bem que estão fazendo. Estas pessoas cresceram aos olhos dos
homens e de Deus. Não temem a inveja ou a indiferença. Porque o Amor "não se ressente do mal",
vê sempre o lado bom, coloca o melhor de si para funcionar.
E, de novo, quem ama é quem sai ganhando, embora não procure nenhuma recompensa. Que
maravilhosa é a vida daqueles que estão sempre na luz! Que estímulo, que bênção, passar um dia
inteiro sem ressentir-se com qualquer mal.
Fazer com que as pessoas confiem em nós é estar muito perto do Amor. E só vamos conseguir
isto se confiarmos nas pessoas. O pouco que os outros podem nos ferir por causa da nossa atitude
inocente, não significa nada perto da alegria que vamos passar e sentir diante da vida. Não será mais
necessário carregar pesadas armaduras,, incômodos escudos, armas perigosas. A inocência nos
protege.
Só podemos ajudar alguém, se nele confiarmos. Pois o respeito pelos outros termina fazendo
com que recuperemos o respeito por nós mesmos.
Se acreditamos que uma pessoa pode melhorar, e esta pessoa sente que a consideramos igual a
nós mesmos, terá ouvidos para nossas palavras. Acreditará que pode se tornar uma pessoa melhor.
“O amor não se alegra com a injustiça, mas regozija-se com a verdade”. Chamei este ingrediente
de sinceridade.
Aquele que sabe amar, ama a Verdade tanto quanto o seu próximo. Alegra-se com a Verdade -
mas não com a verdade que lhe foi ensinada.
Não com a verdade das doutrinas.
Nem com a verdade das igrejas.
Nem com este ou aquele “ismo”.
Ele se alegra na Verdade. Busca a Verdade com uma mente limpa, humilde, e sem preconceitos
ou intolerância - e acaba ficando satisfeito com o que encontra.
Talvez a palavra sinceridade não seja a melhor para explicar esta qualidade do Amor, mas não
consigo encontrar nenhuma outra. Não estou falando da sinceridade que humilha o próximo, aquela
que usa o erro dos outros para mostrar o quanto somos bons. O verdadeiro Amor não consiste em
expor aos outros a sua fraqueza, mas aceitar tudo, alegrar-se ao ver que as coisas são melhores do
que os outros disseram.
Chega de analisar o Amor. Agora temos que nos esforçar para que todos estes ingredientes passem a
fazer parte de nós mesmos.
Este deve ser nosso objetivo no mundo: aprender a amar.
A vida nos oferece milhares de oportunidades para aprender a amar. Todo homem e toda
mulher, em todos os dias de suas vidas, têm sempre uma boa oportunidade de entregar-se ao Amor.
A vida não é um longo feriado, mas um constante aprendizado.
E a mais importante lição que temos é : aprender a amar.
Amar cada vez melhor.
O que faz do homem um grande artista, um grande escritor, um grande músico?
Prática.
O que faz do homem um grande homem?
Prática. Nada mais.
O crescimento espiritual aplica as mesmas leis usadas pelo corpo e pela alma. Se um homem
não exercita seu braço, jamais terá músculos. Se não exercita sua alma, jamais terá fortaleza de
caráter, nem ideais, nem a beleza do crescimento espiritual.
O Amor não é um momento de entusiasmo.
O Amor é uma rica, forte e generosa expressão de nossas vidas - a personalidade do homem em
seu mais completo desenvolvimento.
E, para construir isto, precisamos de uma prática constante.
O que fazia Cristo na carpintaria?
Praticava.
Embora perfeito, aprendia - todos nós já lemos sobre isto. E assim ele crescia em sabedoria,
para Deus e para os homens.
Procure ver o mundo como um grande aprendizado de Amor, e não fique lutando contra aquilo
que acontece em sua vida. Não reclame por precisar estar sempre atento, ser obrigado a viver em
ambientes mesquinhos, cruzando com almas pouco desenvolvidas.
Esta foi a maneira que Deus encontrou para você praticar.
E não se assuste com as tentações. Não se surpreenda com o fato de elas estarem sempre à sua
volta, e não se afastarem — apesar de tanto esforço e tanta prece. É desta maneira que Deus trabalha
sua alma.
Tudo isto o está ensinando a ser paciente, humilde, generoso, entregue, delicado, tolerante. Não
afaste a Mão que esculpe sua imagem, porque esta Mão também mostra o seu caminho.
Esteja certo de que você está ficando mais belo a cada minuto que passa — e, embora não
perceba, dificuldades e tentações são as ferramentas utilizadas por Deus.
Lembre-se das palavras de Goethe: “O talento se desenvolve na solidão; o caráter no rio da
vida”.
O talento se desenvolve na solidão; a prece, a Fé, a meditação, a visão clara da vida.
Mas o caráter só pode crescer se fizermos parte do mundo.
Porque é no mundo que aprendemos a Amar.
Pois bem. Eu mostrei alguns aspectos do Amor, para facilitar nossa compreensão a respeito de Deus
e do próximo.
Mas são apenas aspectos. O Amor jamais pode ser definido.
A luz é muito mais que a soma de seus componentes - é algo que brilha, fulgurante, no espaço.
E o Amor é muito mais que a soma de todos os seus ingredientes - é uma coisa viva, palpitante,
divina.
Se misturarmos todas as cores do Arco- íris, tudo que conseguimos criar é a cor branca - não
conseguimos fazer a luz.
Da mesma maneira, ao sintetizar todas as virtudes das quais falamos, podemos nos tornar
virtuosos, mas não quer dizer que tenhamos aprendido a amar.
Então, como vamos trazer o Amor para dentro de nossos corações?
Vamos trabalhar nossa vontade, para mantê-lo sempre próximo.
Vamos tentar copiar os que aprenderam a amar.
Vamos esquecer todas as regras que nos ensinaram sobre, o que é o Amor, inclusive estas
minhas palavras.
Vamos orar.
Vamos vigiar.
Nada disso, porém, vai nos fazer amar, porque o Amor é um efeito, E só ao conhecermos a
causa, o efeito se manifesta.
Devo dizer qual é esta causa?
Se lermos a Versão revisada da Primeira Epístola de João, vamos encontrar as seguintes
palavras:
“Nós amamos porque Ele nos amou primeiro”.
Está escrito: “nós amamos”, e não “nós O amamos”, como traduziram antes, de maneira
errada.
“Nós amamos porque Ele nos amou primeiro”. Reparem na palavra porque.
Esta é a causa a que me refiro.
Porque Ele primeiro nos amou, o efeito - consequentemente - é que nós amamos.
Somos todos manifestações do Amor.
Amamos a Ele, amamos a nós mesmos, amamos a todos.
É assim. Nosso coração vai aos poucos se transformando. Contemplem o amor que lhes é
dado, e saberão como amar.
Você não pode se obrigar a amar, e tampouco pode obrigar a qualquer pessoa. Tudo que pode
fazer é olhar o Amor, apaixonar-se por ele, e copiá-lo.
Ame o Amor. Olhe o grande sacrifício que Ele propôs a si mesmo. Ao amá-lo, você se tornará
como Ele.
O Amor produz Amor.
Coloque uma peça de ferro numa fonte de eletricidade, e você levará um choque. É um
processo de indução. Ou a coloque perto de um ímã, e esta peça também, se transformará em um
ímã enquanto estiver ali.
Permaneça perto de Quem nos amou, e você será imantado por esse Amor.
Qualquer homem que buscar esta Causa, terá o seu Efeito.
Tente livrar-se do preconceito de que. a Busca Espiritual existe por acaso, ou capricho, ou por
nosso gosto por mistério. Ela está aí por causa, de uma lei natural — ou melhor, espiritual, porque é
uma lei divina. Edward Irving visitava um menino que estava morrendo. Ao entrar no quarto,
colocou a mão na testa do garoto e disse: “Garoto, Deus te ama”.
Não disse mais nada. Saiu em seguida.
O garoto levantou-se, chamou todas as pessoas da casa, e gritava: “Deus me ama! Deus me
ama!” A mudança foi completa; a certeza de que Deus o amava lhe deu forças, destruiu o que havia
de mal, e permitiu sua transformação.
Da mesma maneira, o Amor derrete o mal que existe no coração de um homem, e o transforma
em uma nova criatura - paciente, humilde, tolerante, gentil, entregue, sincera.
Não existe nenhuma outra maneira de conseguir amar - e tampouco há qualquer mistério sobre
isto. Nós amamos os outros, amamos a nós mesmos, amamos nossos inimigos, porque, primeiro,
fomos amados por Ele.
Falta acrescentar muito pouca coisa sobre as razões que levaram Paulo a considerar o Amor como o
Dom Supremo.
Falta apenas analisar a principal razão. Algo muito importante, que pode ser resumido numa
frase curtíssima: o Amor permanece.
"O Amor", insiste Paulo, "jamais acaba". Então ele nos dá mais uma de suas maravilhosas
listas. Fala de assuntos que eram importantes em sua época. Coisas que todos garantiam ser eternas.
E mostra como são frágeis, temporárias, agonizantes.
“Havendo profecias, desaparecerão”.
Naquele tempo, o sonho de todas as mães era que seus filhos se tornassem profetas. Durante
séculos e séculos Deus tinha escolhido falar ao mundo por meio dos profetas, e estes eram mais
poderosos que os Reis. Os homens esperavam, aflitos, que chegasse um novo mensageiro do Alto, e
o honravam quando ele aparecia.
Paulo é implacável: “Havendo profecias, desaparecerão”.
A Bíblia está repleta de profecias. Mas, na medida em que foram transformadas em realidade,
perderam seu verdadeiro sentido. Desapareceram como profecias, para se tornarem apenàs o
alimento da fé de homens piedosos.
Então, Paulo fala sobre as línguas.
“Havendo línguas, cessarão”, diz ele.
Tanto quanto sabemos, já se passaram milhares de anos desde que as primeiras línguas
surgiram sobre a face da Terra. Elas ajudaram o homem a se organizar, crescer, e sobreviver num
mundo perigoso e hostil. Onde estão estas línguas?
Desapareceram.
Os egípcios construíram pirâmides e gravaram sua escrita em monumentos que permanecem
até hoje. Ainda existem como nação, mas sua língua original desapareceu.
Considere estes exemplos da maneira que você quiser - inclusive no sentido literal.
Embora não fosse esta a principal preocupação de Paulo, pelo menos podemos entender melhor o
que ele estava falando. A carta aos coríntios, que lemos e que discutimos durante todo este tempo,
foi escrita originalmente em grego antigo.
Se formos até a Grécia com o texto original, pouquíssimas pessoas seriam capazes de decifrálo.
Há mil e quinhentos anos atrás, o latim dominava o mundo. Hoje não significa mais nada.
Reparem as línguas indígenas: estão desaparecendo. A língua original do País de Gales, ou a da
Escócia, está morrendo diante de nossos olhos.
O livro mais popular da Inglaterra — com exceção da Bíblia — é Pickwick Papers, de Charles
Dickens. Foi quase todo escrito num inglês falado pelas pessoas nas ruas. Pois bem: estudiosos nos
garantem que, em cinquenta anos, este livro será ilegível para o leitor comum.
Então, Paulo vai mais longe e acrescenta, com ênfase: “havendo ciência, passará”.
Onde está a ciência dos antigos? Sumiu por completo. Hoje, um menino de escola secundária
conhece muito mais coisas que Sir Isaac Newton - o descobridor da Lei da Gravidade - conhecia em
sua época. O jornal que nos traz as novidades da manhã é jogado fora quando chega a noite.
Compramos enciclopédias de dez anos atrás por apenas alguns tostões - porque as conquistas científicas
que estão em suas páginas já foram completamente ultrapassadas.
Reparem como a carruagem puxada a cavalo foi substituída pelo vapor. E como a eletricidade,
por sua vez, ameaça superar o vapor, jogando no esquecimento centenas de invenções que apenas
acabaram de nascer. Uma das maiores autoridades dos dias de hoje, Sir William Thomson, garante:
“O motor a vapor em breve deixará de existir”.
“Havendo ciência, passará”.
Vemos no fundo dos quintais algumas rodas velhas, peças quebradas, objetos de ferro
corroídos pela ferrugem; vinte anos atrás, estas mesmas peças faziam parte de objetos que eram o
orgulho de seu dono.
Agora não representam mais nada, a não ser um estorvo do qual não conseguimos nos livrar.
Toda ciência e toda filosofia de nossa época, de que tanto nos orgulhamos, um dia
envelhecerão.
Alguns anos atrás, a maior autoridade de Edimburgo era Sir James Simpson, o descobridor do
clorofórmio e o precursor da anestesia. Recentemente, o bibliotecário da universidade onde Sir
James Simpson lecionava, pediu ao sobrinho do cientista que se livrasse dos livros do tio. Estes já
não tinham qualquer interesse para os novos estudantes.
O sobrinho disse ao bibliotecário: “Não são apenas os livros de meu tio. Qualquer livro
científico com mais de dez anos deve ser levado para o porão”.
Sir James Simpson era uma pessoa mundialmente importante; cientistas de todas as partes do
planeta vinham consultá-lo.
Entretanto, suas descobertas - e quase todas as outras descobertas de sua época - foram
superadas.
“Porque agora vemos como num espelho, obscuramente”.
Vocês podem me dizer algo que permaneça para sempre? Paulo deixou de mencionar muitas
coisas. Não falou em dinheiro, fortuna, fama; limitou-se apenas às coisas importantes do seu tempo,
às coisas a que se dedicavam os melhores homens da sua época. E as colocou, decididamente, de
lado.
Paulo nada tem contra as coisas em si; não falou mal delas. Tudo que disse foi que elas não
durariam. Eram coisas importantes, mas não eram dons supremos.
Existia algo além delas.
O que somos é mais do que fazemos, e muito mais do que possuímos. Muitas coisas, que os
homens chamam de pecado, não são pecados; são sentimentos e deslizes que desaparecem rápido.
Efêmeros.
Este é um argumento favorito do Novo Testamento. João não nos diz que o mundo está errado;
diz que “passará”.
Existem muitas coisas no mundo que são belas; coisas que nos entusiasmam e nos engrandecem.
Mas não vão durar. Todo o reino deste mundo, o deslumbramento de visão, os prazeres da
carne, o orgulho, tudo existe apenas por um breve momento.
Por isso, não deixe que seu amor se prenda às coisas do mundo. Nada que o mundo contém
vale a dedicação e o tempo de uma alma imortal. A alma imortal deve entregar-se a algo que é
imortal.
E as únicas coisas imortais são “a fé, a esperança e o amor”.
Alguns podem dizer, inclusive, que duas destas coisas também passam: a fé, quando sentimos e
vivemos a presença de Deus, e a esperança, quando é satisfeita e preenchida.
Mas, com toda certeza, o Amor continuará presente.
Deus, o Eterno Deus, é Amor. Busquem, portanto, o Amor - este momento eterno, a única
coisa que vai permanecer quando a própria raça humana tiver chegado ao final de seus dias. O Amor
será sempre a única moeda corrente aceita no Universo, quando todas as outras moedas, de todas as
nações, tiverem perdido seu uso e seu valor.
Se vocês querem se entregar a muitas coisas, entreguem-se primeiro ao Amor - e tudo o mais
lhes será acrescentado. Dê a cada coisa o seu devido valor.
Dê a cada coisa apenas o seu devido valor.
Permitam pelo menos que o grande objetivo de suas vidas seja o de conseguir forças
suficientes para defender esta ideia, e construir uma existência usando o Amor como principal
referência. Como fez Cristo, que construiu toda a sua obra em cima do Amor.
Eu comentava que o Amor é eterno. Já repararam como João o associa, várias vezes, à Vida
Eterna? Quando eu era criança, me diziam que “Deus amou o mundo de tal maneira que deu seu
Filho Unigênito para que todo que Nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna”.
Os mais velhos diziam então - lembro-me bem - que Deus amou tanto o mundo que, se
confiássemos Nele, teríamos paz, descanso, alegria, ou segurança. Eu tive que descobrir por mim
mesmo que não era bem assim. Que, na verdade, todos aqueles que confiassem Nele - isto é, que O
amassem, pois a confiança é uma avenida pela qual o Amor caminha - teriam, isto sim, a Vida
Eterna.
Os textos sagrados nos falam de uma nova vida. Não ofereça ao próximo apenas a paz, ou o
descanso, ou a segurança. Em vez disso, conte como Cristo veio ao mundo para dar ao homem uma
vida mais cheia de Amor — e, por isso mesmo, abundante em salvação, longa o suficiente para que
possamos nos dedicar ao aprendizado do Amor.
Só assim as palavras do Evangelho fazem sentido, e podem tocar o corpo, a alma e o espírito,
dando a cada uma destas partes uma orientação e uma finalidade.
Muitos dos textos espirituais que vemos hoje são dirigidos apenas a uma parte do homem.
Oferecem Paz, mas não falam em Vida.
Discutem a Fé, e esquecem o Amor.
Contam sobre a Justiça, e não tocam na Revelação.
E o homem termina se afastando da Busca Espiritual, porque esta foi incapaz de mantê-lo em
sua trilha.
Não cometamos estes erros. Que fique sempre claro para nós que só o Amor Total pode
competir com o amor deste mundo.
Amar abundantemente é viver abundantemente.
Amar para sempre é viver para sempre. A Vida Eterna está completamente acorrentada ao
Amor.
Por que queremos viver para sempre? Porque desejamos que o dia de amanhã nos traga alguém
que amamos. Porque queremos conviver mais um dia com a pessoa que está ao nosso lado. Porque
queremos encontrar alguém que mereça nosso amor, e que saiba, por sua vez, nos amar como
achamos que merecemos.
Por isso, quando um homem não tem ninguém que o ame, sente uma profunda vontade de
morrer. Enquanto ele tiver amigos, gente que ele ama e que o ama, ele viverá.
Porque viver é amar.
Até mesmo o amor por um animal de estimação - um cachorro, por exemplo - pode justificar a
vida de um ser humano. Mas se ele não tiver mais este laço de amor com a vida, desaparece também
qualquer razão para continuar vivendo.
A “energia da vida” falhou.
Participar da Vida Eterna significa conhecer o Amor. Deus é Amor. João diz: “Estamos no
verdadeiro, em seu Filho. Este é o verdadeiro Deus e a Vida Eterna”.
Seja qual for sua crença, ou sua Fé, busque primeiro o Amor. E o resto lhes será acrescentado.
Pois o Amor precisa ser eterno. Porque Deus o é.
Amor é Vida.
O Amor nunca falha, e a vida não falhará enquanto houver Amor.
É isto que Paulo nos mostra: que, no fundo de todas as coisas criadas, o Amor está presente
como o Dom Supremo - porque o Amor permanece, enquanto as coisas acabam.
O Amor está aqui, existe em nós agora, neste momento. Não é algo que nos venha a ser dado
depois de morrermos. Ao contrário, teremos pouquíssimas chances de aprender o Amor quando
estivermos velhos se não o buscarmos e o praticarmos agora.
O pior destino que um homem pode ter é viver e morrer sozinho, sem amar e sem ser amado.
Quem ama está salvo.
Quem não ama, nem é amado, está condenado.
E aquele que se alegra no Amor, se alegra em Deus, porque Deus é amor.
Estou quase acabando este longuíssimo sermão. Mas, antes, quero fazer uma proposta: quantos de
vocês querem juntar-se a mim, para ler este trecho da carta aos coríntios, pelo menos uma vez por
semana?
Quem quiser, que o faça durante os próximos três meses. Um homem assim o fez, e mudou
completamente sua vida.
Ou então vocês podem começar por ler esta epístola uma vez por dia, principalmente os versos
que descrevem a maneira de agir que combina com o Amor:
“O amor ê paciente, é benigno, ó amor não arde em ciúmes”.
Coloquem estes ingredientes na vida .de vocês. A partir daí, tudo o que fizerem passará a ser
Eterno. Vale a pena dedicar um pouco de tempo para aprender a arte de Amar.
Nenhum homem se torna santo enquanto dorme; é necessário rezar, meditar.
Da mesma maneira, qualquer melhora, em qualquer sentido, requer preparação e cuidados.
Exijam de si mesmos: viver uma vida plena e correta. Se vocês olharem para trás, perceberão
que os melhores e mais importantes momentos da vida foram aqueles onde estava presente o espírito
do Amor.
Quando olhamos nosso passado - e não nos detemos nos prazeres transitórios da vida -,
notamos que os momentos marcantes de nossa existência são aqueles em que vivíamos o amor; ou
que, escondidos, fizemos algo de bom para alguém. Coisas às vezes tolas demais para serem
contadas, mas que, por frações de segundo, nos fizeram sentir como se estivéssemos mergulhados na
Eternidade.
Eu já vi quase todas as belas coisas que Deus criou. Já gozei quase todos os prazeres que um
homem pode gozar. Mesmo assim, ao olhar meu passado, sobram apenas quatro ou cinco momentos
- geralmente muito curtos - em que pude fazer uma pobre imitação do Amor de Deus.
São estes momentos que justificam minha vida. Todo o resto é passageiro. Qualquer outro bem
ou virtude é apenas uma ilusão. Estes pequenos atos de Amor que ninguém reparou, que ninguém
conhece, justificam minha vida.
Porque o amor permanece.
Mateus nos dá uma descrição clássica do Juízo Final: o Filho do Homem senta-se em um trono, e
separa, como um pastor, os cabritos das ovelhas.
Neste momento, a grande pergunta do ser humano não será: “Como eu vivi?”.
Será, isto sim: “Como amei?”.
O teste final de toda busca da Salvação, será o Amor. Não será levado em conta o que fizemos,
em que acreditamos, o que conseguimos.
Nada disso nos será cobrado. O que nos será cobrado: nossa maneira de amar o próximo.
Os erros que cometemos nem sequer serão lembrados. Seremos julgados pelo bem que
deixamos de fazer. Pois manter o Amor trancado dentro de si é ir contra o espírito de Deus, é a
prova de que nunca O conhecemos, de que Ele nos amou em vão, de que Seu Filho morreu
inutilmente.
Deixar de Amar significa dizer que Deus jamais inspirou nossos pensamentos, nossas vidas, e
que nunca chegamos perto Dele o suficiente para sermos tocados por seu exuberante Amor.
Significa que “eu vivi por mim mesmo, pensei por mim mesmo, por mim mesmo, e ninguém mais -
como se Jesus jamais tivesse vivido, como se Ele jamais tivesse morrido”.
É diante de Deus que as nações do mundo serão reunidas. É na presença de todos os outros
homens que seremos julgados.
E cada homem julgará a si mesmo.
Ali estarão presentes aqueles que encontramos e ajudamos. Ali também vão estar aqueles que
desprezamos e negamos. Não há necessidade de chamar qualquer Testemunha, pois nossa própria
vida se encarregará de mostrar, na frente de todos, o que fizemos.
Nenhuma outra acusação - além da falta de Amor - será proferida.
Não se enganem; as palavras que neste Dia ouviremos não virão da teologia, não virão dos
santos, não virão das igrejas.
Virão dos famintos e dos pobres.
Não virão dos credos e das doutrinas.
Virão dos desnudos e desabrigados.
Não virão das Bíblias e dos livros de orações.
Virão dos copos de água que damos ou deixamos de dar.
Quem é Cristo?
É aquele que alimentou os pobres, vestiu os nus, e visitou os doentes.
Onde está Cristo?
“Todo aquele que receber uma criancinha destas em seu nome, também me recebe”.
E quem está com Cristo?
Aquele que ama.
Quando o rapaz acabou de falar, o sol já havia se posto. As pessoas se levantaram, em silêncio, e
foram para as suas casas. Nunca mais, pelo resto de suas vidas, esqueceriam aquele dia. Haviam
sido tocadas pelo Dom Supremo, e desejaram, naquele instante, que aquela tarde fosse lembrada
por muito tempo.
“Embora não possa ser lembrada para sempre”, pensou um deles, consigo mesmo.
Porque, como bem havia dito o rapaz, só o Amor permanece.
Henry Drummond (1851-1897) nasceu em Stirling, Escócia, na Grã-
Bretanha. Filho de comerciantes de classe média decidiu largar tudo e ir
percorrer o mundo em busca do verdadeiro sentido da vida. Aos 22
anos, impressionado com os movimentos espirituais que sacudiam a
Escócia, começou a pregar em pequenas comunidades, e chamou logo a
atenção dos grandes religiosos da época. Mais tarde, viajou para os
Estados Unidos (1879) e África Central (1883-84). Embora sempre
convidado para participar do clero, Henry recusou-se sistematicamente,
preferindo dedicar-se ao ensino de Ciências Naturais em Glasgow. “A
Maior Coisa do Mundo”, seu mais importante trabalho, foi publicado
pela primeira vez em 1890. Morreu jovem, aos 43 anos, depois de se
tornar conhecido em vários países do mundo com seu inesquecível
sermão sobre um trecho da epístola de Paulo aos Coríntios.
A DESPEDIDA DO DR. BOB
Meus bons amigos em A.A. e de A.A.:
Sinto uma grande vibração ao olhar o vasto mar
de rostos como esse, com a sensação de que
possivelmente uma pequena coisa que fiz há alguns
anos, teve papel infinitamente pequeno para fazer com
que fosse possível este encontro.
Também me bem um grande estremecimento
quando penso que todos tivemos o mesmo problema.
Todos fizemos as mesmas coisas. Todos conseguimos
os mesmos resultados em proporção ao nosso zelo,
entusiasmo e capacidade de aderir.
Se vocês me perdoam a inclusão de uma nota
pessoal neste momento, permitam-me dizer que tenho
estado acamado por cinco dos últimos sete meses, e
minhas forças não retornaram como eu gostaria, assim
por necessidade, minhas observações serão muito
breves.
Há duas ou três coisas que irromperam em
minha mente sobre as quais seria apropriado colocar um pouco de ênfase. Uma é a
simplicidade de nosso programa. Não vamos estragar tudo com complexos freudianos e coisas
que são de interesse para a mente científica, mas tem muito pouco a ver com nosso verdadeiro
trabalho de A.A. Nossos Doze Passos, quando resumidos até o último, podem ser condensados
nas palavras “Amor” e “Serviço”. Entendemos o que é o amor, e entendemos o que é o serviço.
Então, vamos manter essas duas coisas em mente.
Vamos, também, lembrar de guardar esse membro errante que é a língua, e se temos de
usá-la, vamos usá-la com bondade, consideração e tolerância.
E mais uma coisa: Nenhum de nós estaria aqui hoje se alguém não tivesse tomado seu
tempo para explicar as coisas a nós, para nos dar uma palmadinha nas costas, para nos levar a
uma reunião ou duas, para fazer em nosso benefício numerosas pequenas ações generosas e
atenciosas. Por isso não permitam nunca que cheguemos a um grau de complacência tal que
nos impeça de estarmos dispostos a estender, ou tentar estender a nossos irmãos menos
afortunados, essa ajuda que tem sido tão benéfica para nós.
Muito obrigado.
Considerações feitas pelo Dr. Bob na abertura da Primeira Convenção Internacional de Cleveland, em 28
de julho de 1950, perante mais de três mil pessoas. Foi sua última aparição pública.
Dr. Bob nasceu em St. Johnsbury, Vermont, EUA, em oito de agosto de 1879; morreu em Akron, Ohio,
EUA, no dia 16 de novembro de 1950, aos 71 anos de idade, em decorrência de um câncer. Repousa ao
lado de sua mulher Anne, morta em 01.06.1949 e tida por Bill W. como a “mãe de A.A.”, no cemitério
Mount Peace em Akron.