Visitantes Online:  7

Home Page » Arquivos Históricos - Junaab  
 
 
 
 

ARQUIVOS HISTÓRICOS - JUNAAB

 
 
     
 II BOLETIM  DO CAHIST
COMITÊ DE ARQUIVOS HISTÓRICOS DA JUNAAB 
 
Estamos distribuindo a segunda edição do Boletim do CAHist que está inteiramente dedicada a alguns aspectos da história de A.A. no Brasil, neste ano em que celebramos 70 anos de atividades
É uma das atribuições do Comitê de Arquivos Históricos, além de informar sobre fatos históricos, ressaltar os assuntos de hoje que serão história no futuro. Assim, antecipamos alguns assuntos que estão ocorrendo neste ano e que num futuro serão manchetes históricas:
2017 - o ano em que a tecnologia, a serviço do programa de A.A. no Brasil, ganhou alma de servidor e permitiu a implantação do "Amigo Anônimo", recurso tecnológico que estende os braços de nossos serviços ao alcoólico que ainda não nos conhece.
2017 - o ano em que, tivemos o privilégio de produzir um selo comemorativo contendo o código digital de acesso ao "Amigo Anônimo".

 
 Junta de Serviços Gerais de Alcoólicos Anônimos do Brasil.- JUNAAB

 

 

 

 
 
Outubro de 1965 - A Convenção Pioneira de A.A. no Brasil
Antes da formalização dos Serviços Gerais de A.A. no Brasil através da criação do CLAAB em 1969, o historiador Luiz M. relata em seu livro “Alcoólicos Anônimos no Brasil – Datas e fatos anotados”, que “Entre 30 de outubro e 2 de novembro de 1965, foi realizada no Rio de Janeiro-RJ, a Primeira Convenção Nacional de A.A. com a presença de companheiros de diversos Estados do Norte, Nordeste, Centro-Sul, Sul e principalmente do Rio. Os eventos foram realizados na sede do Pen Club e no Colégio Talmud Torah. Dito evento só pode ser realizado pelo apoio de diversos amigos de A.A., tais como: Dr. Francisco Laport, Embaixadores Paschoal Carlos Magno, e Dr. Oswald de Moraes Andrade”.
Embora nessa época não existisse uma estrutura formal de A.A. no Brasil conforme os procedimentos do Serviço Mundial de A.A., este evento faz parte da história de A.A. no Brasil e assim o reconheceu a Conferência de Serviços Gerais de 1982, em Fortaleza-CE, quando a sua plenária aprovou a Recomendação nº 8 apresentada pela Comissão de Política e Admissões com o seguinte texto:
Recomenda-se a inserção nos anais históricos da JUNAAB do evento ocorrido em 1965 no Rio de Janeiro, então Estado da Guanabara, que constitui a Convenção Pioneira de Alcoólicos Anônimos no Brasil.
Com a estrutura de serviços de A.A. no Brasil em processo de formalização e adaptação ao Serviço Mundial de A.A., os primeiros eventos com o formato de Convenção assemelhada à estrutura sênior – EUA/Canadá, iniciaram-se no carnaval de 1974, em São Paulo-SP, com a denominação de “Conclave Nacional” – somente iria ser chamada de “Convenção Nacional” a partir da VII Convenção Nacional, em Fortaleza-CE, em 1982.
Todos os Conclaves e Convenções:
1974 - I Conclave Nacional, São Paulo, SP.
1975 - II Conclave Nacional, São Paulo-SP.
1976 - III Conclave Nacional, São Paulo-SP.
1977 - IV Conclave Nacional, Recife-PE.
1978 - V Conclave Nacional, Belo Horizonte-MG.
1980 - VI Conclave Nacional, Porto Alegre-RS.
1982 - VII Convenção Nacional, Fortaleza-CE.
1984 - VIII Convenção Nacional, Blumenau-SC.
1986 - IX Convenção Nacional, João Pessoa-PB.
1988 - X Convenção Nacional, Curitiba-PR.
1990 - XI Convenção Nacional, Belém-PA.
1992 - XII Convenção Nacional, Brasília-DF.
1994 - XIII Convenção Nacional, Teresina-PI.
1997 - XIV Convenção Nacional, Rio de Janeiro-RJ.
2000 - XV Convenção Nacional, Salvador-BA.
2003 - XVI Convenção Nacional, São Paulo-SP.
2007 - XVII Convenção Nacional, Manaus-AM.
2012 - XVIII Convenção Nacional, Cuiabá-MT.
2016 - XIX Convenção Nacional, Maceió-AL.
2020 - XX Convenção Nacional, Belo Horizonte-MG.
CAHist – Comitê de Arquivos Históricos da JUNAAB
Material preparado pelo CAHist. Solicitamos que eventuais dados em desacordo com fatos documentados sejam comunicados através do email: cahist@alcoolicosanonimos.org.br
 
Outubro de 1969 – A primeira Reunião de Serviço Mundial (RSM)
A Ata de Constituição da Conferência de Serviços Gerais, redigida no começo dos anos de 1950 por Bill W. e por Bernard Smith – Custódio não alcoólico e Presidente da então Fundação do Alcoólico (atual Junta de Serviços Gerais), adotada em 1955, propunha que a Conferência dos EUA/Canadá deveria eventualmente ter “seções” em países estrangeiros. Entretanto, cada país foi desenvolvendo sua própria estrutura autônoma de serviço. A maioria, em maior ou menos grau, se remeteu ao modelo dos EUA/Canadá, mas todas elas independentes.
Foi sob esta influência que a meados de 1960, Bill W. começou a pensar numa reunião mundial de serviços. Em outubro de 1967 enviou um memorando ao Escritório de Serviços Gerais – ESG, com o seguinte teor: “Sugiro que o ESG realize uma pesquisa direcionada a todas as áreas de maior população de A.A. no mundo todo, perguntando se gostariam de participar de uma reunião de serviço mundial, a título experimental, a realizar-se em Nova York em 1969”.
A Junta autorizou o projeto e no dia 15 de novembro de 1967 foram enviadas cartas-convite aos representantes de Inglaterra, Austrália, Nova Zelândia, França, Bélgica, Alemanha, Finlândia, América Central (Costa Rica, Honduras, Guatemala, El Salvador, Panamá, Nicarágua), América do Sul, México, Noruega, África do Sul e Holanda.
O projeto foi aprovado pelos países interessados e pela Conferência de Serviços Gerais de 1968 dos EUA/Canadá. Assim, foi criada Reunião de Serviço Mundial – RSM em 1969. Realiza-se a cada dois anos alternando uma reunião em Nova York - cidade sede do Serviço Mundial – outra reunião em qualquer outra cidade do mundo onde exista estrutura de serviços de A.A. escolhida por consenso dentre as estruturas participantes.
A primeira Reunião de Serviços Mundiais foi celebrada Em Nova York entre os dias 9 e 11 de outubro de 1969 com a participação de 27 Delegados de 16 países. As seguintes Reuniões foram:
Em Nova York: a 2ª, 1972; 4ª, 1976; 6ª, 1980; 8ª, 1984; 10ª, 1988; 12ª, 1992; 14ª, 1996; 16ª, 2000; 18ª, 2004; 20ª, 2008; 22ª, 2012 e 24ª, 2016.
A 3ª – 1974, Londres, Inglaterra; 5ª – 1978, Helsinki, Finlândia; 7ª – 1982, San Juan del Rio, México; 9ª – 1986, Ciudad de Guatemala, Guatemala; 11ª – 1990, Múnich, Alemanha; 13ª - 1994, Cartagena, Colômbia; 15ª – 1998, Auckland, Nova Zelandia; 17ª – 2002, Oviedo, España; 19ª – 2006, Dublín, Irlanda; 21ª – 2010, Ciudad de México, México; 23ª – 2014, Varsovia, Polonia.
Participação de A.A. do Brasil na RSM
Em 29 de fevereiro de 1976, durante o Terceiro Conclave Nacional, em São Paulo, reuniram-se os membros do Conselho Diretor do CLAAB e 29 Delegados representando 16 estados, e criaram a Junta Nacional de Alcoólicos Anônimos do Brasil – Junaab. O Estatuto dispunha que seriam Órgãos da JUNAAB, uma Assembleia Geral, uma Diretoria e o CLAAB. Assim, Alcoólicos Anônimos no Brasil credenciava-se a enviar dois representantes para a 4ª Reunião de Serviço Mundial, em Nova York em outubro desse ano. Para isso foram eleitos, Donald L. (SP) com mandato de dois anos e Joaquim Inácio (RS) com mandato de quatro anos. Em 1978, no V Conclave realizado em Belo Horizonte, foi eleito Eloy T. para substituir Donald L., e junto com Joaquim Inácio foram participar da 5ª RSM em Helsinki, Finlândia. A partir de então as eleições passaram a ser realizadas a cada dois anos e os exercícios ter quatro anos de duração e, com exceção das três primeiras e da 11ª RSM, em Munich, Alemanha, em 1990, A.A. do Brasil participou de todas as Reuniões de Serviço Mundial e de todas Regionais (a REDELA – nos anos ímpares) desde a sua criação em 1979.
A partir da Conferência de Serviços Gerais de 2008, os Delegados à RSM (dois) passaram a ser denominados Custódios Nacionais - alcoólicos.
CAHist – Comitê de Arquivos Históricos da JUNAAB
Material preparado pelo CAHist. Solicitamos que eventuais dados em desacordo com fatos documentados sejam comunicados através do email: cahist@alcoolicosanonimos.org.br
 
Setembro de 1969: A criação do CLAAB
Embora a Irmandade de Alcoólicos Anônimos tenha se instalado no Brasil formalmente com o registro consensual do primeiro Grupo de A.A., o Grupo Rio de Janeiro, na cidade do Rio de Janeiro – à época Capital da República, em 05 de setembro de 1947, a estrutura formal nos moldes da Estrutura Mundial de A.A., somente teve início em 1969 com a concessão da autorização para a tradução, publicação e distribuição do livro Alcoólicos Anônimos e a criação de um órgão de serviço nos moldes da estrutura orientada pelos Serviços Mundiais de A.A. – A.A.W.S.
Este órgão de serviço recebeu o nome de Centro de Distribuição de Literatura de A.A. para o Brasil – CLAAB, e foi criado em 20 de setembro de 1969, em São Paulo, como uma Sociedade Civil de natureza literária.
Em 29 de fevereiro de 1976, durante o Terceiro Conclave Nacional, em São Paulo, reuniram-se os membros do Conselho Diretor do CLAAB e mais 29 Delegados representando 16 Estados e criaram a Junta Nacional de Alcoólicos Anônimos do Brasil (atual Junta de Serviços Gerais de A.A. no Brasil) – Junaab.
A Junaab é uma Sociedade Civil sem fins lucrativos, cujo propósito primordial é o de promover a unidade e a continuidade da Irmandade de Alcoólicos Anônimos no Brasil, sendo apenas um órgão de Prestação de Serviços, e seu Estatuto dispunha que seus órgãos seriam: 1) – uma Assembleia Geral, composta pelos Delegados Estaduais, denominados “Membros da Junta” (em 1977, Conferência de Serviços Gerais – CSG); 2) - uma Diretoria escolhida pela Assembleia Geral dentre os Delegados Estaduais e, 3) o CLAAB, como órgão executor dos Serviços Gerais de A.A. no plano nacional, funcionando como Escritório de Serviços Gerais - ESG e como órgão executivo da Junaab no Brasil, da qual é subordinado. Ao CLAAB compete:

a) Publicar e distribuir em todo o terri­tório nacional, devidamente traduzida para o português, a literatura aprovada pela CSG conforme au­torização de “Alcoholics Anonymous World Ser­vices, Inc. (AAWS)”, proprietária dos direitos autorais;

b) Resguardar os direitos autorais de AAWS em todo o território nacional;

c) Promover quaisquer atividades que te­nham por objetivo a unidade e a continuidade da Irmandade de A.A. no Brasil;

d) Promover, enfim, a mais ampla divulgação do programa de A.A. para a recuperação de alcoólicos, estabelecendo e mantendo sólidas atividades de relações públicas no trato com a imprensa escrita, falada e televisada e outros meios de comunicação, bem como com as autoridades constituídas e qualquer órgão interessado no problema do alcoolismo, sem, todavia, se filiar a nenhum deles.

No final de março de 1980, a Comissão de Política e Admissões da 4ª CSG realizada em Porto Alegre, recomendou o desmembramento Administrativo, Físico e Financeiro do CLAAB/ESG, ficando o CLAAB apenas como distribuidor de literatura de A.A. para o Brasil, enquanto o ESG assumiu, de fato, os Serviços Gerais (Executivo) de A.A. em nível nacional.
Em 1995, a 19ª CSG, realizada em Santos-SP entre os dias 12 e 16 de abril, aprovou a reestruturação da Junaab, a qual incluiu a extinção do CLAAB (a baixa definitiva na Receita Federal, se deu apenas em 15/02/2015) sendo seus bens incorporados à Junta. O ESG e o Comitê de Literatura, que teve suas funções ampliadas, passaram a cuidar da revisão e edição de nossos livros. Posteriormente seria criado o atual CPP - Comitê de Publicações Periódicas – um Comitê de Assessoramento da Junaab para a função editorial da revista Vivência e dos boletins informativos Junaab Informa e BOB Mural.
CAHist – Comitê de Arquivos Históricos da JUNAAB
Material preparado pelo CAHist. Solicitamos que eventuais dados em desacordo com fatos documentados sejam comunicados através do email: cahist@alcoolicosanonimos.org.br
 
Setembro de 1942: Primeiro Grupo de A.A. em presídios nos EUA.
San Quentin, São Francisco-CA
O primeiro Grupo de A.A. em presídios foi formado em setembro de 1942 no Presídio de San Quentin pelo Grupo de Alcoólicos Anônimos de São Francisco, na Califórnia. O esclarecido e liberal diretor do presídio, Clinton T. Duffy, foi de grande ajuda, auxiliando a montar o Grupo. Um punhado de reclusos de San Quentin, após lerem o Livro Azul, dirigiram-se à diretoria da prisão para comunicar que tinham entendido que eram alcoólicos e queriam fazer algo a respeito para prevenir futuros desastres após sua libertação. Apesar do ridículo de serem chamados de bebuns por seus companheiros internos e dos desafios zombeteiros dos céticos, este núcleo conseguiu o apoio dos diretores Joseph H. Fletcher e Clinton T. Duffy e, com uma pequena verba que a diretoria da instituição destinava à compra de livros e folhetos, o Grupo começou a funcionar.
Inicialmente, o Grupo do Presídio de San Quentin foi imerso em ceticismo, tanto por parte dos guardas como por outros prisioneiros, até a ocorrência de um incidente dramático. Um interno que fabricava bebidas alcoólicas dentro da prisão, por uma surpreendente ingenuidade, fez um lote de bebida utilizando materiais do armazém de pinturas, material este que mostrou ser mortalmente venenoso. Depois de beber a substância, vários internos passaram mal e em questão de horas começaram a morrer. Somente rápidas transfusões de sangue poderiam salvar os ainda vivos, e os membros do Grupo de A.A. de San Quentin se adiantaram para doar sangue o que salvou muitos dos presos envenenados. Até aquele momento A.A. não era conhecida fora do próprio ambiente de reuniões na instituição, então, alguns dos sobreviventes se juntaram e as barreiras se romperam. Logo em seguida outros Grupos se formaram e passaram a funcionar em presídios de Indiana e Illinois State e a mensagem rapidamente se espalhou pelos EUA e Canadá.
Saiba mais, lendo a partir da página 78 do livro “A.A. Atinge a Maioridade”, Junaab, código 101.

Setembro de 1988: Primeiro Grupo de A.A. na Casa de Detenção de São Paulo. Carandiru, São Paulo-SP
Em fevereiro de 1988 foi feita uma reunião entre o Capelão da Casa de Detenção e o coordenador da Comissão de Instituições do Comitê do 12º Passo do então Setor 3 da Zona Norte da cidade de São Paulo-SP. Desta reunião resultou uma visita de CCP da antiga CENSAA-SP ao diretor da Casa de Detenção, Dr. José Ismael Pedrosa. Este entendeu que A.A. poderia ser útil para os reeducandos oferecendo uma programação da qual os reclusos alcoólicos e não alcoólicos se poderiam beneficiar. Entretanto, a Comissão deveria levar uma carta e conversar com o Juiz Corregedor dos Presídios.
O Dr. Pedrosa pediu ao Capelão que levasse os três AAs que compareceram a conhecer o Centro de Detenção e ver o pavilhão onde seriam realizadas as reuniões. Impressionados, aqueles AAs nunca tinham entrado em um presídio daquele tamanho e viam-se agora no interior do maior presídio da América Latina, com ruas, campos de futebol e futsal, uma cozinha com panelas de dois metros de diâmetro, sete pavilhões e mais de 7.200 reclusos. Fantástico - o tamanho do complexo e o carinho com que os AAs foram recebidos. Ali, a mente desses companheiros se abriu ainda mais e perceberam como “Deus se utiliza de meios misteriosos para cumprir Suas maravilhas”. Após essa visita começou a ser elaborado um cadastro para ir aos presídios. Com muita dificuldade, depois de três meses havia uma lista com nove voluntários. Em setembro daquele ano – 1988, o Dr. Pedrosa entrou em contato e comunicou que A.A. havia recebido autorização para iniciar reuniões na Casa. A primeira reunião foi realizada no Pavilhão 7, no dia 21 de setembro de 1988, à qual compareceram quatro companheiros, “vestindo paletó, calça que não fosse da cor bege e portando RG”.
Fonte: CIC Área 32
CAHist – Comitê de Arquivos Históricos da JUNAAB
Material preparado pelo CAHist. Solicitamos que eventuais dados em desacordo com fatos documentados sejam comunicados através do email: cahist@alcoolicosanonimos.org.br
 
13 de Setembro de 1937: Florence R. – a primeira mulher em A.A.

Florence R. juntou-se às reuniões celebradas pelos pioneiros de A.A. - então todos homens brancos - na casa de Bill W e Lois, no Brooklin, Nova York, em 13 de setembro de 1937, na mesma época em que o Dr. Bob e Bill contabilizavam 40 membros repartidos entre Akron e Nova York e aventavam a possibilidade de escrever um livro sobre o programa e as experiências que os levaram a conseguir a sobriedade. O livro -“Alcoólicos Anônimos”, começou a ser escrito em maio de 1938 e foi publicado em abril de 1939. Embora a participação de mulheres e outras minorias no movimento não fosse bem aceita no início, como descreve o Capítulo XIX do livro “Dr. Bob e os Bons Veteranos” – JUNAAB código116, a presença de Florence e sua conquista da sobriedade fez com que na definição da futura Irmandade feita no Prefácio da primeira edição constasse: “Nós, de Alcoólicos Anônimos, somos mais de cem homens e mulheres que nos recuperamos de uma aparentemente irremediável condição mental e física...”. Esta definição e o artigo que Florence escreveu para aquela edição do livro– “Uma Vitória Feminina” (1) tornou a Irmandade universal e, embora a aceitação da diversidade não tenha sido fácil nos primeiros tempos, a inclusão de qualquer pessoa alcoólica de qualquer condição tem sido o padrão da Irmandade. Mesmo assim, foi necessária a criação de alguns Grupos de interesses específicos para que, realmente, qualquer pessoa, mesmo, pudesse participar das reuniões sem ser importunada pelas diferenças minoritárias.

Assim, em junho de 1941, foi formado em Cleveland o primeiro Grupo conhecido de mulheres em A.A. Mulheres em Nova Iorque, Minneapolis, Salt Lake City e San Diego seguiram seu exemplo. Nessa época, a proporção de gênero entre os membros era de seis homens e uma mulher. Atualmente, conforme a última pesquisa regular sobre os membros realizada em 2014 na estrutura EUA/Canadá, a proporção é 62% homens e 38% mulheres (2). Estes Grupos de mulheres abriram caminho para outros Grupos de interesses específicos, como os de jovens, idosos, homossexuais, médicos, advogados e outros profissionais (3). A existência destes Grupos Especiais, desde que não excluam outros alcoólicos, foi reconhecida pela Conferência de 1977, como sendo Grupos de A.A. abrigados pela Terceira Tradição, longe da discussão, portanto, de qualquer proposta excludente em uma Conferência, enquanto a integridade daquele texto persistir e recomenda a sua inclusão nas listas regulares de reuniões e eventos de A.A. (4).

Em 14 de fevereiro de 1964, foi organizada em Kansas City a Primeira Conferência Nacional da Mulher em A.A. e a sua aceitação foi tão positiva que se transformou em permanência anual e posteriormente em Internacional (5). A data para sua celebração anual foi fixada no fim da semana que tem o dia 14 de fevereiro porque esse o dia de São Valentim, dia dos namorados em vários países do hemisfério Norte, além de ser uma pausa bem-vinda na depressão de inverno. O emblema desta Conferência é um coração e seu lema permanente, “Aqui se Fala a Linguagem do Coração”. Nessa sequência, entre os dias 11 e 14 de fevereiro de 2016 foi celebrada a 52ª Conferencia Internacional de Mulheres, em Norfolk, Virgínia (6).
silkworth.net/bbstories/217.html  
www.aa.org/assets/es_ES/sp-48_membershipsurvey.pdf 
www.aa.org/pages/es_ES/aa-timeline# 
www.alcoolicosanonimos.org.br/grupos-especializados-minorias/80-o-que-sao-os-grupos-especiais-de-a-a-porque-sao-necessarios 
www.internationalwomensconference.org/ 
www.aagrapevine.org/event/37809 

CAHist – Comitê de Arquivos Históricos da JUNAAB
Material preparado pelo CAHist. Solicitamos que eventuais dados em desacordo com fatos documentados sejam comunicados através do email: cahist@alcoolicosanonimos.org.br
 
Setembro de 1947: Início das atividades de A.A. no Brasil

Em 1946, chegou ao Rio de Janeiro então, Capital da República, o publicitário americano Herberth L. D. (Herb), com um contrato por de três anos para trabalhar como diretor artístico de uma multinacional do ramo de publicidade. Alcoólico, tinha ingressado num Grupo de A.A. em Chicago (EUA) em 1943. Antes de viajar para o Brasil esteve na Fundação do Alcoólico em Nova York, para se informar se poderia encontrar algum membro de A.A. por aqui. Deram-lhe o nome de Lynn Goodale, a quem Bob Valentine – um amigo de Bill W., teria abordado numa passagem pelo Rio em 1945 e alcançado a sobriedade. Não encontrando Lynn, comunicou à Fundação, pediu outros nomes e colocou-se à disposição para servir como contato no País.
Em julho de 1947, recebeu o endereço de outro AA, e alguns libretos e folhetos em español. Numa carta recebida em outubro, a Fundação “manifesta sua felicidade pelo início de um Grupo de A.A. no Brasil”. Não se sabe exatamente como este Grupo teria sido formado. Mas, uma ata de uma reunião do Grupo Rio de Janeiro celebrada em 29 de agosto de 1950, registra o seguinte texto: “Data – aniversário” – “Na reunião de hoje deliberamos comemorar o 3º (terceiro) aniversário da fundação do Gr. “A.A. do Rio de Janeiro” no dia 5 (cinco) próximo. A referida data ficará, por tradição, como a data oficial da fundação do Grupo.
Rio de Janeiro, 29 de agosto de 1950.
Fernando, secretário”.
Em função deste documento e de outros apresentados pela Área do Rio de Janeiro à Junaab, na reunião de serviço celebrada entre os dias 12 e 14 de setembro de 1986, em Baependi-MG, a Junta concluiu e decidiu que “a data de 5 de setembro de 1947, deve ser considerada como a data oficial do início das atividades de A.A. no Brasil”. (Fonte: página 9 do Boletim BOB Nº 41 – Nov./Dez. 1986).
A partir da cidade do Rio de Janeiro, Alcoólicos Anônimos foi se expandindo para outras cidades e atualmente está presente em todos os Estados da Federação. A seguir, a ordem cronológica da chegada de A.A. à primeira cidade de cada Estado, baseada em dados fornecidos pelas Áreas ao antigo CISM – Comitê de Imagem, Som e Memória, e sujeitos a atualização, documentada ou consensual, pelas próprias Áreas:
1947 / Set. – Rio de Janeiro, RJ
1953 / Nov. – Salvador, BA.
1957 / Jan. – São Luis, MA.
1958 / Ago. – Maceió, AL
1961 / Jun. – Juiz de Fora, MG.
1964 / Ago. – Recife, PE.
1964 / Ago. – Campina Grande, PB.
1965 / Abr. – São Paulo, SP.
1967 / Set. - Goiânia, GO.
1967 / Set. – Blumenau, SC.
1968 / Jun. – Fortaleza, CE.
1968 / Set. – Curitiba, PR.
1969 / Mai. – Brasília, DF
1970 / Out. – Porto Alegre, RS
1971 / Abr. – Manaus, AM.
1971 / Jun. – Belém, PA.
1972 / Jun. – Linhares, ES.
1973 / Ago. – Cuiabá, MT.
1974 / Abr. – Aracajú, SE.
1975 / Jul. – Caicó, RN.
1976 / Mar. – Teresina, PI.
1977 / Ago. – Boa Vista, RR.
1979 / Jul. – Macapá, AP.
1979 / Nov. – Porto Velho, RO.
1980 / Fev. – Rio Branco, AC.>
1984 / Mar. – Araguaína, TO.

CAHist – Comitê de Arquivos Históricos da JUNAAB
Material preparado pelo CAHist. Solicitamos que eventuais dados em desacordo com fatos documentados sejam comunicados através do email:
cahist@alcoolicosanonimos.org.br
 
Agosto de 1934 - O resgate de Ebby T., o padrinho de Bill

No começo de 1934 ingressou no Grupo de Oxford de Nova York Rowland (Roy) membro de uma dinastia de magnatas da Ilha de Rhodes (EUA). Após varias internações por alcoolismo, em 1931, foi levado pela família a procurar ajuda para seu problema em Zürich com o psiquiatra suíço Carl Jung - um dos pais da psicologia analítica (psicanálise) com quem Bill W., mais tarde, trocou correspondência.
Após algum tempo de terapia, o resultado foi desanimador e o Dr. Jung teria sugerido que “somente uma profunda transformação através de uma conversão espiritual, seria capaz de remover sua esmagadora compulsão pela bebida”.

De volta à América, Rowland ficou internado entre fevereiro e março de 1932. Ao sair da internação foi procurar o terapeuta leigo Courtenay Baylor, um dos líderes do Movimento Emmanuel que o ajudou a se manter sóbrio. Baylor também compartilhava a ideia do Dr. Jung a respeito da necessidade da conversão espiritual, e indicou-lhe o Grupo de Oxford, onde, após sua “conversão” a Deus através do ministro da igreja episcopal Samuel (Sam) Shoemaker, a principal liderança do Grupo de Oxford nos EUA, ingressou no Grupo e passou a fazer parte de uma equipe de abordagem.
Nessa condição, acompanhado de Francis Shepard (Shep) Cornell e Cebra Q. Graves viajou à cidade de Bennington, Vermont - onde Rowland tinha uma casa de veraneio e o pai de Cebra, Collins Millard Graves, era o juiz local. O objetivo da viagem era abordar Edwin (Ebby) T. Thacher (1896-1966) – antigo companheiro de escola e farras de Bill W.

Ebby tinha sido preso e iria a julgamento por dirigir embriagado e ter provocado um grave acidente destruindo parte de uma residência e o novo automóvel “Packard” do pai. Devido às reincidências, a Promotoria estava pedindo sua internação numa instituição para doentes mentais; porém, os três oxfordianos persuadiram o Tribunal, conseguiram a custódia de Ebby e levaram-no para Nova York. Algum tempo depois, por intermédio de Sam Shoemaker e apadrinhado por Rowland, confessou seu alcoolismo e entregou sua vida a Deus na igreja da qual Sam era o Reitor – este era o procedimento da “rendição” e da “conversão”. Ficou sóbrio e decidiu ajudar seu amigo Bill Wilson.
Assim, numa sombria manhã de novembro de 1934, quando o telefone na casa de Bill W. tocou e ele atendeu, ouviu a voz familiar de Ebby T. que estava em Nova York. Contou que ouvira falar da dificuldade de Bill e perguntou se podia ir ao Brooklyn para vê-lo.

Duas noites mais tarde, Ebby e Bill estavam sentados à mesa da cozinha da casa nº 182 da Rua Clinton, no Brooklyn. Havia uma garrafa de gim e uma jarra de suco de abacaxi sobre a mesa, mas apenas Bill bebia. Entre incrédulo e estupefato, ouviu Ebby recusar a bebida e dizer que agora tinha religião e estava sóbrio há alguns meses seguindo alguns preceitos básicos: admitir a derrota perante o álcool, se tornar honesto consigo mesmo, confessar seus defeitos a outra pessoa, fazer reparações dos danos causados, ajudar os outros desinteressadamente e rezar a Deus na forma em que o concebia. Ebby não tentou pressionar nem evangelizar.

Bill W. iria obter um retorno definitivo desse encontro durante a sua última internação no mês seguinte quando passou por uma experiência espiritual. Havia acabado de completar 39 anos de idade um mês antes de sair do hospital, e ainda tinha metade da vida pela frente. Sempre afirmou que, depois daquela experiência, nunca mais duvidara da existência de Deus. Nunca mais tomou qualquer bebida alcoólica.

CAHist – Comitê de Arquivos Históricos da Junaab
cahist@alcoolicosanonimos.org.br

 

Agosto 1985 – Comitês de Assessoramento da JUNAAB

A criação dos Comitês de Assessoramento da JUNAAB foi proposta na primeira reunião de serviços da Junta de Custódios ocorrida em Baependi (MG), de 17 a 19 de agosto de 1985, e aprovada em 1986, na 10ª Conferência, em João Pessoa (PB), como parte integrante da estrutura de A.A. no Brasil.
Esses eram os comitês naquele momento:
- CAC – Comitê de Assuntos da Conferência
- COF – Comitê de Finanças
- CCP – Comitê de Cooperação com a Comunidade Profissional
- COI – Comitê de Instituições
- CIP – Comitê de Informações e Relações Públicas
- COL – Comitê de Literatura
- COA – Comitê de Arquivos

Como informava o Boletim BOB nas edições 35, 36 e 37 de 1985: “Os seis primeiros trabalharão em conjunto e em harmonia com as Comissões da Conferência. O último, de Arquivos, trabalhará mais diretamente com o ESG na preservação da memória de A.A., mediante a coleta e seleção de todo e qualquer material ou documento que possibilite o registro histórico da Irmandade no Brasil. Os Comitês de Assessoramento da JUNAAB são grupos de aconselhamento à Junta de Custódios. Tanto quanto possível estes Comitês devem ser constituídos por membros de A.A. com experiência em suas respectivas áreas de atuação para poder ajudar a Junta a tomar decisões naquilo que abrange a comunidade no seu todo em nível nacional.”

Atualmente (2016), de acordo com o Manual de Serviço de A.A. esses Comitês são os seguintes:
- CTO – Comitê Trabalhando com os Outros
- CF – Comitê de Finanças
- CL – Comitê de Literatura
- CAC – Comitê de Assuntos da Conferência
- CPP – Comitê de Publicações Periódicas
- CAHist – Comitê de Arquivos Históricos
- CATI – Comitê de Assuntos da Tecnologia da Informação
- CI – Comitê Internacional
- CMS – Comitê do Manual de Serviço
- CN – Comitê de Nomeações
- CEC – Comitê Especial da Convenção
Ainda, o Comitê Executivo (CE) é composto pelos membros da Diretoria Executiva, Coordenadores de Comitês e Gerente Administrativo. Em se tratando de órgãos de assessoramento, cada Comitê deve ser formado, de preferência, por companheiros com conhecimento profissional nas áreas de atuação respectiva. A preferência por esses companheiros profissionais não exclui, todavia, a participação de outros companheiros com reconhecida capacidade e disponibilidade para atuar de forma efetiva e proveitosa.

Os Coordenadores dos Comitês de Assessoramento são de livre escolha da Junta de Custódios, não dependendo de consulta a outros órgãos, cabendo unicamente a ela estabelecer os critérios, o tempo de mandato e a oportunidade dessa escolha.
CAHist – Comitê de Arquivos Históricos da JUNAAB

Material preparado pelo CAHist. Solicitamos que eventuais dados em desacordo com fatos documentados sejam comunicados através do email: cahist@alcoolicosanonimos.org.br

 

Junho de 1985 – A.A. entra na marcofilia

Não existia e-mail como conhecemos em 1985. Foi em meados de 1990 que começaram a surgir os primeiros serviços de hospedagem. Portanto, esta comunicação que você está lendo só seria possível por carta, naquele ano. Assim, quando a Empresa de Correios e Telégrafos (ECT) homenageou os 50 anos do A.A. com um carimbo postal em junho daquele ano, foi um marco para a Irmandade, no Brasil e no mundo. O Brasil foi o único País a ter uma empresa do porte da ECT homenageando Alcoólicos Anônimos.

Tudo começou em 1983, quando o Clube Filatélico de Catolé do Rocha, Paraíba, encaminhou à Junaab a sugestão de emitirem de um selo comemorativo do cinquentenário de A.A. em 1985. O pedido foi encaminhado à ECT por intermédio da Assessoria Filatélica, órgão que assessora a direção daquela empresa nos assuntos específicos de filatelia. Os Ministérios da Previdência Social e da Saúde encamparam aquela solicitação. Em resposta, a ECT informou, em maio de 1984, que, infelizmente, o Conselho Filatélico denegara o pedido em virtude de já haver programado o lançamento de uma série de selos postais alusivos a cidades históricas do Brasil, mas que essa decisão poderia ser revista na última reunião anual daquele órgão a realizar-se no mês de novembro.

Com efeito, na impossibilidade de atender por inteiro a pretensão de A.A. e dos Ministérios que endossaram aquela nossa solicitação, o Conselho Filatélico resolveu conceder um carimbo comemorativo.

O carimbo postal, assim como o selo, é de grande importância para colecionadores dentro da marcofilia. Assim, A.A., entra na marcofilia nacional. Exatamente na semana de 10 a 17 de junho de 1985 o carimbo foi lançado e utilizado em toda a correspondência saída de Brasília durante aquela semana.

Agradecendo à Empresa de Correios e Telégrafos a concessão do carimbo postal comemorativo do cinquentenário de A.A., o Dr. José Nicolielo Viotti, Presidente da Junta de Serviços Gerais, traduziu aquele gesto da ECT como sendo o abraço do Brasil ao Jubileu de Ouro de A.A. mundial Na verdade, ao que se saiba, apenas em nosso País, em todo o mundo, uma empresa de serviços públicos do porte da ECT, resolveu homenagear Alcoólicos Anônimos com a emissão de um carimbo postal, registrando, por essa forma, a passagem da efeméride no Brasil e, no exterior, pela repercussão que terá dentro do movimento conhecido como marcofilia, ou seja, entre os colecionadores.

A cerimônia de lançamento ocorreu em reunião pública realizada no auditório da TV-Rádio Nacional, em Brasília, à qual compareceram, além de grande número de companheiros, entre outras autoridades, o Diretor Regional da ECT e membros da Assessoria Filatélica; o Diretor da Divisão Nacional de Saúde Mental do Ministério da Saúde – DINSAN e o Secretário de Segurança e Medicina do Trabalho, do Ministério do Trabalho. Na ocasião, o Presidente da Junaab, após proferir seu discurso de agradecimento, convidou o Dr. Cláudio Macieira, Diretor do DINSAM, a por o carimbo na primeira das peças preparadas pela Assessoria Filatélica.

Importante: Este material foi recolhido das edições 33 e 35 do boletim BOB, publicadas em 1985, - onde também se encontra a reprodução gráfica do carimbo e estão disponíveis para consulta e investigação no acervo dos Arquivos Históricos da JUNAAB.

cahist@alcoolicosanonimos.org.br
CAHist - Comitê de Arquivos Históricos- JUNAAB

 

10 de junho de 1935 – A origem de Alcoólicos Anônimos

Bill W. e o Dr. Bob encontraram-se pela primeira vez em 12 de maio de 1935, quando Bill W., tratou de procurar outro alcoólico para conversar e  superar a tentação para beber por causa da solidão e do fracasso no negócio que foi realizar em Akron, Ohio. O encontro aconteceu na casa de Henrietta Seiberling quando Bill W., sóbrio havia cinco meses, explicou ao Dr. Bob - um bêbado inveterado já desistindo de procurar solução -  a natureza exata da condição comum aos dois. Conforme lhe havia descrito o Dr. William D. Silkworth  – médico de Nova York -  se tratava de uma doença caracterizada por uma obsessão mental seguida de alergia física. Dr. Bob subitamente compreendeu o que lhe afligia e que como médico, nunca tinha pensado na possibilidade. Passadas mais de cinco horas de compartilhamento e reciprocidade produziu-se a identificação entre os dois alcoólicos que, falando de si, um para o outro, conseguem manter-se afastados da bebida, e desta constatação deriva toda a proposta de A.A. Após esse encontro, Bill W. ficou hospedado na casa do Dr. Bob em Akron, onde acompanhou os esforços do Dr. Bob para manter a sobriedade, até a sua volta para Nova York dois meses depois.

Algumas semanas depois daquela data, o Dr. Bob foi participar da Convenção Médica Americana Anual em Atlantic City, Nova Jersey. Durante a viagem e na Convenção bebeu o tempo todo e, ao voltar para casa dias depois, foi recolhido pela enfermeira do seu consultório e o marido dela na estação ferroviária de Akron totalmente bêbado; o apagamento durou mais de 24 horas e levou três dias para curtir a ressaca. Após esse evento,  Dr. Bob tinha agendada uma operação cirúrgica no hospital onde trabalhava na especialidade de proctologia; Bill observou que não teria condições de segurar o bisturi devido à tremedeira e ofereceu-lhe uma garrafa de cerveja. A operação foi bem sucedida e aquela cerveja foi a última bebida alcoólica que o Dr. Bob tomou pelo resto da sua vida. O Dr. Bob morreu sóbrio, em 16 de novembro de 1950. Embora tenha havido outras datas importantes na historia de A. A. e a data específica tenha sido consensual, devido a este fato – o último gole do Dr. Bob - é de acordo geral que a Irmandade de Alcoólicos Anônimos começou lá, em Akron, no dia 10 de junho de 1935.

No dia seguinte, o Dr. Bob propôs a Bill trabalharem juntos ajudando outros alcoólicos. Em 28 de junho abordaram Bill D., advogado, internado por alcoolismo pela sexta vez nos últimos quatro meses, veio a ser o AA nº 3. Nunca mais voltou a beber e continuou a ser um membro ativo de A.A. até sua morte. O Anônimo Número 4 não demorou a aparecer. Foi no final de julho e seu nome era Ernie G. de apenas 30 anos de idade e “jovem demais” aos olhos dos padrinhos. Ernie permaneceu sóbrio durante um ano. Embora tivesse problemas com a bebida pelo resto da vida, sua sobriedade inicial desempenhou papel importante naqueles tempos de pioneirismo. O 5º AA foi Phil S. que ficou sóbrio depois de ficar internado por oito dias ;  duas semanas depois voltou a embriagar-se, foi preso e condenado a 30 dias de cadeia; foi libertado por intermediação de Bill D. após concordar em ficar sob vigilância do Dr. Bob.

Aos poucos se foram juntando outros alcoólicos, e começaram a se reunir todas as quartas-feiras à noite na casa de T. Henry e Clarace Williams em Akron - onde também se reuniam os membros do Grupo de Oxford, formando, assim, o Grupo Número Um de A.A.- embora à época, o nome Alcoólicos Anônimos ainda não tivesse sido escolhido, fato este, que somente viria acontecer em 1939.

cahist@alcoolicosanonimos.org.br

CAHist - Comitê de Arquivos Históricos- JUNAAB

 

Junho de 1941 – A Oração da Serenidade aportou em A.A.

Não se sabe ao certo quem escreveu pela primeira vez a oração da serenidade. A origem do texto, em si, é um mistério. Na história de A.A., a oração entrou via obituário, em junho de 1941.

Uma edição do início de junho do jornal New York Herald Tribune, na sessão de obituários, trazia o texto: “Mãe - que Deus me conceda a serenidade para aceitar as coisas que não posso mudar, coragem para mudar aquelas que posso e sabedoria para conhecer a diferença. Adeus”.

Anos mais tarde, a primeira secretária não alcoólica de A.A., Ruth Hock, lembrou: ”Jack C.apareceu um dia no escritório da Rua Versey, 30, Manhattan, para conversar um pouco e, enquanto estávamos falando me mostrou o obituário com a Oração da Serenidade. Fiquei tão impressionada com o texto quanto ele e lhe pedi para deixar o jornal comigo para copiá-lo e incluí-lo nas cartas que enviamos para grupos e solitários...”. Outro membro, Horace C., teve a ideia de imprimi-la em cartões e ele cobriu as despesas com a primeira tiragem.

Todos os membros locais, incluindo Bill W., perceberam imediatamente a sua relevância. Bill disse em “A.A. Atinge a Maioridade” (pág. 189/5/1 - Junaab, código 101) “Nunca tínhamos visto tanto de A.A. em tão poucas palavras”. Em 2 de junho de1941, Ruth escreveu uma carta para Henry S., um membro de Washington, D.C. e gráfico de profissão, dizendo: “um dos companheiros daqui nos trouxe um recorte de um jornal local  e gostou tanto que me pediu para lhe perguntar quanto custaria para imprimi-lo em uma pequena cartolina, semelhante a um cartão de visita, para poder ser levado na carteira... aqui está o texto... agradeceria que você me respondesse o quanto antes possível”.Henry, entusiasmado, respondeu imediatamente: “... os cartões estão a caminho; parabenize o companheiro que descobriu o texto no jornal.Não me lembro de ter visto qualquer frase com tanto impacto e, durante o dia mostrei-a aos AAs que passaram por aqui e todos me pediram cópias. Estou enviando 500 cartões, já que não me disseram quantos queriam. Se vocês quiserem mais, por favor, me avisem. Claro que não cobrarei nada por fazer uma coisa deste tipo”.

Na página 189/6/1 do libro “A.A. Atinge a Maioridade”, Bill W. escreve: “Ninguém pode dizer com segurança quem primeiro escreveu a Oração da Serenidade... e Jack Alexander, que em certa ocasião pesquisou a respeito, atribuiu-a ao Rev. Reinhold Niebuhr, do Seminário Teológico União. De qualquer maneira, temos a oração que é repetida milhares de vezes diariamente. Consideramos que seu autor está entre nossos maiores benfeitores”.

Na Irmandade de A.A., ao redor do mundo, a Oração da Serenidade tem sido um elemento chave. Seja qual for a sua origem, nenhuma outra citação ou conceito – ao mesmo tempo prático e espiritual, se apoderou da mente e do coração de todo membro de A.A. que empreendeu a viagem rumo à sobriedade e o renascimento, quanto a Oração da Serenidade.

Para saber mais, acesse: A origem da oração da serenidade

cahist@alcoolicosanonimos.org.br

CAHist - Comitê de Arquivos Históricos- JUNAAB
 

Hoje faz 81 anos que Bill W e Dr. Bob 
tiveram seu primeiro encontro

12 de Maio de 1935 

Sóbrio havia cinco meses, Bill W. foi enviado pela corretora onde trabalhava para negociar o controle acionário de uma pequena fábrica de ferramentas, da qual poderia se tornar presidente, na cidade de Akron, Ohio. O negócio fracassou e de volta ao Hotel Mayflower, onde se hospedava, teve vontade de beber; porém, considerou que, se conseguisse falar com outro alcoólico, poderia manter a sobriedade. Era um sábado 11 de maio de 1935.  No saguão do hotel havia um diretório de Igrejas; colocou seu dedo num nome e telefonou para o Rev. Walter Tunks que lhe deu uma lista com dez nomes de pessoas da comunidade com quem poderia fazer contato. 

Só na décima ligação teve sucesso: Norman Shephard dá o nº de telefone de Henrietta  Seiberling (1888–1979), que descreve o telefonema: “Era Bill Wilson, e nunca esquecerei o que ele disse: ‘sou do Grupo de Oxford, e sou um sabujo (cão de caça), de bebida alcoólica que vive em Nova York’. Henrietta que estava desesperada para ajudar Bob de algum jeito e não sabia nada sobre o assunto pensou: “Isso é mesmo como maná caído dos céus. ‘Venha já para cá’  Ele veio e ficou para o jantar. Pedi-lhe que me acompanhasse até a igreja na manhã seguinte e contataria Bob. Foi o que fiz”. E se propôs a marcar um encontro com o médico cirurgião Robert Holbrook Smith (Dr. Bob) (1879-1950) – também membro do Grupo de Oxford de Akron havia dois anos e meio - um beberrão cético, já beirando o desprestigio profissional.

O encontro aconteceu no dia seguinte, domingo 12 de maio de 1935 - Dia das Mães - com a condição imposta pelo Dr. Bob de não durar mais de quinze minutos. “Chegamos lá – na casa de Henrietta- às 17h00, e eram 23h15 quando saímos”, contou depois o próprio Dr. Bob, que compareceu acompanhado por sua mulher Anne. Os dois ficaram a sós e Bill fala de sua experiência alcoólica, o sofrimento, as promessas, os fracassos, da visita de Ebby e sua mensagem simples: um alcoólico falando com outro alcoólico; porém, foi citando o Dr. William Duncan Silkworth (1873-1951) ao identificar aquela condição dos dois como uma doença caracterizada por uma obsessão mental seguida de uma alergia física, que o Dr. Bob subitamente compreendeu o que lhe afligia; como médico, nunca tinha pensado nessa possibilidade. Era um leigo falando com um homem da saúde e com aquilo que depois viríamos a entender como a linguagem do coração. Passadas mais de cinco horas de compartilhamento e reciprocidade produziu-se a identificação necessária entre dois alcoólicos que falando de si próprios, um para o outro, conseguem manter-se afastados da bebida, e este gesto ampara toda a proposta de A.A. para seus membros enquanto Ele precisar de nós.

Para a posteridade, um disse do outro:

“Bill foi o primeiro ser humano vivo com quem eu já tinha falado que, inteligentemente, discutiu meu problema a partir de uma experiência real. Ele falou a minha língua”. Dr. Bob.

“Bob foi a rocha sobre a qual A.A. foi fundada. Sob seu apadrinhamento, com um pequeno apoio meu, o primeiro Grupo de A.A. no mundo nasceu em Akron, em junho de 1935”. Bill W.

cahist@alcoolicosanonimos.org.br  

CAHist - Comitê de Arquivos Históricos- JUNAAB
 

Em abril de 1946 – 70 anos atrás – surgiam nossas Doze Tradições

Em função do artigo “Alcoólicos Anônimos – Escravos libertos da bebida agora ajudam outros” (“O artigo de Jack Alexander”), o número de membros da Irmandade de AA tinha saltado de dois mil para oito mil naquele ano de 1941. Motivada pela incrível expansão a imprensa voltou-se para nós e era preciso estabelecer cuidadosa norma de relações públicas nessa nova situação. A principal atenção foi dada à classe médica e religiosa dando ênfase ao fato de que “A.A. é um modo de vida” que não entra em conflito com crença religiosa, ou especialidade da medicina. Deixou-se que os médicos soubessem o quanto precisávamos deles e foram sugeridas vantagens na cooperação. A prática da medicina seria da competência dos médicos e os assuntos religiosos dos clérigos e nós de AA., como leigos, seríamos a ligação. Questões recorrentes pediam ação acertada: quê dizer em hospitais, clínicas e instituições; como o nome de A.A. deveria ser usado, em que situações membros poderiam expor-se; como custear os Grupos e o serviço. Para responder essas questões foram codificados “Doze Pontos para Garantir Nosso Futuro” - princípios sugeridos para assegurar nossa sobrevivência e expansão. Baseados nas experiências dos Grupos durante os primeiros anos da Irmandade tratam da condução dos assuntos internos dos Grupos, da cooperação entre si e do seu relacionamento com a comunidade externa. O artigo “Doze Pontos sugeridos para as Tradições de A.A.” escrito por Bill W. para a edição da revista Grapevine de abril de 1946 – demarca o momento em que foram oficialmente propostos e divulgados à toda Irmandade.  O texto “Doze Pontos...” em seu formato original pode ser consultado na página 24 do livro “A Linguagem do Coração” (JUNAAB, cód.104). Em junho de 1949 receberam a denominação atual - “As Doze Tradições de Alcoólicos Anônimos” - e aprovadas em julho de 1950 e apresentadas como “a plataforma sobre a qual nossa Irmandade irá funcionar melhor e se manter unida para sempre”.

NO BRASIL

No acervo dos Arquivos Históricos da Junaab há um pequeno livreto intitulado “A Tradição de A.A.” cujo original, supõe-se, tenha sido trazido por algum A.A. norte-americano a serviço no Rio de Janeiro durante os anos de 1940. Foi traduzido em 1948 por Harold W., um dos primeiros Aas no Rio de Janeiro, e distribuído conforme pedidos que então lá chegavam. Este livreto faz parte de uma série de publicações produzidas no início de A.A. no Rio de Janeiro que ficou conhecida como “Folhetos Brancos” - entre eles, um que ficou particularmente conhecido como “Livro Branco” por sua capa branca feita – talvez por economia - da mesma gramatura das páginas internas.  A primeira publicação das Doze Tradições no Brasil, autorizada por A.A.W.S., ocorreu em setembro de 1973. Era uma brochura com capa vermelha. Em junho de 1995 este texto juntou-se ao livro “Os Doze Passos” - de capa verde - e dai resultou o livro atual “Os Doze Passos e as Doze Tradições”. A forma integral das Doze Tradições pode ser encontrada nos livros: “Alcoólicos Anônimos”; “Os Doze Passos e As Doze Tradições” e no livreto “O Grupo de A.A...”. A forma resumida das “Doze Tradições” encontra-se nas mesmas publicações e em outros exemplares da literatura de A.A., além dos banners expostos em grande parte das salas de reunião dos Grupos.

SAIBA MAIS:

As 12 Tradições de A.A.
As Doze Tradições de A.A., ou, Os Filhos do Caos

CAHist - Comitê de Arquivos Históricos- JUNAAB

 

 JUNAAB – Informes
CAHist – Comitê de Arquivos Históricos  

Informamos que a adequação do espaço dos Arquivos Históricos da JUNAAB continua acontecendo na medida das limitadas possibilidades financeiras. Neste momento o ESG está cuidando de garantir que as salas tenham vedação e ventilação suficientes para a guarda e para a preservação dos materiais. 

O CAHist está entusiasmado com a visita que os  delegados à 40 CSG farão ao ESG no dia  13 de março. Esperamos, até lá, ter organizado parte do material regional que, um dia, será apresentado à Irmandade e oferecido como contribuição para os acervos históricos que as áreas estabeleçam;

Uma força-tarefa para a catalogação dos milhares de documentos e mídias sob a guarda do  CAHist será iniciada no próximo dia 03 de março. Já foi definido um calendário para essas reuniões e para participar desta atividade o membro de A.A. deverá mandar um email para cahist@alcoolicosanonimos.org.br dizendo que dias, dentre os oferecidos, poderá compor a equipe de trabalho (as equipes não deverão ter mais que oito participantes). Os métodos usados e critérios de catalogação já vem sendo testados com dois colaboradores.

 Em fevereiro o CAHist vai mostrar suas atividades para o Grupo Sapopemba / SP numa reunião temática.

•Estão em transcrição as gravações das entrevistas/piloto realizadas com alguns veteranos iniciadas em 2015.  Voluntários para transcrição literal de arquivos de áudio são muito bem vindos. 

• Entre as preciosidades encontradas nos materiais em catalogação queremos mencionar: carta de elogios do internacionalmente reconhecido Dr. Zerbini, um ex Presidente da República saudando 40 anos de AA no Brasil; uma carta manuscrita de Bill e outra de Lois para Dorothy, cofundadora, junto com Donald M.L. do primeiro Grupo de A.A. em São Paulo - o Grupo Sapiens;  o selo comemorativo lançado pelos Correios no cinqüentenário de A.A. , o original da primeira tradução do livro Alcoólicos Anônimos para português ( que produziu a primeira edição) e os materiais que chegam como contribuição para nosso acervo 

•Dentro de alguns dias estará publicado no site de A.A. mais um resultado das pesquisas que o CAHist fez, desta vez  movido pelo saudável desafio proposto pelo custódio Nordeste em janeiro. Ele nos lembrou que em 29/02/1976 era criada a JUNAAB que agora faz 40 anos. O CAHist pesquisou e encontrou muito dessa parte de nossa história e nos cabe conta-la. Nossa Irmandade inteira celebra esta data como marco de um passo importante para que o A.A. do Brasil tivesse o respeito internacional que hoje temos dentro de nossa comunidade.


CAHIST - Comitê de Arquivos Históricos
  
 

Hoje, dia 29 de fevereiro de 2016 a JUNAAB faz 40 anos!

Em 29 de fevereiro de 1976, durante o 3º. Conclave Nacional, em São Paulo, reuniram-se a diretoria do CLAAB e 29 Delegados representando 16 Estados, e criaram a Junta Nacional de Alcoólicos Anônimos do Brasil – JUNAAB, uma Sociedade Civil sem fins lucrativos, com o propósito primordial de ser a guardiã  dos Passos e Tradições e permitir o desenvolvimento de nossa Irmandade pelos serviços gerais nacionais  e de representação internacional. 

Eram Órgãos da JUNAAB: a Assembleia Geral, a Diretoria eleita em Assembleia  e o CLAAB - Centro de Distribuição de Literatura de A.A. no Brasil.  A partir do 4º. Conclave (1977) a reunião da JUNAAB e do CLAAB com os Delegados Estaduais recebeu o nome de Conferência de Serviços Gerais e foi realizada nos moldes apresentados pelos Delegados Nacionais que participaram da 4ª Reunião de Serviço Mundial realizada em Nova York.  Em 1981 o CLAAB e o ESG desmembraram-se. Durante a 6ª C.S.G. em 1982, foi legalmente instituída a Junta de Custódios. No ano seguinte, 1983, na 7ª Conferência foram eleitos os primeiros Custódios, 3 não alcoólicos e 6 membros da Irmandade, alguns dos quais ainda vivos e ativos no serviço da  Irmandade.

 Na 8ª Conferência de Serviços Gerais, em 1984, em Blumenau, a Junta de Custódios tomou posse e a JUNAAB deixa de se denominar Junta Nacional de Alcoólicos Anônimos do Brasil, para se chamar Junta de Serviços Gerais de Alcoólicos Anônimos do Brasil. Por ser difícil a pronúncia de JSGAAB, optou-se por mudar o nome e manter a sigla JUNAAB.

 Os comitês da Junta foram idealizados na primeira reunião de serviços da Junta de Custódios em Baependi-MG em agosto de 1985 e aprovados na Conferência de 1986 como parte integrante da estrutura. Em 1995, a 19ª Conferência de Serviços Gerais realizada em Santos-SP aprovou a reestruturação da JUNAAB, e nela incluiu a extinção do CLAAB sendo seus bens incorporados à Junta.

Desde aquele fevereiro de 40 anos atrás muitas coisas a JUNAAB tem planejado e realizado à luz dos princípios . Nossa Junta cresceu  em eficácia e respeito nos países vizinhos e na estrutura sênior. Instalou-se num endereço que permite nosso livre transito e autossuficiência.

Passaram-se 40 anos desde aquele 29 de fevereiro de 1976 mas as memórias e os resultados dos gestos daqueles dias repercutem ainda hoje em nossas ações . Os primeiros servidores de nossa estrutura pavimentaram um caminho que ficou mais fácil de percorrer e que devemos deixar ainda mais acessível. Que possamos construir, um dia de cada vez, as próximas décadas de nosso A.A. no Brasil

Respeitosas Saudações

Acesse o site www.alcoolicosanonimos.org.br e veja outras histórias de A.A. na guia dos Arquivos Históricos

CAHIST - Comitê de Arquivos históricos da JUNAAB

 
Agosto 2015 – Um ano se passou
Nova sede do ESG – Junaab
 
Em 17 de agosto de 2015, o Escritório de Serviços Gerais (ESG) – nome figurativo do escritório sede da Junta de Serviços Gerais de A.A. no Brasil (Junaab) e da sua Diretoria Executiva, findo o seu contrato com a administração do condomínio onde ficou por 22 anos, na Av. Senador Queiroz nº 101, 2º andar, Centro, São Paulo-SP, transferiu suas atividades para um novo local que proporcionasse o espaço e conforto necessários para a execução eficiente dos serviços que o crescimento da Irmandade no Brasil passou a demandar. O local, um prédio de três andares, está situado na Rua Padre Antonio de Sá, 116, em um dos mais tradicionais bairros e também um dos que mais se desenvolvem, o bairro do Tatuapé, na Zona Leste da cidade de São Paulo. A recepção e um mezanino usado como área restrita para guarda de documentos ficam no térreo; a administração, estoque e distribuição de literatura ficam no 1º andar; a Diretoria Executiva, os Comitês de Assessoramento da Junta, os Arquivos Históricos e o estoque suplementar de literatura ficam no 2º andar; no 3º andar fica a copa-cozinha e uma ampla sala onde se reúne mensalmente o Comitê Executivo e trimestralmente a Junta de Serviços Gerais, além de ser o ambiente de acolhimento das caravanas e grupos que nos visitam.
O primeiro aniversário da nova sede da JUNAAB certamente pode ser um motivo de muita alegria e ao mesmo tempo de reflexão para todos os companheiros, principalmente aqueles que moram na cidade de São Paulo e que puderam constatar o processo de desocupação do antigo imóvel que se encerrou no início desse ano e não havendo mais nenhum condômino naquele local.  É por tudo isso que agradecemos o Poder Superior que nos momentos mais difíceis iluminou o caminho de todos os companheiros que participaram desse processo de mudança que oferece condições para que nossa Irmandade possa continuar crescendo sem percalços.
A três quadras do local fica a Estação Tatuapé de transportes urbanos: trem e metrô e ônibus. Qualquer membro ou amigo de A.A. pode fazer uma visita ao ESG em dias úteis durante o seu expediente para tomar um café e conhecer seus funcionários, departamentos e instalações, além de poder fazer pessoalmente sua subscrição à revista Vivência. Visitas em grupo, de Grupos, Distritos e Áreas de todo o Brasil ou do exterior, podem ser agendadas através de correio postal, eletrônico ou por telefone. Veja estes dados em aa@alcoolicosanonimos.org.br
Desde a criação dos Serviços Gerais de A.A. no Brasil em 1969, o ESG e o CLAAB - Centro de Distribuição de Literatura de A.A. no Brasil (o CLAAB foi o primeiro órgão de serviço de A.A. no Brasil. Em 1995, a 19ª CSG aprovou a reestruturação da Junaab, a qual incluiu a extinção do CLAAB, sendo seus bens incorporados à Junta.), passaram pelos seguintes endereços:
  1. Em setembro de 1969, Rua Sampaio Vidal, 481, Jardim Paulistano, São Paulo-SP.
  2. Em abril de 1970, Rua João Adolfo, 118, cj. 1214, Centro, São Paulo-SP.
  3. Em novembro de 1974, o CLAAB foi para a Rua Aurora, 291, 6º andar, Santa Ifigênia, São Paulo-SP.
  4. O ESG foi para a Avenida Nove de Julho, 4º andar, Centro, São Paulo-SP.
  5. Em 1979, voltaram a se juntar na Rua Alagoas, 124, Higienópolis, São Paulo-SP.
  6. Em 1981, Rua Itaipu, 31, Praça da Árvore, Vila Mirandópolis, São Paulo-SP.
  7. Em 1987, Rua José Getúlio, 447, Liberdade, São Paulo-SP.
  8. Em 1991, Rua Capitão Salomão, 40, 3º andar, Centro, São Paulo-SP.
  9. Em julho de 1993, Av. Senador Queiroz nº 101, 2º andar, Centro, São Paulo-SP.
  10. Em agosto de 2015, Rua Padre Antonio de Sá, 116, Tatuapé, São Paulo-SP.
CAHist – Comitê de Arquivos Históricos da Junaab
  
cahist@alcoolicosanonimos.org.br

 

 

 Agosto 1985 – Proposta de criação da Revista Brasileira de A.A. (atual Vivência)
A Comissão de Literatura e Publicações da 1ª Conferência de Serviços Gerais (CSG) realizada em Recife-PE em 1977 apresentou, e o plenário aprovou a proposta nº 8 que diz: “Consideramos oportuno que Alcoólicos Anônimos no Brasil possua a sua Revista, a exemplo do “Grapevine” e “El Mensaje”. Para concretizar este objetivo, recomendou-se aos Delegados do R.J. que elaborassem um projeto, com análise de custos e possibilidade de implantação de uma nova entidade de A.A. no Brasil, para ser debatida na próxima Conferência de Serviços Gerais”.

Na 8ª CSG realizada em Blumenau-SC, em 1984, a mesma Comissão reiterou e o plenário aprovou por unanimidade a proposta nº 2: “Reitera a criação, urgente, da Revista Brasileira de Alcoólicos Anônimos, no sentido de canalizar proveitosamente a criatividade dos AAs. Aprovada por unanimidade”.
Assim, a Junta de Custódios, durante a 2ª Reunião de Serviço Nacional realizada em Baependi-MG entre os dias 17 e 19 de agosto de 1985, achou por bem prover a Irmandade de um veículo de informação a altura dos nossos anseios que pudesse consolidar sua mensagem de esperança aos seus membros e transpor os horizontes, apresentando, de maneira sóbria e consistente, a Irmandade de Alcoólicos Anônimos aos profissionais liberais, religiosos, mestres da educação, empresários e tantas outras pessoas de boa vontade. Por sugestão dos Comitês, inclusive os membros dos recém-oficializados Comitês de Finanças e de Literatura e também para comemorar o Cinquentenário Mundial da Irmandade naquele ano, elegeu uma diretoria e autorizou uma edição experimental da de Revista Brasileira de Alcoólicos Anônimos. O número “Zero”, marco inicial da revista, foi publicado em novembro do mesmo ano, em Campo Grande-MS, por ocasião do Seminário da Região Centro-Oeste.

A partir do nº 2 passou a ser editada e produzida em Brasília-DF, onde ficou aproximadamente durante dois anos, a Revista, adquiriu um formato bem menor, quase de bolso, ganhou o nome de Vivência, escolhido entre diversos outros sugeridos e instituiu-se a assinatura anual. Após dois anos, a revista crescia e mudou-se para Fortaleza, onde foi editada, produzida e distribuída com sucesso até 1993 quando, definitivamente, se transferiu para a sede da Junaab em São Paulo. O fato de ter sido produzida em quase todas as regiões do Brasil provavelmente contribuiu enormemente para que ela tenha incorporado de algum modo nossas diversidades culturais locais. A partir da 1ª edição do ano de 1994, a revista passou a ser publicada a cada dois meses. A “assinatura cortesia” foi apresentada pela primeira vez no Editorial da Revista nº 33 que também trazia um cupom “cortesia” impresso em suas páginas.

Até a revisão do Manual de Serviços, ocorrida em 1995, onde foram reformulados os Estatutos da Junaab, a Vivência manteve-se como empresa separada, com Diretoria própria, assim como ocorria com o extinto CLAAB. No entanto, após essa revisão estatutária, os três Órgãos de Serviços da Junaab fundiram-se numa única empresa e a revista passou a ser de responsabilidade de um novo Comitê da Junta - o Comitê de Publicações Periódicas (CPP) - responsável também pela publicação dos boletins “BOB Mural” e “JuNAAB Informa”.
Atualmente (2016), é uma publicação bimestral e sua tiragem média é de aproximadamente 10.000 exemplares. Diversos membros de A.A. - companheiras e companheiros voluntários, estiveram à frente da Vivência, todos emprestando a ela seu carinho e sua competência profissional, dando a cada edição um passo à frente, de forma a apresentar harmonia e qualidade editorial condizente com consistência da mensagem que se propõe a levar.

Para saber mais, veja: http://www.revistavivencia.org.br/materias.html 
CAHist – Comitê de Arquivos Históricos da Junaab cahist@alcoolicosanonimos.org.br

 

 

Julho de 1950 – A despedida do Dr. Bob

Entre os dias 28 e 30 de julho de 1950, foi celebrada em Cleveland, Ohio, a Primeira Convenção Internacional de Alcoólicos Anônimos. As principais motivações para a realização deste evento foram duas: a primeira, a aprovação das Doze Tradições de Alcoólicos Anônimos – o que foi feito por aclamação de mais de três mil membros da Irmandade presentes e, a segunda, a despedida do Dr. Bob que, já muito doente e se preparando para morrer, citou como um dos seus últimos desejos comparecer a esse evento onde fez uma breve palestra.
Dos presentes àquele momento histórico, alguns se lembravam de como as ondas de amor de A.A. pareciam levantar o Dr. Bob; outros se lembram de como se sustentava encostado, enquanto falava. A maioria das pessoas recorda seu conselho sobre a simplicidade. Entre as coisas que o Dr. Bob disse nenhuma delas precisa de interpretação:
“Meus bons amigos em A.A. e de A.A., acho que eu seria muito negligente se não aproveitasse esta oportunidade para dar a vocês as boas vindas a Cleveland, não apenas a esta reunião, mas àquelas que já ocorreram. Espero que a presença de tantas pessoas e as palavras que aqui ouviram possam ser uma inspiração para vocês – e não somente para vocês, mas que vocês possam partilhar essa inspiração com os garotos e garotas que não tiveram a sorte suficiente de estarem aqui. Em outras palavras, esperamos que a visita de vocês aqui tenha sido agradável e proveitosa.
Sinto uma grande vibração ao olhar este vasto mar de rostos, com a sensação de que, possivelmente, uma pequena coisa que fiz há alguns anos teve papel infinitamente pequeno para fazer com que fosse possível esta reunião. Também me bem um grande estremecimento quando penso que todos tivemos o mesmo problema. Todos fizemos as mesmas coisas. Todos conseguimos os mesmos resultados em proporção ao nosso zelo, entusiasmo e capacidade de aderir. Se vocês me perdoam a inclusão de uma nota pessoal neste momento, permitam-me dizer que tenho estado acamado por cinco dos últimos sete meses, e minhas forças não retornaram como eu gostaria, assim, por necessidade, minhas observações serão muito breves.
Há duas ou três coisas que irromperam em minha mente sobre as quais seria apropriado colocar um pouco de ênfase. Uma é a simplicidade de nosso programa. Não vamos estragar tudo com complexos freudianos e coisas que são de interesse da mente científica, mas tem muito pouco a ver com nosso verdadeiro trabalho de A.A. Nossos Doze Passos, quando resumidos ao máximo, podem ser condensados nas palavras ‘amor’ e ‘serviço’. Entendemos o que é o amor e entendemos o que é o serviço. Então, vamos manter essas duas coisas em mente.
Vamos, também, lembrar de vigiar esse membro errante que é a língua, e se temos de usá-la, vamos usá-la com bondade, consideração e tolerância.
E mais uma coisa: Nenhum de nós estaria aqui hoje se alguém não tivesse usado seu tempo para explicar as coisas a nós, para nos dar uma palmadinha nas costas, para nos levar a uma reunião ou duas, para fazer em nosso benefício numerosas pequenas ações generosas e atenciosas. Por isso não permitam nunca que cheguemos a um grau de complacência tal que nos impeça de estarmos dispostos a estender, ou tentar estender a nossos irmãos menos afortunados, essa ajuda que tem sido tão benéfica para nós.
Muito obrigado”.
Para saber mais: leia a partir da página 345 do livro “O Dr. Bob e os bons veteranos” – Junaab, código 116.
cahist@alcoolicosanonimos.org.br

 

 

Julho de 1965 – A Declaração de Responsabilidade de A.A.

Sob qualquer padrão de medida que se queira utilizar, Alcoólicos Anônimos tinha alcançado em 1965 um sucesso que parecia superior ao que pudessem ter imaginado seus dois cofundadores trinta anos antes. Com aproximadamente 350.000 membros no mundo todo, a Irmandade havia-se convertido numa instituição bem conhecida na América do Norte, e muitos profissionais que trabalhavam na área da recuperação acreditavam que A.A. era a mais clara e melhor solução para o tratamento do alcoolismo. Entre os dias 2 e 4 de julho de 1965, aproximadamente 10.000 membros congregaram-se em Toronto, Canadá, para participar da IV Convenção Internacional de A.A. que resultou ser uma boa ocasião para alardear e se recrear nos logros de A.A.
Entretanto, a Convenção também se dedicou a fazer um destemido inventário e, especialmente, ao tema da responsabilidade. Bill W. introduziu oficialmente a Declaração de Responsabilidade, que diz:
“Eu sou Responsável... quando qualquer um, seja onde for, estender a mão pedindo ajuda, quero que a mão de A.A. esteja sempre ali. E por isto: eu sou responsável”.
O autor dessa declaração foi Al S., que contou a historia de sua concepção na VI Convenção Internacional de Denver em 1975; “buscava-se uma declaração (sobre a responsabilidade), que tivesse o efeito de captar emocionalmente os AAs sem impor nenhum dever”, lembrou Al. Depois de varias tentativas, teve a ideia de que deveria ser uma decisão e uma responsabilidade pessoal – “Eu” no lugar de “nós”. Dez mil membros de A.A. juntaram-se e, de mãos dadas fizeram pela primeira vez a declaração desse Termo na Convenção de Toronto, e desde então se tem distribuído por toda a Irmandade e se reimprime nos folhetos de A.A. e na Revista Grapevine.
Porque a essa declaração foi escrita e aceita naquele momento? Uma possível razão é que Bill W. e outras lideranças em A.A. haviam detectado alguns problemas que poderiam afetar a capacidade futura de A.A. ajudar os alcoólicos.
Em 1963, uma revista nacional tinha publicado uma matéria de capa muito crítica em relação a A.A. a qual sugeria que a Irmandade já não dava tão bons resultados. Os profissionais no campo do alcoolismo, não alcoólicos, sentiam-se inquietos diante das atitudes e ações de alguns membros de A.A. – um deles inclusive iria falar na Convenção de Toronto. Alguns insinuaram que estava na hora de A.A. “fazer seu inventário”.
Bill W. considerou detidamente o tema num artigo intitulado “Nosso lema: a Responsabilidade”, publicado no número de julho de 1965 na revista Grapevine (leia o artigo a partir da página 384 do livro “A Linguagem do Coração” – Junaab, código 104). Disse ser possível que estivéssemos alienando alguém devido à nossa arrogante convicção de sempre estar com a razão e nossa solução para o alcoolismo ser a única. Tínhamos que corrigir essas atitudes e esse comportamento para continuar a alcançar o alcoólico que estava sofrendo.
Bill W. disse: “Se fizer um inventário dos defeitos de A.A., podem estar seguros de que também estarei fazendo o meu próprio. Sei que meus erros de ontem ainda têm repercussões, e meus erros de hoje podem igualmente afetar nosso futuro. Assim acontece com todos e cada um de nós.
Nossa próxima responsabilidade será a de apadrinhar, de maneira inteligente e carinhosa, cada homem e cada mulher que recorra a nós em busca de ajuda. O empenho e o amor com que nos dispormos a realizar essa tarefa, individual ou coletivamente, terão importância decisiva”
Veja mais em:
http://www.aabrasil.org.br/origens/108-a-origem-do-termo-de-responsabilidade

CAHist – Comite de Arquivos Históricos da JUNAAB
cahist@alcoolicosanonimos.org.br

 

 

Julho de 1970 – A Declaração de Unidade de A.A.
Durante a Convenção Internacional de A.A., entre os dias 3 e 5 de julho de 1970, em Miami Beach, Florida, cerca de onze mil membros de Alcoólicos Anônimos reunidos, fizeram a seguinte declaração em onze idiomas diferentes.

“Uma Declaração de Unidade:
O futuro de A.A. depende de ser colocado em primeiro lugar, o nosso bem-estar comum, a fim de manter a nossa Irmandade unida.
Da unidade de A.A. dependem as nossas vidas e as vidas daqueles que virão”.

     A aceitação desta declaração na Convenção de 1970 selou a aprovação final à campanha iniciada por Bill W. algumas décadas antes, para estabelecer como prioridade a preservação da unidade para assegurar o futuro de A.A. Vinte anos antes, na primeira Convenção Internacional de A.A., em Cleveland, mais de três milhares de membros de A.A. votaram pela aceitação das Doze Tradições que Bill W. havia redigido e proposto com o propósito específico de assegurar a sobrevivência de A.A. como sociedade. A aceitação oficial da Declaração de Unidade serviu para reforçar isso.
     Por que foi necessário fazer essa declaração? Quase desde os primórdios de A.A., Bill W. havia colocado como foco a importância de manter a unidade da Irmandade. Trabalhando juntos poderemos alcançar e manter a sobriedade que não pudemos encontrar quando estávamos sozinhos. Mesmo quando A.A. não tinha mais de cem membros, em sua maioria concentrados em Akron e Nova York, Bill W. e o Dr. Bob tinham a visão de uma Irmandade unificada que poderia alcançar os alcoólicos em todas as partes da América do Norte e inclusive do mundo. Bill W., nas suas palestras e artigos, sempre destacou a necessidade de preservar a unidade para que nós mesmos pudéssemos manter a sobriedade e preservar A.A. para “os milhões que ainda não nos conhecem”.
     Ao apresentar as Tradições, Bill escreveu: “Enquanto os vínculos que nos unem demonstrem ser mais fortes que as forças que pudessem nos dividir, tudo irá bem, estaremos seguros como movimento; nossa unidade essencial continuará a ser algo seguro”.
     Quais eram as forças que poderiam nos dividir? Ele mencionava com frequência a luta pela propriedade, o poder e o dinheiro. Sentia ser absolutamente necessário que A.A., como sociedade, teria que evitar as controvérsias sobre a política e a religião. Também acreditava que o anonimato era um fator decisivo para manter a unidade e que a ajuda de A.A. deveria estar disponível para todos sem favoritismos nem prejuízos.
     Bill descreveu as Doze Tradições como sendo “Doze pontos para assegurar o nosso futuro”. Ele as considerava tão essenciais para a preservação da sociedade quanto os Doze Passos para a recuperação do membro individual. Escreveu que o mais urgente e estimulante interesse de A.A. era “preservar entre nós, os AAs, uma unidade tão sólida que nem as debilidades pessoais nem a pressão e discórdia desta época turbulenta possam prejudicar nossa causa comum. Sabemos que Alcoólicos Anônimos tem que sobreviver. Se assim não for, exceto contadas exceções, nós e nossos companheiros alcoólicos em todas as partes do mundo recomeçaríamos nossa desesperada viagem rumo ao esquecimento”.

Para saber mais:
http://www.aabrasil.org.br/origens/116-a-origem-da-declaracao-de-unidade

CAHist – Comitê de Arquivos Históricos da Junaab
cahist@alcoolicosanonimos.org.br

 

 

Junho de 1944 – A criação de “The AA Grapevine”

A Grapevine, é a predecessora de todas as revistas de A.A. no mundo – incluindo a Revista Brasileira de Aloólicos Anônimos – a revista Vivência, foi criada por uma decissão da Junta de Custódios durante a 2ª Reunião de Serviço Nacional realizada em Baependi-MG, entre os dias 17 e 19 de agosto de 1985.
A Grapevine foi lançada por um grupo de seis membros voluntários em junho de 1944 como um boletim para os AAs da área metropolitana de Nova York, mas Bill W. e a redação logo perceberam seu potencial para unificar os Grupos largamente dispersos e informar o público a respeito do novo programa. “Que seus raios de esperança e experiencia iluminem sempre a corrente de nossa vida em A.A. e, também algum dia, todo canto escuro deste mundo alcoólico”, escreveu Bill W. no primeiro número, que foi enviado a todos os Grupos dos EUA e Canadá e aos AAs que serviam às forças armadas durante a Segunda Guerra Mundial. Um ano e meio mais tarde, Bill W. escreveu aos Grupos perguntando-lhes se gostariam que a Grapevine fosse sua revista nacional. Queria que fosse publicada uma revista que “reflita, com toda exatidão que fosse possivel a voz de toda a Irmandade, e não as opiniões de nenhum indivíduo, grupo ou organização – nem sequer nosso Escritório Central ou da Fundação do Alcoólico, embora, é claro, deva estar minimamente vinculada à Fundação do Alcoólico para assegurar sua continuidade e integridade básica”. Os Grupos adotaram a revista imediatamente e em 1949 era chamada “A revista mensal internacional de Alcoólicos Anônimos” e “Nossa reunião impressa”.
Entre 1944 e 1971, Bill W. publicou aproximadamente 150 artigos (uma coletânea desses artigos está recolhida no livro “A Linguagem do Coração” - Junaab, código 104) e editoriais na Grapevine, incluindo duas séries de ensaios para apresentar as Tradições. Bill W. também se valeu da Grapevine para apresentar à Irmandade a ideia da Conferência de Serviços Gerais e para colocar a prova sua proposta de mudar a proporção da Custódios alcoólicos e não alcoólicos na Junta de Serviços Gerais. Para Bill, a revista era o principal meio de comunicação com os Grupos e, em anos posteriores, seus artigos na Grapevine serviram para explicar e esclarecer muitos dos principios espirituais básicos de A.A.
The AA Grapevine é uma das duas corporações operacionais da Junta de Serviços Gerais de A.A. (a outra é A.A.W.S.) na estrutura dos EUA/Canadá. Atualmente tem sete diretores: dois Custódios de serviços gerais, dois Custódios regionais, um Custódio não alcoólico e o diretor-editor executivo, que também ocupa a função de presidente da corporação. A junta reúne-se trimestralmente para considerar assuntos tais como a circulação, as finanças e as operações editorias da Grapevine e “La Viña” – sua versão equivalente em español.
Publica a revista internacional de Alcoólicos Anônimos Grapevine (pronuncia-se greipvain) - algo como “A Videira”, em formato impresso e de áudio junto com coleções de artigos da revista Grapevine em forma de livros, CDs e no seu site na web. Divulga a experiência, força e esperança dos membros de A.A., seus amigos e familiares levando sua mensagem a mais de 250.000 pessoas cada mês. A circulação média mensal da revista impressa gira em torno de cem mil exemplares.

Para conhecer a revista, visite: http://www.aagrapevine.org/ 
cahist@alcoolicosanonimos.org.br


CAHist - Comitê de Arquivos Históricos- JUNAAB

 

 

Julho de 1955 - A.A. atinge a maioridade
     Entre os dias 1 e 3 de julho de 1955, foi celebrada a segunda Convenção Internacional de A.A. em St. Louis, Missouri. Alcoólicos Anônimos completava 20 anos de existência e com isso alcançava sua maioridade. Dos dois cofundadores, o Dr. Bob havia falecido cinco anos atrás, em 1950, e antes de morrer tinha dado a Bill W. o seu consentimento para que fosse constituída uma Conferência composta por membros delegados pelos Grupos de A.A. para tomar conta da Irmandade em substituição aos cofundadores e membros pioneiros.
     A primeira Conferência foi instalada em 1951 e, depois de quatro Conferências experimentais, finalmente, na quinta Conferência de Serviços Gerais – realizada juntamente com a segunda Convenção, Bill W., falando em nome do Dr. Bob e dos membros mais antigos de todas as partes, declarou a Conferência como sucessora permanente dos fundadores de A.A. e lhe entregou a custódia das Doze Tradições de A.A. e a proteção dos serviços mundiais – isto foi feito através de “Um Acordo” (veja este “Acordo” adaptado à estrutura de A.A. no Brasil, na página 15 do “Manual de Serviço de A.A. e Os Doze Conceitos para Serviço Mundial” - Junaab, código 108). aprovada por todos os convencionais por aclamação e pela Conferência, por determinação formal, através de votação.
     Nesse evento, Bill também entregou à Irmandade os Três Legados de Recuperação, Unidade e Serviço.
     Pelo Primeiro Legado nos recuperamos do alcoolismo através da prática do programa de Doze Passos, conforme consta no livro “Alcoólicos Anônimos”, publicado em 1939 (Junaab, código 102).
Pelo Segundo Legado permanecemos em unidade através das Doze Tradições de A.A., aprovadas na Convenção de Cleveland, em 1950 – estão publicadas no livro “Os Doze Passos e As Doze Tradições” (Junaab, código 105).
     Pelo Terceiro Legado nossa Irmandade funciona e serve seu propósito fundamental, que é o de levar a mensagem de A.A. Seus princípios tradicionais são:
* Cada Grupo é animado por um único propósito primordial – o de transmitir sua mensagem ao alcoólico que ainda sofre.
* Todos os Grupos de A.A. deverão ser absolutamente autossuficientes.
* Alcoólicos Anônimos deverá manter-se sempre não profissional.
* A.A., jamais deverá organizar-se como tal; podemos, porém, criar juntas ou comitês de serviço diretamente responsáveis perante aqueles a quem prestam serviços.
* Nossos líderes são apenas servidores de confiança – não governam.
* Procuramos transmitir esta mensagem aos alcoólicos e praticar estes princípios em todas as nossas atividades.
Nota: Os tradicionais princípios de serviço de A.A. apresentados acima foram ampliados por Bill W. e fazem parte do “Manual de Serviço de A.A. e Os Doze Conceitos para Serviço Mundial”.
     Para saber mais: Veja estas passagens no livro “A.A. Atinge a Maioridade” (Junaab, código 101). Publicado em 1957, o livro relata em detalhes todos os acontecimentos ocorridos na Convenção de St. Louis e que foram determinantes para a Irmandade tal como hoje a conhecemos.

CAHist – Comitê de Arquivos Históricos da Junaab

cahist@alcoolicosanonimos.org.br

 

 

Junho de 1947 – Publicação do atual Preâmbulo de A.A.
Preâmbulo de A.A.©
Alcoólicos Anônimos© é uma Irmandade mundial de homens e mulheres que compartilham entre si suas experiências, forças e esperanças a fim de resolver seu problema comum e ajudar outros a se recuperarem do alcoolismo.O único requisito para se tornar membro é o desejo de parar de beber. Para ser membro de A.A. não há taxas nem mensalidades; somos autossuficientes graças às nossas próprias contribuições. A.A. não está ligada a nenhuma seita ou religião, nenhum movimento político, nenhuma organização ou instituição; não deseja entrar em qualquer controvérsia pública; não opina nem combate causa alguma. Nosso propósito primordial é o de mantermo-nos sóbrios e ajudarmos outros alcoólicos a alcançarem a sobriedade.
Direitos autorais da revista © The A.A. Grapevine, Inc. Reimpresso com permissão.
O conhecido “Preâmbulo de A.A.” foi impresso pela primeira vez na edição de junho de 1947, da revista A.A. Grapevine. Foi escrito pelo editor de então, quem extraiu grande parte do material do Prefácio à primeira edição do livro Alcoólicos Anônimos (nosso Livro Azul).
Naqueles anos, a revista Grapevine tinha começado a circular entre os não alcoólicos e o Preâmbulo foi destinado principalmente a expor a essas pessoas o que A.A. era e o que não era. Ainda é usado para fins de informação pública. Com o passar do tempo, começou a aparecer em todas as publicações aprovadas pela Conferência, e muitos Grupos de A.A. agora o usam para abrir as reuniões.
A versão original diferia em dois aspectos importantes da versão todos conhecemos agora:
Indicava que “o único requisito para ser membro um é desejo sincero de parar de beber”.
Incluía apenas a breve declaração “A.A. não cobra taxas nem honorários”.
Com frequência surge a pergunta de porquê foi excluída a palavra “sincero”. Na Conferência de Serviços Gerais de 1958, um Delegado, referindo-se as palavras “desejo sincero de parar de beber”, sugeriu que, como a palavra “sincero” não aparece na Terceira Tradição, ele deveria ser removida do Preâmbulo. Durante a discussão, a maioria dos membros da Conferência expressou a opinião de que, dada a maturidade alcançada por A.A., tornou-se impossível determinar o que constitui um desejo sincero de parar de beber e algumas pessoas interessadas no programa também podem se sentir confundidas pela frase. Portanto, como parte da evolução de A.A., foi removida a palavra “sincero”. Na reunião de verão de 1958, a Junta de Serviços Gerais ratificou a exclusão, e desde então, o Preâmbulo indica apenas “o desejo de parar de beber”. Ao mesmo tempo, a frase “A.A. não cobra taxas nem honorários” foi modificada para o texto atual: “Para ser membro de A.A. não há taxas ou mensalidades; somos autossuficientes graças às nossas próprias contribuições”. Esta versão atual do Preâmbulo aparece na primeira página de cada edição da revista Grapevine.
Quando impresso, o Preâmbulo deverá incluir a seguinte indicação de procedência:
Direitos autorais da revista © The A.A. Grapevine, Inc. Reimpresso com permissão.

CAHist – Comitê de Arquivos Históricos da Junaab
cahist@alcoolicosanonimos.org.br