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NONO PASSO 3/1/2014 - 11:00
NONO PASSO
“FIZEMOS REPARAÇÕES DIRETAS DOS DANOS CAUSADOS A TAIS PESSOAS, SEMPRE QUE POSSÍVEL, SALVO QUANDO FAZÊ-LO SIGNIFICASSE PREJUDICÁ-LAS OU A OUTREM”.
Por: Emílio M.

01. O que e como entendo e tento praticar o Nono Passo de A.A., nesta data, em meu nome e não no nome da Irmandade. (Enumero os parágrafos para facilitar os debates nos Seminários).

02. No Oitavo Passo relacionei todos os prejudicados, sem excluir ninguém em primeiro lugar eu mesmo – Como exerci meus deveres e direitos na vida: com meus pais; irmãos; professores; e colegas? Em relação à namorada, esposa ou concubina? No que concerne à vida conjugal e à educação dos filhos? Na condição de empregado, empregador ou sócio? Com meus superiores ou subalternos, e colegas de trabalho? Na vida social, cívica e religiosa? (se for o caso). Com parentes e com os que mais queriam me ajudar? Até com os desafortunados companheiros de bebedeiras e os botequineiros. Sem esquecer daqueles que moram longe e dos que sequer sei onde residem. Incluindo, também aqueles que já faleceram. Qual a intensidade dos conflitos, sofrimentos e fracassos impostos a mim e aos outros, em função das minhas atitudes alcoólicas?
“Aprender a viver na maior paz, companheirismo e fraternidade, com todo o mundo, é uma aventura comovente e fascinante. Todo AA acabou descobrindo que pouco pode progredir nessa nova aventura da vida, sem antes voltar atrás e fazer, realmente, em exame preciso e profundo dos destroços humanos que, porventura, ele tenha deixado em seu passado.
A disposição de arcar com todas as conseqüências de nossos atos passados e, ao mesmo tempo, assumir a responsabilidade pelo bem-estar dos outros constitui o próprio espírito do Nono Passo”.

03. Agora, com coragem, prudência e sensatez decido o momento oportuno para iniciar as reparações. Sabendo discernir prudência de procrastinação e abandonando o medo e o orgulho.

04. Existem reparações que faço imediatamente e outras que devo esperar um pouco mais. Com a orientação Divina e dos mais antigos em A.A., poderei avaliar o melhor momento para cada caso. O Dr. Bob iniciou as reparações no mesmo dia que tomou sua última bebida alcoólica. Aquela que o fez parar de tremer para realizar importante cirurgia. (Ele participava dos Oxfodianos, desde 1933, logo, conhecia as Seis Etapas – uma delas enfatizava a importância das reparações).
“Tratamos de varrer os escombros que se acumularam como resultado da nossa obstinação em viver segundo a nossa vontade e em sermos nós a dirigir o espetáculo. Se ainda não tivermos a vontade para levarmos isto a cabo, pedimos até que ela nos venha.
De momento pretendemos pôr as nossas vidas em ordem, mas isto não é uma finalidade em si mesma. O nosso verdadeiro propósito é o de nos moldarmos de forma a sermos capazes de servir o melhor possível a Deus e aos outros que nos rodeiam”.

05. Seria prudente iniciar com as pessoas mais receptivas. Posso fazer reparações globais ou parciais, conforme o caso, sabendo que para evitar dano maior - nada reparar - é o melhor.

06. Algumas Situações:

07. Desfalquei a organização onde trabalho. Revelo e sou demitido, em época cujo novo emprego está difícil. Fico desempregado e a família sofre. Será que isto é reparação? Neste caso procuro um conselheiro para orientar-me. Na medida do possível, procuro compensar o prejuízo, mas sem exagerar. Pessoalmente falsifiquei notas de despesas. Quando me deparei com o Nono Passo paguei despesas sem pegar as notas correspondentes, até quando julguei ter reposto o prejuízo. Não devolvi o troco a maior, só de raiva. Em certo bar, para vingar-me de uma conta cobrada mais que o dobro, ao invés de fazer valer meu direito, ou mudar de boteco, roubei-lhe dois grandes queijos e, os joguei pela janela dos fundos, para pegá-los depois da beberagem. Acontece que entrei em apagamento e os esqueci (só queria ver a “festança” dos cachorros). Furtei talheres e guardanapos e deixei de pagar despesas em restaurantes. (hoje sou incapaz de levar um palito sem autorização). Enfim, causei danos para minha esposa, filhas, superiores, subalternos, etc.

08. Suponhamos que fui infiel ao meu cônjuge, se revelar estarei numa encrenca danada. E ademais será justo eu comprar a minha paz, roubando a alheia? Confesso o adultério com o cônjuge de outrem e assim posso desfazer não um, mas dois casamentos, estarei sendo sensato? Isto é reparação ou danos ainda maiores. Essas reparações, repito, não devem ser feitas, mas sim reveladas no Quinto Passo.

09. Começo as reparações junto à família. O ato de parar de beber já é um bom início. Todavia as reparações junto aos familiares podem ser muito complicadas e demoradas, porque as chagas abertas foram enormes e a cicatrização poderá ser lenta e gradativa. Uma família desagregada pelo alcoolismo, poderá ou não ser recuperada. O fato é que preciso aceitar serenamente aquilo que não posso modificar. Acaso, não é assim que A.A. sugere? Continuo minhas reparações com sócios, patrão, superiores ou subalternos, colegas de trabalho, amigos, parentes, vizinhos, etc. Naturalmente, faço isto com algum tempo de programação, para que não digam: “Êh! Lá Vem Ele Outra Vez Com Suas Desculpas E Conversas Esfarrapadas”.

10. Como eu procedi – procurei a pessoa que desejava reparar e expliquei o que é A.A. e qual é meu propósito, desta vez sincero. Introduzi um diálogo amigável e despretensioso. E sem maiores delongas encaminhei-me para as reparações.
Se houver dinheiro envolvido faço uma proposta para pagamento compatível com minhas possibilidades. A boa acolhida, via de regra, é surpreendente. O êxito ou fracasso inicial podem causar entusiasmo ou pessimismo. Serei sábio se não me impressionar apenas com as primeiras experiências. O conforto destas reparações me impulsionam para seguir em frente. O importante é manter-me firme. Assumindo meus erros, sem permanecer na defensiva culpando os outros ou as circunstâncias. Dizendo: “eu fiz isto contigo porque você fez aquilo comigo”. É óbvio que nós também sofremos ofensas quando bebíamos, mas cabe ao ofensor a iniciativa de reparar. É, quase, regra geral que aqueles que nos ofenderam também nos pedem desculpas. E o clima torna-se muito agradável. Se acaso não pedirem desculpas preciso entender que eles não dispõem da Programação que eu disponho.
“Ao fazer reparações, raramente é aconselhável se abordar um indivíduo, que ainda sofra a injustiça que lhe fizemos, e anunciar que nos tornamos religiosos. Isso deveria ser chamado de agressão com o queixo. Por que sermos chamados de chatos ou fanáticos religiosos? Se fizermos isso, poderemos destruir uma futura oportunidade de levar uma mensagem benéfica. Mas a pessoa que ouvir nossas reparações ficará bem impressionada com nosso sincero desejo de reparar um dano. Ela vai se interessar mais por uma demonstração de boa vontade do que pela conversa das descobertas espirituais”.

11. Quanto aos que moram muito longe, resolvo por carta, telefone, fax. ou via Internet Em relação aos que, já nem sei onde moram? “O Que Não Tem Solução, Solucionado Está”!

12. Quanto aos falecidos (talvez, mortes causadas pelo meu alcoolismo). Para estes casos, sugiro o que ensina o conselheiro espiritual, psicólogo e escritor, Alírio José Perdini, em seu livro “Oração De Amorização”: “Você entra em seu quarto, fecha a porta, põe, se possível, um fundo musical, senta-se numa cadeira, na cama ou no chão, como gostar. Concentra-se uns instantes. Invoca a presença do Poder superior, num gesto de fé. Converse com Ele uns momentos, louvando-O, agradecendo-Lhe a presença. Diga-Lhe que quer amorizar tal pessoa. Em seguida imagine que vai entrar em seu quarto aquela pessoa que escolheu para amorizar”. Comprimente, calma e educadamente a pessoa. convide-a para sentar-se, entre você e o Poder Superior, e em voz audível diga-lhe que você a ama muito e peça-lhe perdão pelos danos causados. Ofereça-lhe, também, o seu perdão pelas possíveis falhas dela. E perdoe-se. Diga-lhe que agora tudo mudou para melhor e para encerrar, ore, agradecendo as presenças. Repita este ritual até que você encontre a paz e o perdão desejados. São muitos os caminhos para a superação do sofrimento, mas todos devem terminar em Deus”.

13. Vejamos o que diz, Bill W., sobre este tema: “Bom-senso, um cuidadoso sentido de escolha do momento, coragem e prudência - eis as qualidades que precisamos ter quando damos o Nono Passo”.

14. “Após haver elaborado a relação das pessoas as quais prejudicamos, refletido bem sobre cada caso específico, e procurado nos imbuir do propósito correto para agir, veremos que o reparo dos danos causados divide, em várias classes, aqueles aos quais nos devemos dirigir. Haverá os que deverão ter preferências, tão logo estejamos razoavelmente confiantes em poder manter nossa sobriedade. Haverá aqueles aos quais poderemos fazer uma reparação apenas parcial, para que revelações completas não façam a eles e a outros mais danos do que reparos. Haverá outros casos em que a ação deverá ser adiada, e ainda outros em que, pela própria natureza da situação, jamais poderemos fazer um contato pessoal direto”.

15. “Tão logo passemos a ter confiança em nosso novo modo de vida e tenhamos começado a convencer, pelo nosso comportamento e exemplo, os que nos rodeiam de que, de fato, estamos nos modificando para melhor, poderemos, sem medo, falar, com total franqueza, com àqueles que foram seriamente afetados, mesmo que alguns deles pouco ou nada saibam a respeito do que lhes fizemos. A única exceção que faremos será nos casos em que as revelações possam causar dano maior. Estas conversações podem começar de maneira casual e natural. Porém, se nenhuma oportunidade se apresentar, em algum momento havemos de querer reunir toda a nossa coragem, encaminharmo-nos diretamente para a pessoa indicada e espalhar nossas cartas na mesa. Não há necessidade de nos banharmos no remorso excessivo ante aqueles que temos prejudicado, entretanto, reparações deveriam ser sempre francas e generosas”.

16. “Podem surgir muitas situações delicadas em outros setores da vida onde está envolvido este mesmo princípio. Suponhamos, por exemplo, que tenhamos gasto em bebida uma boa parcela de dinheiro de nossa firma, seja ‘tomando-o emprestado’ ou exagerando nossos gastos de viagem. Suponhamos que o fato continuará desconhecido se nada falarmos. Confessamos imediatamente nossas irregularidades perante a firma, na quase certeza de que isto os obrigará a nos demitir e nos tornar praticamente, não-empregáveis? Seremos tão rigidamente corretos, ao fazer nossos reparos que não nos importam as conseqüências para nossa família e nosso lar? Ou antes consultaremos aqueles que serão gravemente afetados? Submeteremos o assunto a nosso padrinho ou conselheiro espiritual, pedindo ardentemente, a ajuda e orientação de Deus - mas resolvendo atuar de maneira certa, quando ficar claro, custe o que custar? É claro que não existe uma fácil resposta que solucione todos os dilemas deste tipo. Mas todos requerem, isto sim, a completa disposição de fazer todas as reparações de forma tão rápida e completa quanto permitirem as condições do momento”.

17. “Acima de tudo deveríamos tentar ser absolutamente seguros de que não estamos demorando por causa do medo. Pois a disposição de aceitar todas as conseqüências de nossos atos passados e, ao mesmo tempo, de assumir a responsabilidade pelo bem estar de outros, constitui o próprio espírito do Nono Passo”.

18. “Quando você é bom para com os outros, é melhor para você mesmo. Há pessoas que nunca vêem o que se faz por elas; - só enxergam o que se deixa de fazer”.

19. “Se encontrares um amigo, és feliz; porém se não o encontrares, procura-o em um espelho, e verás o mais certo”.

20. “Querer amar a Deus? Ama também o teu próximo! De nada vale que o homem diga que ama Deus, se nunca pratica um só ato que demonstre essa afirmação. Deus fez o homem reto, mas ele se meteu em muitas astúcias”.

21. “Resolva seu problema! Há muito tempo você se propõe reformar sua vida, melhorar seus atos, cessar definitivamente suas inadequações. Vamos, então, começar a partir deste momento! Não deixe para amanhã o que podes fazer hoje. ... De certo você não há de resolvê-lo do dia para a noite. Mas, comece já! E se cair de novo, não desanime: Saiba começar quantas vezes for preciso!”

22. “Cada um de nós é responsável por seus atos. Por que vai desanimar, pelos que os outros fizeram a você? Que tem você a ver com isso? Siga à frente, ainda que o mundo inteiro esteja contra você. Você há de vencer, mesmo que fique sozinho. Continue sem desânimo, porque você é o único responsável pelos seus atos”.

23. “Tenha cuidado em não magoar ninguém com suas ações, nem com suas palavras. Aprenda a dizer o ‘Não’ de tal forma, que não melindre. Não seja ríspido nem demonstre intolerância. compreenda o ponto de vista dos outros, que têm tanto direito, quanto você, de ter a sua própria opinião. Use, em todos os seus atos e palavras, de benevolência e gentileza. Domine sua irritabilidade”!

24. “Tenha fortaleza de ânimo, para resistir a todos os embates e tempestades do caminho. Não se iluda: mesmo a estrada do bem está cheia de tropeços e dificuldades ... Marche de cabeça erguida, confiantemente, e vencerá todos os obstáculos da caminhada. E, se for ferido, lembre-se de que as cicatrizes serão luzes que marcarão a sua vitória”.

25. “Não perca sua calma! Não se deixe dominar pela cólera. Que jamais o sol se deite sobre sua raiva. Contenha-se o mais que puder. Um simples raio de cólera pode destruir longas e pacientes sementeiras de amor e carinho! Procure dominar-se. Quem sabe se a pessoa que o ofendeu não está doente? Não perca sua calma ... Seu fígado é demais precioso para que você o estrague”.

26. “Não julgue seu próximo. Não pense mal das pessoas. Quantas vezes as aparências enganam, e o que pensamos ser um erro é o que está certo nos outros. Não julgue para não ser julgado! Se você estivesse na situação ‘dele’, talvez fizesse pior. ... Não faça aos outros o que não gosta que os outros façam a você”.

27. “Se algo de errado lhe acontecer na vida, não diga que é ‘vontade de Deus’. Não! Deus quer apenas nosso bem e nossa felicidade, e nos dá os meios de sermos felizes. O mal que vem sobre nós é resultado dos erros do passado, de nossa ignorância. Faça em seu redor uma sementeira de bondade e de perdão, para que amanhã possa colher os frutos da paz e da felicidade”.

28. Alguns Exemplos:

29. Um militar, no auge de seu alcoolismo, atuando em Belém do Pará; uma noitada de orgia terminou numa gravidez. Ele, com peculiar arrogância disse: “Para provar que sou homem assumo a paternidade”. Mas tudo não foi além disso. Nunca lhe deu um só centavo para o sustento e muito menos uma única palavra de afeto. Os anos passando e o fundo de poço aumentando, e ele da filha sempre se esquivando. Numa das fugas geográficas, veio parar em Curitiba, onde em A.A., encontrou a sobriedade e com ela o desejo de conhecer a filha e tentar reparar. Mas, cadê a coragem e ademais por onde começar, se os anos até o endereço puderam apagar? Trinta e três anos depois o encontro de ambos foi assim: - O AA, chorando: - “Minha filha, eu aprontei muito com o meu alcoolismo. Porém, agora aprendi a viver o “Só Por Hoje”!, e como amanhã pode ser tarde, aproveito este hoje para te pedir desculpas pela vergonha e privações que te fiz passar”. A filha chorando respondeu: “Agora é hora de amar e amar, e eu te amo muito papai. A felicidade para mim sempre foi algo abstrato, distante, utópico. Hoje eu sei que ela existe, dá até para tocá-la com as mãos, sentir seu cheiro. Ela é pura e tão simples, que assustou-me e pergunto se mereço estar tão perto dela. Pai, nós, merecemos, sim. Agora estamos em paz. A vida tem novo sentido para nós. Deus nos deu este presente, aceitemos”! No dia seguinte entregou ao pai esta poesia:

“PAI,
Não é tarde, eu sei
foi-se a aurora, vem o entardecer
Já te vais da meia idade
mas para mim é só alvorecer

A jornada trilhamos
aflitos, calados, dispersos sem querer
mas o senhor tempo, inexorável
parece o governo do destino exercer

Vês quão curta é a mocidade
um fugaz brilho e vira saudade
como fogo ardente a arrefecer

Eis que hoje veio a estiagem
para o pranto passado adormecer
na plenitude da alma inquieta
é cedo, pai, é hora de colher”.

Escrito em outubro /94, após um encontro ansiado por 33 anos. Pai e filha se descobrem e tentam juntar o que se partiu. É sempre tempo de ser feliz! Guarde esta poesia, pai, ela é o marco de uma fase nova de nossas vidas. Assinado: - E.L.T.A.

30. Um sacerdote AA foi para um retiro em Porto Alegre, visando ir também, para o interior gaúcho e fazer reparação com seu superior. Terminado o retiro, entrou na capela para pedir orientação Divina. Enquanto orava, entrou na mesma, o seu superior que, imediatamente dirigiu-se ao companheiro AA, dizendo: “Meu bom irmão e querido confrade, desculpe eu tê-lo tratado tão mal quando bebia. Eu não sabia que era doença, se soubesse teria sido diferente.” E aí mesmo os dois, se abraçaram, emocionados choraram e se desculparam fraterna e mutuamente.

31. Um AA de Curitiba, se esquivava de um credor que, já considerava a divida perdida. Certo dia, passando em frente ao escritório do credor decidiu entrar pensando: “Ele vai chamar a polícia, ou me dar um murro na cara ou me expulsar do escritório”. O escritório estava lotado de pessoas, mas o credor, percebendo a presença do devedor, pediu licença aos demais e, o atendeu com primazia dizendo: “Olá amigo, a quanto tempo? O que manda?” Resposta: “Doutor, vim aqui para estudarmos um acerto daquela conta antiga”. “Escute, amigo, você poderia amortizar 1y por mês?” Resposta: “Estou pensando em pagar pelo menos 2y mensais”. Retrucou credor: “Então você pagará 1y ou 2y mensais, como lhe convier”. Este bom AA comprou, por muito pouco, sua paz e o direito de andar, novamente, de cabeça erguida.

32. Aimé Duval (Lucien), em seu livro, “Eu, Padre Alcoólatra”, escreve: “Minha senhora, acho que já deve ter notado que não estou mais bebendo cerveja ... Há um ano, para ser exato, que deixei de beber. Não foi nada fácil, mas acho que venci o problema e hoje estou muito melhor. Estou dizendo isto não para gabar-me, mas porque desejo pedir-lhe desculpas por todas as vezes que bebi mais do que devia aqui neste seu Café. Perdoe-me, sim?” Ela ficou em silêncio por alguns momentos; depois arregaçou a manga do vestido e pude ver, então, uns algarismos tatuados em sua pele, em cor azulada. Aí me disse: “Isto é o meu número de campo de concentração. Mas acho que não passei pedaços tão maus quanto o senhor. Porque a bebida é, seguramente, algo que faz sofrer .
- “Quando me despedi, a boa mulher não quis aceitar o dinheiro do café “.

33. Na 1ª edição “Dos Doze Passos”, em áudio, um companheiro diz: “O Nono Passo entra agora como o caminho do perdão, do auto-perdão e da libertação....No sentido de, através do pedido de perdão, libertar-me do sentimento de culpa, vergonha, ressentimentos, auto-piedade e remorsos. ... Uma ocasião um companheiro de grupo me chamou de lado e falou: ‘Mas, se eu sou doente que culpa posso ter dos meus atos do passado? Por quê mexer em coisas que quero esquecer e sepultar’? A cegueira da observação levou-me a expor os porquês da racionalização e complementei: ‘Se você quer viver em paz com a própria consciência, necessita estar em paz também com o próximo. E isso nunca será possível, tendo essa imensa barreira da raiva, dos ressentimentos e da culpa entre os dois. Com essa atitude egoísta você jamais poderá perdoar-se também. Põem o orgulho de lado e tente começar pelos mais fáceis. E veja, se o outro não receber bem sua iniciativa, você terá feito sua parte. Sua consciência poderá ficar em paz. A ação honesta e sincera foi praticada. Esse nosso companheiro, continua em A.A. e mantém a mesma postura daquela época mas, a um preço muito alto. É um dos campeões em recaídas”.
Continuando sua narrativa o companheiro diz: “Em 1982, logo depois que eu parei de beber, eu procurei o presidente de uma empresa, onde eu havia trabalhado no ano anterior e havia aprontado feio. Essa empresa investiu muito em vários projetos que eles estavam desenvolvendo. E de repente eu tomei um porre e abandonei tudo. Pedi demissão por telefone. E nunca mais consegui encontrar essa pessoa. Depois que parei de beber, um dos objetivos meus era procurá-lo e fazer a reparação devida. A secretária sempre constituiu uma barreira intransponível, de forma que eu não tinha acesso a ele de maneira nenhuma. Mais algumas tentativas frustradas e eu pus a coisa de lado e disse: vou esperar uma oportunidade. E essa oportunidade não tardou. Um dia eu estava na sala de embarque, da ponte aérea do aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro, e ele estava lá também, e, quando me viu virou as costas. Eu fui lá e bati nas costas dele. Quando ele se virou para mim eu segurei nos ombros dele e comecei a falar, falar, falar, me explicar e pedir perdão. Cinco minutos depois ele estava abraçado a mim chorando. Se tornou, depois disso, um dos grandes amigos que tive, após a parada, até o ano passado, quando ele morreu. Ele era uma pessoa sensacional mas, em decorrência do meu comportamento alterado, esse homem não podia nem ouvir falar no meu nome. E a pratica do Nono Passo me mostrou que, realmente, ela funciona. Eu senti uma sensação de alívio e de libertação tão grande que esse, talvez, tenha sido um dos maiores incentivos para que eu continuasse praticando o Nono Passo.” - “Vá Com Calma, Mas Vá”! E “Ação É A Palavra Mágica”!

34. “Procurai suportar com ânimo, tudo aquilo que precisa ser feito”.

35. “Não desanime, não pare no primeiro degrau da ascensão. Se a dúvida o assaltar, se a tristeza bater à sua porta, se a calúnia o ferir, erga sua cabeça corajosamente e contemple o céu, o céu iluminado e tranqüilo. Embora recoberto de nuvens, você sabe que passarão, e o céu voltará a brilhar. Siga à frente, que todas as nuvens da existência também hão de passar e voltará a brilhar o sol da alegria ”.

36. “Para que essa difícil etapa de pedir perdão? ... Para que ninguém deixe, atrás de si, coisa alguma que seja menos honesto e, assim, todas as amizades possam recomeçar no Km. zero! Para podermos ter transparência no nosso relacionamento com as pessoas. Mas, acima de tudo, essa etapa é importante para ‘passar a borracha’ apagar as linhas tortas e voltar a comer um pão honesto no banquete da vida! ”

37. “Qualquer pessoa pode ser modificada para melhor, se ela assim se propuser. Evite desafiar os outros para discussões inúteis. Tire os óculos enfumaçados através dos quais vê o que lhe parece ser as tristezas da vida; e em seu lugar veja somente a luz do sol da amizade”.

38. “Respeita a ti mesmo, e terás um caráter nobre. Um homem sem caráter é uma ama sem leite, um soldado sem armas, um viajante sem dinheiro”.

39. “Aquilo que não tem um princípio justo, não terá um término feliz”.

40. “A boa reputação é um segundo patrimônio. A boa educação é moeda de ouro: em toda parte tem valor. As boas maneiras podem mais que as armas, que matam e ferem”.

41. “Há pessoas que falam mal de todos, para inculcar que só elas prestam. Quem te fala dos defeitos alheios, com alguém fala dos teus. Se alguém disser mal de ti, não o digas tu dele; para que a ele não te assemelhes. Falar mal dos outros é um modo desonesto de nos elogiarmos. Quando quiser falar mal de alguém, escreva na areia da praia, perto das ondas”.

42. “Não te deixes vencer pelo mal, vence o mal com o bem. Elevamo-nos acima daqueles que nos ofendem, perdoando-lhes”.

43. “Não há juiz mais justo e mais severo do que o tempo”.

44. “Há entre o homem e o tempo contradições bem fatais: O Homem - não faz e diz, o tempo - não diz e faz. Tarde chega, quem se detém para atirar pedras nos cães que ladram. É preferível você ceder o caminho a um cão, a ser mordido por ele, ao reclamar o seu direito. Mesmo matando o cachorro, a dentada não ficaria curada”.

45. “Não se martirize por causa dos defeitos alheios. A verdadeira filosofia da vida consiste em perdoar e compreender a fraqueza”.

46. “Até aqui temos considerado o perdão como sendo uma das grandes virtudes; agora sabemos ser ele uma necessidade”.

47. “É perdoando que somos perdoados”.

48. “Princípios da eficiência: Não temer o futuro nem idolatrar o passado. O insucesso é apenas uma oportunidade para começar de novo com mais inteligência. O passado só nos serve para mostrar nossas falhas e fornecer indicações para o progresso do futuro”.

49. “Há pessoas que estão sempre prevendo dores e pesares; e, deste modo, sofrem mágoas que nunca se realizam”.

50. “Deus concede o progresso a passos lentos, porque a luz repentina ofusca a vista”.

51. “Se alguém não o compreende, perdoe, e siga em frente! Não guarde em seu coração mágoas e ressentimentos, medo e tristeza. Caminhe para frente! Quanta gente espera de você apoio, compreensão e carinho! Se não o compreendem, não se importe. Perdoe e siga em frente, porque em todos os caminhos encontraremos sempre lições preciosas, que nos farão progredir”.

52. “Não alimente inimizades! Procure fazer as pazes com todos aqueles que estão de mal com você. Aproveite a oportunidade de estar ao lado de seus adversários, para fazer-lhes bem, em troca do mal que lhe fizeram. Não deixe escapar o ensejo de anular o mal em torno de você, enquanto estiver na terra, para que, ao sair dela, tenha sua consciência tranqüila”.

53. “Reconcilia-te com todas as coisas do céu e da terra. Quando se efetivar a reconciliação com todas as coisas do céu e da terra, tudo será teu amigo. Quando todo o Universo se tornar teu amigo, coisa alguma do Universo poderá causar-te dano. Se queres chamar-Me, reconcilia-te com todas as coisas do céu e da terra e chama por Mim. porque sou amor. Ao te reconciliares com todas as coisas do céu e da terra, aí, então, revelar-Me-ei”.

54. “Quando guardamos ressentimentos contra alguém, ficamos presos a essa pessoa por um elo cósmico, uma cadeia real, embora seja mental. Podemos cortar todos esses laços por um ato de perdão espiritual e definido. Tão importante é o perdão na vida humana que o grande mestre o incluiu na oração do Pai Nosso. ‘E perdoa-nos as nossas ofensas, assim como nós perdoamos nossos ofensores. Ensinemos a perdoar; mas ensinemos também a não ofender; será mais eficiente. Ensinemos com o exemplo, o respeito ao próximo”. “É preciso tolerar todas as pessoas e circunstâncias da vida”.

55. “Se nos empenharmos nesta fase do nosso crescimento, ficaremos surpreendidos antes de chegarmos a meio do caminho. Vamos conhecer uma nova liberdade e uma nova felicidade. Não vamos lamentar o passado nem querer fechá-lo no esquecimento. Iremos compreender o sentido da palavra serenidade e conhecer a paz. Mesmo que tenhamos descido muito baixo, veremos como a nossa experiência pode ser benéfica para outros. Os sentimentos de inutilidade e de autopiedade vão desaparecer. Vamos perder interesse pelas coisas egoístas e adquirir interesse pelos outros. A ambição pessoal irá atenuar-se. A nossa atitude global e o modo de olhar para a vida irão mudar. O medo das pessoas e da insegurança econômica vai-nos deixar. Saberemos intuitivamente como lidar com situações que nos costumavam deixar desorientados. Perceberemos de repente que Deus está a realizar por nós o que não conseguíamos fazer por nós próprios.
Estas promessas são extravagantes? Achamos que não. Estão a cumprir-se entre nós, umas vezes depressa, outras mais devagar. Acabarão sempre por se concretizar se trabalharmos para isso”.
56. O Professor e Teólogo, Mário Antonio Betiato, em seu Livro Cristologia, enfatiza uma afirmação do Professor Karl Rahner: “Perdoar sem ressentimentos. O perdão é o valor mais sublime e elevado do ser humano e, de fato, muito difícil de acontecer sem ressentimentos. Quando guardamos ressentimento o perdão não atingiu o coração de quem perdoou. Perdoar, de fato, é amar e desejar o bem a quem perdoamos; é não ser rancoroso e conseguir alegrar-se com o sucesso e a felicidade daqueles que um dia nos fizeram algum mal. Muitas vezes nós dizemos que perdoamos, mas somos, mas somos hipócritas quando contamos aos outros as ofensas que nos fizeram (nos fazemos de vítima), exatamente para diminuir quem nos ofendeu. Isto é vingança indireta e pessoas movidas pela graça não são vingativas.
Entretanto, há um limite, que somente cada um conhece, entre o perdão e a ingenuidade. Perdoar não significa dar oportunidade ao outro de repetir os mesmos erros cometidos...”

57. Sugiro, com humilde, aos AAs. para estudarem e praticarem o Programa de Alcoólicos Anônimos contido em nossa Literatura - disponível nos Grupos e Escritórios de Serviços Locais (ESL), pelo preço de reposição.

58. Despido de qualquer intenção de natureza religiosa, transcrevo alguns versículos Bíblicos, compatíveis com este Passo.

1Cor. 15,33-34. “Não se deixem iludir: as más companhias corrompem os bons costumes. Voltem a viver a vida séria e correta; e não pequem....”.

I Jo. 4,12. “Ninguém jamais viu a Deus; se nos amamos uns aos outros, Deus permanece em nós, e o seu amor é em nós aperfeiçoado”.

I Jo. 4,18. “No amor não há medo antes o perfeito amor lança fora o medo; porque o medo envolve castigo; e quem tem medo não está aperfeiçoado no amor”.

At. 7,26. “No dia seguinte apareceu-lhes quando brigavam, e quis levá-los à paz, dizendo: Homens, sois irmãos; por que vos maltratais um ao outro?”

I Ts. 4, 9. “...,vós mesmos sois instruídos por Deus a vos amardes uns aos outros;”

I Ts. 5,13. “E que os tenhais em grande estima e amor, por causa da sua obras. Tende paz entre vós”.

Eclo. 22,21-22. “Embora já tenha empunhado a espada contra o amigo, não se desespere, porque ainda há remédio. Ainda que já tenha aberto a boca contra o amigo, não se apavore, porque pode haver reconciliação. Mas o ultraje, a arrogância, a violação de segredos e a traição são coisas que fazem o amigo fugir”.

Hb. 12,14-15. “Procurem estar em paz com todos”.

Jd. 1,2. “Misericórdia, paz e amor vos sejam multiplicados”.

Jo. 13,35. “Nisto conhecerão todos que sois meus discípulos, se tiverdes amor uns aos outros”.

Lc. 6,28. “Bendizei aos que vos maldizem, e orai pelos que vos caluniam”.

Lc. 11, 4. “E perdoa-nos os nossos pecados, pois também nós perdoamos a todo aquele que nos deve; e não nos deixes entrar em tentação,[mas livra-nos do mal.]”

Mc. 7,22-23. “A cobiça, as maldades, o dolo, a libertinagem, a inveja, a blasfêmia, a soberba, a insensatez; todas estas más coisas procedem de dentro e contaminam o homem”.

Mc. 11,26. “Mas, se vocês não perdoarem, o Pai de vocês que está no céu não perdoará os pecados de vocês”.

Mt. 5,21-26. “...’Não mate! Quem matar será condenado...’Eu, porém, lhes digo: todo aquele que fica com raiva do seu irmão, se torna réu... Quem diz ao seu irmão: ’imbecil’, se torna réu ...quem chama o irmão de ’idiota’, merece o fogo... Portanto, se você for até o altar para levar a sua oferta, e aí se lembrar que seu irmão tem alguma coisa contra você, deixe a oferta aí diante do altar, e vá primeiro fazer as pazes com seu irmão; depois, volte para apresentar a oferta. Se alguém fez alguma acusação contra você, procure logo entrar em acordo com ele,...”

Mt. 5,38-48. “...não se vinguem de quem fez o mal a vocês ... Eu, porém, lhes digo: amem os seus inimigos,... E se vocês cumprimentam somente seus irmãos, o que é que vocês fazem de extraordinário?”

Mt. 7,12. “Tudo o que vocês desejam que os outros façam a vocês, façam vocês também a eles”.

Pr. 10,12. “O ódio excita contendas; mas o amor cobre todas as transgressões”.

Pr. 10,18. “O que encobre o ódio tem lábios falsos; e o que espalha a calúnia é um insensato”.

Pr. 12,20. “Engano há no coração dos que maquinam o mal; mas há gozo para os que aconselham a paz”.

Pr.14,22. “Porventura não erram os que maquinam o mal? mas há beneficência e fidelidade para os que planejam o bem”.

Pr. 15,17. “Melhor é um prato de hortaliça, onde há amor, do que o boi gordo, e com ele o ódio”.
Pr. 22,10. “Lança fora ao escarnecedor, e a contenda se irá; cessarão a rixa e a injúria”.
Pr. 25,23. “O vento norte traz chuva, e a língua caluniadora, o rosto irado”.
Rm. 1,29. “Estando cheios de toda a injustiça, malícia, cobiça, maldade; cheios de inveja, homicídio, contenda, dolo, malignidade;”
Rm. 12,9-10. “O amor seja não fingido. Aborrecei o mal e apegai-vos ao bem. Amai-vos cordialmente uns aos outros com amor fraternal, preferindo-vos em honra uns aos outros;”
Rm. 12,17. “A ninguém torneis mal por mal; procurai as coisas dignas, perante todos os homens”.
Rm. 13, 8-10. “... Com efeito: Não adulterarás; não matarás; não furtarás; não cobiçarás; ... tudo resume: Amarás ao teu próximo como a ti mesmo. O amor não faz mal ao próximo...”.
Sl. 34,13. “Guarda a tua língua do mal, e os teus lábios de falarem dolosamente”.
Sl. 34,14. “Aparta-te do mal, e faze o bem: busca a paz, e segue-a”.
Sl. 37, 8. “Deixa a ira, e abandona o furor; não te enfades, isso só leva à prática do mal”.


“Bibliografia": Alcoólicos Anônimos Edição Brasileira” “Os Doze Passos”, Alcoólicos Anônimos Edição Portuguesa” “ Os Doze Passos, Em Áudio ” “Eu, Padre Alcoólatra”, - D. A., Lucien. “Otimismo Em Gotas”, -O.R., Dantas. “Minutos De Sabedoria”, P. T., Carlos. “Superação”, - Hermógenes. “Oração De Amorização”, - Pe. P.J., Alírio. - “Sagradas Escrituras” - Edição Pastoral e Cristologia, Professor e Teólogo Mário Antonio Betiato.